{"id":43028,"date":"2016-09-08T07:12:27","date_gmt":"2016-09-08T10:12:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/?p=43028"},"modified":"2016-09-08T09:12:29","modified_gmt":"2016-09-08T12:12:29","slug":"uma-analise-sobre-os-enredos-do-grupo-especial-do-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2016\/09\/uma-analise-sobre-os-enredos-do-grupo-especial-do-rio-de-janeiro\/","title":{"rendered":"Uma an\u00e1lise sobre os enredos do Grupo Especial do Rio de Janeiro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Terminado o per\u00edodo ol\u00edmpico, \u00e9 hora de come\u00e7ar a olhar com ainda mais aten\u00e7\u00e3o para o Carnaval de 2017. J\u00e1 h\u00e1 algum tempo s\u00e3o conhecidos os 12 enredos do Grupo Especial do Rio de Janeiro e agora, j\u00e1 com quase todas as disputas de samba rolando, fa\u00e7o aqui uma an\u00e1lise sobre os temas que v\u00e3o passar pela Sapuca\u00ed no Maior Espet\u00e1culo da Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comecemos com as escolas que v\u00e3o desfilar no domingo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para\u00edso do Tuiuti: \u201cCarnavaleidos\u00f3pio Tropif\u00e1gico\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carnavalesco: Jack Vasconcelos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autor da Sinopse: Jack Vasconcelos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A busca insana de carnavalescos e de parte do p\u00fablico por enredos \u201ccriativos\u201d e \u201cdiferentes\u201d faz com que, \u00e0s vezes, alguns enredos \u00f3bvios e ao mesmo tempo brilhantes passem batidos por anos e anos. \u00c9 de se espantar, por exemplo, que o movimento tropicalista, um dos mais importantes da hist\u00f3ria do Brasil, nunca tenha passado pela Avenida no Grupo Especial. A Para\u00edso do Tuiuti, que est\u00e1 voltando \u00e0 elite ap\u00f3s 16 anos, tratou de resolver isso, aproveitando os 50 anos do Movimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sinopse do excelente carnavalesco Jack Vasconcelos \u00e9 brilhante. O texto, em forma de manifesto, \u00e9 cheio de sacadas criativas e refer\u00eancias bem costuradas \u00e0 obras importantes do movimento tropicalista. No entanto, a impress\u00e3o que passa \u00e9 que, se o enredo tem um come\u00e7o e um fim muito bem definidos, o meio ficou bastante confuso. Talvez por conta da inten\u00e7\u00e3o de Jack de fazer um texto com elementos da est\u00e9tica do movimento tropicalista, faltou uma melhor amarra\u00e7\u00e3o dos setores centrais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O enredo come\u00e7a por outro movimento cultural important\u00edssimo, o antropofagismo, da d\u00e9cada de 1920. \u00c9 que muitos dos conceitos tropicalistas, como a valoriza\u00e7\u00e3o da identidade nacional a partir de estilos art\u00edsticos estrangeiros, foram inspirados nos antropofagistas. \u00c9 por isso que s\u00e3o muito bem-vindas \u00e0s cita\u00e7\u00f5es ao descobrimento do Brasil e ao choque cultural entre os nativos e os portugueses. Tamb\u00e9m me agrada muito as cita\u00e7\u00f5es, na sinopse, ao poema \u201cErro de Portugu\u00eas\u201d e \u00e0 personagem Macuna\u00edma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 justamente quando o enredo entra de fato na Tropic\u00e1lia que h\u00e1 o pequeno deslize. Claro, as refer\u00eancias musicais e art\u00edsticas s\u00e3o captadas com muita facilidade, mas falta clareza. Afinal, como v\u00e3o se dividir esses setores? Haver\u00e1 um para as m\u00fasicas, outro para as artes pl\u00e1sticas, etc? Ou as obras ser\u00e3o todas jogadas ao l\u00e9u sem nenhuma ordem expl\u00edcita? Pelo menos na sinopse, faltou esclarecer isso \u2013 e de certa forma os sambas tamb\u00e9m ficaram bastante