{"id":10889,"date":"2012-10-06T10:32:00","date_gmt":"2012-10-06T12:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/10\/buraco-da-fechadura-mascara-negra\/"},"modified":"2012-10-06T10:32:00","modified_gmt":"2012-10-06T12:32:00","slug":"buraco-da-fechadura-mascara-negra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/10\/buraco-da-fechadura-mascara-negra\/","title":{"rendered":"Buraco da Fechadura &#8211; &quot;M\u00e1scara Negra&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-GVgtK9b8m34\/UG3_-N0pCLI\/AAAAAAAAGYU\/4RS6qLYGFWk\/s1600\/pc3b4r-do-sol-nas-pedras-do-arpoador.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"480\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/pc3b4r-do-sol-nas-pedras-do-arpoador.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Neste s\u00e1bado, mais uma edi\u00e7\u00e3o da <b>coluna de contos do compositor Aloisio Villar, a &#8220;Buraco da Fechadura&#8221;<\/b>.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><!--[if gte mso 9]><xml> <w:WordDocument>  <w:View>Normal<\/w:View>  <w:Zoom>0<\/w:Zoom>  <w:HyphenationZone>21<\/w:HyphenationZone>  <w:PunctuationKerning\/>  <w:ValidateAgainstSchemas\/>  <w:SaveIfXMLInvalid>false<\/w:SaveIfXMLInvalid>  <w:IgnoreMixedContent>false<\/w:IgnoreMixedContent>  <w:AlwaysShowPlaceholderText>false<\/w:AlwaysShowPlaceholderText>  <w:Compatibility>   <w:BreakWrappedTables\/>   <w:SnapToGridInCell\/>   <w:WrapTextWithPunct\/>   <w:UseAsianBreakRules\/>   <w:DontGrowAutofit\/>  <\/w:Compatibility>  <w:BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w:BrowserLevel> <\/w:WordDocument><\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 9]><xml> <w:LatentStyles DefLockedState=\"false\" LatentStyleCount=\"156\"> <\/w:LatentStyles><\/xml><![endif]--><!--[if !mso]><img decoding=\"async\" src=\"\/\/img2.blogblog.com\/img\/video_object.png\" style=\"background-color: #b2b2b2; \" class=\"BLOGGER-object-element tr_noresize tr_placeholder\" id=\"ieooui\" data-original-id=\"ieooui\" \/>\n\n<style>st1\\:*{behavior:url(#ieooui) } <\/style>\n\n<![endif]--><!--[if gte mso 10]>\n\n<style> \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:\"Tabela normal\";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:\"\";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:\"Times New Roman\";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} <\/style>\n\n<![endif]--> <\/div>\n<div><u><i><b>M\u00e1scara Negra<\/b><\/i><\/u><\/div>\n<div><\/div>\n<div>M\u00e1scara Negra \u00e9 o nome de uma antiga marchinha de carnaval de Z\u00e9 K\u00e9ti e Pereira Matos. Ela expressa todo o sentimento de um arlequim que se apaixona pela colombina em uma noite de carnaval. <\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>\u201cQuanto riso! Oh! quanta alegria!<\/i><\/div>\n<div><i>Mais de mil palha\u00e7os no sal\u00e3o.<\/i><\/div>\n<div><i>Arlequim est\u00e1 chorando<\/i><\/div>\n<div><i>Pelo amor da Colombina<\/i><\/div>\n<div><i>No meio da multid\u00e3o\u201d.<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Esses s\u00e3o versos da can\u00e7\u00e3o de carnaval. Marcelo n\u00e3o era um arlequim. Gracinha n\u00e3o era uma colombina, mas o amor deles explodiu na folia de Momo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Marcelo era um garot\u00e3o do interior de Bauru, interior de S\u00e3o Paulo que veio estudar Medicina no Rio de Janeiro e se apaixonou pela cidade. Mal voltava \u00e0 terra natal nas f\u00e9rias e planejava fixar resid\u00eancia na Cidade Maravilhosa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O carnaval se aproximava: seria o primeiro de Marcelo na cidade e os pais mandaram dinheiro para que ele pegasse um \u00f4nibus e passasse a data em Bauru. Marcelo chegou a arrumar suas coisas e se encaminhar para a rodovi\u00e1ria, mas na hora de entrar no \u00f4nibus ouviu ao fundo um bloco passando e anunciando o carnaval. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Pensou duas vezes, pediu desculpas ao motorista e foi embora. Mais tarde ligou para os pais dizendo que passaria o carnaval no Rio e que na quarta-feira de cinzas devolveria a eles o dinheiro da passagem.