{"id":43095,"date":"2016-09-09T11:09:51","date_gmt":"2016-09-09T14:09:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/?p=43095"},"modified":"2016-09-08T17:34:54","modified_gmt":"2016-09-08T20:34:54","slug":"uma-analise-sobre-os-enredos-do-grupo-especial-do-rio-de-janeiro-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2016\/09\/uma-analise-sobre-os-enredos-do-grupo-especial-do-rio-de-janeiro-parte-2\/","title":{"rendered":"Uma an\u00e1lise sobre os enredos do Grupo Especial do Rio de Janeiro &#8211; Parte 2"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Depois da primeira parte com a an\u00e1lise dos enredos do Grupo Especial no desfile de domingo, confira os temas que v\u00e3o passar pela Avenida na segunda-feira de Carnaval, tamb\u00e9m na ordem dos desfiles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uni\u00e3o da Ilha do Governador: \u201cNzara Ndembu \u2013 Gl\u00f3ria ao Senhor Tempo\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carnavalesco: Severo Luzardo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autores da Sinopse: Severo Luzardo e Andr\u00e9 Rodrigues<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem d\u00favida \u00e9 o enredo mais complicado do Grupo Especial em 2017. Ou, se preferirem, aquele que trar\u00e1 ao seu carnavalesco o maior desafio para que o p\u00fablico possa compreender, em alas e alegorias, a proposta apresentada na sinopse. Por outro lado, a tem\u00e1tica afro n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 pr\u00f3diga para uma pl\u00e1stica de bom gosto, como traz consigo uma certa boa vontade do p\u00fablico mais acostumado com Carnaval.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse caso, trata-se de um enredo muito interessante sobre a origem do tempo e a forma como o homem lida com ele. Al\u00e9m disso, \u00e9 um enredo de origem banto, o que \u00e9 uma boa novidade dentro do universo de temas afro que, em geral, \u00e9 tomado pelas tem\u00e1ticas iorubas. A hist\u00f3ria, a partir da sinopse, come\u00e7a com a cria\u00e7\u00e3o do tempo por Nzambi Mpungu, o grande criador e a suprema entidade. Ele convocou Kitembo, o Rei de Angola, para que este se tornasse o \u201c\u00cdnquice m\u00e1gico do tempo\u201d, ou seja, o respons\u00e1vel pelo controle do tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-40069 alignleft\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/ilha2016b-300x169.jpg\" alt=\"ilha2016b\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/ilha2016b-300x169.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/ilha2016b-768x432.jpg 768w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/ilha2016b-550x309.jpg 550w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/ilha2016b.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>A partir da\u00ed, o enredo se desenvolve de maneira bastante confusa, apresentando os trabalhos de Kitembo nos c\u00e9us e na terra e as consequentes transforma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas da Terra. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o que n\u00e3o fica muito bem explicada \u2013 pior, se apresenta de maneira muito complicada, misturada a inven\u00e7\u00f5es dos homens, festas de farturas e outras passagens que dificilmente ser\u00e3o compreendidas com facilidade por quem estiver na Avenida sem a sinopse. Ali\u00e1s, mesmo com a sinopse \u00e9 preciso ler e reler algumas vezes para compreender minimamente esse segundo setor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos tr\u00eas setores seguintes, o enredo fica um pouco mais compreens\u00edvel. Cada um deles disserta sobre a cria\u00e7\u00e3o de um elemento \u2013 o terceiro a \u00e1gua, o quarto o fogo e o quinto o ar \u2013 o que, de certa forma, ajuda a entender um pouco melhor o segundo setor (que fala, ainda que de maneira bem menos expl\u00edcita, sobre o elemento \u201cterra\u201d). Nesses tr\u00eas setores a a\u00e7\u00e7ao de Kitembo \u00e9 bem melhor explicada e h\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o bem mais convincente sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a