{"id":11076,"date":"2012-04-24T08:23:00","date_gmt":"2012-04-24T10:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/04\/bissexta-mulheres-camaroes-ondas-e-tartarugas\/"},"modified":"2012-04-24T08:23:00","modified_gmt":"2012-04-24T10:23:00","slug":"bissexta-mulheres-camaroes-ondas-e-tartarugas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/04\/bissexta-mulheres-camaroes-ondas-e-tartarugas\/","title":{"rendered":"Bissexta &#8211; &quot;Mulheres, Camar\u00f5es, Ondas e Tartarugas&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Brejas+Abr_2011+0011.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"480\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Brejas+Abr_2011+001.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Nesta ter\u00e7a feira, a <b>coluna &#8220;Bissexta&#8221;, assinada pelo colunista Walter Monteiro<\/b>, fala n\u00e3o somente das pessoas &#8211; especialmente mulheres &#8211; que saem sozinhas como, principalmente, sobre a mania que o ser humano tem de julgar os outros.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Embora o post do colunista enfoque as mulheres, guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es confesso que em minhas andan\u00e7as petroleiras pelo Brasil \u00e0s vezes tenho a mesma impress\u00e3o quando me sento sozinho em bares e restaurantes.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b><i>Mulheres, Camar\u00f5es, Ondas e Tartarugas<\/i><\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Amiga minha casou-se com o trabalho faz anos. A mo\u00e7a tem seus predicados e pretendentes, mas tem horror s\u00f3 de ouvir falar em casamento e mesmo em relacionamentos. Homens s\u00f3 prestam se forem furtivos, ausentes e bissextos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Dia desses, a mo\u00e7a saiu do trabalho em pleno s\u00e1bado e foi viver um dia de menina.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Passou em casa, tomou um banho relaxante, vestiu uma roupa bonita, perfumou-se, maquiou-se e partiu para o shopping, \u00e0 cata de spas, massagens e compras redentoras. Planejou finalizar \u00e0 noite jantando em um restaurante com vista para o Gua\u00edba, fingindo que mirava a Ba\u00eda de Guanabara e o P\u00e3o de A\u00e7\u00facar ao fundo, atracada a um risoto de camar\u00e3o, com chope gelado. Sozinha, ela e as muitas sacolas de compras, o restaurante \u00e0 meia luz, com suas poltronas forradas em vermelho sedu\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Foi a\u00ed que a porca come\u00e7ou a torcer o rabo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A etiqueta vigente leciona que mulher alguma deve entrar em um restaurante de insinua\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas se n\u00e3o tiver devidamente escoltada de um macho, ainda mais na transi\u00e7\u00e3o para o domingo \u2013 todo mundo espera alguma coisa de um s\u00e1bado \u00e0 noite. Qualquer mulher que entrasse ali de saia min\u00fascula, de burca ou fantasiada de Carmem Miranda, mas de bra\u00e7os dados a um acompanhante (ou v\u00e1 l\u00e1, a uma amiga ou em grupo) chamaria menos aten\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Todos dela se compadeceram: imagina, que vida infeliz, em pleno s\u00e1bado aqui sozinha, sem ningu\u00e9m para repartir o risoto, tomando chope, tadinha, afinal nem um vinho ela pode pedir, quem toma vinho sozinha? Era gar\u00e7om, era maitre, era a mo\u00e7a do caixa, a mo\u00e7a do banheiro, todos os casais enamorados a lan\u00e7arem olhares de soslaio, um misto de compaix\u00e3o e estranheza.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Calhou da amiga me contar a hist\u00f3ria na v\u00e9spera de uma viagem minha para o Rio. Eu viajo toda semana para o Rio, quase sempre pela Azul, que entret\u00e9m seus passageiros com uns v\u00eddeos repetidos da televis\u00e3o paga.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>E eu vejo sempre um reality show que retrata a vida de uma fam\u00edlia, \u201cNalu pelo Mundo\u201d. Copiei e colei a descri\u00e7\u00e3o do programa:<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O surfista Everaldo Pato, Fabiana e a pequena Isabelle Nalu formam uma fam\u00edlia &#8220;sem casa&#8221;, que roda o mundo em busca de aventuras e ondas perfeitas. A s\u00e9rie mostra o dia a dia da fam\u00edlia, que viaja para lugares paradis\u00edacos, surfa altas ondas e se diverte com os pontos de vista da menina sobre todas as experi\u00eancias.