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Comunicou ao amigo Beto que passaria o carnaval no Rio de Janeiro e perguntou qual seria o roteiro. O amigo mandou que ele se preparasse porque cairiam na gandaia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Marcelo naquela sexta-feira assistiu o desfile das escolas de samba de S\u00e3o Paulo na tv comendo pipoca, bebendo cerveja e dormiu quase de manh\u00e3. Dormiu uns quinze minutos apenas e socaram a porta. Foi atender e era Beto com bermuda, camiseta branca de bolinhas pretas, \u00f3culos escuros e chap\u00e9u \u2013 em uma anima\u00e7\u00e3o de dar inveja. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Marcelo tentou argumentar que estava cansado, mas Beto sentou no sof\u00e1 e deu dez minutos para que o amigo se arrumasse e fosse com ele ao Cord\u00e3o da Bola Preta.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O Cord\u00e3o da Bola Preta \u00e9 o mais antigo bloco de carnaval do Rio de Janeiro, fundado em 1918. Em 2011, segundo dados da PM, tornou-se o maior bloco carnavalesco do mundo ao arrastar cerca 2,3 milh\u00f5es de pessoas pelas ruas do centro da cidade. Superando assim o n\u00e3o menos famoso Galo da Madrugada, que desfila na cidade de Recife.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O Bola Preta sai tradicionalmente todo s\u00e1bado de carnaval na Avenida Rio Branco, no centro do Rio de Janeiro. O desfile come\u00e7a por volta das 9 da manh\u00e3 e vai at\u00e9 as duas da tarde. O Bloco tamb\u00e9m sai na sexta-feira imediatamente anterior \u00e0 abertura do carnaval, no mesmo local.<\/div>\n<div>Suas cores s\u00e3o o branco e o preto, e o uniforme oficial \u00e9 qualquer roupa branca com bolinhas pretas. Muita gente vai fantasiada e at\u00e9 monta alas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O Bloco possui uma marchinha muito conhecida, a Marcha do Cord\u00e3o da Bola Preta, composta por Vicente Paiva, conhecido m\u00fasico brasileiro, que faleceu em 1964. \u00c9 considerado o hino da agremia\u00e7\u00e3o e mundialmente conhecido. Os desfiles do bloco s\u00e3o abertos com esta marchinha e encerrados com a n\u00e3o menos famosa m\u00fasica Cidade Maravilhosa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Marcelo se deslumbrou com aquele ambiente cheio de pessoas bonitas e felizes. Beto foi logo dando tequila ao amigo, que depois de tr\u00eas doses j\u00e1 se encontrava bem \u201calegre\u201d. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Naquele momento, sambando e pulando a alegria de estar no carnaval do Rio de Janeiro que ele notou a morena vestida de chapeuzinho vermelho.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Com a coragem de quem j\u00e1 enchera a cara Marcelo chegou perto da menina e perguntou quantos caras j\u00e1 haviam chegado nela dizendo que queriam ser o lobo mau. Ela respondeu que uns doze. Marcelo sorriu e disse \u201cque bom\u201d, porque detestava ser original. A menina sorriu e se apresentou como Gracinha.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Marcelo emendou que muitos tamb\u00e9m j\u00e1 deveriam ter dito que ela fazia jus ao nome. Gracinha sorriu de novo e disse que gostara dele. A coisa estava boa para Marcelo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ficaram conversando, pulando e se divertindo juntos. Nem sabia mais aonde estava Beto e nem queria saber, s\u00f3 curtir aquela \u201cgracinha\u201d que conhecera. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Jogavam confete e serpentina um no outro, spray com espuma e Gracinha tentou ensinar Marcelo a sambar, at\u00e9 que tocou \u201cm\u00e1scara negra\u201d. Foi o momento que Marcelo tomou coragem e beijou Gracinha.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>De l\u00e1 foram para a Banda de Ipanema, outro grande point do carnaval carioca e depois assistiram o p\u00f4r do Sol no Arpoador.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Marcelo tentava descobrir mais sobre a menina, mal conhecera e estava completamente apaixonado. Gracinha desconversava e respondia para que eles curtissem o carnaval e s\u00f3 pensassem nisso quando ele acabasse. Ele aceitou o argumento e a mo\u00e7a perguntou se ele j\u00e1 desfilara em alguma escola de samba.