cria\u00e7\u00e3o dos elementos e as primeiras formas de comunica\u00e7\u00e3o entre os seres humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O final do enredo \u00e9 um pouco batido. A partir da cria\u00e7\u00e3o do Reino de Nzambi, anuncia-se uma era de \u201ctrabalho e prosperidade por muitos s\u00e9culos, emanando para todos os povos irradia\u00e7\u00f5es de amor e respeito pelo meio ambiente, a fonte inesgot\u00e1vel de vida para as futuras gera\u00e7\u00f5es\u201d. Dessa forma, a mensagem final \u00e9 a de que os homens precisam hoje preservar as cria\u00e7\u00f5es de Kitembo (os elementos). Mais que isso, mostra que o caminho para essa preserva\u00e7\u00e3o \u00e9 a uni\u00e3o entre os povos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 um enredo ruim. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 bastante interessante. Acho, por\u00e9m, que h\u00e1 um sobressalto aqui e ali e temo que o enredo n\u00e3o seja compreendido na Avenida. Me parece um tema que se mostra muito melhor no papel do que em carros e alas. At\u00e9 porque ele fatalmente dever\u00e1 lan\u00e7ar m\u00e3o de elementos est\u00e9ticos j\u00e1 batidos e que foram usados em muitos enredos diferentes. Ainda assim, vale destacar a pesquisa cuidadosa e a sinopse longa que, bem ou mal, procura esclarecer da melhor forma poss\u00edvel a hist\u00f3ria que a Uni\u00e3o da Ilha pretende contar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-21505 alignleft\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/rosa-magalhaes-2011-size-598-300x168.jpg\" alt=\"rosa-magalhaes-2011-size-598\" width=\"300\" height=\"168\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/rosa-magalhaes-2011-size-598-300x168.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/rosa-magalhaes-2011-size-598-550x309.jpg 550w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/rosa-magalhaes-2011-size-598.jpg 597w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>S\u00e3o Clemente: \u201cOnisu\u00e1quimalipanse (Envergonhe-se quem pensar mal disto)\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carnavalesca: Rosa Magalh\u00e3es<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autora da Sinopse: Rosa Magalh\u00e3es<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem d\u00favida alguma a minha maior decep\u00e7\u00e3o nessa safra de enredos. N\u00e3o pelo tema em si, que est\u00e1 com certeza entre os cinco melhores do grupo, mas pela expectativa. Quando Rosa Magalh\u00e3es apresenta um enredo chamado \u201cOnisu\u00e1quimalipanse\u201d (t\u00edtulo este que n\u00e3o me agrada, mas devo admitir que cumpre a miss\u00e3o de provocar uma quase insuport\u00e1vel curiosidade), a gente naturalmente espera uma coisa genial. Por isso, a sinopse te d\u00e1 aquela sensa\u00e7\u00e3o sempre inc\u00f4moda de \u201cquero mais\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem, o texto de Rosa Magalh\u00e3es, como n\u00e3o \u00e9 novidade para ningu\u00e9m, \u00e9 brilhante. A exemplo do que acontece na sinopse do Salgueiro, ele te transporta para a hist\u00f3ria de modo que voc\u00ea se sente na Fran\u00e7a do Rei Luis XIV ao ler cada par\u00e1grafo. Esse \u00e9 um ponto bastante positivo: o enredo tem uma contextualiza\u00e7\u00e3o muito clara e \u00e9 bastante descritivo, de modo a criar um cen\u00e1rio claro na cabe\u00e7a de quem o l\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os primeiros setores falam sobre a vida boa de Luis XIV, um rei \u201cbom vivant\u201d que assumiu a Fran\u00e7a com a morte de seu pai. A hist\u00f3ria que toma conta do resto do enredo come\u00e7a quando Luis contrata Fouquet para cuidar das finan\u00e7as do pa\u00eds. Ent\u00e3o, Fouquet enriquece, constr\u00f3i um pal\u00e1cio e se torna um nome importante na Fran\u00e7a, estando \u201ccircundado de poetas, teatr\u00f3logos, pintores, m\u00fasicos, etc, para os quais pagava uma esp\u00e9cie de mesada\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 a\u00ed, o enredo ainda est\u00e1 pr\u00f3ximo da genialidade. \u00c9 uma hist\u00f3ria com um toque certo de