{"id":10966,"date":"2012-07-27T06:51:00","date_gmt":"2012-07-27T08:51:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/07\/made-in-usa-enredos-2013-e-suas-sinopses-parte-ii\/"},"modified":"2014-11-16T23:50:13","modified_gmt":"2014-11-17T01:50:13","slug":"made-in-usa-enredos-2013-e-suas-sinopses-parte-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/07\/made-in-usa-enredos-2013-e-suas-sinopses-parte-ii\/","title":{"rendered":"Made in USA &#8211; &quot;Enredos 2013 e suas Sinopses &#8211; Parte II&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-O5OwZtYdyfo\/UBA-kGr999I\/AAAAAAAAFfw\/R8Kv7KrmjVk\/s1600\/Especial+Segunda+2012+031.JPG\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/Especial+Segunda+2012+031.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"480\" border=\"0\" \/><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nesta sexta feira, temos a segunda parte <strong>da coluna do advogado Rafael Rafic<\/strong> com as sinopses das escolas do Grupo Especial. Nossa faixa musical hoje ir\u00e1 falar mais tarde de outra faceta: as disputas de samba.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong><em>Enredos 2013 e suas Sinopses &#8211; Parte II<\/em><\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div><em><span style=\"text-decoration: underline;\">1. S\u00e3o Clemente<\/span><\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Enredo: Hor\u00e1rio Nobre<\/div>\n<div>Texto: Milton Cunha<\/div>\n<div>Carnavalesco: Fabio Ricardo<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A S\u00e3o Clemente \u00e9 uma das poucas que se salvam na safra desse ano. O enredo tratar\u00e1 sobre um assunto extremamente popular e altamente carnavaliz\u00e1vel, mas que por algum motivo nunca foi para a avenida de maneira direta: as novelas brasileiras.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Por\u00e9m aqui temos um problema: n\u00e3o sabemos se por causa de algum patroc\u00ednio (o que a escola nega), se por uma censura da Globo, que tem os direitos de transmiss\u00e3o exclusivos do desfile. Ou ainda se simplesmente por uma op\u00e7\u00e3o question\u00e1vel da escola, s\u00f3 ser\u00e3o abordadas novelas da TV Globo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><em>[N.do.E.: quando do lan\u00e7amento do enredo foi dito que\u00a0haveria apoio institucional da emissora carioca.]<\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Isso deixa algumas p\u00e9rolas novel\u00edsticas que seriam pivotais para o enredo &#8211; como Pantanal (TV Manchete) &#8211; de fora. Claro que isso se reflete em um problema na sinopse, mas nada que a inviabilize.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A sinopse em si, para mim, deixou um pouco a desejar porque apesar de apresentar alguns poucos personagens que ficaram na mem\u00f3ria do povo e algumas novelas, ela focou mais no fluxo de uma novela em teoria.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Fala apenas da abertura, do final eletrizante, emo\u00e7\u00e3o e da f\u00e1brica de sonhos (apelido do PROJAC, o que aumentou a especula\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de patroc\u00ednio). Sinceramente eu acredito que no desfile muitas coisas que n\u00e3o estiveram na sinopse estar\u00e3o na avenida. Isso pode a princ\u00edpio causar perda de pontos para a escola da Zona Sul\/Centro.