{"id":31909,"date":"2015-01-19T11:47:19","date_gmt":"2015-01-19T13:47:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/?p=31909"},"modified":"2015-01-19T11:45:34","modified_gmt":"2015-01-19T13:45:34","slug":"bodas-de-prata-2011-na-vitoria-da-musica-vai-vai-e-campea-tucuruvi-supera-preconceito-e-e-vice","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2015\/01\/bodas-de-prata-2011-na-vitoria-da-musica-vai-vai-e-campea-tucuruvi-supera-preconceito-e-e-vice\/","title":{"rendered":"Bodas de Prata &#8211; 2011: na vit\u00f3ria da m\u00fasica, Vai-Vai \u00e9 campe\u00e3; Tucuruvi supera preconceito e \u00e9 vice"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O Carnaval de 2011 manteve a divis\u00e3o entre Liga e Superliga. Durante o ano, o racha chegou a ponto de se cogitar, para anos futuros, dois desfiles diferentes. Em 2010, tanto Liga quanto Superliga haviam fornecido uma rebaixada, mas as duas escolas que subiram do Acesso eram filiadas \u00e0 Liga. Com isso, a matriz aumentou para nove o n\u00famero de filiadas na elite contra cinco da dissid\u00eancia &#8211; nos dois anos anteriores fora oito a seis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Carnaval come\u00e7ou com um epis\u00f3dio muito desagrad\u00e1vel. A Acad\u00eamicos do Tucuruvi escolheu fazer uma homenagem aos nordestinos em seu desfile. A escolha do tema, por\u00e9m, fez a escola ser alvo de ataques preconceituosos e de amea\u00e7as\u00a0por email. V\u00e2ndalos virtuais ofenderam a escola e a regi\u00e3o-tema de maneira que nem vale a pena ser mencionada aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na pista, a promessa era de um grande desfile ap\u00f3s o 2010 de alt\u00edssimo n\u00edvel. A campe\u00e3 Rosas de Ouro tentaria o bi com um enredo sobre a sorte, enquanto a vice Mocidade Alegre escolheu falar sobre as ilus\u00f5es. A Vai-Vai apostou em muita emo\u00e7\u00e3o ao homenagear o Maestro Jo\u00e3o Carlos Martins com um lindo samba, ao passo que Mancha Verde e Gavi\u00f5es da Fiel escolheram falar sobre g\u00eanios e sobre a Cidade de Dubai, respectivamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois Teatros que fariam 100 anos naquele 2011 receberiam homenagens: o de S\u00e3o Paulo pela Unidos do Peruche, que voltava ao Especial, e o de Manaus pela Vila Maria. Foi um ano de explos\u00e3o de enredos patrocinados, como o da \u00c1guia de Ouro sobre o fogo e o da Imp\u00e9rio de Casa Verde sobre a cerveja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 a X-9 Paulistana apostou na leveza de um enredo sobre Renato Arag\u00e3o, o Didi, enquanto a Tom Maior levaria para o Anhembi a cidade de S\u00e3o Bernardo do Campo. A P\u00e9rola Negra surpreendeu ao escolher a vida do Profeta Abra\u00e3o, enquanto a Nen\u00ea de Vila Matilde contaria a hist\u00f3ria do sal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A chuva que ca\u00eda com intensidade nas semanas anteriores ao desfile e tamb\u00e9m na sexta de Carnaval deu uma tr\u00e9gua &#8211; definitiva &#8211; minutos antes da Unidos do Peruche abrir o Carnaval de 2011 com o enredo &#8220;Abram as cortinas, o espet\u00e1culo vai come\u00e7ar! 100 Anos do Teatro Municipal de S\u00e3o Paulo, Peruche vai apresentar. Bravo! Brav\u00edssimo!&#8221;. Na chamada geral antes do desfile, o Presidente Rodolfo Pricolli Filho j\u00e1 avisava: esta seria apenas a primeira homenagem que a Cidade de S\u00e3o Paulo faria a um de seus cart\u00f5es postais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O esquenta da escola tamb\u00e9m foi de arrepiar. O int\u00e9rprete Toninho Penteado colocou a bateria para chorar ao cantar &#8220;Rua Zilda&#8221; e deixou a escola no clima para o desfile. O samba tamb\u00e9m prometia, ainda mais pela presen\u00e7a do carioca Tinga no carro de som.\u00a0Mas o que se viu na sequ\u00eancia foi um verdadeiro desastre.\u00a0D\u00e1 pra dizer, sem medo de errar, que foi um dos mais infelizes desfiles da hist\u00f3ria do Anhembi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O carnavalesco Amarildo de Mello dividiu a homenagem em cinco atos. O primeiro come\u00e7ava na comiss\u00e3o de frente, que foi at\u00e9 a Gr\u00e9cia Antiga relembrar Apolo, o deus das artes em uma coreografia bem executada. J\u00e1 o abre-alas, relembrou a inaugura\u00e7\u00e3o do Teatro Municipal e teve uma concep\u00e7\u00e3o inteligent\u00edssima. Ao longo das escadarias do teatro, destaques faziam coreografias que remetiam aos mais diversos tipos de espet\u00e1culo que por ali passavam. S\u00f3 que o carro deu o tom das dificuldades financeiras da escola e se apresentou completamente pobre e com falhas de acabamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para piorar, uma das rodas quebrou ainda na concentra\u00e7\u00e3o e o carro evoluiu com dificuldade, tornando mais lenta a evolu\u00e7\u00e3o da Filial do Samba. O segundo ato lembrou a Semana de Arte Moderna de 1922. A Peruche apresentou fantasias criativas, mas em um padr\u00e3o muito abaixo do Grupo Especial. A divis\u00e3o crom\u00e1tica se destacou pela diversidade, mas n\u00e3o havia nenhum luxo e a escola veio pobre. O segundo carro foi mais um com boa concep\u00e7\u00e3o, mas cujo acabamento jogou tudo por \u00e1gua abaixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do terceiro setor em diante, tudo foi de vez para o espa\u00e7o. O terceiro carro tamb\u00e9m teve muitos problemas e evoluiu com dificuldade, chegando inclusive a emperrar, abrindo assim um buraco na evolu\u00e7\u00e3o. Para sanar o problema, duas alas &#8220;ultrapassaram&#8221; a alegoria. A complica\u00e7\u00e3o em termos de tempo de desfile era tanta, que a Peruche simplesmente desistiu de levar seus dois \u00faltimos carros para a pista, mesmo eles n\u00e3o apresentando nenhum problema. Ainda assim, a Peruche fechou seu desfile em 68 pontos, tr\u00eas a mais que o permitido. Al\u00e9m dos dois pontos perdidos por desfilar com uma alegoria a menos que o m\u00ednimo exigido, a escola ainda perdeu mais tr\u00eas pelo tempo. Com fantasias e alegorias (as que entraram) pobres, uma evolu\u00e7\u00e3o p\u00e9ssima e um enredo que foi todo picotado, a volta da escola ao Acesso era mais que certa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda escola da noite foi a Tom Maior, que ainda tentou ajudar a Peruche a solucionar os seus problemas. Sem sucesso, restou comemorar o fato de n\u00e3o ter sido atrapalhada j\u00e1 que as duas alegorias da Peruche entraram na Avenida ap\u00f3s o fechamento dos port\u00f5es. Por outro lado, a vermelho-e-amarelo acabou n\u00e3o tendo a honra de contar com o j\u00e1\u00a0ex-Presidente Lula, que n\u00e3o havia confirmado presen\u00e7a no desfile &#8220;Salve salve S\u00e3o Bernardo, peda\u00e7o do meu Brasil &#8211; terra m\u00e3e dos paulistas&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escola contava com o experiente carnavalesco Chico Spinosa, que havia deixado a Vai-Vai e apresentou um Carnaval plasticamente superior ao de 2010. A Tom Maior n\u00e3o estava entre as mais endinheiradas do grupo, de modo que n\u00e3o p\u00f4de fazer uma apresenta\u00e7\u00e3o luxuosa. Ainda assim, desfilou com alegorias e fantasias de bom gosto e com um samba animado, levado com muita compet\u00eancia por Ren\u00e9 Sobral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desfile come\u00e7ou, como em quase interior ou, nesse caso, do ABC, falando sobre os \u00edndios, em uma \u00f3tima comiss\u00e3o de frente, e sobre a diversidade natural do munic\u00edpio. \u00c9 que o primeiro setor falava sobre a trilha da Serra do Mar, percorrida pelos primeiros colonizadores. Um abre-alas modesto, mas de muito bom gosto, chamou a aten\u00e7\u00e3o pelas belas esculturas de araras e pela representa\u00e7\u00e3o de uma floresta. Catequizadores e \u00edndios tamb\u00e9m compuseram a alegoria, lembrando da funda\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo setor tratou da chegada dos colonizadores do lugar-comum nas fantasias e na\u00a0pr\u00f3pria alegoria que, ali\u00e1s, teve problemas para entrar no Anhembi. O terceiro setor foi o ponto alto do desfile, ao homenagear a Represa Billings e fazer um alerta sobre a preserva\u00e7\u00e3o dos mananciais. Chico Spinosa trabalhou com materiais de baixo custo na confec\u00e7\u00e3o de fantasias e alegorias, conseguindo assim um \u00f3timo resultado em um trabalho muito bem feito. Pneus e garrafas PET apareceram com destaque no terceiro carro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dois setores finais passearam pela S\u00e3o Bernardo do S\u00e9culo XX e tamb\u00e9m pela riqueza econ\u00f4mica da regi\u00e3o. Polo de empresas automobil\u00edsticas, foi tamb\u00e9m ber\u00e7o dos metal\u00fargicos e de greves que entraram para a hist\u00f3ria. O \u00faltimo carro lembrou a for\u00e7a dos trabalhadores e da ind\u00fastria automobil\u00edstica, contando com nomes como o ent\u00e3o Prefeito de S\u00e3o Bernardo, Luiz Marinho, e seu vice, Frank Aguiar. Foi um desfile agrad\u00e1vel, que provavelmente ficaria ali pelo meio da tabela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/tucuruvi2011.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-medium wp-image-32003 alignleft\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/tucuruvi2011-300x198.jpg\" alt=\"Alegoria apresentada pela Acad\u00eamicos do Tucuruvi\" width=\"300\" height=\"198\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/tucuruvi2011-300x198.