{"id":50781,"date":"2025-04-03T22:28:17","date_gmt":"2025-04-04T01:28:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/?p=50781"},"modified":"2025-04-03T22:28:17","modified_gmt":"2025-04-04T01:28:17","slug":"justificando-o-injustificavel-2025-enredo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2025\/04\/justificando-o-injustificavel-2025-enredo\/","title":{"rendered":"Justificando o Injustific\u00e1vel 2025 &#8211; Enredo"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">Sempre digo que Enredo \u00e9 o quesito mais desafiador para se julgar porque ele exige do julgador uma s\u00e9rie de conhecimentos inatos sobre a tradi\u00e7\u00e3o da festa, o fazer dos desfiles, uma carga cultural gigantesca e um olhar extremamente atento ala a ala, carro a carro com uma necessidade de estudo profundo de um livro de mais de 1000 p\u00e1ginas. O problema \u00e9 que os julgadores esse ano s\u00f3 tiveram m\u00edseros 9 dias para fazer esse trabalho, j\u00e1 contando a sexta e o s\u00e1bado de Carnaval. Os julgadores de Enredo tiveram que fazer malabarismo para dar conta de tanto estudo pr\u00e9vio necess\u00e1rio em t\u00e3o pouco tempo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o sei se a falta desse tempo necess\u00e1rio para o estudo tamb\u00e9m contribuiu para a explos\u00e3o da quantidade de notas 10 neste quesito. De m\u00edseras 14, ou parcos 29%, o j\u00fari mais rigoroso de 2024, para quase o dobro em 2025: 27, ou 56%.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Posso garantir que com certeza n\u00e3o foi a melhora consider\u00e1vel do desenvolvimento do quesito em rela\u00e7\u00e3o a 2024\u2026<\/span><\/p>\n<p><b>M\u00f3dulo 1<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Julgadora: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">M\u00f4nica Man\u00e7ur<\/span><\/i><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">UPM &#8211; 10<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Imperatriz &#8211; 10<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Viradouro &#8211; 9,8 (concep\u00e7\u00e3o 4,9 e realiza\u00e7\u00e3o 4,9)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Mangueira\u00a0 &#8211; 10<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">U. da Tijuca &#8211; 9,9 (realiza\u00e7\u00e3o 4,9)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Beija-Flor &#8211; 10<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Salgueiro &#8211; 10<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Vila Isabel &#8211; 10<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Mocidade &#8211; 9,7 (concep\u00e7\u00e3o 4,9 e realiza\u00e7\u00e3o 4,8)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Tuiuti &#8211; 10<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Grande Rio &#8211; 10<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Portela &#8211; 9,7 (concep\u00e7\u00e3o 4,8 e realiza\u00e7\u00e3o 4,9)<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">M\u00f4nica \u00e9 mais uma julgadora estreante e julgadores estreantes tem a tend\u00eancia de serem bonzinhos nas distribui\u00e7\u00f5es das notas 10. At\u00e9 por isso, ainda mais com esse novo par\u00e2metro da perda da compara\u00e7\u00e3o que deixou at\u00e9 julgadores veteranos um tanto perdidos, n\u00e3o problematizarei as oito notas 10, mesmo sendo mais um ano no qual o quesito sofreu na avenida. Apenas visitarei ao final dos meus coment\u00e1rios duas notas m\u00e1ximas dif\u00edceis de justificar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas, ainda na quarta-feira de cinzas, mesmo sem qualquer caderno de julgamento ou leitura do Livro Abre-Alas j\u00e1 tinha ficado n\u00edtido para mim que havia um grave problema de dosimetria no caderno. Dito e feito, assim que li o caderno rapidamente reparei problemas nessa \u00e1rea.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O que eu n\u00e3o contava \u00e9 que a julgadora tamb\u00e9m provavelmente n\u00e3o foi devidamente instru\u00edda sobre a diferen\u00e7a entre os crit\u00e9rios de julgamento de concep\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o, tirando a esmo dos dois lados da balan\u00e7a mesmo que a justificativa claramente s\u00f3 abarcasse apenas um deles. A impress\u00e3o que me ficou \u00e9 que ela simplesmente atribuia uma nota global para a escola e depois dividia entre os subquesitos sem um crit\u00e9rio racional, mas meramente equitativo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essa impress\u00e3o grita especialmente na justificativa da Mocidade, talvez n\u00e3o coincidentemente a maior complica\u00e7\u00e3o em dosimetria neste caderno.