confusos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, nada que tire o brilhantismo do enredo. O ponto alto, pelo menos para mim, \u00e9 o fato de ser um enredo politizado. Ele \u00e9 contestador, ousado, cr\u00edtico, tem elementos que fazem muita falta no Carnaval dos dias atuais. Nesse ponto, destaco um trecho da sinopse: \u201cA burguesia exige defini\u00e7\u00f5es. Oh! Good Business\u201d. Ou seja, \u00e9 a burguesia colhendo os frutos da qualidade art\u00edstica dos tropicalistas ap\u00f3s o estranhamento inicial. Tamb\u00e9m gosto do trecho \u201ccontra o aculturamento. Contra os bons modos. Contracultura\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O final do enredo tamb\u00e9m \u00e9 espetacular. Para mim, o grande momento. Se o enredo come\u00e7a mostrando que os ideais tropicalistas estiveram presentes no pa\u00eds desde o descobrimento, nada mais coerente que terminar mostrando que eles est\u00e3o vivos at\u00e9 hoje. E \u00e9 assim que Jack Vasconcelos conclui seu manifesto: \u201cNunca fomos catequizados. Fizemos foi o Carnaval. Nunca seremos belos, recatados e do lar\u201d. No trecho final, uma frase brilhante: \u201cEu vim pra confundir e n\u00e3o pra explicar\u201d. Nada pode ser mais Tropic\u00e1lia do que isso. O \u00faltimo par\u00e1grafo ainda resume muito bem a ess\u00eancia contestadora do movimento e do pr\u00f3prio enredo: \u201cEu vou pelo mundo em milhares de cores. Eu vou! Porque n\u00e3o? Porque n\u00e3o? Porque n\u00e3o?\u201d. Um texto brilhante, um enredo quase perfeito para uma escola que pode sim se manter na elite. Por que n\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/20160208_020914.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-41228\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/20160208_020914-550x309.jpg\" alt=\"20160208_020914\" width=\"550\" height=\"309\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/20160208_020914-550x309.jpg 550w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/20160208_020914-300x169.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/20160208_020914-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a>Acad\u00eamicos do Grande Rio: \u201cIvete, do rio ao Rio\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carnavalesco: F\u00e1bio Ricardo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autora da sinopse: Helenise Guimar\u00e3es<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, j\u00e1 deixo claro que acho just\u00edssima a homenagem para Ivete Sangalo. \u00c9 uma artista de grande relev\u00e2ncia art\u00edstica pro Brasil e um fen\u00f4meno popular. S\u00f3 isso, j\u00e1 basta. Isso posto, digo que analiso o tema sem preconceitos \u2013 ali\u00e1s, pelo contr\u00e1rio, com muita boa vontade. O desenvolvimento do enredo n\u00e3o \u00e9 ruim, muito longe disso, mas tem alguns deslizes complicados. Para come\u00e7ar, fazer a sinopse em primeira pessoa \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o simples, mas espinhosa. De in\u00edcio parece um \u00f3timo caminho e, no entanto, acaba criando alguns problemas l\u00e1 na frente. Ainda mais se tratando de uma figura como Ivete.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O in\u00edcio do enredo \u00e9 interessante. Fala sobre as origens de Ivete Sangalo em Juazeiro do Norte e encaixa uma lenda sobre uma serpente que vive em um rio. Achei a ideia v\u00e1lida, sobretudo pensando no visual. H\u00e1 uma \u00f3bvia licen\u00e7a po\u00e9tica, um momento nitidamente ficcional onde Ivete derrota a tal serpente, que tamb\u00e9m n\u00e3o me incomoda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ponto alto do enredo, ao meu ver, \u00e9 quando a cantora conta a hist\u00f3ria da explos\u00e3o do ax\u00e9. Quando a homenagem \u00e0 ela