ironia, o que \u00e9 potencializado pelo setor seguinte. O banquete oferecido por Fouquet ao Rei aconteceu no tal pal\u00e1cio. A festa foi deslumbrante, a recep\u00e7\u00e3o magn\u00edfica, a comida estava \u00f3tima, a m\u00fasica incr\u00edvel e at\u00e9 uma pe\u00e7a teatral de Moliere os convidados viram. Basicamente, Luis XIV se revoltou e mandou prenderem Fouquet por \u201cmalversa\u00e7\u00e3o do dinheiro p\u00fablico\u201d. Em seguida, mandou os artistas que fizeram o pal\u00e1cio fazerem outro, \u201cmuito mais bonito\u201d, chamado Versalhes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria \u00e9 boa. O enredo, consequentemente, tamb\u00e9m. Mas faltou cuidado. As sutilezas e ironias n\u00e3o ficaram bem explicadas e a hist\u00f3ria foi, em suma, mal contada. At\u00e9 o enigm\u00e1tico \u201cPS\u201d (\u201cEssa hist\u00f3ria aconteceu h\u00e1 muito tempo, qualquer semelhan\u00e7a com fatos de outras \u00e9pocas \u00e9 mera coincid\u00eancia\u201d) perde um pouco da for\u00e7a. Se fosse mais longa ou mais bem trabalhada, a sinopse talvez atingisse o seu objetivo com mais \u00eaxito. Do jeito que foi escrita \u2013 e caso isso se reproduza no desfile \u2013 vai parecer apenas uma hist\u00f3ria galhofeira da Fran\u00e7a de s\u00e9culos atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201conisu\u00e1quimalipanse\u201d, ali\u00e1s, precisava ficar mais expl\u00edcito, mais claro. N\u00e3o ficou, muito por conta da pressa no momento de maior cl\u00edmax do tema. N\u00e3o fosse pela frase \u201cFouquet conseguiu ainda avisar aos mais pr\u00f3ximos que destru\u00edssem os documentos mais comprometedores\u201d, sequer seria poss\u00edvel entender se ele foi preso justamente ou n\u00e3o. Com isso, o que podia ser um tema genial virou apenas um belo enredo. Na maioria dos casos, seria mais que suficiente. Com Rosa Magalh\u00e3es, a gente sempre espera alguma coisa melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-40077 alignleft\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mocidade2016c-169x300.jpg\" alt=\"mocidade2016c\" width=\"169\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mocidade2016c-169x300.jpg 169w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mocidade2016c-768x1365.jpg 768w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mocidade2016c-191x340.jpg 191w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mocidade2016c.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 169px) 100vw, 169px\" \/>Mocidade Independente de Padre Miguel: \u201cAs mil e uma noites de uma Mocidade pra l\u00e1 de Marrakech\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carnavalescos: Alexandre Louzada e Edson Pereira<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autores da Sinopse: Alexandre Louzada e Edson Pereira<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sou desses que se posicionam imediatamente contra os chamados \u201cenredos CEP\u201d, ou seja, que falam sobre cidades, estados ou pa\u00edses. Pelo contr\u00e1rio, acho que s\u00e3o boas oportunidades de, como manda (ou deveria mandar) o Carnaval, explorar novas tem\u00e1ticas, conhecer novas culturas, levar o nosso samba para quantos lugares for poss\u00edvel. Por conta disso, apesar da decep\u00e7\u00e3o pela op\u00e7\u00e3o da Mocidade por n\u00e3o homenagear Elza Soares, recebi com boas expectativas esse enredo sobre o Marrocos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 que a\u00ed tem uma coisa: quando voc\u00ea pega um roj\u00e3o desses na m\u00e3o pra transformar em desfile, o primeiro a acreditar na ideia tem que ser voc\u00ea. Se isso acontecer, voc\u00ea segura o roj\u00e3o at\u00e9 ele estourar no c\u00e9u. Quando nem voc\u00ea confia muito nele, na primeira fa\u00edsca voc\u00ea j\u00e1 solta ele no ch\u00e3o. E \u00e9 mais ou menos essa a impress\u00e3o que eu tenho quanto ao resultado final do enredo da Mocidade: nem a pr\u00f3pria escola acreditou que o pa\u00eds africano pudesse dar um bom tema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m das refer\u00eancias mais \u00f3bvias poss\u00edveis ao