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para a Mocidade, ela simplesmente apontou que o \u00faltimo setor contraria a premissa inicial do enredo que afirma que n\u00e3o h\u00e1 limites para sonhar. Apenas por esse pequeno problema de finaliza\u00e7\u00e3o, ela retira enormes tr\u00eas d\u00e9cimos da Mocidade, dois de concep\u00e7\u00e3o e um de realiza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Acho que o problema de dosimetria est\u00e1 extremamente evidente aqui. Apenas por um problema de mau fechamento, bastante localizado em um setor da escola, a retirada de tr\u00eas n\u00e3o se sustenta por nenhum par\u00e2metro hist\u00f3rico ou do pr\u00f3prio manual. Um d\u00e9cimo era mais do que suficiente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para mim, o enredo da Mocidade tinha v\u00e1rios outros problemas muito al\u00e9m desse que realmente justificariam at\u00e9 um 9,6. Sejam conceituais, como a completa \u201cenche\u00e7\u00e3o de lingui\u00e7a\u201d do setor 2, como de realiza\u00e7\u00e3o, especialmente na falta de leitura de praticamente todas as alas desse mesmo setor 2 como algumas do setor 5 e mais um poss\u00edvel erro de setoriza\u00e7\u00e3o da ala 18 (A Culpa \u00e9 do Sistema), que al\u00e9m de tudo tamb\u00e9m estava sem leitura.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas a julgadora passou totalmente batida por tudo isso. A \u00fanica justificativa escrita foi a desse setor 5, que sozinha talvez nem sustente a perda de dois d\u00e9cimos, qui\u00e7\u00e1 tr\u00eas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m disso, como a pr\u00f3pria julgadora grifou em sua justificativa, ela focou em um problema que perpassa apenas por (falta de) coer\u00eancia. Coer\u00eancia \u00e9 um crit\u00e9rio apenas de concep\u00e7\u00e3o, como o Manual deixa claro. De onde ela arranjou a perda de d\u00e9cimo em realiza\u00e7\u00e3o?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">J\u00e1 para a Portela, ela retirou os tr\u00eas d\u00e9cimos porque n\u00e3o havia clareza entre as distin\u00e7\u00f5es dos diferentes atos da prociss\u00e3o, que eram os setores da escola, e o papel de cada ala. Ela deu como exemplos o ato 2, no qual ela se pergunta quem os formava e o que possuiam em comum, e o ato 4, que trazia um temporal que em momento algum ficou claro quando ele se formou, caiu ou terminou. Para isso, a julgadora retirou dois d\u00e9cimos de concep\u00e7\u00e3o e um d\u00e9cimo de realiza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Que a Portela n\u00e3o conseguiu realizar em suas fantasias o conceito proposto de prociss\u00e3o \u00e9 indiscut\u00edvel e eu compreendo a perda do d\u00e9cimo por isso, seria inclusive meu \u00fanico desconto para a escola no quesito.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Entendo o ponto da julgadora que o texto de explica\u00e7\u00e3o do enredo poderia ser mais anal\u00edtico e descritivo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 explica\u00e7\u00e3o dos atos que compreendem \u00e0s diferentes fases do dia. Mas esses, diferentemente da prociss\u00e3o, eram entend\u00edveis se compreendermos as letras das m\u00fasicas que cada uma das alas invocaram. Ent\u00e3o o ato 1 \u00e9 o in\u00edcio do dia de uma pessoa comum, que pode inclusive ser interpretado como tamb\u00e9m o in\u00edcio de uma trajet\u00f3ria, uma carreira. O ato 2, s\u00e3o as m\u00fasicas do cotidiano, com as figuras comuns de uma cidade qualquer retratando o \u201cmeio do dia\u201d. O ato 3 s\u00e3o as m\u00fasicas de cunho racial, representando o entardecer e a reuni\u00e3o familiar\/religiosa. O ato 4, representando a noite, s\u00e3o as m\u00fasicas de cunho pol\u00edtico, com a tempestade sendo a ditadura militar e por fim o ato 5 \u00e9 a festa pelo amanhecer e chegada do novo sol, que no caso \u00e9 o pr\u00f3prio homenageado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas aceitemos a justificativa da julgadora e entremos na argumenta\u00e7\u00e3o dela de que, al\u00e9m da prociss\u00e3o n\u00e3o ter se realizado, n\u00e3o h\u00e1 distin\u00e7\u00e3o entre os atos. Se a Mocidade perdeu tr\u00eas d\u00e9cimos por um probleminha no \u00faltimo setor, quantos a Portela deveria perder por um problema grav\u00edssimo que perpassa todos os cinco setores da escola? 