{"id":11023,"date":"2012-06-07T09:36:00","date_gmt":"2012-06-07T11:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/06\/tangentes-paralelas-cerveja-ao-gosto-das-mulheres\/"},"modified":"2012-06-07T09:36:00","modified_gmt":"2012-06-07T11:36:00","slug":"tangentes-paralelas-cerveja-ao-gosto-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/06\/tangentes-paralelas-cerveja-ao-gosto-das-mulheres\/","title":{"rendered":"Tangentes Paralelas &#8211; &quot;Cerveja, ao Gosto das Mulheres&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-jQMVb2LileY\/T84lgIuPV3I\/AAAAAAAAE98\/2JvAKYIShjI\/s1600\/Campinas-20120602-00668.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" fba=\"true\" height=\"400\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Campinas-20120602-00668.jpg\" width=\"300\"><\/a><\/div>\n<div>Temos mais uma estreia esta semana no Ouro de Tolo: <strong>a coluna \u201cTangentes Paralelas\u201d, assinada pela historiadora e militante dos direitos das mulheres e dos homossexuais Gabriela Alves<\/strong>.<\/p>\n<p>Gabriela participou do curso da semana passada em Campinas na mesma turma que eu (foto acima) e acabamos conversando por um bom tempo. Apesar de termos experi\u00eancias de vida diametralmente opostas, uma conversa inteligente sempre aproxima as pessoas e cria afinidades. \u00c9 isso.<\/p>\n<p>A coluna ser\u00e1 semanal, sempre \u00e0s sextas feiras \u2013 com exce\u00e7\u00e3o da semana onde houver o texto mensal sobre tecnologia, quando passa para as quintas. No texto de estreia Gabriela parte do curso para demonstrar a import\u00e2ncia da presen\u00e7a feminina na hist\u00f3ria da cerveja.<\/p>\n<p>O Ouro de Tolo d\u00e1 as boas vindas e vamos ao texto.<\/p>\n<p><strong><em>Cerveja, ao Gosto das Mulheres<\/em><\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>H\u00e1 anos a cerveja tem sido restrita ao universo masculino, tanto no processo de fabrica\u00e7\u00e3o \u2013 os mestres cervejeiros, jamais as mestras &#8211; quanto no consumo e publicidade. No curso Degusta\u00e7\u00e3o e Cultura Cervejeira, promovido pelo sommelier de cerveja Mauricio Beltramelli no Bar Brejas, em Campinas, encontramos a oportunidade de reverter absolutamente este pr\u00e9-conceito.<\/p>\n<p>Logo de in\u00edcio, tive o feliz impacto de encontrar uma turma que, numericamente, equiparava-se entre homens e mulheres. Reuniam-se ali entusiastas da cerveja, apaixonados por r\u00f3tulos de cervejarias belgas e alem\u00e3s, micro-cervejarias brasileiras, empres\u00e1rios do ramo da venda de cervejas, etc. O questionamento inicial feito pelo sommelier-palestrante diante da turma foi: \u201cQuem inventou a cerveja?\u201d. <\/p>\n<p>Poucos hesitaram citar algum nome, at\u00e9 surgir na parede que projetava os slides do curso a imagem de uma mulher sum\u00e9ria, pilando gr\u00e3os de malte. \u201cQuem inventou a cerveja foi a mulher!\u201d.<\/p>\n<p>A mulher sum\u00e9ria, respons\u00e1vel pela coleta de gr\u00e3os e cereais, descobriu a cerveja quando estes gr\u00e3os, sob a \u00e1gua da chuva, fermentaram ao ar livre, tornando-se um importante alimento no per\u00edodo. Ainda que reduzida ao fabrico da bebida no ambiente dom\u00e9stico, desde a antiguidade a mulher ficou encarregada de produzir esta bebida para o consumo pr\u00f3prio e familiar.<\/p>\n<p>Ainda no mundo antigo, os povos mesopot\u00e2micos e eg\u00edpcios mantiveram esta tradi\u00e7\u00e3o cervejeira por s\u00e9culos, at\u00e9 atingir a Europa por meio das rotas do com\u00e9rcio mediterr\u00e2neo, chegando \u00e0 Gr\u00e9cia. L\u00e1, a domina\u00e7\u00e3o romana impedira que a cerveja fosse adotada como um alimento ou que ganhasse qualquer status de uma bebida importante, elegendo o vinho como bebida oficial &#8211; j\u00e1 que a uva encontrava um solo mais f\u00e9rtil para ser cultivada nestas regi\u00f5es do que os gr\u00e3os depois transformados em malte. Neste per\u00edodo, a cerveja seria caracter\u00edstica dos \u2018povos b\u00e1rbaros\u2019 do norte, nas atuais regi\u00f5es da Alemanha e Leste Europeu.