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Como todo mundo já sabe, a Beija-Flor foi campeã do carnaval carioca. Nada demais nessa notícia já que a escola é uma das gigantes de nosso carnaval e dificilmente passa mais de três anos sem conquistar um título (nesse caso foram quatro). A polêmica não vem daí.

A polêmica vem do seu enredo sobre Guiné Equatorial e os dez milhões que ela teria recebido do governo local para fazer seu carnaval. Até esse período de folia, ninguém sabia o que era Guiné Equatorial e quem já tinha ouvido falar provavelmente achava que era uma cidade do Equador.

Hoje todos nós somos especialistas em sua geografia, história, economia, sistema de governo, culinária e até palpitamos no Big Brother local.

A polêmica é que Guiné Equatorial é um país paupérrimo, com uma ditadura sanguinária que assassina seu povo faminto e, dizem, a Beija-Flor recebeu dez milhões dessa ditadura. Bacana, né? É a escola de Nilópolis andando com uma turma muito legal.

O incômodo aumenta ainda mais quando lembramos do início da Beija-Flor. A escola chegou ao antigo Grupo 1 (hoje Especial) em meados dos anos 70. Auge da ditadura militar no país, pessoas morrendo e sumindo nos porões governamentais e, assim mesmo, a escola de Nilópolis fez dois enredos exaltando os militares. Isso antes de Joãosinho Trinta chegar e mudar tudo por lá.

Nesse caso, o carnaval de 2015 teria sido uma “volta as raízes” da Beija-flor. A escola que nos anos 80 sofreu e perdeu carnaval porque julgadores lhe tiraram pontos relembrando seu início (também é errado isso) voltou a enaltecer uma ditadura justo num momento em que há esclarecimento sobre tudo que ocorre no mundo, e ninguém pode falar que não sabe o que ocorre por lá desde que inventaram o Google e a Wikipedia.

Incomoda demais ver esse tema campeão do carnaval carioca. Como democrata e humanista que sou, confesso que não queria que a Beija-Flor ganhasse esse título, mesmo sendo fã confesso da agremiação. Mas outras coisas me incomodam também e vou falar delas agora.

Chega de bater na Beija-Flor.

Não existe o quesito “humanismo” no julgamento das escolas de samba e nem “odiar ditaduras sanguinárias”. Então não tem porque tirar ponto da Beija-Flor devido a essa situação. No que tange a desfile, a agremiação foi muito bem. Um erro ou outro no julgamento das notas e, mesmo que fossem corrigidos, ela tinha todas as condições de ser campeã.

Foi muito bem nos quesitos, foi apontada por todos como uma das postulantes ao título e, ao que cabia a julgamentos de carnaval, voltou a ser a poderosa que sempre foi. Com um adendo. Seu enredo e seu samba em nada enalteciam a tal ditadura sanguinária, pelo contrário, exaltavam o povo negro, o povo da Guiné.

A Beija-Flor desfilou com um dos sambas mais bonitos do ano e injustamente esse samba perdeu pontos.

Outra. Vamos parar de hipocrisia. Vivemos em um regime democrático em que todos nós temos liberdade de pensar e agir. O enredo causa desconforto, mas não é ilegal. Vemos muitas outras ilegalidades no carnaval que não são combatidas e até toleráveis.

A gente se incomoda, mas sabe de onde vem o dinheiro do enredo da Beija-Flor. Sabemos de onde vem o dinheiro que financia a maioria das escolas?

É notório que o carnaval cresceu e a maioria das escolas de samba são ou foram financiadas com dinheiro do jogo do bicho, prática ilegal no país. Isso quando não surgem outras acusações como formação de quadrilha ou tráfico de drogas. A maioria dos patronos das escolas de samba já foi condenada pelos mais diversos crimes e, em todos os carnavais, eles andam junto com políticos num beija-mão e puxa-saquismo da parte desse e das celebridades em geral com os patronos que chega a constranger.

Mais grave do que enaltecer Guiné Equatorial é ver escola de um ano pro outro mudar de patamar porque chegou gente recém-condenada ao cargo máximo da agremiação, fez um monte de contratações milionárias com todos sabendo de onde vem a grana e no fim das contas torcedor dela entrar ao vivo em canal de comunicação e reclamar do dinheiro da escola de Nilópolis.