Marrocos, o que resta \u00e9 uma tentativa desesperada de associar o tema \u00e0 escola. No come\u00e7o, por exemplo, para tentar explicar uma caravana muito da estranha que sai da Zona Oeste, a Mocidade recorre a versos do seu samba de 1985 que, pelo que d\u00e1 para entender, justificam uma voca\u00e7\u00e3o da escola para esse tipo de passeio: \u201cNos meus devaneios \/ Quero viajar \/ Sou a Mocidade \/ Sou Independente \/ Vou a qualquer lugar\u201d. \u00c9 s\u00f3 a primeira das refer\u00eancias for\u00e7adas que o enredo vai mostrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Me parece ser um enredo voltado para um visual luxuoso. Logo de cara aparecem pal\u00e1cios, um reino m\u00e1gico e, l\u00e1 dentro, alguma coisa que serve de tapete m\u00e1gico para o desfile da escola (pensei por um momento se tratar de uma refer\u00eancia \u00e0 Sapuca\u00ed, mas isso seria completamente nonsense, de modo que continuo na d\u00favida). No par\u00e1grafo anterior, ali\u00e1s, h\u00e1 uma frase curiosa: \u201cO sol teima em queimar a nossa cara que, por\u00e9m, em um facho sorridente, deixa a caravana passar e seguir em frente, pois, para a Mocidade, n\u00e3o existe mais quente\u201d. Agora coloca-se o nome da bateria da escola no enredo com um trocadilho pobre&#8230; \u00c9 uma sinopse feita para tentar lan\u00e7ar luz aos compositores para um desenvolvimento de enredo muito ruim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E n\u00e3o precisava ser assim, na verdade. A espinha dorsal do \u201cpasseio da caravana\u201d \u00e9 interessant\u00edssima. Passa por mercadores, Sheherazade e as \u201cmil e uma noites\u201d, Aladim, potes dourados e a \u201criqueza do povo\u201d marroquino. Com uma amarra\u00e7\u00e3o mais bem feita, seria at\u00e9 um belo enredo. Mas faltou acreditar. Sem essa autoconfian\u00e7a, camelos e Ali Bab\u00e1s s\u00e3o jogados ao l\u00e9u sem qualquer conex\u00e3o aparente. O enredo ainda retoma um pouco do rumo ao citar lendas e contos bastante interessantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a\u00ed, para terminar como come\u00e7ou, a viagem se encerra de forma abrupta, sem um final claro, e novamente encaixa-se uma s\u00e9rie de refer\u00eancias absurdas como, por exemplo, \u201cfizemos do Saara uma passarela, e no reino do Marrocos, o nosso conto transformou minutos em mil e uma noites de alegria e prosperidade, ao vestirmos a fantasia, tecemos um tapete m\u00e1gico onde desfilaram os sonhos da Mocidade\u201d. De novo tapete, de novo o Saara, de novo as mil e uma noites.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pior: \u201cSe a nossa m\u00fasica tamb\u00e9m veio da \u00c1frica, nossas bandeiras, estrelas g\u00eameas brilham juntas no cora\u00e7\u00e3o da nossa gente\u201d. Ok, a ideia das estrelas que est\u00e3o nas duas bandeiras foi boa. Mas \u00c1frica? Sim, o Marrocos \u00e9 um pa\u00eds africano. Mas de uma \u00c1frica completamente diferente da \u00c1frica do samba. Seria como criar um la\u00e7o com o Brasil atrav\u00e9s do tango. \u201cE o calor? Esse eu posso garantir que \u00e9 humano e que, ao som do batuque do samba, n\u00e3o existe mais quente\u201d. De novo o calor, de novo o nome da bateria. Quanto do Marrocos n\u00e3o se perdeu nessa tentativa de exaltar, sem motivo aparente, \u201cum povo encantado que vale mais que um pote de ouro\u201d? Desperdi\u00e7ou-se, em suma, um enredo promissor que virou um samba do marroquino doido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-40080 alignleft\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/tijuca2016b-300x169.jpg\" alt=\"tijuca2016b\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/tijuca2016b-300x169.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/tijuca2016b-768x432.jpg 768w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/tijuca2016b-550x309.jpg 550w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/tijuca2016b.