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ainda sim, \u00e9 um \u00f3timo enredo que na m\u00e3o do carnavalesco F\u00e1bio Ricardo poder\u00e1 colocar a S\u00e3o Clemente mais uma vez como a surpresa do Carnaval. Como v\u00e1rios compositores tamb\u00e9m s\u00e3o grandes noveleiros, n\u00e3o dever\u00e3o ter qualquer dificuldade para ter inspira\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><em>Nota: 8,5<\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div><em><span style=\"text-decoration: underline;\">2. Mangueira<\/span><\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Enredo: Cuiab\u00e1: Um Para\u00edso no Centro da Am\u00e9rica<\/div>\n<div>Texto: Marcos Roza e Cid Carvalho<\/div>\n<div>Carnavalesco: Cid Carvalho<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Aqui chegamos enredo escrito por aquele se tornou um escritor de enredos semi-profissional: Marcos Roza. Marcos \u00e9 o mesmo que idealizou o \u201cRoteiro dos Desfiles\u201d, que \u00e9 distribu\u00eddo aos espectadores na Sapuca\u00ed explicando o enredo e o que representam as fantasias de cada escola.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Talvez ele tenha tido essa id\u00e9ia para que algu\u00e9m consiga entender o que ele escreve, sinceramente. Mais um enredo que parte do nada e chega ao lugar algum, passando por todos os lugares comuns do enredo CEP. Alias, troca Cuiab\u00e1 por Bole-Bole e trem por esterco, e j\u00e1 temos a sinopse para o samba-enredo do conto do Alo\u00edsio Villar publicado aqui no Ouro de Tolo h\u00e1 semanas atr\u00e1s.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O enredo pega como fio condutor uma viagem de trem partindo da Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira e passando por cada caracter\u00edstica de Cuiab\u00e1 que se quer ressaltar (mesmo que ela n\u00e3o tenha na realidade), que \u00e9 representada por uma esta\u00e7\u00e3o &#8211; tais como as lendas locais e a culin\u00e1ria. Exatamente como um t\u00edpico enredo CEP tem. O problema \u00e9 que Cuiab\u00e1 NUNCA teve trem.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Foi exatamente nesse desejo de Cuiab\u00e1 de ter um trem que nunca teve \u00e9 que o enredo tenta se estruturar. Mas se a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 mostrar o que a cidade tem, com que l\u00f3gica o enredo se arvora em algo que ela clamorosamente nunca teve?<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Por fim, ainda h\u00e1 uma pol\u00eamica: v\u00e1rios trechos da sinopse seriam pl\u00e1gio do enredo mangueirense campe\u00e3o de 2002, \u2018Brasil com Z \u00e9 pra Cabra da Peste. Brasil com S \u00e9 a Na\u00e7\u00e3o do Nordeste\u2019. Marcos Roza nega o pl\u00e1gio.Pl\u00e1gio ou apenas coincid\u00eancia, a verdade \u00e9 que v\u00e1rios trechos s\u00e3o muito parecidos mesmo.<\/p>\n<p><em>[N.do.E.: h\u00e1 um outro trecho praticamente id\u00eantico \u00e0 sinopse do Salgueiro do carnaval de 2010.]<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><em>Nota: 4,5<\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"text-decoration: underline;\"><em>3. Beija-Flor<\/em><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Enredo: \u201cAmigo Fiel\u201d<br \/>\nTexto: Laila, Fran Sergio, Ubiratan Silva, Victor Santos, Andr\u00e9 Cezari e Bianca Behrends.<br \/>\nCarnavalescos: La\u00edla, Fran Sergio, Ubiratan Silva, Victor Santos e Andr\u00e9 CezariO tema, o segundo na ordem e anunciado ainda no s\u00e1bado das Campe\u00e3s \u00e9 sobre o cavalo mangalarga marchador. Claro, conta com um polpud\u00edssimo patroc\u00ednio da associa\u00e7\u00e3o de criadores desses animais.<\/p>\n<p>Aqui minha rea\u00e7\u00e3o foi bem parecida com a que tive com a Mocidade. Enquanto todos baixavam o sarrafo no tema, eu dizia que a Beija-flor estava com um problema na m\u00e3o, mas que o tema se fosse bem trabalhado poderia render um bel\u00edssimo desfile. Outra esperan\u00e7a que foi defenestrada assim que li a sinopse.