3 x 5 = 15! Quinze d\u00e9cimos, o que sequer \u00e9 poss\u00edvel porque ambos os problemas s\u00e3o do mesmo subquesito realiza\u00e7\u00e3o pelos crit\u00e9rios \u201ca sua adapta\u00e7\u00e3o, ou seja, a capacidade de compreens\u00e3o do enredo a partir da associa\u00e7\u00e3o entre o Conceito, Tema ou Argumento proposto e o seu desenvolvimento apresentado na Avenida atrav\u00e9s das Fantasias, Alegorias e outros elementos pl\u00e1sticovisuais\u201d e \u201ca apresenta\u00e7\u00e3o sequencial das diversas partes (alas, alegorias, fantasias, trip\u00e9s etc.) que ir\u00e1 possibilitar o entendimento do tema ou argumento proposto, de acordo com o roteiro previamente fornecido pela Escola\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como o m\u00e1ximo que a Portela poderia perder no subquesito realiza\u00e7\u00e3o era cinco d\u00e9cimos, aceitemos que a julgadora ent\u00e3o desse a nota m\u00ednima de 4,5. Mais o d\u00e9cimo da quest\u00e3o da falta de sustenta\u00e7\u00e3o do \u201ctemporal\u201d, que a\u00ed sim \u00e9 um problema de concep\u00e7\u00e3o (\u201ca clareza, coer\u00eancia e coes\u00e3o (unidade l\u00f3gica) na roteiriza\u00e7\u00e3o do Desfile, de modo a facilitar o entendimento do tema ou argumento proposto no desenvolvimento te\u00f3rico.), e chegar\u00edamos a nota 9,4 para a Portela. Nota esta que o Grupo Especial n\u00e3o v\u00ea desde 2013, nem o desastre completo do Para\u00edso Vermelho do Salgueiro em 2023 chegou sequer no patamar do 9,5.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por isso, por mais que at\u00e9 se aceite todos os argumentos da julgadora para a Portela, que at\u00e9 justificariam o 9,7 dado, jamais o 9,7 da Mocidade se sustentaria apenas com o (pouqu\u00edssimo) justificado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">J\u00e1 na Viradouro, ela retira 0,1 em concep\u00e7\u00e3o e 0,1 em realiza\u00e7\u00e3o pelo mesmo motivo: a transi\u00e7\u00e3o entre os 3 diferentes mundos n\u00e3o ficou clara a partir do momento que ficou a cargo, na montagem do enredo de grupos c\u00eanicos e divis\u00e3o de alas em A e B que n\u00e3o conseguiram dar coes\u00e3o e clareza, ambas palavras escritas em caixa alta pela julgadora para real\u00e7ar o ponto dos crit\u00e9rios de julgamento que utilizou para descontar a Viradouro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">S\u00f3 que ambas as palavras, clareza e coes\u00e3o, pertencem apenas ao crit\u00e9rio de julgamento na parte de concep\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, o problema retratado \u00e9 um claro problema de montagem da escola ainda no papel, na teoria, logo justamente na concep\u00e7\u00e3o. Em momento algum da justificativa, ela toca em algum problema de realiza\u00e7\u00e3o para justificar o d\u00e9cimo retirado neste subquesito.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Inclusive \u00e9 discut\u00edvel a puni\u00e7\u00e3o de dois d\u00e9cimos por esse mesmo problema de conex\u00e3o que apenas se repete duas ou tr\u00eas vezes em pontos localizados da escola. Por\u00e9m, com boa vontade com a julgadora, \u00e9 poss\u00edvel argumentar que o justificado \u00e9 um problema que impede a compreens\u00e3o da mensagem do desfile como um todo e por isso retirar dois d\u00e9cimos por isso \u00e9 aceit\u00e1vel. Ainda sim, por ter raiz no mesmo problema, os dois d\u00e9cimos precisariam ser retirados no mesmo subquesito. De qualquer forma, ainda acredito que o mais coerente fosse realmente esquecer o d\u00e9cimo de realiza\u00e7\u00e3o e dar 9,9.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Terminado os problemas das justificativas escritas, agora eu me farei perguntas de, como seguindo o crit\u00e9rio que ela manteve nas justificativas acima, ela simplesmente deixou passar alguns problemas evidentes do quesito.