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Unidos da Tijuca: \u201cM\u00fasica na alma, inspira\u00e7\u00e3o de uma na\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carnavalescos: Mauro Quintaes, Annik Salmon, H\u00e9lcio Paim e Marcus Paulo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autor da Sinopse: Marcos Roza<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez o maior exemplo de como desperdi\u00e7ar um enredo extremamente interessante com uma argumenta\u00e7\u00e3o for\u00e7ada. Contar a hist\u00f3ria dos Estados Unidos atrav\u00e9s da m\u00fasica \u00e9 uma ideia maravilhosa. Um enredo original, diferente e, at\u00e9 certo ponto, ousado para os padr\u00f5es caretas das carolas carnavalescas que pensam que o Carnaval deve eternamente girar em torno do pr\u00f3prio umbigo. Uma Tijuca americanizada \u00e9 uma boa Tijuca, afinal. Uma Tijuca com est\u00e9tica diferente. T\u00e3o diferente que s\u00f3 mesmo a Tijuca poderia aceitar. Tudo isso \u00e9 lindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, assim como o roj\u00e3o marroquino da Mocidade, esse roj\u00e3o tijucano Made in USA tamb\u00e9m n\u00e3o tem a confian\u00e7a de quem o segura. A escola do Borel n\u00e3o acreditou muito em sua proposta e optou por uma justificativa for\u00e7ada para um tema que sequer precisava de muitas explica\u00e7\u00f5es. Veja, o enredo \u00e9 anunciado como \u201cSapuca\u00ed in Concert \u2013 a hist\u00f3ria da m\u00fasica norte-americana\u201d. \u00d3timo! \u201cSeja bem-vindo, Louis Armstrong\u201d. Bom, a\u00ed j\u00e1 come\u00e7a a me incomodar. Claro que ele tem tudo a ver com um enredo, mas a escolha por uma personagem central em um enredo t\u00e3o abrangente j\u00e1 me soa sempre como um indicativo de que a escola est\u00e1 correndo atr\u00e1s de um protagonista para camuflar falhas do tema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMeu caro Pixinguinha&#8230;\u201d. Pronto, a\u00ed a abertura do enredo desandou de vez. N\u00e3o faz o menor sentido promover um \u201cencontro\u201d entre Pixinguinha e Louis Armstrong se ambos v\u00e3o ficar completamente escanteados do resto do enredo. O enredo n\u00e3o precisa da for\u00e7a do nome desses dois cantores para ser bom. Pelo contr\u00e1rio, eles apenas conferem ao tema a impress\u00e3o de que n\u00e3o \u00e9 forte o bastante para se sustentar sozinho. Isso sem falar no efeito colateral mais \u00f3bvio: correr o risco de parecer uma homenagem aos dois e decepcionar quem procurar isso no enredo, no samba e no desfile.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bom, da\u00ed em diante o enredo at\u00e9 que passa muito bem, obrigado. A contextualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica \u00e9 muito boa, relacionando o surgimento do \u201cblues\u201d ao fim da Guerra Civil pela aboli\u00e7\u00e3o da escravatura (ap\u00f3s destacar os c\u00e2nticos de louvores dos pr\u00f3prios escravos norte-americanos). Embora a \u201cprimeira pessoa\u201d do \u201cnarrador\u201d Louis Armstrong incomode enquanto sinopse, como enredo ele \u00e9 muito interessante. V\u00e3o aparecendo os ritmos com uma sequ\u00eancia cronol\u00f3gica interessante, que me faz at\u00e9 relevar os deslizes de gram\u00e1tica inglesa cometidos pelo texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No segundo setor (ou \u201cset\u201d, como \u00e9 dividido o enredo, aproveitando o termo designado para dividir as partes de um show), o jazz se mistura ao banjo e ao viol\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o da m\u00fasica country. O enredo caracteriza essa mistura como uma evid\u00eancia entre \u201ca fus\u00e3o das baladas folcl\u00f3ricas europeias e dos cantos dos cowboys do sudoeste americano com a m\u00fasica oriunda dos negros\u201d. Da mesma forma aparece o rock n\u2019roll e, assim, o enredo come\u00e7a a se popularizar com men\u00e7\u00f5es a Elvis Presley e ao festival de Woodstock.