{"id":10980,"date":"2012-07-14T10:32:00","date_gmt":"2012-07-14T12:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/07\/buraco-da-fechadura-feijoada-completa\/"},"modified":"2012-07-14T10:32:00","modified_gmt":"2012-07-14T12:32:00","slug":"buraco-da-fechadura-feijoada-completa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/07\/buraco-da-fechadura-feijoada-completa\/","title":{"rendered":"Buraco da Fechadura &#8211; &quot;Feijoada Completa&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-HvtP5FcZ7xk\/T_8i7EEfCGI\/AAAAAAAAFXQ\/CtT0zzTew6I\/s1600\/feijoada.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"426\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/feijoada.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<div>Neste s\u00e1bado, <strong>a coluna de contos do compositor Aloisio Villar, a \u201cBuraco da Fechadura\u201d<\/strong>, traz uma festa culin\u00e1ria que se torna indigesta&#8230;<\/p>\n<p><em><strong>Feijoada Completa<\/strong><\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div><em>\u201cMulher, voc\u00ea vai gostar:<br \/>T\u00f4 levando uns amigos pra conversar.<br \/>Eles v\u00e3o com uma fome<br \/>Que nem me contem;<br \/>Eles v\u00e3o com uma sede de anteontem.<br \/>Salta a cerveja estupidamente<br \/>Gelada pr&#8217;um batalh\u00e3o<br \/>E vamos botar \u00e1gua no feij\u00e3o\u201d<\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Esses versos s\u00e3o da m\u00fasica \u201cFeijoada Completa\u201d de Chico Buarque e retratam bem como era a feijoada da dona Zez\u00e9, a mais famosa do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o popular mais difundida sobre a origem da feijoada \u00e9 a de que os senhores das fazendas de caf\u00e9, das minas de ouro e dos engenhos de a\u00e7\u00facar forneciam aos escravos os &#8220;restos&#8221; dos porcos, quando estes eram carneados.<\/p>\n<p>O cozimento desses ingredientes, com feij\u00e3o e \u00e1gua, teria feito nascer a receita. Tal vers\u00e3o, contudo, n\u00e3o se sustenta, seja na tradi\u00e7\u00e3o culin\u00e1ria, seja na mais leve pesquisa hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Segundo especialistas em assuntos culturais e historiadores do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, essa alegada origem da feijoada n\u00e3o passa de lenda contempor\u00e2nea nascida do folclore moderno, em uma vis\u00e3o romanceada das rela\u00e7\u00f5es sociais e culturais da escravid\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o tinha nada de lenda era a esplendorosa feijoada de dona Zez\u00e9.<\/p>\n<p>Zez\u00e9 era baiana do Imp\u00e9rio Serrano, desfilando na escola desde pequenina. At\u00e9 que decidiu descansar e comprou um s\u00edtio em <\/p>\n<p>Mag\u00e9, interior do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Mas o descanso de Zez\u00e9 era trabalho. Ela tinha um bar na frente do s\u00edtio que reunia quase todos os bebuns da cidade e outros do Rio, que iam at\u00e9 o local matar saudades da velha baiana. A rapaziada adorava ouvir as hist\u00f3rias de Zez\u00e9 e principalmente ir at\u00e9 l\u00e1 para o \u201cbeija m\u00e3o\u201d. Ela era a madrinha de todos.<\/p>\n<p>Revelou muitos artistas de sucesso: muitos bambas hoje das escolas de samba devem seus sucessos \u00e0 velha baiana. Ent\u00e3o, quando ela realizava uma de suas famosas feijoadas no s\u00edtio o Rio de Janeiro parava.<\/p>\n<p>Era a feijoada mais famosa que existia. Reunia artistas, famosos que lhe tinham devo\u00e7\u00e3o, aspirantes com o sonho do estrelato, pol\u00edticos, jogadores de futebol&#8230; Todos se espremiam e confraternizavam para provar aquela del\u00edcia e tomar uma cerveja gelada ao som de muito partido alto.