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/tucuruvi2011-515x340.jpg 515w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/tucuruvi2011.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Depois do belo desfile de 2010, a Tucuruvi mais uma vez encantou o Samb\u00f3dromo com um grande desfile. A apresenta\u00e7\u00e3o do enredo &#8220;Oxente! O que seria da gente sem essa gente. S\u00e3o Paulo, capital do Nordeste!&#8221; ficou marcada como o melhor desfile da hist\u00f3ria da escola. A Chamada Geral foi feita por Mestre Adamastor que, competente com as palavras, lembrou dos ataques virtuais e deu for\u00e7as aos componentes. Naquela que seria sua despedida da escola, Freddy Vianna viveu noite inspirada e conduziu de maneira irrepreens\u00edvel o lindo samba do Zaca. A bateria tamb\u00e9m deu um show e a deliciosa sanfona colocada no carro de som abrilhantou ainda mais a obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comiss\u00e3o de frente foi, talvez, a melhor do ano.\u00a0A representa\u00e7\u00e3o\u00a0de um \u00f4nibus de barro\u00a0trazia componentes que representavam nordestinos &#8211; tamb\u00e9m feitos em barro &#8211; que deixavam sua terra em busca de um futuro melhor. Em dado momento, o \u00f4nibus se dividia ao meio e os componentes desciam para fazer uma bel\u00edssima coreografia. O carro abre-alas estava exuberante e grandioso. O capricho de Wagner Santos mais uma vez falou alto e a alegoria retratava o cen\u00e1rio vivido pelos imigrantes antes da partida. Em meio \u00e0 mis\u00e9ria e o clima \u00e1rido, instrumentos musicais e outras representa\u00e7\u00f5es lembravam aquilo que vinha para S\u00e3o Paulo junto com cada nordestino. Um Luiz Gonzaga de sete metros de altura tamb\u00e9m deu as caras.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/tucuruvi2011b.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-medium wp-image-32004 alignright\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/tucuruvi2011b-300x223.jpg\" alt=\"tucuruvi2011b\" width=\"300\" height=\"223\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/tucuruvi2011b-300x223.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/tucuruvi2011b-458x340.jpg 458w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/tucuruvi2011b.jpg 673w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As fantasias foram um verdadeiro espet\u00e1culo. O carnavalesco Wagner Santos preencheu as alas com vestimentas coloridas, cheias de detalhes e com um acabamento de cair o queixo. Com uma divis\u00e3o crom\u00e1tica bastante variada, o segundo setor lembrou a f\u00e9 do nordestino e suas festas populares. O segundo carro tamb\u00e9m veio muito caprichado e bem acabado, mas estava relativamente pequeno. No terceiro setor, a agremia\u00e7\u00e3o da Cantareira continuou viajando pelo &#8220;jeito nordestino de ser&#8221; e chegou \u00e0 culin\u00e1ria. O tempero forte e os pratos t\u00edpicos foram lembrados no terceiro carro, que ficou no meio termo entre o abre-alas e o segundo carro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No quarto setor, a Tucuruvi mostrou a import\u00e2ncia dessa gente para S\u00e3o Paulo. Em uma grande sacada que impressionou o p\u00fablico, Wagner Santos trouxe na quarta alegoria s\u00edmbolos paulistanos como o MASP feitos como uma nordestina colcha de retalhos. Foi assim que ele mostrou, com compet\u00eancia \u00edmpar, a mistura entre S\u00e3o Paulo e Nordeste. Sem d\u00favida, um dos grandes momentos do desfile.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00faltimo setor, foram exaltadas a bravura, a garra e a vontade do povo nordestino. Fantasias coloridas usaram do verde-e-amarelo para lembrar que o Nordeste tamb\u00e9m \u00e9 Brasil e, em algumas alas, para mostrar que o nordestino tem orgulho de ser como \u00e9. Foi essa a mensagem do \u00faltimo carro, que estava muito bonito e fechou brilhantemente o desfile. A Tucuruvi praticamente se garantiu no desfile das campe\u00e3s e, a despeito de n\u00e3o vir muito luxuosa, podia pelo menos sonhar com algo a mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem tamb\u00e9m botou um Carnaval digno de t\u00edtulo na Avenida foi a Rosas de Ouro, que partiu em busca do bi com o enredo &#8220;Abra-te S\u00e9samo,\u00a0a senha da sorte&#8221;. Embora bem menos luxuosa que em 2010, a escola voltou a encantar o Anhembi com uma apresenta\u00e7\u00e3o grandiosa e que cresceu muito com o animado, embora n\u00e3o t\u00e3o competente samba-enredo