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O quarto e o quinto sets jogam de vez \u201cpra galera\u201d (e isso n\u00e3o \u00e9, de maneira nenhuma, uma cr\u00edtica) com destaque para as m\u00fasicas que ganham o cinema e, principalmente, os astros pop. \u201cCruzando novos portais entre o gueto e a cidade, misturando tradi\u00e7\u00e3o e modernidade\u201d aparecem ritmos mais antigos como o disco e at\u00e9 mesmo o funk, al\u00e9m de outros mais recentes como o hip hop e a m\u00fasica eletr\u00f4nica. Prevejo, ali\u00e1s, um final muito divertido com um desfile de cantores que vai de Frank Sinatra at\u00e9 Ke$ha, passando por Lionel Ritchie, BB King, Aretha Franklin, Beyonc\u00e9, Whitney Houston, entre muitos outros. Um \u00f3timo enredo que, ainda assim, \u00e9 bastante prejudicado por esse \u201cencontro\u201d for\u00e7ado entre Pixinguinha e Louis Armstrong.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-40130 alignleft\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/portela2016b-e1455042317553-300x234.jpg\" alt=\"portela2016b\" width=\"300\" height=\"234\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/portela2016b-e1455042317553-300x234.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/portela2016b-e1455042317553-435x340.jpg 435w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/portela2016b-e1455042317553.jpg 540w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Portela: \u201cFoi um rio que passou em minha vida e meu cora\u00e7\u00e3o se deixou levar&#8230;\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carnavalesco: Paulo Barros<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autores da Sinopse: Izabel Azevedo, Ana Paula Trindade, Simone Martins e Paulo Barros<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma concep\u00e7\u00e3o confusa, perigosa e complicada. Uma tentativa for\u00e7ada de manter a escrita recente da Portela de falar sempre sobre ela mesma, n\u00e3o importando o assunto. S\u00e3o esses dois ingredientes que fazem o enredo da Portela estar entre os quatro piores do ano no Grupo Especial, apesar da pesquisa muito interessante e de algumas refer\u00eancias muito inteligentes ao tema abstrato dos \u201crios\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo no longo pre\u00e2mbulo fica claro o problema que ir\u00e1 prejudicar todo o enredo em seu desenvolvimento. Em meio a linhas sobre a import\u00e2ncia dos rios para a humanidade, e que justificariam muito bem a proposta da escola, aparece um trecho absurdamente deslocado: \u201cA \u00c1guia bebe dessa \u00e1gua cristalina em sua nascente, onde brota o bem mais precioso criado pela natureza. No ber\u00e7o do samba, o p\u00e1ssaro aben\u00e7oa a passarela, leito do rio da Portela\u201d. Rio da Portela? \u00c1guia bebe dessa \u00e1gua? Nada disso se justifica. Pelo contr\u00e1rio, mostra uma indisfar\u00e7\u00e1vel tentativa de exaltar a pr\u00f3pria escola em um enredo que, em vias normais, n\u00e3o tem nada a ver com a Portela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m me incomodam algumas frases for\u00e7adas para dar um ar de poesia ao enredo \u2013 como por exemplo \u201cA vida \u00e9 como um rio que corre em dire\u00e7\u00e3o ao seu destino\u201d. Se o enredo fosse enxugado (sem trocadilhos com a \u00e1gua) e ficasse preso aos aspectos hist\u00f3ricos e culturais, seria bem mais interessante e funcional. No entanto, da forma como foi desenvolvido, at\u00e9 a ideia central dos rios fica escondida e relegada ao segundo plano. Ou, o que \u00e9 pior, como pano de fundo para outras hist\u00f3rias que a escola quer contar \u2013 e que a gente fica sem saber exatamente quais s\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gosto do in\u00edcio do desfile falando sobre os aspectos hist\u00f3ricos dos rios, onde destaco as frases \u201ca nascente do rio guarda os segredos do mundo\u201d e \u201cmuitos s\u00e3o os segredos que repousam no leito do velho rio\u201d. Acho at\u00e9 que essas passagens n\u00e3o deveriam estar no mesmo setor das cren\u00e7as em torno da for\u00e7a dos rios (\u201cao mesmo tempo cultuavam seus desses e os mitos da cria\u00e7\u00e3o a eles relacionados\u201d), mas entendo essa setoriza\u00e7\u00e3o, especialmente por conta da frase \u201cessas divindades representam as poderosas rela\u00e7\u00f5es entre o homem e a natureza\u201d, que tem tudo a ver com esse setor inicial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O