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Já abordei este assunto em algumas oportunidades aqui neste blog, mas ainda me impressiona como de uns anos para cá cresceu em nossa sociedade a intolerância à crítica.
A cada dia mais percebo que esta intolerância está aumentando e deixando bastantes restritos os limites da convivência em grupo. Quaisquer mínima discordância ou reparos feitos a atitudes, decisões ou opiniões gera uma torrente de reações despropositadas e em certos casos até extremistas.
Um bom exemplo é o comportamento de fãs de cantores ou bandas voltadas ao público adolescente. Qualquer mínimo reparo que se faça – e normalmente estes grupos não primam por uma boa música, pelo menos em minha opinião – vem uma horda de fãs destes fenômenos desqualificando tudo que se escreve ou fala, em especial na internet.
Vale a lembrança ao leitor que o único post nestes pouco mais de três anos onde tive de fechar a área de comentários foi o que falava do grupo Mamonas Assassinas – e, pior, o post nem era especificamente sobre o grupo…
Isso me leva a escrever sobre outra face deste fenômeno: o analfabetismo cognitivo. A cada dia mais as pessoas lêem não o que está escrito, mas sim o que querem ler (entender). Muitas vezes os formadores de opinião são esculhambados e queimados na fogueira em praça pública não pelo que escreveram ou disseram, mas sim pela leitura transversal e obtusa feita por aqueles que não conseguiram compreender – ou pior: não quiseram.
O que vale é a sua verdade pessoal, que deve ser imposta a ferro e fogo, ainda que na base da gritaria. Respeito à discordância e democracia são vistos como “fraquezas”. Importa mostrar que a sua verdade é a verdade eterna. Importa estar sempre com a razão.
Outra questão é que a tolerância a críticas que visem melhorar determinados aspectos de processos ou situações diminuiu consideravelmente. Em regra geral, criticar o que quer que seja é “estar contra”, é “diminuir a instituição/empresa/pessoa”, é “fazer papel de quinta coluna”. Com isso vemos equívocos gritantes passando absolutamente incólumes, sendo enaltecidos até.
Este é outra faceta: todo mundo adora dar uma de “pedra”, mas detesta “ser vidraça”. Um bom exemplo disto pode-se ver em alguns jornalistas de grandes veículos de imprensa que mantém blogs, entretanto censuram todos os comentários discordantes ou, quando publicam, desqualificam. Criticar adversários políticos ou ainda quem pensa diferente é considerado absolutamente normal – ainda que em diversas ocasiões a opinião resvale fortemente no Código Penal – mas acolher comentários dissonantes é “anti-democrático”.
Parêntese: para a grande mídia, “liberdade de imprensa” e “democracia” são a liberdade de imprensa e a democracia do patrão. Fecha o parêntese.
Ainda mais complicado é quando pessoas em posição de poder não somente se tornam refratários a críticas como ainda se utilizam de seu poder – legítimo ou não – para calar as vozes dissonantes. Isso gera uma onipotência que somente torna mais alto e mais forte o fracasso.
Aliás, espanta-me como no Século XXI ainda ocorrem situações como a ocorrida esta semana, onde a “Carta Capital”, no momento em que escrevo, simplesmente não chegou às bancas de Minas Gerais. A matéria de capa traz algumas denúncias de que políticos tucanos teriam se beneficiado dos repasses de Marcos Valério. Pretendo voltar ao tema.
Obviamente que situações de calúnia ou injúria devem ser reparadas conforme preza o Código Penal. Entretanto, há muita confusão sobre o que realmente é calúnia ou injúria e o que é opinião pura e simples – os limites, a meu ver, estão bem mais estreitos.
Adicionalmente, ao contrário do que os teóricos esperavam, a internet democratizou sim o acesso à informação, mas não contribuiu para a disseminação do necessário contraditório. Como reflexo da sociedade, somente aumentou a intolerância.
A frase atribuída a Voltaire de que “Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo” está infelizmente anacrônica em nosso dia a dia. O que vale é impor o seu posicionamento.
Este comportamento, também, faz proliferarem os quinta colunas, os pelegos, que vivem maldizendo os outros e vivendo de migalhas de atenção dos que possuem algum tipo de pequeno ou grande poder – muitas vezes irreal.
Sou de um tempo onde a figura do “dedo duro” era execrada, mas percebo que hoje começa a haver uma mudança neste senso comum: mais importante que qualquer coisa é um pretenso “respeito” aos detentores de grandes e pequenos poderes – e para isso vale tudo.
A convivência em sociedade seria muito mais estimulante se todos entendessem que a crítica e especialmente a discordância de opiniões não necessariamente significam a tentativa de destruir pessoas, grupos ou instituições. Ao contrário, para se usar o idioma do “gestonês” são oportunidades de melhoria que devem ser ouvidas e aproveitadas de acordo com a conveniência.
Também se adquire muito conhecimento e riqueza de personalidade ao ouvir opiniões contrárias, absorver conhecimentos de que não se dispõe e buscar conciliar, não impor. Criticar de forma respeitosa e buscando alternativas é extremamente salutar ao desenvolvimento pessoal e de instituições nacionais.
Finalizando, reafirmo este espaço como um blog democrático, onde todos os colunistas e leitores tem total liberdade de expor as suas opiniões – dentro do determinado pelo Código Penal Brasileiro.
É isso aí. O recado está dado.