<\/p>\n<\/div>\n<div>No in\u00edcio ela tenta usar o pr\u00f3prio cavalo como narrador de sua hist\u00f3ria, ainda o tratando de modo generalizado, sem mencionar ra\u00e7as e come\u00e7a aquela viagem na hist\u00f3ria pelo mundo que todo enredo gen\u00e9rico faz &#8211; s\u00f3 mudando o objeto do patroc\u00ednio.Ent\u00e3o fala do cavalo no deserto \u00e1rabe da pr\u00e9-hist\u00f3ria, que passa pelo seu uso na agricultura do neol\u00edtico, do seu uso como transporte de guerra, passando pelo Cavalo de Tr\u00f3ia&#8230;<\/p>\n<\/div>\n<div>Epa, Cavalo de Tr\u00f3ia? \u00c9, aqui est\u00e1 o primeiro grande problema de foco do enredo. Se a inten\u00e7\u00e3o era mostrar a hist\u00f3ria e import\u00e2ncia do animal cavalo, o que uma estrutura oca de madeira est\u00e1 fazendo aqui?Depois de Tr\u00f3ia, ele volta para a mitologia, apesar de n\u00e3o ficar claro que tipo de mitologia \u00e9 abordada. Mas tudo me indica que seja P\u00e9gasus e aqui temos outro problema na linha hist\u00f3rica. Era para ele ter vindo antes do Cavalo de Tr\u00f3ia.<\/p>\n<p>A viagem ao mundo n\u00e3o podia terminar sem uma passagem no lugar comum dos mouros e \u00e1rabes e seus enormes ex\u00e9rcitos de cavalaria. Hei, e a parte que j\u00e1 trata das guerras l\u00e1 em cima? Pois \u00e9, o enredo n\u00e3o se decide.<\/p>\n<\/div>\n<div>Como fala de guerra a todo momento e estamos na Beija-Flor, podem esperar um enredo de sofrimento, dor, sangue e, j\u00e1 que estamos falando em cavalos, muita chicotada.Para terminar, de repente e sem aviso, a sinopse d\u00e1 uma giro total e passa a abordar o Brasil e a ra\u00e7a \u201chomenageada\u201d mais especificamente, aproveitando a liga\u00e7\u00e3o do cavalo com a coroa portuguesa e dessa com o Brasil &#8211; olha o clich\u00ea da Fam\u00edlia Real no Brasil a\u00ed!<\/p>\n<p>Aqui o enredo se perde completamente. Ele come\u00e7a a trazer para a hist\u00f3ria alguns elementos que necessariamente precisariam de explica\u00e7\u00e3o. Por exemplo, o trecho \u201cNo ent\u00e3o chamado Novo Mundo aportei, sendo presenteado pelo rei portugu\u00eas ao Bar\u00e3o de Alfenas, e do cruzamento com as ra\u00e7as ib\u00e9ricas, que aqui chegaram na \u00e9poca da coloniza\u00e7\u00e3o, renasci como o sangue puro do Brasil, no sul de Minas Gerais\u201d.<br \/>\nEspera a\u00ed, como o cavalo foi cruzado com o cavalo, j\u00e1 que at\u00e9 aqui o enredo n\u00e3o faz qualquer distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7as de cavalo?<\/p>\n<p>Pelos erros mil entrecortados por todos os clich\u00eas poss\u00edveis e imagin\u00e1rios, terei que ser muito duro na minha nota. Isso sem falar na total falta de inspira\u00e7\u00e3o po\u00e9tica gerada por essa sinopse insossa.<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><em>Nota: 4<\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div><em><span style=\"text-decoration: underline;\">4. Grande Rio<\/span><\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Enredo: \u201cAmo o Rio e vou \u00e0 luta: ouro negro sem disputa\u201d \u2026 \u201cContra a injusti\u00e7a em defesa do Rio\u201d\u2026<\/div>\n<div>Texto: Roberto Szaniecki<\/div>\n<div>Carnavalesco: Roberto Szaniecki<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Depois de achar que j\u00e1 tinha lido de tudo poss\u00edvel nesse ano ap\u00f3s ler as sinopse da Inocentes, da Beija-flor e do Salgueiro, me aparece aos 48 do 2\u00b0 tempo (dia 23 de julho, \u00faltima segunda feira. Ah, se fosse a Portela&#8230;) a sinopse da Grande Rio e ela me fez lembrar que eu ainda n\u00e3o tinha lido a sinopse da escola do polon\u00eas (apelido de Roberto Szaniecki, carnavalesco da escola e nascido no pa\u00eds europeu).<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Depois de namorar bastante com a Volkswagen para contar a hist\u00f3ria do Fusca apenas para ser recusado pela TV Globo &#8211; e recusa da Globo, ainda mais na Grande Rio, \u00e9 veto, a Grande Rio abra\u00e7ou um enredo altamente pol\u00edtico sobre a disputa do Rio pela manuten\u00e7\u00e3o dos royalties para os governos estaduais e municipais como est\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O enredo n\u00e3o se sai bem em nenhum aspecto.