setor dos \u201cseres dos rios\u201d \u00e9 Paulo Barros em seu estado mais puro. Se sinopse boa \u00e9 aquela que te deixa curioso pro desfile, essa, pelo menos nesse trecho, me d\u00e1 vontade de pular diretamente para a segunda de Carnaval para ver as loucuras que o homem ir\u00e1 aprontar com essas figuras assustadoras que criaram lendas e mist\u00e9rios em torno dos rios. E o melhor: ao contr\u00e1rio do que costuma acontecer nesses casos, est\u00e1 tudo muito de acordo com o que \u00e9 o enredo. Ou seja: Paulo Barros vai viajar dentro do enredo, o que \u00e9 sempre mais salutar e acho at\u00e9 que potencializa suas cria\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201ca vida pulsa na beira do rio\u201d o enredo j\u00e1 come\u00e7a a me incomodar um pouco. N\u00e3o pela \u00f3tima cita\u00e7\u00e3o \u00e0s fam\u00edlias ribeirinhas que tiram seu sustento da pesca, mas pelo final. Mais especificamente pela frase: \u201cexistem aqueles que perdem o rumo e o rio, mas o rio da Portela \u00e9 doce e carrega as m\u00e1goas de quem sofre por desengano por ter perdido um grande amor\u201d. At\u00e9 consigo associar isso ao enredo, mas acho bastante for\u00e7ado. Por outro lado, o setor \u201calma dos rios\u201d \u00e9 extremamente criativo e resgata rela\u00e7\u00f5es muito interessantes entre as \u00e1guas e a m\u00fasica \u2013 inclusive a norte-americana, em ponto de converg\u00eancia com o enredo da Tijuca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final, o ponto mais espinhoso. \u201cMeu cora\u00e7\u00e3o se deixou levar\u201d. Eu at\u00e9 entendo que um enredo desses na Portela torna irresist\u00edvel a tenta\u00e7\u00e3o de citar a m\u00fasica de Paulinho da Viola. Mas justamente por isso acho que foi a cita\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi bem feita. Na verdade, esse \u00faltimo setor parece mais um resumo de todo o enredo, falando de \u201c\u00e1guas azuis\u201d, nascentes, religi\u00e3o e, sempre, da Portela. Sem muito cuidado, fala da \u201cm\u00fasica que s\u00f3 um rio pode inspirar\u201d em homenagem \u00e0 Clara Nunes. Uma argumenta\u00e7\u00e3o muito pobre e que prejudica bastante o tema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-42236 alignleft\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/mangueira_iIxFY7W-300x225.jpg\" alt=\"mangueira_iIxFY7W\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/mangueira_iIxFY7W-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/mangueira_iIxFY7W-453x340.jpg 453w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/mangueira_iIxFY7W.jpg 620w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira: \u201cS\u00f3 com a ajuda do santo\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carnavalesco: Leandro Vieira<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autor da Sinopse: Leandro Vieira<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Simplesmente o pior enredo do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Por um motivo muito simples: \u00e9 o anti-enredo. N\u00e3o se apresenta como um enredo, n\u00e3o tem cara de enredo. \u00c9 at\u00e9 um texto divertido, bem escrito, mas n\u00e3o tem caracter\u00edsticas b\u00e1sicas para que possa ser encarado como um tema consistente para um desfile de escola de samba. Pelo contr\u00e1rio, sob esse ponto de vista, parece ser um resumo (pra l\u00e1 de resumido) sobre o que o carnavalesco quer em seu samba e sobre o que ele vai representar em suas alas e seus carros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 pouco. Bem pouco, convenhamos. A tem\u00e1tica, que nem \u00e9 exatamente inovadora (a diversidade religiosa do brasileiro j\u00e1 foi exaltada de formas diferentes algumas vezes), merecia uma amarra\u00e7\u00e3o mais criativa. At\u00e9 que a ideia central de \u201capelar pra tudo que \u00e9 santo\u201d \u00e9 muito boa, mas precisa de algum sentido dentro de um enredo. N\u00e3o se pode jogar santos ao l\u00e9u ao longo de um texto e formar com eles todo o conjunto do que quer se apresentar. Quando isso acontece \u2013 e aconteceu nesse caso \u2013 