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Marcelo respondeu que n\u00e3o. Gracinha pegou o celular e ligou para um amigo diretor da Uni\u00e3o da Ilha perguntando se tinha como arrumar fantasia para o desfile. Ela desligou e pegou a m\u00e3o de Marcelo mandando que lhe acompanhasse. Ele perguntou para onde e ela respondeu: \u201cCidade do Samba\u201d.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Chegando l\u00e1, Marcelo ficou deslumbrado com aqueles barrac\u00f5es todos que fabricavam sonhos e com as manobras cuidadosas e tensas dos carros em dire\u00e7\u00e3o a Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed, local dos desfiles.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Gracinha apresentou Marcelo ao diretor, que lhes apresentou a uma chefe de ala que contou que tinha duas fantasias sobrando. Mostrou a eles, que gostaram e pegaram as fantasias para desfilar no dia seguinte.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Marcelo que nunca passara carnaval fora da Bauru agora estava no domingo de carnaval numa concentra\u00e7\u00e3o de escola de samba na Sapuca\u00ed para desfilar na Uni\u00e3o da Ilha. Desfilou ao lado de sua amada em oitenta minutos que nunca mais sairiam de sua mente.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No dia seguinte se encontraram em blocos e na ter\u00e7a tamb\u00e9m. O carnaval chegava ao fim e Marcelo se preocupava com o futuro deles. Gracinha mandou que n\u00e3o se preocupasse e pediu o n\u00famero do celular do rapaz, que o passou. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Marcelo tamb\u00e9m pediu o dela, mas Gracinha respondeu que estava sem telefone. Mas que ligaria para ele.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Marcelo perguntou quando veria a amada de novo e Gracinha lembrou que o Monobloco sa\u00eda pelas ruas do centro da cidade no domingo e pediu que ele fosse para l\u00e1, que ligaria e eles se encontrariam.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Marcelo aceitou e Gracinha lhe deu um beijo apaixonado partindo e deixando seu amado com uma dor no peito e sensa\u00e7\u00e3o de perda.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Sensa\u00e7\u00e3o que se confirmou domingo, quando Marcelo foi com Beto no Monobloco e enquanto Beto se divertia o rapaz n\u00e3o parava de olhar o celular esperando que Gracinha ligasse. A mo\u00e7a n\u00e3o apareceu, nem ligou.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Tamb\u00e9m n\u00e3o ligou na semana seguinte, nem na outra, nem na outra..n\u00e3o ligou nenhuma vez.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Marcelo se deprimiu. N\u00e3o conseguia mais comer, dormir. Passava o tempo todo olhando o celular na esperan\u00e7a de receber uma liga\u00e7\u00e3o de Gracinha. Faltava \u00e0s aulas e quando ia se encontrava disperso,vagava pela cidade em busca de Gracinha e at\u00e9 na Cidade do Samba foi para ver se algu\u00e9m sabia dela, mas o barrac\u00e3o da Ilha estava fechado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os amigos come\u00e7avam a se preocupar, principalmente Beto que era seu melhor amigo. Um dia Beto foi at\u00e9 a casa de Marcelo insistir para que o amigo sa\u00edsse com ele, Marcelo relutou, n\u00e3o queria sair de casa, mas Beto insistiu tanto que n\u00e3o teve outro jeito. Perguntou aonde iriam e Beto respondeu que comprar presente de anivers\u00e1rio de um primo seu.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Marcelo n\u00e3o entendeu quando Beto o conduziu para dentro de um sex shop. Beto respondeu que compraria um presente de goza\u00e7\u00e3o para o primo. Enquanto Beto escolhia um consolo para o primo Marcelo olhava a tudo na loja e achava bizarro. Viu umas bonecas infl\u00e1veis e perguntou a Beto se algu\u00e9m conseguia ter tes\u00e3o naquilo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>At\u00e9 que se assustou na frente de uma. Marcelo olhou fixamente a uma das bonecas infl\u00e1veis e se espantou dizendo baixinho \u201cGracinha&#8230;\u201d<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A boneca era a cara de Gracinha.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Marcelo se perturbou com a boneca e a incr\u00edvel semelhan\u00e7a com Gracinha. Beto perguntou se estava tudo bem e Marcelo respondeu que sim. Beto olhou a boneca e rindo disse \u201c\u00e9 muito feia\u201d, chamando o amigo para ir embora.