foi anunciada, eu j\u00e1 dizia que um dos pontos centrais deveria ser o fato de que Ivete est\u00e1 inserida em um contexto de mudan\u00e7a no cen\u00e1rio da m\u00fasica brasileira, quando pela primeira vez um ritmo nordestino alcan\u00e7a de fato o protagonismo em todo o pa\u00eds. Na sinopse, isso est\u00e1 bem expl\u00edcito com as homenagens aos primeiros trios el\u00e9tricos e aos grandes cantores baianos respons\u00e1veis por essa transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o enredo chega enfim \u00e0 carreira de Ivete Sangalo, boa parte do desfile j\u00e1 se foi. Sem precisar for\u00e7ar a barra, o carnavalesco F\u00e1bio Ricardo preencheu os setores iniciais com uma hist\u00f3ria coerente e que tem liga\u00e7\u00e3o direta com a homenageada. O enredo destaca bem o in\u00edcio da jornada de Ivete na m\u00fasica com a Banda Eva e a promissora carreira solo \u2013 a\u00ed h\u00e1 uma frase muito bem sacada, \u201cda astronave reluzente pulei para pilotar minha carreira solo!\u201d, uma refer\u00eancia ao sucesso \u201cEva\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, dali em diante, o desenvolvimento do enredo come\u00e7a a derrapar. Primeiro, por conta da op\u00e7\u00e3o pela narra\u00e7\u00e3o em primeira pessoa, como eu antecipei. Reparem nesses trechos: \u201co suingue da minha voz permitia movimentar por v\u00e1rios g\u00eaneros\u201d, \u201ctornei-me uma estrela nacional\u201d. N\u00e3o \u00e9 um pouco estranho imaginar a Ivete falando t\u00e3o bem de si mesma? \u00c9 essa a armadilha do texto em primeira pessoa. Talvez, narrar a hist\u00f3ria de Ivete de longe dificultasse um pouco o in\u00edcio do desenvolvimento do enredo, mas certamente ajudaria nesse momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, todo o cuidado do texto da professora Helenise Guimar\u00e3es nos dois primeiros setores n\u00e3o aparece no \u00faltimo. A chegada de Ivete ao Rio de Janeiro para o desfile da Grande Rio recebe uma import\u00e2ncia exagerada, com cita\u00e7\u00f5es muito estranhas ao munic\u00edpio de Duque de Caxias. Nada do que est\u00e1 ali faz algum sentido dentro da ideia de se contar a hist\u00f3ria de Ivete Sangalo. No final, temos o clich\u00ea (um clich\u00ea bem-vindo, nesse caso) da \u201cconsagra\u00e7\u00e3o\u201d, da \u201cmistura entre o Rio e a Bahia\u201d, que fecham de maneira alegre o enredo. N\u00e3o \u00e9 um tema mal desenvolvido, longe disso, mas o final compromete em grande parte toda a costura bem feita dos outros trechos da sinopse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/20160209_034551.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-43135\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/20160209_034551-550x309.jpg\" alt=\"20160209_034551\" width=\"550\" height=\"309\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/20160209_034551-550x309.jpg 550w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/20160209_034551-300x169.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/20160209_034551-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a>Imperatriz Leopoldinense: \u201cA M\u00edstica Xinguana \u2013 O clamor que vem da floresta\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carnavalesco: Cah\u00ea Rodrigues<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autores da sinopse: Cah\u00ea Rodrigues, Marta Queiroz e Cl\u00e1udio Vieira<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de tantos anos, a tem\u00e1tica ind\u00edgena j\u00e1 se esgotou no Carnaval Carioca. Por isso, a sinopse da Imperatriz Leopoldinense, apesar de competente, d\u00e1 um certo cansa\u00e7o em quem l\u00ea. Pior: \u00e9 o enredo que j\u00e1 te d\u00e1 a exata no\u00e7\u00e3o do que ser\u00e1 visto na Avenida. N\u00e3o porque o texto