Querem reclamar do dinheiro de Guiné? Beleza. Vamos moralizar o carnaval então. Devassa na conta de todas as escolas pra saber de onde vem o dinheiro do carnaval do Rio de Janeiro.

Acho que no dia que ocorrer essa devassa e se levar a sério tudo que ocorre pra esse dinheiro chegar na folia vamos voltar aos tempos das arquibancadas de madeira na praça XI.

Repito. Incomoda a mim ver a Beija-Flor campeã com um enredo desses, mas me incomoda também o preconceito que a escola recebe. Se esse enredo fosse da Portela, Mangueira, Salgueiro, Mocidade ou União da Ilha não tinha essa gritaria toda.

Aliás, você sabe de onde vem a grana que financia seu clube de futebol?A grana que financiou o Flamengo em 2000 através da ISL? Corinthians em 2005 com MSI? A grana do Chelsea?

Tão ruim quanto a ditadura oficial é a ditadura da opinião e do preconceito. Deixem a Beija-Flor comemorar o título dela e que a escola de Nilópolis pare de expor seu nome também e atrelar ao que não deve.

E assim segue a folia.

Com essa coluna se encerra o plantão de carnaval do Ouro de Tolo. Plantão vitorioso com quase 20 mil acessos únicos por dia. Trabalho incansável de todos os colunistas que passavam em tempo real o melhor do carnaval. Agradecemos a preferência e desejamos que continuem conosco por todo o ano.

4 Replies to “Beija-Flor: ditadura e democracia”

  1. Bom dia!

    Caro Aloísio Villar:

    Parabéns pelo texto, praticamente um complemento ao já escrito por Leonardo Dahi.
    Devo dizer que o que me incomoda no campeonato da Beija-Flor foram questões relativas a três quesitos: Comissão de Frente, Harmonia e Evolução. A saber, todos vistos do setor 10 da Sapucaí, onde eu me encontrava.
    Em relação a isso, só quando saírem as justificativas das notas.

    No mais, toda esta discussão já deu!
    Sinceramente, acredito que tanta polêmica para cima de Nilópolis apenas “facilitará” o seu bi em 2016, mostrando que “não precisa de ajuda para ser campeã”. Este filme já foi visto na Sapucaí (Com a própria Beija-Flor), e estamos facilitando uma reedição dele.

    Atenciosamente
    Fellipe Barroso

    1. Não precisa nem disto para facilitar o bi campeonato desta escola. Ele é praticamente certo com este corpo de jurados atual e não vai ser preciso muito esforço da escola niloplitana para isto.
      O que me incomoda nesta polêmica toda é que não se discute a conturbada troca de jurados , feita após pressão da Beija-flor e de sua subalterna Grande Rio e depois a gente verificar que as escolas menos apenadas pelo rigor dos jurados foram justamente as duas birrentas.
      Me incomoda verificar que , sem os descartes e sem a canetada que ocorreu estranhamente em Mestre-Sala e Porta-Bandeira a campeã seria a Acadêmicos do Salgueiro.
      A Beija-flor é uma senhora escola de samba , sabe desfilar como poucas , mas não é a infalível que se faz vender e todo mundo que milita e admira o samba sabe disto . Já passou da hora de tirar das mãos da Liesa a coordenação e indicação do corpo de jurados, que deveria ser atribuição da prefeitura com fiscalização rigorosa.

  2. A Beija Flor perdeu três pontos em samba enredo com um samba eleito por crítica e público como um dos melhores ao passo que Salgueiro teve notas maiores com aquele samba medíocre e apontado como um dos piores juntamente com Tijuca e Mocidade e no entanto ninguém fala sobre isso. Todas as escolas cometeram erros, umas mais, outras menos. Se Salgueiro foi injustamente despontuado em enredo (o que eu concordo que foi um absurdo) a Beija foi injustamente despontuada em samba enredo. Então, está tudo dentro dos parâmetros carnavalescos.

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