que levantou o p\u00fablico no meio da primeira noite de apresenta\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m foi bem recebida pelo p\u00fablico a distribui\u00e7\u00e3o de biscoitos da sorte nas arquibancadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Roseira buscou fazer uma apresenta\u00e7\u00e3o alegre, irreverente e de boa comunica\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico. O resultado foi um enredo relativamente desconexo, com uma mistura desagrad\u00e1vel de assuntos e rela\u00e7\u00f5es um pouco for\u00e7adas, mas que refletiram em um desfile muito agrad\u00e1vel do ponto de vista est\u00e9tico. Dessa vez, a comiss\u00e3o de frente fez &#8220;apenas&#8221; uma boa coreografia, sem grandes surpresas, limitando-se a apresentar o enredo. O abre-alas se destacou. Chamado &#8220;Maktub&#8221;, ele foi desenvolvido de maneira muito criativa, trazendo v\u00e1rios elementos que, segundo dizem, trazem sorte. Tamb\u00e9m era uma apresenta\u00e7\u00e3o b\u00e1sica do enredo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir do segundo setor, a escola entrou na lenda de Ali Bab\u00e1. Diz a hist\u00f3ria que 40 ladr\u00f5es guardavam os frutos de seus roubos em uma caverna com uma senha. Um dia, o respons\u00e1vel por abri-la esqueceu a senha e Ali Bab\u00e1, que n\u00e3o era ladr\u00e3o, conseguiu abrir a caverna dizendo &#8220;abra-te, S\u00e9samo!&#8221;. Essa hist\u00f3ria foi contada em um carro bonito, com um Ali Bab\u00e1 gigante logo atr\u00e1s da tal caverna com as riquezas. O carro tamb\u00e9m era grandioso e tamb\u00e9m estava muito bem adere\u00e7ado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No terceiro setor, a Roseira viajou pela sorte no mundo oriental. Em meio a alas que remetiam a toda a m\u00edstica envolvendo japoneses e chineses, apareceram outros elementos relacionados a sorte. O carro aleg\u00f3rico que representou o setor, e que trazia um templo japon\u00eas, n\u00e3o apresentava falhas de acabamento, mas n\u00e3o estava l\u00e1 muito exuberante. No pen\u00faltimo setor, foi a vez da Roseira lembrar das previs\u00f5es para o futuro em uma alegoria muito, mas muito modesta para uma atual campe\u00e3. O Carro tinha uma bela e enorme cigana, mas parava por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em minha vis\u00e3o, o melhor setor do desfile foi o \u00faltimo, que trouxe para a Avenida o Ali Bab\u00e1 dos tempos modernos. O &#8220;abra-te s\u00e9samo&#8221; dos dias de hoje \u00e9 a loteria e todo mundo quer &#8220;abrir essa caverna&#8221; arriscando em seis n\u00fameros. As alas vieram com lindas e criativas fantasias e com componentes muito animados. O \u00faltimo carro, se n\u00e3o era dos mais luxuosos, estava bonito e criativo, com alguns globos representando os sorteios das loterias. Era dif\u00edcil saber se um desfile bem mais modesto em termos de luxo teria condi\u00e7\u00f5es de brigar pelo t\u00edtulo, mas a Rosas perdeu de vez as chances por conta do tempo: a evolu\u00e7\u00e3o foi muito lenta e os componentes tiveram que correr e muito para fechar no tempo. O bicampeonato estava, assim, praticamente descartado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/mancha2011.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-medium wp-image-32002 alignleft\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/mancha2011-300x213.jpg\" alt=\"mancha2011\" width=\"300\" height=\"213\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/mancha2011-300x213.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/mancha2011-478x340.jpg 478w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/mancha2011.jpg 560w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Quem, por outro lado, passou a nutrir esperan\u00e7as reais pela primeira vez em sua hist\u00f3ria foi a Mancha Verde, que conseguiu uma apresenta\u00e7\u00e3o espetacular, talvez a melhor j\u00e1 feita pela escola, na apresenta\u00e7\u00e3o do enredo &#8220;Uma id\u00e9ia de g\u00eanio!