explica, mas sim porque de fato j\u00e1 vimos aquilo tudo muitas e muitas vezes. E \u00e9 curioso porque, logo no in\u00edcio da sinopse, ap\u00f3s uma cita\u00e7\u00e3o a Orlando Villas-B\u00f4as, Cah\u00ea Rodrigues, Marta Queiroz e Cl\u00e1udio Vieira avisam: \u201choje n\u00e3o viemos falar de lendas (&#8230;) Hoje, vamos falar da verdade\u201d. Uma inten\u00e7\u00e3o louv\u00e1vel, mas que n\u00e3o se concretiza na sequ\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O enredo j\u00e1 come\u00e7a com uma falha conceitual: tamb\u00e9m \u00e9 narrado em primeira pessoa (ou, para ser mais exato, de \u00edndio para \u00edndio), mas tem como base estudos de Orlando Villas-B\u00f4as. Ora, se a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 falar de \u00edndio para \u00edndio, como pode ser usada a vis\u00e3o de um homem branco, por melhor que sejam seus livros sobre o universo ind\u00edgena?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo com esses deslizes, o enredo se desenvolve, no in\u00edcio, com alguma coer\u00eancia e linearidade. Sem surpreender, mas tamb\u00e9m sem errar, viaja pelas celebra\u00e7\u00f5es tribais, a chegada dos portugueses (aqui aparece o melhor trecho da sinopse, quando o Brasil \u00e9 caracterizado como \u201cum Jardim Sagrado, de onde o pr\u00f3prio Deus dele o expulsou\u201d, fazendo refer\u00eancia \u00e0 catequiza\u00e7\u00e3o imposta aos ind\u00edgenas) e a consequente rela\u00e7\u00e3o com os colonizadores. Essa \u00e9, por assim dizer, a primeira metade do enredo. Clich\u00ea, sim. Cansativa, sim. Mas correta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda metade, por\u00e9m, o enredo come\u00e7a a misturar os elementos ind\u00edgenas com mensagens sobre a preserva\u00e7\u00e3o da natureza e tudo come\u00e7a a ficar muito confuso. Ele at\u00e9 aproveita um bom gancho, relacionando a chegada do \u201chomem branco\u201d aos \u201cbelos monstros\u201d \u2013 usinas, barragens, agrot\u00f3xicos, etc. Depois, exalta \u201ccaciques brancos\u201d, ou seja, os homens que ajudaram na luta ind\u00edgena pela preserva\u00e7\u00e3o das matas. No fim, volta a falar do \u201cclamor da floresta\u201d. Tudo muito confuso, como se o enredo andasse em c\u00edrculos e voltasse sempre ao mesmo ponto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Causa ou consequ\u00eancia desse problema citado no par\u00e1grafo anterior, vejo uma falta de conex\u00e3o entre os setores do enredo. As passagens s\u00e3o todas muito claras, mas o conjunto n\u00e3o. A real inten\u00e7\u00e3o do enredo \u2013 \u201cfalar da verdade\u201d \u2013 fica escondida. N\u00e3o se entende, afinal, sobre o que fala de fato o desfile. Acho complicado tamb\u00e9m como a sinopse \u201cfala\u201d pelos \u00edndios, como os autores escolhem os her\u00f3is e os vil\u00f5es dos ind\u00edgenas com facilidade. Enredo fraco, confuso e com erros graves.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/20160208_221927.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-40125\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/20160208_221927-550x309.jpg\" alt=\"20160208_221927\" width=\"550\" height=\"309\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/20160208_221927-550x309.jpg 550w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/20160208_221927-300x169.