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Se ela implicou tanto com a falta de coer\u00eancia do \u00faltimo setor da Mocidade, como ela deixou passar o enxerto n\u00e3o-resolvido do setor do canga\u00e7o no meio de um desfile bastante ligado a religi\u00e3o como o do Salgueiro? Foi algo t\u00e3o gritante que foi retirado por todos os outros tr\u00eas julgadores de Enredo, al\u00e9m de inclusive ter sido despontuado at\u00e9 por um julgador de Samba-Enredo (erroneamente pelo Manual, como j\u00e1 vimos).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">E a Vila Isabel? J\u00e1 que ela se baseou tanto em coer\u00eancia e coes\u00e3o, como ela consegue explicar o que Monstros S.A. tem a ver com Bicho Pap\u00e3o no mesmo carro? E o Conde Dr\u00e1cula perdido no meio de um setor somente com assombra\u00e7\u00f5es amaz\u00f4nicas. Mais uma vez devo reconhecer que o encantador de serpentes Vin\u00edcius Natal atacou mais uma vez e invocou at\u00e9 Claude Levi-Strauss no Livro Abre-Alas para mais uma uma vez tentar ludibriar o julgador fazendo-o acreditar em uma certa origem \u201cuniversalista\u201d dos diversos mitos sobrenaturais apresentados. Mas, no fundo, tal qual como demonstrei nesta coluna ano passado na reedi\u00e7\u00e3o de Gbal\u00e1, isso era apenas uma tentativa de enrolar o julgador e justamente faz\u00ea-lo n\u00e3o perceber a incoer\u00eancia desse de v\u00e1rios outros enxertos mal postos na narrativa da Vila Isabel, como muito bem percebeu e anotou o julgador do pr\u00f3ximo m\u00f3dulo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho da equipe de enredo da Vila, o trabalho desse ano foi at\u00e9 superior ao do ano anterior, no qual, com aten\u00e7\u00e3o, era poss\u00edvel captar a incoer\u00eancia no pr\u00f3prio texto da escola, como demonstrei na coluna ano passado. Esse ano n\u00e3o houve essa incoer\u00eancia interna e era preciso muita sapi\u00eancia ou experi\u00eancia do julgador para n\u00e3o embarcar nesse \u201ctrem da ilus\u00e3o\u201d armado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em defesa da julgadora, diga-se que outro julgador do mesmo quesito, veterano de mais de dez anos, conseguiu ser ludibriado pela segunda vez seguida\u2026<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apesar de tudo que foi comentado, \u00e9 indiscut\u00edvel que tudo o que foi justificado realmente ocorreu e est\u00e1 encaixado perfeitamente dentro do quesito Enredo.<\/span><\/p>\n<p><b>M\u00f3dulo 2<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Julgador: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Artur Nunes Gomes<\/span><\/i><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">UPM &#8211; 4,9 (concep\u00e7\u00e3o 4,9)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Imperatriz &#8211; 10<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Viradouro &#8211; 9,9 (concep\u00e7\u00e3o 4,9)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Mangueira\u00a0 &#8211; 10<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">U. da Tijuca &#8211; 10\u00a0<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Beija-Flor &#8211; 10<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Salgueiro &#8211; 4,9 (concep\u00e7\u00e3o 4,9)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Vila Isabel &#8211; 4,9 (concep\u00e7\u00e3o 4,9)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Mocidade &#8211; 9,8 (concep\u00e7\u00e3o 4,9 e realiza\u00e7\u00e3o 4,9)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Tuiuti &#8211; 10<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Grande Rio &#8211; 10\u00a0<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Portela &#8211; 10<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ano passado eu brinquei que o Artur jogou apenas na \u201czona de seguran\u00e7a\u201d das justificativas \u00f3bvias e evidentes. Esse ano ele manteve a mesm\u00edssima \u201cestrat\u00e9gia\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para a UPM o d\u00e9cimo foi embora por algo que a \u201cbolha da bolha\u201d dos fan\u00e1ticos por enredo rapidamente notou: a queda do nada de Marcelina Obatossi no Enredo, sem qualquer explica\u00e7\u00e3o anterior.