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A ideia do programa, imagino, seja retratar uma vida que para muita gente seria um sonho: um casal jovem, bonito, com uma filha linda, que passa o tempo todo viajando para lugares incr\u00edveis, sem maiores preocupa\u00e7\u00f5es.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O protagonista \u00e9 um surfista profissional &#8211; embora eu nunca o tenha visto competindo, s\u00f3 se divertindo, mas a\u00ed a culpa deve ser minha, que n\u00e3o sou um telespectador ass\u00edduo. A m\u00e3e \u00e9 cinegrafista, nada mais perfeito para o programa, ele pega onda, ela filma. A menina tem 4 anos e s\u00f3 brinca. Todos parecem muit\u00edssimo felizes em suas respectivas vidas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas eu me deprimi vendo a vida deles&#8230;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A pequena Isabelle Nalu, que d\u00e1 nome \u00e0 s\u00e9rie, quase nunca \u00e9 vista na companhia de outras crian\u00e7as, n\u00e3o tem v\u00ednculos com ningu\u00e9m, n\u00e3o interage com outras crian\u00e7as. A s\u00e9rie est\u00e1 na quinta temporada e Isabelle tem apenas 4 anos: o que me deixa a impress\u00e3o de que ela \u00e9 uma vers\u00e3o havaiana de Truman, o famoso personagem de Jim Carrey que nasceu na TV.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o vai \u00e0 escola, pois sua m\u00e3e, seguindo aquela linha de direitistas americanos fan\u00e1ticos, declarou que vai assumir a responsabilidade pela educa\u00e7\u00e3o da menina. Belinha j\u00e1 visitou mais de 20 pa\u00edses, acompanhando a busca de seu pai por boas ondas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A m\u00e3e tem, basicamente, duas atividades:<\/div>\n<div><\/div>\n<div>a) um papel de dona de casa cl\u00e1ssico (se \u00e9 que o termo se aplica, j\u00e1 que a fam\u00edlia n\u00e3o vive em casa), cuidando da filha, fazendo limpeza, cozinhando, coisas assim;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>b) filmar cenas para o programa, que se resume \u00e0s citadas tarefas dom\u00e9sticas, ao marido e seus amigos pegando onda e \u00e0s cenas da fam\u00edlia em permanente deslocamento.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o se chocar com o paradoxo proposto pelo reality show: uma fam\u00edlia com uma roupagem de uma modernidade extrema (inclusive pelas roupas de adolescente que o protagonista insiste em vestir, mesmo quase quarent\u00e3o), mas que cultua h\u00e1bitos do passado, como a submiss\u00e3o ao pai como centro das aten\u00e7\u00f5es e detentor do controle absoluto dos des\u00edgnios de todos &#8211; a ponto de m\u00e3e e filha perderem suas respectivas identidades e conformarem-se apenas em seguir o surfista sem fronteiras.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em que pese o terceiro mil\u00eanio, a vida ainda tem dessas coisas&#8230; Uma mulher independente e bem resolvida \u00e9 alvo de olhares maliciosos quando resolve comer um risoto de camar\u00e3o desacompanhada; uma mulher que se dedica a filmar o marido \u00e9 cultuada na TV como um modelo de sonhos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O bom \u00e9 que tanto a minha amiga quanto a mulher do surfista parecem exalar felicidade o tempo inteiro, enquanto os tolos gar\u00e7ons e eu pr\u00f3prio ficamos aqui, a julg\u00e1-las com nossos olhares preconceituosos, que se recusam a admitir que pessoas possam ser felizes \u00e0 sua maneira ao inv\u00e9s daquela que idealizamos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O leitor a\u00ed sabe por que a tartaruga vive mais de 100 anos? \u00c9 porque ela n\u00e3o se mete na vida de ningu\u00e9m. Tartaruguemos, pois.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta ter\u00e7a feira, a coluna &#8220;Bissexta&#8221;, assinada pelo colunista Walter Monteiro, fala n\u00e3o somente das pessoas &#8211; especialmente mulheres &#8211; que saem sozinhas como, principalmente,Tour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[27,6],"class_list":["post-11076","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-bissexta","tag-sociedade","tag-vida-cotidiana"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11076","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11076"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11076\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11076"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11076"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11076"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}