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/20160208_221927-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a>Unidos de Vila Isabel: \u201cO som da cor\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carnavalesco: Alex de Souza<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autor da sinopse: Alex de Souza<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse \u00e9 outro enredo \u00f3bvio e muito bom que nunca passou pela Avenida no Grupo Especial. Exaltar os negros atrav\u00e9s da m\u00fasica tem tudo a ver com Carnaval e com v\u00e1rias de suas escolas. Inclusive a Vila Isabel&#8230; Ainda que seja uma ruptura com o estilo de enredos recente da azul-e-branco, \u00e9 um tema que resgata a ess\u00eancia que a agremia\u00e7\u00e3o construiu ao longo das d\u00e9cadas, com uma exalta\u00e7\u00e3o muito forte da ra\u00e7a negra e da hist\u00f3ria dos povos latino-americanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sinopse come\u00e7a com uma frase muito bonita: \u201cou\u00e7o o tom da pele\u201d. Como toda boa sinopse, sintetiza, logo de cara, o esp\u00edrito da hist\u00f3ria que pretende narrar. Ainda no mesmo par\u00e1grafo, usa outras frases marcantes como \u201csinto cheiro daquela gente sofrida, no brilho da voz que n\u00e3o cala\u201d e \u201cgera\u00e7\u00f5es que seguiram colheram frutos dessa musicalidade\u201d. Com clareza, o enredo mostra como a m\u00fasica \u00e9 mais que uma letra e uma melodia e como ela est\u00e1 intimamente relacionada com a trajet\u00f3ria da ra\u00e7a negra no continente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O carnavalesco Alex de Souza usa um artif\u00edcio bastante inteligente no desenvolvimento do enredo, que \u00e9 dividir os setores de maneira geogr\u00e1fica e n\u00e3o cronol\u00f3gica. Considero uma sa\u00edda inteligente porque, se cronol\u00f3gico, o enredo ficaria confuso, j\u00e1 que muitas das passagens aconteceram em espa\u00e7os de tempo muito grandes e, em geral, contempor\u00e2neos entre si. Ent\u00e3o, dividindo geograficamente, o enredo n\u00e3o perde a coer\u00eancia e ainda fica mais compreens\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa forma, ele come\u00e7a pelas Antilhas, pelos pa\u00edses da Am\u00e9rica Central e pelas col\u00f4nias hisp\u00e2nicas da Am\u00e9rica do Sul, destacando ritmos como a habanera, o rastaf\u00e1ri, o reggae, a c\u00fambia, a milonga e o tango. A mim incomoda bastante o ritmo acelerado desse trecho do enredo. Acho cada uma dessas hist\u00f3rias muito boa e muito relevante para ser t\u00e3o pouco aproveitada. Pior, acho dif\u00edcil contextualizar todos esses ritmos e hist\u00f3rias em um ou dois setores. Ser\u00e1 um desafio complicado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao falar das col\u00f4nias brit\u00e2nicas, o enredo fala sobre o jazz e o blues (com direito a uma frase maravilhosa: \u201cser negro \u00e9 ser pop\u201d) narrando uma hist\u00f3ria que \u00e9 praticamente a mesma contada no desfile da Unidos da Tijuca. N\u00e3o acho que seja um problema, mas de todo modo vai ser curioso notar como essas abordagens v\u00e3o ser feitas, ponderando sempre que o que ocupa apenas uma parte do desfile da Vila vai ser, na verdade, o desfile inteiro da Tijuca. A prop\u00f3sito, \u00e9 interessante notar como nesse setor a hist\u00f3ria \u00e9 mais bem contada. A aus\u00eancia de outras col\u00f4nias brit\u00e2nicas deixou os ritmos norte-americanos sozinhos e, portanto, sobrou mais espa\u00e7o para a hist\u00f3ria, ao contr\u00e1rio do que aconteceu na Am\u00e9rica Espanhola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O enredo faz uma op\u00e7\u00e3o compreens\u00edvel por reservar o maior espa\u00e7o poss\u00edvel para a m\u00fasica brasileira. Talvez\u00a0 &#8211; talvez, quero confirmar ou n\u00e3o essa impress\u00e3o no desfile \u2013 tenha sido espa\u00e7o demais, mas, de todo modo, a hist\u00f3ria \u00e9 muito bem contada. Recuperam-se ritmos desconhecidos como o lundu e abre-se espa\u00e7o tamb\u00e9m para uma contextualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica mais bem amarrada. Nesse ponto, destaco duas passagens: \u201cSe negro festeja n\u00e3o conspira\u201d, que