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">J\u00e1 para o Salgueiro, o enxerto do canga\u00e7o no 3\u00ba setor, que al\u00e9m n\u00e3o de dialogar com resto do enredo, deixa a narrativa sem coes\u00e3o ao vir antes do setor que traz as pr\u00e1ticas ind\u00edgenas que s\u00e3o a origem desses \u201cfechamentos de corpo\u201d no Brasil e do qual os cangaceiros tamb\u00e9m usaram em suas mandingas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para a Mocidade, a dificuldade dos argumentos cient\u00edficos complexos dos dois primeiros setores que n\u00e3o foram conceitualmente bem planejados e a dificuldade generalizada no entendimento da significa\u00e7\u00e3o das fantasias, especialmente as desses mesmos setores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O d\u00e9cimo da Viradouro se foi pela falta de clareza da divis\u00e3o dos tr\u00eas mundos, j\u00e1 que v\u00e1rios signos dos mundos inicialmente apresentados acabaram sendo usados em mundos mostrados posteriormente, criando confus\u00e3o, especialmente nas baianas e nas alas 19 e 21.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por\u00e9m, a grande justificativa deste julgador, a qual transcreverei na \u00edntegra, \u00e9 a justificativa da Vila Isabel, pois ela \u00e9 bastante did\u00e1tica e retira a \u201ccamuflagem\u201d da excelente defesa de enredo feita pela escola.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cConcep\u00e7\u00e3o: 4,9. Desconta-se 0,1 pela dificuldade de entendimento do recorte escolhido para contar a hist\u00f3ria. A amplitude da abordagem, retratando \u2018assombra\u00e7\u00f5es\u2019 em diferentes contextos culturais e a partir de diferentes fontes de inspira\u00e7\u00e3o, faz com que a narrativa nem sempre mantenha sua clareza e coes\u00e3o. Mesmo considerando que espa\u00e7o, tempo e lugares sejam pass\u00edveis de relativiza\u00e7\u00e3o, algumas analogias e aproxima\u00e7\u00f5es comprometem, em certos momentos, a coer\u00eancia interna dos setores. Por exemplo, no 3\u00ba setor o personagem Conde Dr\u00e1cula (ala 14) parece n\u00e3o dialogar com o restante dos personagens, oriundos do imagin\u00e1rio popular brasileiro. No caso de Iara\/M\u00e3e D\u2019\u00c1gua (ala 07) \u00e9 necess\u00e1ria uma amplia\u00e7\u00e3o metaf\u00f3rica do conceito de assombra\u00e7\u00e3o para consider\u00e1-la como tal. No \u00faltimo setor, a justaposi\u00e7\u00e3o de personagens da ind\u00fastria cultural com outros da cultura popular brasileira geram uma diverg\u00eancia de simbologia que dificulta apreender a mensagem que se pretendia comunicar.\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 isso! Todo o papo de Gilbert Durand e Claude Levi-Strauss, nada mais foi do que uma tentativa da equipe de enredo, em mais um trabalho de alt\u00edssima qualidade, para tentar \u201cenrolar\u201d o julgador de enredo e fazer ele aceitar ou meramente n\u00e3o perceber os elementos estrangeiros enxertados sem uma liga\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel em meio a um enredo eminentemente do imagin\u00e1rio popular nacional com um \u00faltimo setor sem conex\u00e3o com o resto do enredo, a come\u00e7ar pela mistura n\u00e3o devidamente amarrada de Monstros S.A. em um carro que devia retratar medos de inf\u00e2ncia, altamente ligadas ao folclore nacional pela pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o do enredo at\u00e9 ent\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Artur pegou a tentativa de drible pelo tornozelo! Voc\u00ea pode at\u00e9 conseguir distrair um julgador uma vez, mas faz\u00ea-lo por duas vezes seguidas \u00e9 infinitamente mais dif\u00edcil porque ele estar\u00e1 bastante atento no ponto em que cometeu o deslize no ano anterior.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apesar de jogar na \u201czona de seguran\u00e7a\u201d\u00a0 creio que o mesmo deixou a defesa vazar um gol.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O gol sofrido foi o 10 da Portela, mesmo com o problema n\u00edtido da falta da prociss\u00e3o em toda a escola e a tempestade mal resolvida, como bem apontadas pela julgadora do m\u00f3dulo anterior.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para mim, o problema deste caderno \u00e9 que, apesar da dosimetria clar\u00edssima, o piso ficou em 9,8 e dado para apenas uma escola. O que foi apresentado na avenida pedia pelo menos mais alguns 9,8 e talvez at\u00e9 um 9,7.