&#8221;. O estreante carnavalesco Fernando Dias desenvolveu um enredo que era interessante na teoria de maneira brilhante e o samba rendeu demais em uma atua\u00e7\u00e3o inspirad\u00edssima do int\u00e9rprete Vaguinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comiss\u00e3o de frente seguiu a linha da Rosas de Ouro de apresentar o enredo. Muitos dos g\u00eanios que desfilariam no decorrer das alas apareceram na comiss\u00e3o para saudar o p\u00fablico e coloc\u00e1-lo no clima do enredo. O abre-alas trouxe o primeiro g\u00eanio da humanidade: Deus, o nosso Criador. O Deus da Mancha veio segurando uma bola de barro, de onde sairia a primeira inven\u00e7\u00e3o: o homem. O caro estava muito bem iluminado e grandioso, com boas esculturas, al\u00e9m de ser de f\u00e1cil leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo setor passeou por g\u00eanios da ci\u00eancia. A teoria de que o Sol estava no centro do Universo foi lembrada na exalta\u00e7\u00e3o a Cop\u00e9rnico; Albert Einstein foi lembrado pela teoria da relatividade; Arquimedes e Galileu Galilei foram outros que passaram pelo Anhembi com fantasias de f\u00e1cil leitura e de muito bom gosto. Falando em Sol, destaque para a Ala das Baianas, que misturava uma fantasia lembrando o Sol com outra representando a Lua. O segundo carro prestou uma homenagem ao inventor Leonardo da Vinci. Trouxe a Mona Lisa, o Homem Vitruviano e muitas das inven\u00e7\u00f5es que Da Vinci criou. Com tons que pendiam para o marrom, o carro estava muito bonito e tamb\u00e9m tinha boa comunica\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia, a Mancha falou sobre as grandes inven\u00e7\u00f5es. A l\u00e2mpada de Thomas Edison, o para-raio de Benjamin Franklin e o avi\u00e3o de Santos Dumont foram alguns dos destaques. O carro aleg\u00f3rico destacou justamente a cria\u00e7\u00e3o da l\u00e2mpada e foi prejudicado pela concep\u00e7\u00e3o um pouco complicada. N\u00e3o estava feio, mas ficou bem abaixo dos dois primeiros. O quarto setor falou de g\u00eanios da m\u00fasica, como Beethoven, e da literatura, como Shakeaspere. O quarto carro lembrou J\u00falio Vergne e livros como &#8220;A Volta ao Mundo em 80 Dias&#8221;. O carro tinha \u00f3tima concep\u00e7\u00e3o, mas ficou devendo em luxo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas afinal de contas, qual era a ideia de g\u00eanio do t\u00edtulo? Pergunta respondida no \u00faltimo setor. A ideia de g\u00eanio da Mancha era um mundo sem fome, sem desaven\u00e7as, com respeito mutuo entre todas as cren\u00e7as. \u00c0 parte n\u00e3o apresentarem tanta clareza quanto as do resto do desfile, as fantasias estavam muito bonitas e o carro foi um show. O Manch\u00e3o, s\u00edmbolo da escola, virou g\u00eanio da l\u00e2mpada e realizaria tr\u00eas desejos. Um a escola j\u00e1 fez por conta pr\u00f3pria: ser campe\u00e3 do Carnaval. Embora n\u00e3o tenha sido um desfile arrebatador e exuberante, n\u00e3o havia motivos para n\u00e3o crer na realiza\u00e7\u00e3o desse desejo. Embora faltassem nove desfiles, a verde-e-branca havia feito o melhor desfile da noite at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vaivai2011b.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-32000 alignleft\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vaivai2011b.jpeg\" alt=\"vaivai2011b\" width=\"400\" height=\"312\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vaivai2011b.jpeg 550w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vaivai2011b-300x234.jpeg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vaivai2011b-436x340.jpeg 436w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no amanhecer, a Vai-Vai foi a pen\u00faltima escola a iniciar seu desfile na primeira noite de apresenta\u00e7\u00f5es. Dona do melhor samba do ano e de um dos mais bonitos dos \u00faltimos tempos em todo o pa\u00eds, a Escola do Povo conseguiu uma apresenta\u00e7\u00e3o inesquec\u00edvel no enredo &#8220;A m\u00fasica venceu&#8221;, do carnavalesco Alexandre Louzada. Estreando no Carnaval de S\u00e3o Paulo, Wander Pires conduziu o samba de maneira brilhante, valorizando ainda mais a melodia e, com a sempre perfeita bateria de Mestre Tadeu, a Saracura entrou pisando forte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comiss\u00e3o de frente relembrou a inf\u00e2ncia do Maestro Jo\u00e3o Carlos Martins, que era o homenageado do enredo. Uma crian\u00e7a corria atr\u00e1s de uma bola, lembrando o seu amor pelo futebol. Sete mulheres vieram com fantasias que lembravam as sete notas musicais, para destacar a outra paix\u00e3o do menino: a m\u00fasica. Mais adiante, a coreografia trazia Salvador Dal\u00ed, que um dia disse a Jo\u00e3o Carlos, agora j\u00e1 um respeitado maestro, que ele era o melhor m\u00fasico a interpretar uma sinfonia de Johann Sebastian Bach.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vaivai2011d.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-medium wp-image-32006 alignright\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vaivai2011d-300x169.jpg\" alt=\"vaivai2011d\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vaivai2011d-300x169.