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Marcelo foi para casa e mais uma vez n\u00e3o conseguiu dormir, mas agora o motivo era diferente. Ele n\u00e3o conseguia esquecer a boneca e a incr\u00edvel semelhan\u00e7a com seu amor. Quando conseguia cochilar sonhava com Gracinha e com a boneca.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Logo cedo na manh\u00e3 seguinte Marcelo voltou ao pr\u00e9dio que ficava o sex shop e da vitrine ficou olhando a boneca. A atendente perguntou se ele queria alguma coisa e Marcelo respondeu que n\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Fez isso v\u00e1rias vezes durante dias at\u00e9 que tomou coragem de entrar na loja. Chegou perto da boneca se impressionando cada vez mais com a semelhan\u00e7a e quando atendente chegou perto pegou um dvd porn\u00f4 e disse que iria levar.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A fixa\u00e7\u00e3o de Marcelo com a boneca aumentava cada vez mais. Durante meses voltava quase todos os dias a loja para olhar a boneca e arrumava alguma coisa para comprar. Comprou algemas, cremes, joguinhos er\u00f3ticos, \u00f3leos, dvds, tudo desculpa para ficar pr\u00f3ximo a boneca.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Um dia se assustou ao chegar e ver um homem manuseando a boneca e lhe pegando para comprar. O homem levou ao balc\u00e3o, perguntou quanto era, a atendente respondeu e ele disse que iria levar.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Marcelo gritou \u201cespera\u201d e ofereceu o triplo de dinheiro pela boneca. O homem se assustou e Marcelo pediu desculpas contando que era coisa pessoal.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Levou em um caixote, sentou na sala e encheu a boneca. Colocou em uma cadeira e ficou horas olhando para ela.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em determinado momento levantou, pegou a boneca e come\u00e7ou a beijar, acariciar como se quisesse fazer sexo e abaixou a cal\u00e7a.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Naquele momento Marcelo caiu em si e gritou. Foi at\u00e9 a cozinha, pegou uma faca e rasgou a boneca pelo bra\u00e7o esquerdo. Ela esvaziou de forma acelerada. Marcelo pegou o resto da boneca, levou at\u00e9 o Arpoador e jogou nas \u00e1guas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O carnaval chegou. Muito rapidamente passou um ano do carnaval em que Marcelo conheceu Gracinha e o rapaz foi at\u00e9 o Bola Preta com Beto na esperan\u00e7a de encontrar Gracinha. Nada. Foi at\u00e9 a Banda de Ipanema e nada tamb\u00e9m.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Desolado, foi sozinho at\u00e9 o Arpoador e ficou sentado nas pedras lembrando Gracinha e finalmente chegando \u00e0 conclus\u00e3o que nunca mais veria a mo\u00e7a.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>At\u00e9 que, olhando o mar, notou uma pessoa nadando nele em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s pedras. Achou estranha aquela cena e a pessoa chegando mais pr\u00f3xima notou que era uma mulher.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A mulher saiu das \u00e1guas e escalou as pedras at\u00e9 o local que ele estava. Ela chegando pr\u00f3xima e Marcelo tomou um susto: era Gracinha!!<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A mo\u00e7a sorriu para ele. Marcelo reparou que Gracinha tinha uma enorme cicatriz no bra\u00e7o esquerdo. Lembrou-se da boneca e gaguejou, n\u00e3o conseguia falar nada. Gracinha colocou o dedo na boca do rapaz como para que ele n\u00e3o falasse nada e disse \u201cvou beijar-te agora, n\u00e3o me leve a mal, hoje \u00e9 carnaval\u201d dando um beijo apaixonado em Marcelo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Amor n\u00e3o tem que ser entendido: tem que ser vivido em sua plenitude. Quanto riso, quanta alegria&#8230;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste s\u00e1bado, mais uma edi\u00e7\u00e3o da coluna de contos do compositor Aloisio Villar, a &#8220;Buraco da Fechadura&#8221;. 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