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O feij\u00e3o era muito saboroso e levava carne de todos os tipos. Carne seca, orelha de porco, rabo de porco, p\u00e9 de porco, costelinha, paio e lingui\u00e7a portuguesa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o podiam faltar as cebolas grandes, o ma\u00e7o de cebolinha verde picadinho, folhas de louro, dente de alho, pimenta do reino, pinga, sal, couve, farofa e claro a laranjinha e o torresmo &#8211; que d\u00e3o todo o sabor.<\/div>\n<div>E dependendo da quantidade de gente, mais \u00e1gua no feij\u00e3o.<\/p>\n<p>O sonho de qualquer carioca que tenha um pouquinho de balacobaco e telecoteco nas veias era ser convidado para essa feijoada e no fim daquela semana haveria mais uma.<\/p>\n<p>Zez\u00e9 era casada com Joca, antigo compositor da Portela. Isso fazia ocorrer uma rivalidade dentro de casa entre as duas grandes escolas de samba de Madureira.<\/p>\n<p>Joca era o t\u00edpico malandro carioca.<\/p>\n<p>Adorador de uma pinga e de sinuca: chegava altas horas da noite em casa, rei do carteado e dizem, das mulheres. O que provocava grandes \u201cq\u00fciproqu\u00f3s\u201d na resid\u00eancia dos baluartes do samba. N\u00e3o era raro acontecer de panelas voarem pra cima de Joca e o malandro dormir do lado de fora &#8211; com cachorro lhe lambendo o focinho.<\/p>\n<p>A velha era danada e depois da velhice a coisa foi ficando s\u00e9ria. At\u00e9 queixa em delegacia Joca deu depois de apanhar da mulher.<\/p>\n<p>Mas o tempo era de alegria, era dia de feijoada!!<\/p>\n<p>Dona Zez\u00e9 acordou cedo e pegou duas das noras para ajudar. A Z\u00e9lia, mulher de seu filho mais velho Joquinha e a Yara, mulher de Nestor, o do meio. Norminha, namorada de Dinho, fugiu: essa s\u00f3 queria saber de \u2018piriguetear\u2019.<\/p>\n<p>A senhora colocara de molho na v\u00e9spera as carnes j\u00e1 salgadas e na manh\u00e3 do evento levou o feij\u00e3o preto ao caldeir\u00e3o com bastante \u00e1gua. Em outra panela ferveu os ingredientes postos de molho e j\u00e1 no fim da manh\u00e3 na companhia das noras juntava o refogado feito \u00e0 parte e deixava ferver.<\/p>\n<p>Os convidados chegavam e dona Zez\u00e9 recebia a todos com sorriso aberto. Joquinha e Nestor chegavam com os engradados de cerveja e Dinho preparava a caipirinha que nunca pode faltar a uma feijoada. Era uma grande festa.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Uma roda de samba foi montada misturando sambistas da velha e da nova gera\u00e7\u00e3o. Mulatas faceiras sambavam e a caipirinha batia bem na garganta acompanhada da cacha\u00e7a e da cerveja. O torresmo enganava a fome dos convidados enquanto a feijoada ficava pronta.<\/p>\n<p>Dona Zez\u00e9 deixou as noras tomando conta da cozinha e pegou o microfone para cantar sambas antigos do Imp\u00e9rio Serrano. A escola do morro da Serrinha, fundada em 1947, \u00e9 in\u00fameras vezes campe\u00e3 do carnaval carioca, uma das escolas mais tradicionais e respeitadas e dona de um acervo fant\u00e1stico de sambas.<\/p>\n<p>Cada vez mais convidados chegavam e escutavam logo na entrada a voz aveludada de dona Zez\u00e9. Candidatos \u00e0 C\u00e2mara dos Deputados misturavam-se a b\u00eabados sem identidade que eram apenas conhecidos por apelidos. <\/p>\n<p>Um deles, o Xex\u00e9u, era metido a poeta e adorava declamar suas poesias no meio do samba. O homem parecia incorporar Vinicius de Moraes com o microfone na m\u00e3o e declamava sonetos que misturavam lirismo e cacha\u00e7a. Dizia-se n\u00e3o um parnasiano, mas um \u201cbeberziano\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 Z\u00e9 Gaguinho era cantor, apesar do nome, era dif\u00edcil e nervoso conversar com o homem que mal conseguia pronunciar as palavras. Mas quando soltava a voz para cantar era uma transforma\u00e7\u00e3o. Z\u00e9 Gaguinho tinha uma voz grave, poderosa e dizia com orgulho cantar parecido com Nelson Gon\u00e7alves. E o danado cantava bem mesmo.