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vaivai2011d-550x310.jpg 550w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vaivai2011d.jpg 620w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desfile propriamente dito come\u00e7ava com deuses da inspira\u00e7\u00e3o lan\u00e7ando talento a Jo\u00e3o Carlos Martins. Apolo, deus das artes que havia aparecido na Peruche, voltou a dar as caras, mas agora como um dos destaques do mais belo carro aleg\u00f3rico a desfilar pelo Anhembi em 2011. Tr\u00eas carros acoplados e gigantescos impressionaram a todos pelo luxo. Todo em dourado e branco, sintetizava a inspira\u00e7\u00e3o divina recebida pelo maestro para que este brilhasse pelo Mundo. O carro tinha uma riqueza de detalhes impressionante e um acabamento invej\u00e1vel. Mas o gigantismo atrapalhou. A largura absurda do carro, que era dos mesmos 14m da &#8220;parte \u00fatil&#8221; da pista, fez com que ele raspasse nas laterais da pista por muitos metros, danificando assim alguns detalhes das laterais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo setor passeou pela carreira internacional de sucesso do artista. Ao lembrar nas fantasias os pa\u00edses pelo qual Martins passou, Louzada conseguiu algo muito dif\u00edcil: sair do lugar comum. Inglaterra, Holanda, Alemanha, Espanha, Portugal, Estados Unidos, dentre outros, foram lembrados em fantasias luxuosas, bem desenvolvidas e que n\u00e3o pareciam c\u00f3pias de outras que remetiam \u00e0s mesmas na\u00e7\u00f5es. Por outro lado, o carnavalesco n\u00e3o foi muito feliz na concep\u00e7\u00e3o do segundo carro, que trazia uma escultura do Maestro regendo um globo terrestre encoberto por notas musicais. O carro estava luxuoso e bem acabado, mas n\u00e3o t\u00e3o bonito quanto os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vaivai2011c.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-medium wp-image-32001 alignleft\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vaivai2011c-300x225.jpg\" alt=\"vaivai2011c\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vaivai2011c-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vaivai2011c-453x340.jpg 453w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vaivai2011c.jpg 620w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um dos momentos de grande emo\u00e7\u00e3o foi na entrada da bateria no recuo. O Maestro, que havia dito antes do desfile que estava mais nervoso do que quando se apresentou no Carnegie Hall, em Nova Iorque, estava visivelmente emocionado e regeu simbolicamente a bateria ao lado de Mestre Tadeu. Uma das cenas mais emocionantes daquele Carnaval. O terceiro setor come\u00e7ou a destacar os problemas que ele enfrentou durante a vida. O primeiro acidente, justamente em uma partida de futebol em Nova Iorque, poderia ter acabado com a sua carreira, mas o quarto setor vinha dando a resposta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse setor foi dedicado a supera\u00e7\u00e3o, \u00e0 garra, \u00e0 for\u00e7a de vontade do Maestro. Lindas fantasias em tom dourado lembraram personagens mitol\u00f3gicos que se destacaram justamente pela capacidade de superarem limites, O destaque foi a f\u00eanix, ave que ressurge das cinzas. O carro tamb\u00e9m veio predominantemente dourado e manteve o padr\u00e3o de luxo e de \u00f3timo acabamento. O \u00faltimo setor falou sobre a &#8220;nova vida&#8221; do Maestro. Sua atua\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica, como secret\u00e1rio de cultura e seu posterior desligamento ap\u00f3s ser acusado &#8211; e posteriormente absolvido &#8211; de estar envolvido em um esquema de corrup\u00e7\u00e3o, foi lembrada ao lado de novos acidentes que n\u00e3o lhe abalaram. Jo\u00e3o Carlos Martins apareceu novamente em pessoa no \u00faltimo carro, ao lado de membros da Orquestra Sinf\u00f4nica e de amigos. A linda alegoria fechou de maneira brilhante aquele que j\u00e1 despontava como grande desfile do ano. Embora muita coisa ainda fosse passar, j\u00e1 dava para ter a impress\u00e3o de que seria dif\u00edcil segurar a Vai-Vai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio do que aconteceu em anos anteriores, e do que aconteceria em anos seguintes, o fato de uma escola relativamente pequena encerrar a primeira noite de desfiles n\u00e3o esvaziou o Anhembi. As arquibancadas continuaram lotadas para aguardar a P\u00e9rola Negra e o enredo &#8220;Abra\u00e3o, o patriarca da F\u00e9&#8221;. Se em 2010 o fogo quase destruiu o Carnaval da agremia\u00e7\u00e3o da Vila Madalena, em 2011 foram as fortes e intensas chuvas que desabaram sobre a Capital Paulista que fizeram a escola perder muitas fantasias e algumas esculturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A P\u00e9rola sempre foi uma escola humilde, sem barrac\u00e3o, que preparava o seu Carnaval em viadutos improvisados e sem muita seguran\u00e7a. At\u00e9 por conta disso, mais uma vez chamou a aten\u00e7\u00e3o o luxo e o bom gosto da escola. O carnavalesco Andr\u00e9 Machado foi mais uma vez muito feliz no desenvolvimento do enredo e fez com que a J\u00f3ia Rara do Samba se tornasse, mais uma vez, uma das mais gratas surpresas do Carnaval.