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Para come\u00e7ar \u00e9 um enredo politicamente panflet\u00e1rio de uma forma que eu nunca vi e que simplesmente n\u00e3o combina com carnaval da forma totalmente expl\u00edcita com que foi feito. Deixa Portela 2010 e S\u00e3o Clemente 2009 no ch\u00e3o. Talvez nenhum enredo tenha chegado t\u00e3o perto da total vassalagem profana e insana dos fat\u00eddicos carnavais da Beija-Flor de 1974 e, principalmente, 1975.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Al\u00e9m disso, ele \u00e9 longo e modorrento, totalmente diferente do longo-instigativo, da Ilha. Depois ele n\u00e3o \u00e9 nada, nada, nada carnavaliz\u00e1vel, muito menos inspirativo para a ala de compositores. Alias, haja inspira\u00e7\u00e3o nessa temporada para os compositores caxienses. Aposto que eles est\u00e3o se perguntando onde est\u00e3o o iogurte ou as lentes de contato que eram mais f\u00e1ceis (lembrando que esses enredos pol\u00eamicos tamb\u00e9m foram obra do polon\u00eas, sendo o segundo em S\u00e3o Paulo).<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O polon\u00eas ainda n\u00e3o largou a mania irritante de dividir a sinopse em setores, o que acaba engessando totalmente a ala dos compositores. Esta tem que seguir exatamente o pensamento do carnavalesco, sob pena de um r\u00e1pido jubilamento nas eliminat\u00f3rias.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os enredos de Szaniecki nunca ajudam o compositor em uma v\u00edrgula em seu trabalho e ainda o enquadra em uma sequ\u00eancia certa inquebr\u00e1vel que atrapalha ainda mais. Para transformar o trabalho em algo herc\u00faleo, sempre que ele n\u00e3o adota a linha temporal, a sequ\u00eancia de setores n\u00e3o apresenta nenhuma l\u00f3gica e complica de vez qualquer possibilidade de ser criar algum samba que pelo menos consiga levar a escola.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00c9 exatamente o caso: o enredo se perde totalmente.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Tem uma inten\u00e7\u00e3o longa e desnecess\u00e1ria, para depois ter outra introdu\u00e7\u00e3o t\u00e3o longa e desnecess\u00e1ria. Em ambos os textos a sinopse diz que versar\u00e1 sobre o petr\u00f3leo e seus royalties. Mas de petr\u00f3leo mesmo s\u00f3 temos dois setores, os primeiros. Que para variar ainda contem erros t\u00e9cnicos crassos, vis\u00edveis at\u00e9 para uma pessoa leiga no assunto. Imagino que o nosso editor, especialista, deve ter quase enfartado quando leu.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><em>[N.do.E.: o enredo tem diversos erros conceituais, inclusive sobre a pr\u00f3pria natureza dos royalties. Lament\u00e1vel.]<\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os quatro setores finais s\u00e3o apenas para louvar os benef\u00edcios dos royalties do petr\u00f3leo nas cidades que o recebem. S\u00f3 que eles falam de tantas coisas, at\u00e9 certo ponto sup\u00e9rfluas considerando as necessidades dos rinc\u00f5es brasileiros como um todo, que, ao terminar de ler a sinopse eu tenho certeza que os royalties realmente devem ser repartidos com os estados n\u00e3o-produtores porque n\u00e3o temos mais onde investir tanto dinheiro.<\/div>\n<div>Exatamente ao contr\u00e1rio do que o enredo se prop\u00f5e &#8211; e olha que sou defensor ferrenho do Rio nessa disputa pol\u00edtica.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em resumo: um desastre total. Conseguiu a proeza de roubar da Inocentes o t\u00edtulo de pior sinopse do ano.