<\/span><\/p>\n<p><b>M\u00f3dulo 3<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Julgador: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Johnny Soares<\/span><\/i><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">UPM &#8211; 10<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Imperatriz &#8211; 10<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Viradouro &#8211; 9,9 (concep\u00e7\u00e3o 4,9)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Mangueira\u00a0 &#8211; 10<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">U. da Tijuca &#8211; 9,9 (realiza\u00e7\u00e3o 4,9)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Beija-Flor &#8211; 10<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Salgueiro &#8211; 9,9 (realiza\u00e7\u00e3o 4,9)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Vila Isabel &#8211; 10<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Mocidade &#8211; 9,8 (concep\u00e7\u00e3o 4,9 e realiza\u00e7\u00e3o 4,9)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Tuiuti &#8211; 9,9 (concep\u00e7\u00e3o 4,9)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Grande Rio &#8211; 10<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Portela &#8211; 10<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Johnny \u00e9 o segundo julgador mais longevo do atual j\u00fari com 15 desfiles de experi\u00eancia. Justamente por isso, a nota 10 dele para a Vila Isabel me saltou aos olhos desde o dia da apura\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o \u00e9 comum um julgador t\u00e3o experiente acabar pisando na mesma casca de banana por dois anos seguidos. Como j\u00e1 apontado acima, tamb\u00e9m continuo bastante curioso para saber como o julgador achou que a Portela merecia um 10 em Enredo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em rela\u00e7\u00e3o ao escrito, a \u00fanica justificativa complicada de Johnny \u00e9 a da Viradouro. Apesar de todos terem retirado d\u00e9cimos no quesito da escola, Johnny justificou por uma vertente totalmente diferente dos outros. Segundo ele, a escola n\u00e3o abordou a dimens\u00e3o humana de Jo\u00e3o Batista, o \u201cMalunguinho\u201d da vida real, que foi importante l\u00edder quilombola e por isso faltou o car\u00e1ter real e terreno da figura de Malunguinho, antes de transcender.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Aqui avalio que o julgador cometeu aquela falha cl\u00e1ssica de n\u00e3o julgar o que a escola demonstrou ou pretendeu demonstrar, mas sim o que o pr\u00f3prio julgador acha que deveria ter sido demonstrado. Em todo seu texto e suas explica\u00e7\u00f5es no Livro Abre-Alas, a Viradouro deixa claro que o enredo \u00e9 apenas sobre a figura m\u00edtico-religiosa de Malunguinho. Os fatos sobre a exist\u00eancia terrena de Jo\u00e3o Batista apenas est\u00e3o demonstrados nos textos de apoio para ajudar a situar o julgador em um culto pouqu\u00edssimo conhecido no Rio de Janeiro e, sabendo melhor do contexto, entender e analisar melhor o enredo proposto pela escola, que em momento algum passa pela figura humana de Jo\u00e3o Batista.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ent\u00e3o, ao descontar a Viradouro por esse motivo o julgador sai do plano ao qual o julgador deveria se ater, ou seja, analisar o proposto pela escola, para entrar em um terreno equivocado para um julgamento de arte, que \u00e9 misturar sua opini\u00e3o pr\u00f3pria sobre como se deveria dar a abordagem no julgamento da escola.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Fora essa justificativa da Viradouro, tem-se um caderno bastante correto com justificativas pertinentes. Inclusive duas delas me entusiasmaram. A primeira foi a da Unidos da Tijuca, por problema de transmiss\u00e3o na mensagem das fantasias pelos signos escolhidos em todo o \u00faltimo setor da escola mas em especial na \u00faltima ala. A segunda foi o salto temporal absurdo de mais ou menos 400 anos que o Tuiuti d\u00e1 entre o pen\u00faltimo e o \u00faltimo setor da escola sem qualquer prepara\u00e7\u00e3o ou cuidado em fazer essa ponte entre per\u00edodos t\u00e3o distantes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ambos os problemas foram percebidos por mim ainda na Sapuca\u00ed e, especialmente o da Tijuca, ficou t\u00e3o evidente aos meus olhos que at\u00e9 me espantei no dia da apura\u00e7\u00e3o ao perceber as outras tr\u00eas notas 10 da Tijuca neste quesito.