ele fica pobre. Tanto na pr\u00f3pria argumenta\u00e7\u00e3o quanto no conte\u00fado. Os elementos do enredo passam a ser subestimados e a hist\u00f3rica fica sem come\u00e7o, sem fim e completamente sem meio. Sai do nada para chegar ao lugar nenhum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto mais curto dentre todos os 12 do Grupo Especial \u00e9 tamb\u00e9m o mais confuso. S\u00f3 no primeiro par\u00e1grafo bate-se tr\u00eas vezes na madeira, pega-se um galho de arruda, sa\u00fada-se S\u00e3o Benedito, comemora-se a congada e a festa de S\u00e3o Jo\u00e3o com direito a capelinha de mel\u00e3o. Claro que a ideia \u00e9 mostrar justamente essa pluralidade de cren\u00e7as, mas \u00e9 preciso respirar um pouquinho, acredito. N\u00e3o se d\u00e1 maiores destaques a nenhuma delas e quem l\u00ea fica esperando uma explica\u00e7\u00e3o para aquilo tudo. Ela vir\u00e1 no Livro Abre-Alas, \u00e9 \u00f3bvio, mas um enredo tem que ser bem explicado desde a sua sinopse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 assim que ele vai do in\u00edcio ao fim: com os mais diversos santos das mais diversas cren\u00e7as sendo dispostos ao longo das linhas sem sequer destacar as rela\u00e7\u00f5es mais \u00edntimas de alguns deles com os seus devotos \u2013 ou pelo menos o porqu\u00ea de serem adorados dessa forma. L\u00e1 no final apresenta-se, pelo menos, uma explica\u00e7\u00e3o para essa ajuda de todos os santos: \u201ca Mangueira quer passar e comandar a prociss\u00e3o\u201d. Certo, tudo isso \u00e9 pela Verde e Rosa. Mas custava explicar um pouquinho melhor de onde vem essa m\u00faltipla adora\u00e7\u00e3o a todos os santos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em resumo: falta ao enredo aquilo que aparece na \u00faltima frase; \u201cs\u00f3 quem pode com mandinga carrega patu\u00e1\u201d. Essa sim \u00e9 uma grande passagem, pois faz o leitor captar parte da ess\u00eancia da hist\u00f3ria que vai ser contada. Da mesma forma, acho o \u201cPS\u201d muito inteligente: \u201cExpedito, voc\u00ea que \u00e9 dado ao imposs\u00edvel, ser\u00e1 que fazia mal, chegar ao ouvido do pai, e interceder por mais este Carnaval?\u201d Em coisa de tr\u00eas linhas encaixou-se um santo, a sua miss\u00e3o e tamb\u00e9m a sua rela\u00e7\u00e3o com os desejos apresentados no resto do enredo. Se fosse esse o esp\u00edrito do in\u00edcio ao fim, seria um enredo agrad\u00e1vel. Como n\u00e3o foi, restou um enredo de n\u00edvel surpreendentemente baixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, do melhor para o pior, como eu classifico os enredos do Grupo Especial do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acad\u00eamicos do Salgueiro<br \/>\nPara\u00edso do Tuiuti<br \/>\nBeija-Flor de Nil\u00f3polis<br \/>\nS\u00e3o Clemente<br \/>\nUnidos de Vila Isabel<br \/>\nUni\u00e3o da Ilha do Governador<br \/>\nUnidos da Tijuca<br \/>\nAcad\u00eamicos do Grande Rio<br \/>\nPortela<br \/>\nImperatriz Leopoldinense<br \/>\nMocidade Independente de Padre Miguel<br \/>\nEsta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois da primeira parte com a an\u00e1lise dos enredos do Grupo Especial no desfile de domingo, confira os temas que v\u00e3o passar pela Avenida naTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":40111,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[351],"tags":[1160,19,66,69,49,64,39,68],"class_list":["post-43095","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-filho-prodigo","tag-carnaval-2017","tag-escolas-de-samba","tag-mangueira","tag-mocidade-independente","tag-portela","tag-sao-clemente","tag-uniao-da-ilha","tag-unidos-da-tijuca"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43095","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43095"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43095\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40111"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43095"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43095"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43095"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}