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lindo samba foi muito bem acompanhado pela bateria do estreante Mestre Bola e rendeu bem. O enredo chamou a aten\u00e7\u00e3o desde a escolha, pois a cultura judaica n\u00e3o \u00e9 dos temas mais frequentes. A homenagem refletiu em fantasias mais comportadas e em pouca nudez. o destaque ficou mesmo na f\u00e9 e no Velho Testamento. A comiss\u00e3o de frente retratava a conversa entre Abra\u00e3o e Deus, onde o primeiro teria iniciado sua jornada rumo a Terra Prometida. Com vestimentas todas em branco, os componentes fizeram uma boa coreografia com len\u00e7os que formavam a Estrela de Davi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O carro abre-alas representava justamente a Terra Prometida. Ele pode n\u00e3o ter sido gigante como o da Vai-Vai, mas foi um dos mais belos do ano. A Cana\u00e3 de Andr\u00e9 Machado surpreendeu pela escolha perfeita das cores e pelo cuidado com cada detalhe. O carro ganhou muito com a luminosidade natural, j\u00e1 pass\u00e1vamos das sete da manh\u00e3, e foi um belo in\u00edcio. Do segundo setor em diante, a escola passou a visitar obras do Velho Testamento. As fantasias mostravam o grau de dificuldade da prepara\u00e7\u00e3o do Carnaval, algumas at\u00e9 com algumas falhas de acabamento, mas estavam bonitas. O segundo carro, &#8220;Fausto do Egito&#8221;, embora modesto, tamb\u00e9m chamou a aten\u00e7\u00e3o pela beleza e pelo bom acabamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A destrui\u00e7\u00e3o das cidades de Sodoma e Gomorra foram lembradas no terceiro setor, que trouxe um carro aleg\u00f3rico mais impactante, com monstros em vermelho e amarelo. Sem condi\u00e7\u00f5es financeiras para muito luxo, o carro ficou melhor em concep\u00e7\u00e3o do que na pr\u00e1tica, mas tamb\u00e9m passou bem. O grande momento do desfile foi no quarto setor, que lembrou a passagem onde Abra\u00e3o tenta sacrificar seu filho como uma prova de f\u00e9 e \u00e9 impedido por Deus, que constatou assim que a f\u00e9 de Abra\u00e3o era mesmo inabal\u00e1vel. A alegoria j\u00e1 seria linda por si s\u00f3, com uma bela escultura de Abra\u00e3o levantando um fac\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o ao filho, que dormia sorrindo. \u00c0 frente, crian\u00e7as vestidas como cordeirinhos. Atr\u00e1s, um anjo em dire\u00e7\u00e3o as m\u00e3os do patriarca da f\u00e9 para evitar o sacrif\u00edcio. Mas a emo\u00e7\u00e3o foi ainda maior porque aquela escultura de Abra\u00e3o foi vista, semanas antes, boiando nas enchentes em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00faltimo setor foi dedicado ao legado de Abra\u00e3o. O \u00faltimo carro, todo em branco, falou sobre os irm\u00e3os na f\u00e9, ou seja, os judeus. O carro trazia inscritos sagrados, com passagens b\u00edblicas, mas apresentou algumas falhas de acabamento. Em todo caso, foi um encerramento emocionante. Brigar por uma das primeiras posi\u00e7\u00f5es seria dif\u00edcil, dadas as circunst\u00e2ncias, mas, aproveitando a letra do samba, a P\u00e9rola Negra encerrou seu desfile com a certeza de que cumpriu sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na abertura da segunda noite, Sodoma e Gomorra voltaram a aparecer, agora em &#8220;Salis Sapientiae &#8211; uma hist\u00f3ria do mundo&#8221;, o desfile que marcou a volta da Nen\u00ea de Vila Matilde ao Grupo Especial. A \u00c1guia da Zona Leste sacudiu o Anhembi com um samba animado e uma excelente atua\u00e7\u00e3o do carro de som puxado por Royce do Cavaco. Sodoma e Gomorra vieram retratadas na comiss\u00e3o de frente que come\u00e7ou a viajar pela hist\u00f3ria do sal. A mais brilhante comiss\u00e3o de frente do ano, diga-se de passagem, lembrou a hist\u00f3ria da destrui\u00e7\u00e3o das duas cidades, quando Deus teria dito aos habitantes que os salvaria, mas que os mesmos n\u00e3o poderiam olhar para tr\u00e1s. Uma mulher olhou e se transformou em est\u00e1tua de sal. Uma das integrantes da coreografia entrava em uma caverna como mulher e sa\u00eda como est\u00e1tua. Um \u00f3timo truque!