<\/p>\n<p>\u2018Neg\u00e3o do Frete\u2019 era um sujeito muito engra\u00e7ado que lembrava o Mussum. Dono de uma gargalhada contagiante contava piadas como ningu\u00e9m. At\u00e9 o Costinha teria a aprender com o jeito do Neg\u00e3o contar piadas: ele incorporava o personagem e fazia todos acreditarem que a hist\u00f3ria era real.<\/p>\n<p>Tinha o pastor Eug\u00eanio, sujeito s\u00e9rio, homem de Deus que adorava comer sua feijoada com suco de acerola, A Lady Batalh\u00e3o, \u00fanico travesti da regi\u00e3o que se emperiquitava todo para ir \u00e0 feijoada parecendo ir numa festa de quinze anos. Detalhe: era filha do pastor. Ainda tinha o Almeidinha, famoso 171 de Mag\u00e9 que contava mentiras absurdas como se fosse verdade, como no dia que ele jurou ajudar Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz a terminar uma m\u00fasica. <\/p>\n<p>E foi chegando gente, mais \u00e1gua no feij\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Deputado Clementino precisava se reeleger e, claro, foi \u00e0 feijoada. Todo mundo sabia que ele odiava povo; por isso aplaudiam alto de forma ir\u00f4nica seu discurso. No fim o deputado foi de pessoa em pessoa entregar seu \u201csantinho\u201d de campanha e pegou in\u00fameras crian\u00e7as melequentas e choronas no colo, fingindo a felicidade de tomar um vinho em Paris.<\/p>\n<p>Todos estranhavam a aus\u00eancia de Joca. Dona Zez\u00e9 de forma s\u00e9ria respondia que botara o safado para correr, mas nenhum convidado levava a s\u00e9rio e rindo comentavam que daqui a pouco ele estava de volta mais uma vez.<\/p>\n<p>O delicioso cheiro da feijoada j\u00e1 exalava por todo o s\u00edtio e o samba comia solto, com medalh\u00f5es da MPB fazendo duetos e improvisando com os jovens; era um espa\u00e7o democr\u00e1tico. Quase na hora da comida chegaram alguns jogadores de futebol dos quatro grandes times do Rio que sentaram na roda e pegaram tamborins, tant\u00e3s e surdo de marca\u00e7\u00e3o como qualquer outro \u2013 al\u00e9m de suas cervejas.<\/p>\n<p>At\u00e9 que a hora chegou.<\/p>\n<p>As panelas foram colocadas em mesas na varanda e a fila enorme foi montada sem privil\u00e9gios. As pessoas batucavam com os talheres nos pratos felizes cantando sambas enquanto dona Zez\u00e9 e as noras serviam.<\/p>\n<p>E como sempre a feijoada estava maravilhosa. Todos elogiavam dona Zez\u00e9 e comentavam pela carne estar ainda melhor naquela tarde. A senhora respondia que fizera de um jeito diferente e recebia elogios entusiasmados. Xex\u00e9u subiu em uma cadeira e de improviso declamou uma poesia em homenagem \u00e0 feijoada, dizendo que a feijoada era o Brasil que dava certo: em cada gr\u00e3o de feij\u00e3o ou peda\u00e7o de carne estava a alma e o cora\u00e7\u00e3o do povo.<\/p>\n<p>Deputado Clementino mandou que um assessor anotasse para usar aquelas frases na campanha.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m conseguiu comer um prato s\u00f3: repetiam uma, duas vezes. Fazia um calor infernal no Rio de Janeiro, mas ningu\u00e9m se importava. O que importava era a feijoada!! A comida dos Deuses!! <\/p>\n<p>E de qualquer jeito a cerveja amenizava o calor.