{"id":10801,"date":"2012-12-22T09:55:00","date_gmt":"2012-12-22T11:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/12\/cinecasulofilia-um-cenario-de-mudancas-e-o-porvir\/"},"modified":"2012-12-22T09:55:00","modified_gmt":"2012-12-22T11:55:00","slug":"cinecasulofilia-um-cenario-de-mudancas-e-o-porvir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/12\/cinecasulofilia-um-cenario-de-mudancas-e-o-porvir\/","title":{"rendered":"Cinecasulofilia &#8211; &quot;Um cen\u00e1rio de mudan\u00e7as e o porvir&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-pDqhgB4xczg\/UNCtUyuBjEI\/AAAAAAAAHbA\/VwUKLjkW0go\/s1600\/6317701420_c3b80d3aeb_o-1024x680.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"424\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/6317701420_c3b80d3aeb_o-1024x680.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><!--[if gte mso 9]><xml> <w:WordDocument>  <w:View>Normal<\/w:View>  <w:Zoom>0<\/w:Zoom>  <w:HyphenationZone>21<\/w:HyphenationZone>  <w:PunctuationKerning\/>  <w:ValidateAgainstSchemas\/>  <w:SaveIfXMLInvalid>false<\/w:SaveIfXMLInvalid>  <w:IgnoreMixedContent>false<\/w:IgnoreMixedContent>  <w:AlwaysShowPlaceholderText>false<\/w:AlwaysShowPlaceholderText>  <w:Compatibility>   <w:BreakWrappedTables\/>   <w:SnapToGridInCell\/>   <w:WrapTextWithPunct\/>   <w:UseAsianBreakRules\/>   <w:DontGrowAutofit\/>  <\/w:Compatibility>  <w:BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w:BrowserLevel> <\/w:WordDocument><\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 9]><xml> <w:LatentStyles DefLockedState=\"false\" LatentStyleCount=\"156\"> <\/w:LatentStyles><\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 10]>\n\n<style> \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:\"Tabela normal\";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:\"\";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:\"Times New Roman\";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} <\/style>\n\n<![endif]--> <\/p>\n<div>Neste s\u00e1bado, a <b>coluna \u201cCinecasulofilia\u201d, do professor, cr\u00edtico e cineasta Marcelo Ikeda<\/b>, discorre sobre o cinema brasileiro atual. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Como sempre, publicado em conjunto com o <a href=\"http:\/\/cinecasulofilia.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\">blog de mesmo nome<\/a>.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><u><i><b>Um cen\u00e1rio de mudan\u00e7as e o porvir<\/b><\/i><\/u><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O Brasil \u00e9 um pa\u00eds que sofreu diversas transforma\u00e7\u00f5es na \u00faltima d\u00e9cada e o cinema brasileiro p\u00f4de, de maneiras sutis, acompanhar esse percurso de mudan\u00e7as. Acredito que esse contexto de transforma\u00e7\u00f5es pode ser associado ao in\u00edcio deste s\u00e9culo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00c9 curioso, pois o cinema ganha vida exatamente na virada do s\u00e9culo XIX para o XX. Praticamente cem anos depois, o cinema passa por um outro contexto de crise: uma reavalia\u00e7\u00e3o das suas possibilidades enquanto express\u00e3o art\u00edstica e como produto de massas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Essas transforma\u00e7\u00f5es est\u00e3o diretamente relacionadas a mudan\u00e7as nas formas de produ\u00e7\u00e3o e de difus\u00e3o de obras audiovisuais. De um lado, a produ\u00e7\u00e3o de obras audiovisuais se tornou muito mais acess\u00edvel com o v\u00eddeo, e especialmente com o digital. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os equipamentos de grava\u00e7\u00e3o e de finaliza\u00e7\u00e3o de imagem e de som se tornaram ainda mais port\u00e1teis e com pre\u00e7os mais acess\u00edveis, com uma qualidade t\u00e9cnica que cada vez mais se aproxima das linhas de equipamento \u201cprofissionais\u201d. \u00c9 certo que o v\u00eddeo n\u00e3o \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o do novo s\u00e9culo; no entanto, a velocidade dessas transforma\u00e7\u00f5es foi intensificada com a populariza\u00e7\u00e3o do digital, trazendo impactos imediatos na produ\u00e7\u00e3o de obras audiovisuais. Tornava-se poss\u00edvel produzir obras baratas, com um equipamento port\u00e1til, com uma qualidade t\u00e9cnica que pouco deixava a dever \u00e0s produ\u00e7\u00f5es profissionais.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No entanto, essas obras prontas n\u00e3o conseguiam ser exibidas num circuito dominado pela pel\u00edcula 35mm, inclusive nas mostras e festivais de cinema, que ainda viam o v\u00eddeo como um suporte amador ou semiprofissional. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Esse contexto de transforma\u00e7\u00f5es, portanto, avan\u00e7ou para o cen\u00e1rio de difus\u00e3o. Primeiro, com o surgimento de v\u00e1rios cineclubes, que funcionavam como pontos de encontro dessa jovem gera\u00e7\u00e3o. Em seguida, com o surgimento de novas mostras e festivais de cinema que passaram a dar uma maior abertura para essa produ\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00c9 preciso lembrar que o cinema brasileiro ainda se recuperava, a passos tr\u00f4pegos, de um grande trauma: os atos do Governo Collor que amea\u00e7aram a sobreviv\u00eancia do filme nacional, retirando o apoio do Estado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Com isso, os festivais sofreram a responsabilidade de serem territ\u00f3rios de defesa de que \u201co cinema nacional precisava existir\u201d, procurando mostrar a \u201crespeitabilidade\u201d dos seus valores de produ\u00e7\u00e3o e o profissionalismo de seus integrantes. Esses \u201cdiscursos de defesa\u201d foram imprescind\u00edveis no percurso da \u201cretomada\u201d, mas tiveram suas contra indica\u00e7\u00f5es: os filmes brasileiros do per\u00edodo eram em geral pouco ousados, de modo que uma jovem gera\u00e7\u00e3o pouco se identificava com o cinema que era produzido \u00e0 \u00e9poca no pa\u00eds.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Come\u00e7avam, ent\u00e3o, a surgir no pa\u00eds, mostras e festivais de cinema que deram espa\u00e7o a essa jovem gera\u00e7\u00e3o, cujos valores n\u00e3o se integravam ao discurso oficial da \u201cclasse cinematogr\u00e1fica brasileira\u201d. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Entre elas, destacam-se a Mostra do Filme Livre (RJ), a Mostra de Tiradentes (MG), o CineEsquemaNovo (RS), a Janela do Cinema (PE). Entre esses, em 2009, surge a Semana dos Realizadores.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Esses jovens realizadores encontravam um contexto favor\u00e1vel de transforma\u00e7\u00f5es e reagiram a ele, com uma forte presen\u00e7a de uma cinefilia que se irradiou atrav\u00e9s de rela\u00e7\u00f5es em rede, poss\u00edveis com a internet.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Propunham filmes baratos, com equipes reduzidas, com a proemin\u00eancia de modos colaborativos de produ\u00e7\u00e3o, rompendo a hierarquia tecnicista das equipes de filmagem dos tradicionais modos de produ\u00e7\u00e3o industrial.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Basearam-se no hibridismo, tanto de suportes f\u00edsicos (bitolas) quanto de g\u00eaneros e linguagens. Examinaram as fronteiras entre o documental, a fic\u00e7\u00e3o e o experimental (o ensaio visual). Investigaram outras formas de dramaturgia para al\u00e9m do cinema cl\u00e1ssico, como dramaturgias m\u00ednimas, baseadas no sil\u00eancio e na sugest\u00e3o, ou dialogando com outras artes, propondo filmes perform\u00e1ticos, ensaios visuais, di\u00e1rios f\u00edlmicos ou filmes-de-arquivo, entre outros. Estabeleceram rela\u00e7\u00f5es de afetividade, tensionando as fronteiras entre o cinema e a vida.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Essa gera\u00e7\u00e3o ganhou r\u00e1pida visibilidade, estimulada por um circuito cr\u00edtico e pela circula\u00e7\u00e3o em festivais internacionais de prest\u00edgio. Ap\u00f3s essa visibilidade, resta-nos acompanhar a futura trajet\u00f3ria desses realizadores, qual o caminho que seguir\u00e3o, as suas op\u00e7\u00f5es n\u00e3o somente est\u00e9ticas, mas sobretudo \u00e9ticas e pol\u00edticas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O verdadeiro artista n\u00e3o \u00e9 o que simplesmente segue os modismos, mas o que n\u00e3o tem medo do contradit\u00f3rio; \u00e9 o que eternamente prossegue questionando o mundo e a si mesmo. E \u00e9 o que se posiciona diante disso. Os festivais t\u00eam sua parcela de responsabilidade, contribuindo n\u00e3o para a exalta\u00e7\u00e3o dos \u201cmodismos do novo\u201d (\u201co novo pelo novo\u201d), mas por uma aposta pelo risco e pelo processo.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste s\u00e1bado, a coluna \u201cCinecasulofilia\u201d, do professor, cr\u00edtico e cineasta Marcelo Ikeda, discorre sobre o cinema brasileiro atual. 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