explica o porqu\u00ea das celebra\u00e7\u00f5es dos escravos n\u00e3o serem reprimidas pelos portugueses, e \u201co grande orgulho luso, ora pois, tem um p\u00e9 na senzala\u201d, em refer\u00eancia \u00e0 mistura do pr\u00f3prio lundu com g\u00eaneros liter\u00e1rios portugueses como as cantigas trovadorescas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, a Vila viaja por celebra\u00e7\u00f5es religiosas, com destaque para as congadas e os afox\u00e9s, e enfim desembarca no samba para, \u00e9 claro, exaltar Tia Ciata, as escolas de samba e a pr\u00f3pria Vila Isabel. No caso, mais um dos clich\u00eas muito bem-vindos. O grande desafio, por\u00e9m, \u00e9 lidar com uma grande ironia trazida pelo enredo: ele \u00e9 in\u00e9dito, mas todos os seus principais elementos j\u00e1 passaram dezenas de vezes pela Sapuca\u00ed em enredos totalmente diferentes. O inusitado desafio de ser original em um enredo in\u00e9dito deve definir o sucesso do tema narrado pelo Povo do Samba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/20160214_010557.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-40474\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/20160214_010557-550x309.jpg\" alt=\"20160214_010557\" width=\"550\" height=\"309\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/20160214_010557-550x309.jpg 550w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/20160214_010557-300x169.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/20160214_010557-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a>Acad\u00eamicos do Salgueiro: \u201cA Divina Com\u00e9dia do Carnaval\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carnavalescos: Renato Lage e M\u00e1rcia Lage<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autores da Sinopse: Renato Lage, M\u00e1rcia Lage e Diretoria Cultural<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para mim, em uma safra de enredos ligeiramente decepcionante, temos apenas um tema genial. Temos alguns bons, muito bons, mas genial mesmo, s\u00f3 um: e \u00e9 do Salgueiro. A concep\u00e7\u00e3o art\u00edstica dessa Divina Com\u00e9dia do Carnaval \u00e9 uma das mais brilhantes que j\u00e1 vi para um enredo em anos recentes. \u00c9 o enredo que mais me agrada porque deixa aquela sensa\u00e7\u00e3o de \u201ccomo ningu\u00e9m pensou nisso antes?\u201d. N\u00e3o \u00e9 um enredo pronto que ningu\u00e9m quis fazer por outros interesses. \u00c9 um enredo genial que esteve esse tempo todo abaixo do nariz das escolas de samba e ningu\u00e9m reparou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o precisa ser um grande conhecedor da obra de Dante para entender a proposta angelicalmente diab\u00f3lica do Carnaval do Salgueiro. L\u00e1 na frente isso fica expl\u00edcito, mas n\u00e3o resta d\u00favida que \u00e9 um enredo cujo protagonista pode ser qualquer um que carregue o esp\u00edrito foli\u00e3o. \u201cUm aventureiro errante, passageiro do del\u00edrio\u201d que viaja pelos \u201ctr\u00eas reinos m\u00edsticos de Momo\u201d. Ah, nada como um enredo envolvente que te transforma em passageiro da hist\u00f3ria que pretende contar. Chega a ser curioso: quando o enredo fala em entrar na barca, o leitor entra junto, quase que se convidando pra fazer parte da viagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro setor, chamado \u201cAlegria Infernal\u201d leva esse aventureiro para o Inferno. Mas n\u00e3o \u00e9 um Inferno sofrido, n\u00e3o. \u00c9 um Inferno carnavalesco, carnavalizado. Recuperando todas as tradi\u00e7\u00f5es mais profanas poss\u00edveis, o Salgueiro passa por \u201cbatalhas de confetes e serpentinas\u201d que liberta as \u201cferas que se escondem em cada um de n\u00f3s\u201d. Quando a viagem prossegue, a personagem se despede do Inferno \u201cainda que atra\u00edda pelas fogosas tenta\u00e7\u00f5es espalhadas no caminho maligno que tanto seduz\u201d. E n\u00e3o tem como n\u00e3o pensar o mesmo ao ler o texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No segundo setor, \u201cPecado \u00e9 n\u00e3o se entregar?