<\/p>\n<p>Aquele dia bacana passava. As pessoas felizes conversavam, paqueravam, cantavam, batucavam e sambavam. Dona Zez\u00e9 sentou na roda e pegou um chocalho para acompanhar os sambistas. <\/p>\n<p>Uma equipe de tv da Alemanha chegou ao s\u00edtio para fazer uma reportagem mostrando duas paix\u00f5es do brasileiro, o samba e a feijoada. Almeidinha se ofereceu como tradutor, mas ningu\u00e9m sabia se o 171 estava traduzindo s\u00e9rio ou s\u00f3 dando mais um golpe.<\/p>\n<p>Dona Zez\u00e9 mostrou todo o s\u00edtio, os convidados e as panelas quase vazias com os produtos de sua feijoada. A rep\u00f3rter, uma loira que j\u00e1 estava com rosto vermelho e suando em bicas por causa do calor queria saber os segredos da feijoada e o tipo de carne que ela usava, mas dona Zez\u00e9 respondeu que era segredo. A f\u00f3rmula era s\u00f3 dela e morreria com ela.<\/p>\n<p>Acabou convidando a equipe da emissora alem\u00e3 para provar a feijoada. Fez um prato pra cada um, Nestor fez a caipirinha e os alem\u00e3es ficaram loucos com os sabores. <\/p>\n<p>O samba rolava com as pessoas ainda estranhando a aus\u00eancia de Joca achando que era uma briga boba e que rapidamente ele entraria na feijoada, mas nada do homem chegar. Era a primeira vez que ele n\u00e3o participava do evento.<\/p>\n<p>At\u00e9 que um carro da pol\u00edcia parou na frente do s\u00edtio e os policiais entraram. Yara pediu que Cleide fosse ver se ainda tinha feijoada, mas dona Zez\u00e9 mandou que esperasse, que talvez o motivo fosse outro.<\/p>\n<p>Os policiais se aproximaram e dona Zez\u00e9 perguntou em que poderia ajudar. Um deles contou que receberam den\u00fancia an\u00f4nima que ocorrera um assassinato na casa.<\/p>\n<p>Nesse momento o pagode parou. Tudo parou.<\/p>\n<p>Todos prestavam aten\u00e7\u00e3o no que dona Zez\u00e9 tinha a falar, at\u00e9 Xex\u00e9u ficou bom da bebedeira. Dona Zez\u00e9 pediu que o policial prosseguisse e ele continuou dizendo que pela den\u00fancia ela teria matado o marido e jogado o corpo para os cachorros em seu canil.<\/p>\n<p>Todos ouviam a hist\u00f3ria abismados, quando dona Zez\u00e9, serena, respondeu que aquilo n\u00e3o era verdade.<\/p>\n<p>Antes que as pessoas se aliviassem ela respondeu que s\u00f3 jogara os ossos para os cachorros e o policial perguntou onde tinha parado o restante do corpo.<\/p>\n<p>Dona Zez\u00e9 com aquele olhar frio t\u00edpico de psicopata apontou para a panela de feij\u00e3o.<\/p>\n<p>Estarrecidos, um olhava para a cara do outro e come\u00e7avam a vomitar enquanto dona Zez\u00e9 era algemada e levada para a delegacia. A feijoada daquela tarde se encerrava e de alguma forma os convidados descobriam que Joca estava presente no evento.<\/p>\n<p>Aquela turma toda que se esbaldou e fez fila para cair de boca no feij\u00e3o e na carne agora fazia fila no hospital de Saracuruna.<\/p>\n<p>\u00c9&#8230; Aquela feijoada n\u00e3o caiu bem.<\/p>\n<p>E vamos botar \u00e1gua no feij\u00e3o!<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste s\u00e1bado, a coluna de contos do compositor Aloisio Villar, a \u201cBuraco da Fechadura\u201d, traz uma festa culin\u00e1ria que se torna indigesta&#8230; Feijoada Completa \u201cMulher,Tour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[30],"tags":[29,91],"class_list":["post-10980","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-buraco-da-fechadura","tag-contos","tag-literatura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10980","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10980"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10980\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10980"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10980"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10980"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}