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A dosimetria de todo o caderno por sua vez \u00e9 cristalina, mesmo fazendo a mesm\u00edssima ressalva do caderno anterior: o piso ficou em 9,8 e dado para apenas uma escola. O que foi apresentado na avenida pedia pelo menos mais alguns 9,8 e talvez at\u00e9 um 9,7.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas, em um todo, \u00e9 ineg\u00e1vel o salto de qualidade do caderno deste julgador nos \u00faltimos tr\u00eas anos em compara\u00e7\u00e3o aos anteriores desta s\u00e9rie desde 2015.<\/span><\/p>\n<p><b>M\u00f3dulo 4<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Julgador: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Marcelo Figueira<\/span><\/i><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">UPM &#8211; 9,9 (concep\u00e7\u00e3o 4,9)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Imperatriz &#8211; 10<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Viradouro &#8211; 9,9 (realiza\u00e7\u00e3o 4,9)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Mangueira\u00a0 &#8211; 10<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">U. da Tijuca &#8211; 10<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Beija-Flor &#8211; 10<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Salgueiro &#8211; 9,8 (concep\u00e7\u00e3o 4,8)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Vila Isabel &#8211; 9,8 (realiza\u00e7\u00e3o 4,8)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Mocidade &#8211; 9,8 (realiza\u00e7\u00e3o 4,8)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Tuiuti &#8211; 10<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Grande Rio &#8211; 10<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Portela &#8211; 9,9<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apesar do Marcelo tradicionalmente ter uma forma de olhar e julgar os enredos totalmente diferente da minha, olhando para o todo e sem se apegar a min\u00facias, esse ano acabou que as nossas vis\u00f5es sobre os diferentes enredos foram mais parecidas do que o hist\u00f3rico faria pressupor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Isso fica mais evidente no fato dele ter sido o \u00fanico a ter coragem de dar as notas 9,8 que eu daria para Vila Isabel e Salgueiro. No Salgueiro, ele foi o \u00fanico julgador que apontou o erro hist\u00f3rico da argumenta\u00e7\u00e3o do enredo ao dizer que as mandingas de fechamento de corpo foram trazidas para o Brasil pelos mal\u00eas quando a pr\u00f3pria escola traz na ala 14 o muiraquit\u00e3 ind\u00edgena que \u00e9 bem anterior a isso. O outro d\u00e9cimo foi pelo enxerto mal feito do canga\u00e7o no 2\u00ba setor, como j\u00e1 apontado no m\u00f3dulo 2.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">J\u00e1 na Vila Isabel ele cita v\u00e1rios equ\u00edvocos de representa\u00e7\u00e3o iconogr\u00e1fica em 3 carros aleg\u00f3ricos diferentes, inclusive o j\u00e1 citado Monstros S.A. no carro 5.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De resto, justificativas claras e por mesmos motivos de julgadores anteriores: na UPM, foi pela falta de explica\u00e7\u00e3o da liga\u00e7\u00e3o de Marcelina Obatossi com Iy\u00e1 Nass\u00f4. Na Mocidade, os v\u00e1rios problemas de leitura de fantasias somado a falta de carnavaliza\u00e7\u00e3o, especialmente nos setores 2 e 4. Na Portela, incoer\u00eancias com a figura de Milton aparecendo em carro ainda no in\u00edcio da \u201cprociss\u00e3o\u201d, antes de realmente chegar no Milton, com a inclus\u00e3o do argumento novo de despontuar a colora\u00e7\u00e3o clara das alas 17 e 20 que desvirtuaram a ideia da noite no setor. Por fim, na Viradouro o d\u00e9cimo foi embora pelo fato dos grupos perform\u00e1ticos n\u00e3o conseguirem passar a ideia da mudan\u00e7a dos mundos, principalmente porque \u00e0 medida que a escola andava os espectadores n\u00e3o conseguiam ver a coreografia completa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A dosimetria \u00e9 entend\u00edvel e o \u00fanico ponto de maior discuss\u00e3o, a Portela, \u00e9 explicada pelo pr\u00f3prio julgador ao escrever que considerou os problemas de colora\u00e7\u00e3o de pequena monta, n\u00e3o o suficientes para descontar o segundo d\u00e9cimo da escola.