\u201d, a barca chega ao purgat\u00f3rio para purificar o foli\u00e3o que mergulhou no Inferno carnavalesco. A senten\u00e7a \u00e9 arrebatadora: \u201cN\u00e3o h\u00e1 castigo para pecados cometidos em nome do prazer\u201d. Enquanto viaja por \u201csete grupos de foli\u00f5es\u201d (um para cada pecado capital), o protagonista vai se purificando, vai se aproximando do para\u00edso e tamb\u00e9m do momento mais emocionante de todo o enredo: o encontro com a Sant\u00edssima Trindade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode parecer uma esp\u00e9cie de auto-homenagem for\u00e7ada, mas devo dizer que, pelo menos para mim, n\u00e3o \u00e9 nada disso. \u00c9 uma homenagem linda (e, melhor, coerente) a tr\u00eas grandes carnavalescos. Ora, se estamos falando de Infernos e purgat\u00f3rios carnavalizados, que para\u00edso pode ser melhor para um foli\u00e3o salgueirense que aquele em que os anfitri\u00f5es s\u00e3o Fernando Pamplona, Arlindo Rodrigues e Jo\u00e3osinho Trinta? N\u00e3o seria essa a recep\u00e7\u00e3o dos sonhos para qualquer esp\u00edrito carnavalesco desencarnado? Pois \u00e9, foi o que o Salgueiro armou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ainda que essa homenagem seja emocionante e impactante, n\u00e3o \u00e9 ela o ponto alto do enredo. Uma das grandes sacadas do ano \u00e9 a composi\u00e7\u00e3o visual criada pelo texto para esse para\u00edso carnavalesco. Em um enredo com tantos elementos cat\u00f3licos, montar um para\u00edso que atrav\u00e9s da \u201cdimens\u00e3o afro-c\u00f3smica dos reis, her\u00f3is e deuses de Yorub\u00e1\u201d \u00e9, no m\u00ednimo, uma ruptura espetacular com o convencional.\u00a0 Um para\u00edso-afro!!!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao final, o foli\u00e3o se revela como o Dante e explicita, como eu disse, a mensagem maior do enredo: \u201cA REAL FELICIDADE EST\u00c1 EM NOSSA INADI\u00c1VEL MISS\u00c3O DE CARNAVALIZAR A VIDA. H\u00e1 um Dante dentro de voc\u00ea. Liberte-o!\u201d. Se depender desse enredo, n\u00e3o vai ser dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/20160208_010028.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-40913\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/20160208_010028-550x309.jpg\" alt=\"20160208_010028\" width=\"550\" height=\"309\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/20160208_010028-550x309.jpg 550w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/20160208_010028-300x169.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/20160208_010028-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a>Beija-Flor de Nil\u00f3polis: \u201cA Virgem dos L\u00e1bios de Mel \u2013 Iracema\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carnavalescos: La\u00edla, Fran S\u00e9rgio, Andr\u00e9 Cezari, Ubiratan Silva, Victor Santos, Cl\u00e1udio Russo e Bianca Behrends<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autores da Sinopse: La\u00edla, Fran S\u00e9rgio, Victor Santos, Andr\u00e9 Cezari, Bianca Behrends, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo, Gabriel Mello e Adriane Lins<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se existe um enredo mais pronto do que esse para uma escola de samba, eu desconhe\u00e7o. A obra de Jos\u00e9 de Alencar j\u00e1 \u00e9, por si s\u00f3, um enredo daqueles bons. Bons, n\u00e3o. \u00d3timos. N\u00e3o tem o que inventar. Basta ler o livro e pronto. E da\u00ed nasce a sinopse da Beija-Flor. Em mais ou menos