<\/p>\n<p>Findo o Imp\u00e9rio Romano, a cerveja encontra espa\u00e7o para ser aprimorada nas Abadias da Idade M\u00e9dia, que criam o estilo Trapista de cerveja artesanal, conhecido pelos famosos r\u00f3tulos Chimay, Rochefort e Westvleteren, entre outros. Neste contexto, a mulher j\u00e1 n\u00e3o encontrava grande espa\u00e7o para desenvolver suas pr\u00e1ticas cervejeiras, visto que n\u00e3o eram aceitas nos mosteiros da Igreja Cat\u00f3lica, muito menos poderiam atuar como copistas das t\u00e3o secretas receitas cervejeiras produzidas pelos abades. <\/p>\n<p>Se soubessem ler, correriam inclusive o risco de parar na fogueira da Inquisi\u00e7\u00e3o, sempre a postos para reprimir qualquer m\u00ednimo gesto de autonomia feminina, julgando-as prontamente como bruxas. De qualquer forma, a cerveja consumida por grande parte da popula\u00e7\u00e3o pobre continuava sendo feita em casa, pelas mulheres, as grandes mestras cervejeiras da Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Na Revolu\u00e7\u00e3o Industrial alguns tipos de cerveja passam a ser produzidos exclusivamente para consumo dos oper\u00e1rios e carregadores, como foi o caso das Porters inglesas. Em escala industrial, agora na m\u00e3o de empres\u00e1rios do ramo, as cervejas deixaram de ser produzidas pelas mulheres, que neste per\u00edodo se encontravam nas f\u00e1bricas trabalhando em longas e exaustivas jornadas junto aos seus filhos. No tempo cada vez mais veloz e exigente do per\u00edodo industrial, tanto homens como mulheres preferiam comprar cerveja em lojas de conveni\u00eancia a fabric\u00e1-la em casa.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/--Y6I1ciZKQ8\/T84l5Hu7V_I\/AAAAAAAAE-E\/s5rcaJNJht8\/s1600\/Campinas-20120602-00673.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" fba=\"true\" height=\"400\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Campinas-20120602-00673.jpg\" width=\"300\"><\/a><\/div>\n<div>Hoje, quando a mulher \u00e9 relacionada ao universo cervejeiro, ela est\u00e1 para a venda do produto como uma lata de cerveja est\u00e1 para o consumidor. A mulher deve ent\u00e3o ser consumida, tal como consumimos o malte da cevada, e perdeu completamente seu papel de agente hist\u00f3rico como conhecedora das t\u00e9cnicas do fabrico de cerveja, e inclusive, de um consumo aut\u00f4nomo e livre da figura masculina, que hoje \u2018tutora\u2019 seu consumo nas grandes campanhas publicit\u00e1rias. <\/p>\n<p>A tradicional cervejaria tcheca Pilsner Urquell, uma das degustadas em nosso curso, n\u00e3o parece deter este preconceito contempor\u00e2neo, produzindo bonitos pain\u00e9is destas mesmas mulheres se divertindo na companhia de outras, tamb\u00e9m mulheres, regadas \u00e0 cerveja. <\/p>\n<p>Elas n\u00e3o s\u00e3o auxiliares de venda, n\u00e3o exibem o suor do corpo comparado ao suor de uma garrafa gelada: mas sim, as consomem. Quando n\u00e3o s\u00e3o meras consumidoras, s\u00e3o tamb\u00e9m grandes mestras cervejeiras &#8211; como \u00e9 o caso de Amanda Reitenbach, que promove o curso de Fabrica\u00e7\u00e3o de cerveja artesanal no mesmo Bar Brejas, em Campinas.<\/p>\n<p>Inventoras hist\u00f3ricas da cerveja, mestras cervejeiras, consumidoras e apreciadores desta maravilhosa bebida e alimento important\u00edssimo para muitos povos na Hist\u00f3ria, as mulheres mant\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o com a cerveja muito mais complexa e especial do que o marketing publicit\u00e1rio vulgar tenta nos convencer na atualidade. <\/p>\n<p>No cartaz abaixo, vemos duas tchecas consumindo esta saboros\u00edssima Lager lupulada, naturalmente amarga como apreciam os tchecos, com um prazer contagiante &#8211; \u201co gosto das mulheres\u201d!<\/p>\n<p>At\u00e9 semana que vem!<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-lgt6zt_-AjQ\/T84ni9zZJYI\/AAAAAAAAE-M\/J-0My46w1iw\/s1600\/Pilsner+Urquell.JPG\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" fba=\"true\" height=\"400\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Pilsner+Urquell.jpg\" width=\"390\"><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Temos mais uma estreia esta semana no Ouro de Tolo: a coluna \u201cTangentes Paralelas\u201d, assinada pela historiadora e militante dos direitos das mulheres e dosTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[289],"tags":[23,35,116],"class_list":["post-11023","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-pedro-migao","tag-cerveja","tag-historia","tag-tangentes-paralelas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11023","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11023"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11023\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11023"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11023"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11023"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}