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O \u00fanico ponto deste caderno que eu acredito que possa ter sa\u00eddo do Manual, mesmo que sem qualquer preju\u00edzo na nota, \u00e9 o desconto da Viradouro em realiza\u00e7\u00e3o. Por ser um problema na ideia b\u00e1sica apresentada pela escola e falta de clareza na roteiriza\u00e7\u00e3o do desfile, acredito que o desconto correto seria em concep\u00e7\u00e3o. Mas talvez o julgador tenha interpretado esse que problema da teatraliza\u00e7\u00e3o em tempo prolongado dos grupos perform\u00e1ticos se encaixasse melhor em \u201ccapacidade de compreens\u00e3o do enredo a partir da associa\u00e7\u00e3o entre o Conceito, Tema ou Argumento proposto e o seu desenvolvimento apresentado na Avenida atrav\u00e9s das Fantasias, Alegorias e outros elementos pl\u00e1sticovisuais\u201d, que \u00e9 um crit\u00e9rio de realiza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Fechando o quesito Enredo como um todo, apesar de algumas escolas terem que agradecer por n\u00e3o terem sido mais despontuadas, foi mais um bom julgamento deste quesito, que j\u00e1 se destaca positivamente h\u00e1 alguns anos. S\u00f3 a nova julgadora que ainda precisa entender melhor os comandos do Manual do Julgador, especialmente a diferen\u00e7a entre concep\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o, apurar seu senso cr\u00edtico aos enredos, especialmente ao l\u00ea-los no Livro Abre-Alas, e, principalmente, calibrar melhor sua dosimetria. Mas s\u00e3o coisas que acredito que vir\u00e3o naturalmente com a experi\u00eancia. Ao menos os problemas apontados por ela realmente existiram e isso j\u00e1 \u00e9 um bom come\u00e7o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A minha sugest\u00e3o final para todos os quatro julgadores do quesito \u00e9 que n\u00e3o tenham medo de aumentar a altura da barra do julgamento. Pelo que foi apresentado neste quesito, esse ano deveriam ter sido dados mais alguns 9,8 e 9,7, como creio que o leitor tenha percebido pela leitura de todo o exposto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Recomenda\u00e7\u00f5es para a LIESA em rela\u00e7\u00e3o ao quesito Enredo:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Clarificar com mais detalhes os limites da avalia\u00e7\u00e3o de criatividade no quesito Enredo, deixando claro que a avalia\u00e7\u00e3o deve se concentrar apenas na forma de comunicar o enredo, n\u00e3o na quest\u00e3o art\u00edstica das fantasias e alegorias.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Explicitar claramente no Manual do Julgador que a falta de cronologia n\u00e3o deve ser despontuada se isso n\u00e3o afetar a mensagem do enredo que a escola est\u00e1 contando.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Refor\u00e7ar a aten\u00e7\u00e3o do julgador quanto a congru\u00eancia das refer\u00eancias art\u00edsticas do desfile com o enredo proposto.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre digo que Enredo \u00e9 o quesito mais desafiador para se julgar porque ele exige do julgador uma s\u00e9rie de conhecimentos inatos sobre a tradi\u00e7\u00e3oTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[18,1385,1389,867,1133,1384],"class_list":["post-50781","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-made-in-usa","tag-carnaval","tag-carnaval-2025","tag-enredo","tag-julgamento","tag-justificando-o-injustificavel","tag-justificando-o-injustificavel-2025"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50781","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50781"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50781\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":50790,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50781\/revisions\/50790"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50781"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50781"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50781"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}