tr\u00eas ou quatro p\u00e1ginas resume-se toda a obra com muita compet\u00eancia. Como trata-se de uma publica\u00e7\u00e3o das mais famosas da literatura brasileira, obviamente muita coisa ficou de fora. Era preciso escolher um caminho, uma abordagem dentre tantas poss\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a Beija-Flor fez uma boa escolha. Focou, basicamente, nas caracter\u00edsticas da personagem e tamb\u00e9m em seu habitat. Especialmente pensando na pl\u00e1stica, \u00e9 o elemento do livro que mais oferece material para um bom enredo. Fica clara tamb\u00e9m a tentativa da escola de abordar o Estado do Cear\u00e1, talvez para facilitar a capta\u00e7\u00e3o de patroc\u00ednios (deixando claro que essa \u00e9 uma possibilidade, n\u00e3o tenho informa\u00e7\u00e3o nenhuma e nem estou afirmando nada). Essa tentativa acaba prejudicando um pouco o enredo, mas nada que seja muito preocupante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ess\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o entre Iracema e Martim \u00e9 apresentada como \u201cuma linda hist\u00f3ria de amor e tamb\u00e9m uma hist\u00f3ria do Brasil\u201d. A escola foca em aspectos importantes do pr\u00f3prio estilo liter\u00e1rio de Jos\u00e9 de Alencar e que se reproduzem em \u201cIracema\u201d: exalta\u00e7\u00e3o ao Brasil e valoriza\u00e7\u00e3o de elementos da cultura e da hist\u00f3ria nacionais. Como por exemplo a miscigena\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica entre \u00edndios e colonizadores, representada pelo nascimento de Moacir, \u201co primeiro mesti\u00e7o brasileiro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As sutilezas nos tra\u00e7os da personalidade da protagonista acabam n\u00e3o aparecendo em uma sinopse curta e que foca realmente na paix\u00e3o arrebatadora \u2013 ou, no \u201cfogo do entusiasmo\u201d \u2013 dos personagens centrais. Conta-se, ent\u00e3o, uma hist\u00f3ria com in\u00edcio, meio e fim e que termina com a partida de Martim que provoca a morte de Iracema. Minha principal cr\u00edtica \u00e9 que tudo acontece muito r\u00e1pido na sinopse, o que tira um pouco da for\u00e7a da obra. N\u00e3o \u00e9 uma cr\u00edtica ao enredo, que \u00e9 (quase) irretoc\u00e1vel, mas sim \u00e0 forma como ele se apresenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, os dois par\u00e1grafos finais s\u00e3o muito bem escritos. Come\u00e7o destacando o trecho \u201cIracema n\u00e3o resiste&#8230; Mas nada de tristeza, Iracema persiste!!!\u201d. Ali termina a hist\u00f3ria (Iracema morre) e come\u00e7a o que eu imagino ser o setor final, mostrando uma esp\u00e9cie de legado do esp\u00edrito da hero\u00edna \u201cnas veias de cada filho deste ch\u00e3o\u201d \u2013 que n\u00e3o entendi bem se \u00e9 o Brasil ou o Cear\u00e1, que volta a aparecer como \u201csendo sempre Iracema\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, a escola recorre a um clich\u00ea (mais uma vez bem-vindo) e evoca os seus tra\u00e7os ind\u00edgenas. \u201cUma legi\u00e3o de guerreiros Beija-Flor\u201d que cr\u00ea \u201cna magia de Tup\u00e3\u201d. Se a sinopse toda parece um resumo excessivo da hist\u00f3ria para os compositores, o par\u00e1grafo final soa como uma mensagem para a comunidade. Perd\u00e3o, para o \u201cex\u00e9rcito\u201d que \u201cdefendendo o pavilh\u00e3o azul e branco\u201d vai contar a hist\u00f3ria de Iracema e a Lenda do Cear\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amanh\u00e3, uma an\u00e1lise dos enredos de segunda-feira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Terminado o per\u00edodo ol\u00edmpico, \u00e9 hora de come\u00e7ar a olhar com ainda mais aten\u00e7\u00e3o para o Carnaval de 2017. 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