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><em>Nota: 1<\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div><em><span style=\"text-decoration: underline;\">5. Imperatriz Leopoldinense<\/span><\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Enredo: Par\u00e1 \u2013 O Muraiquit\u00e3 do Brasil<\/div>\n<div>Texto: Cah\u00ea Rodrigues e Leandro Vieira<\/div>\n<div>Carnavalesco: Cah\u00ea Rodrigues, Mario Monteiro e Kak\u00e1 Monteiro<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Continuamos a profus\u00e3o de enredos patrocinados, mais uma vez na modalidade CEP. Dominguinhos do Est\u00e1cio mais uma vez aproveita suas liga\u00e7\u00f5es paraenses e consegue emplacar outro enredo sobre o Par\u00e1 em uma escola sua para que ele solte a voz.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O enredo \u00e9 mais do mesmo que j\u00e1 vimos na avenida trocentas vezes: sobre a Amaz\u00f4nia (que, sejamos sinceros, ap\u00f3s tanto desmatamento, \u00e9 mais hist\u00f3ria do que realidade no Par\u00e1), matas vastas e verdes, lendas ind\u00edgenas, Tup\u00e3, ouro, borracha &#8211; e,para terminar a culin\u00e1ria paraense. Tudo entremeado com in\u00fameras palavras em tupi, para as quais h\u00e1 um enorme gloss\u00e1rio ao final da sinopse.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Enredo ruim, por\u00e9m at\u00e9 onde pode, honesto. D\u00e1 pelo menos para fazer um samba, se n\u00e3o bonito, na m\u00e9dia. A excelente ala de compositores da Imperatriz deve ajudar.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><em>Nota: 6<\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div><em><span style=\"text-decoration: underline;\">6. Vila Isabel<\/span><\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Enredo: A Vila canta o Brasil, celeiro do mundo \u2013 \u201c\u00c1gua no feij\u00e3o que chegou mais um\u201d<\/div>\n<div>Texto: Rosa Magalh\u00e3es, Alex Varela e Martinho da Vila<\/div>\n<div>Carnavalesca: Rosa Magalh\u00e3es<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Para encerrar o carnaval, a boa surpresa do ano para mim. Quando a Vila disse que iria falar do \u201cBrasil Rural\u201d e, para piorar com patroc\u00ednio da BASF, especializada em agrot\u00f3xicos, pensei logo no pior.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas quando li a sinopse, que surpresa agrad\u00e1vel!<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O enredo simplesmente fala do jeito \u201ccaipira\u201d de ser, introvertido, mas sempre simp\u00e1tico e acolhedor. Exata a figura do agricultor, o que n\u00e3o \u00e9 muito comum no carnaval, de uma forma simples, mas que acertou em cheio<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Apesar de passar tamb\u00e9m por alguns clich\u00eas, como as tr\u00eas ra\u00e7as que se irmanam para criar o brasileiro, as quais se agregam os imigrantes; a sinopse se salva por fazer um quadro bem completo do estilo caipira de ser, o trabalho da terra que \u00e9 fundamental para a economia brasileira e a m\u00fasica sertaneja. Alias, o enredo acaba at\u00e9 enveredando pela hist\u00f3ria da viola no Brasil, sob o argumento (corret\u00edssimo) que n\u00e3o tem como falar do lado cultural do agricultor sem tratar de sua insepar\u00e1vel viola.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ainda aborda a religiosidade do homem do campo e sua rela\u00e7\u00e3o muitas vezes dif\u00edcil com o ciclo de chuvas do cerrado e do sert\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Enfim, um enredo muito legal, que fugiu do \u00f3bvio e com a cara de Rosa Magalh\u00e3es. \u00c9 um enredo que d\u00e1 para a ala de compositores brincar muito e ainda traz, a pretexto de inspira\u00e7\u00e3o, v\u00e1rias m\u00fasicas relacionadas ao homem do campo e algumas frases que marcaram \u00e9poca ao descrev\u00ea-lo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ap\u00f3s a leitura da sinopse, espero bastante da Vila.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><em>Nota: 9<\/em><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta sexta feira, temos a segunda parte da coluna do advogado Rafael Rafic com as sinopses das escolas do Grupo Especial. 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