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Nen\u00ea de Vila Matilde fez, mais uma vez, um desfile calcado em seu ch\u00e3o de respeito. O carnavalesco Delmo Moraes fez um bom trabalho, tanto no desenvolvimento do enredo, quanto na cria\u00e7\u00e3o das fantasias e alegorias, mas a \u00c1guia da Zona Leste tinha suas defici\u00eancias financeiras bastante claras. O carro abre-alas, por exemplo, tinha tudo para ser dos mais belos do ano, retratando o sal como ingrediente de luxo atrav\u00e9s de seus cristais, mas estava bastante mal acabado e relativamente pobre. Esse seria um problema que perseguiria a Nen\u00ea por quase todo o seu desfile: carros muito melhores na teoria que na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As fantasias, por outro lado, foram de \u00f3timo n\u00edvel. A divis\u00e3o crom\u00e1tica valorizou as cores da escola e valorizou as fantasias, que apresentaram muita clareza. A escola viajou atrav\u00e9s da descoberta do sal na China e pela origem do termo sal\u00e1rio no segundo setor. O segundo carro, &#8220;A C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar&#8221;, foi o melhor do desfile. Mesclando elementos da cultura romana com a de outros povos, ele sintetizou a presen\u00e7a do sal nos tempos mais antigos e estava bonito. Nada espetacular, mas muito bonito. A Nen\u00ea fez um passeio muito criativo por outros momentos da hist\u00f3ria que envolveram o sal, como a morte de Tiradentes. \u00c9 que os seus assassinos jogaram sal em sua resid\u00eancia para que ali nunca mais crescesse nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ponto alto do desfile foi, sem d\u00favida, a anima\u00e7\u00e3o dos componentes, que cantaram forte do in\u00edcio ao fim e fizeram o desfile ser marcante. Na parte pl\u00e1stica, h\u00e1 de se destacar o quarto setor com muitas fantasias escuras, remetendo ao excesso de sal que pode ser prejudicial. Essas fantasias estavam muito bonitas. O quarto carro, por\u00e9m, embora n\u00e3o chegasse a estar mal acabado, sofreu alguns problemas pela Avenida. A alegoria trazia um alquimista cozinhando em um caldeir\u00e3o, que era um jeito de representar o sal na culin\u00e1ria. Em volta dele, apareciam alguns galos e estes galos perderam suas cristas ao longo do Anhembi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prop\u00f3sito, esse foi outro grande problema. Os carros sofreram alguns danos ao longo da pista, o que certamente causaria preju\u00edzos em alegoria. No \u00faltimo setor, a escola resolveu falar dela mesma. Do sangue, suor e l\u00e1grimas, todos tendo sais entre seus componentes, derramados pela escola para que ela voltasse ao Especial. E um dos casais de mestre-sala e porta-bandeira ainda veio representando um banho de sal grosso para espantar o mal olhado! A escola encerrou seu desfile com uma enorme escultura de Seu Nen\u00ea, no \u00faltimo carro. Apesar da emo\u00e7\u00e3o e do ch\u00e3o forte, as chances de rebaixamento existiam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem surpreendeu e muito pelo lado positivo foi a \u00c1guia de Ouro. Mesmo tendo o que talvez fosse o pior samba do ano, a escola da Pomp\u00e9ia conseguiu uma brilhante apresenta\u00e7\u00e3o no enredo &#8220;Com todo g\u00e1s, a \u00c1guia de Ouro \u00e9 fogo&#8221;. A comiss\u00e3o de frente passou muito bem pelo Anhembi ao retratar um ritual de adora\u00e7\u00e3o ao fogo, mas o desfie, com o perd\u00e3o do trocadilho, esquentou mesmo foi no abre-alas, que foi o mais impactante do ano. Enormes mamutes perfeitamente acabados, bem como um gigantesco tiranossauro rex vinham \u00e0 frente de um vulc\u00e3o de 12 metros de altura. Labaredas de fogo eram retratadas por toda a alegoria com uma riqueza de detalhes impressionante. O carro ainda tinha efeitos sonoros e pain\u00e9is de LED com imagens de labaredas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As fantasias ficaram em um patamar ligeiramente inferior aos carros aleg\u00f3ricos, mas estiveram longe de fazer feio. O vermelho e o amarelo, claro, apareceram com destaque, mas a escola usou muitas outras cores ao longo do desfile. Nas fantasias, destaque para a lembran\u00e7a do Imperador Nero que botou fogo em Roma e para bateria, que veio fantasiada de bombeiro. A despeito de n\u00e3o serem de f\u00e1cil entendimento, as fantasias estavam bonitas. Nada demais, mas estavam bonitos. O segundo setor falou de lendas envolvendo o fogo e trouxe um carro mais simples em concep\u00e7\u00e3o, mas igualmente competente em acabamento, com destaque para o Curupira que apareceu na parte dianteira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O impacto voltou a ser grande na terceira alegoria. O terceiro setor falava sobre a inquisi\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica, que jogava os hereges na fogueira. A terceira alegoria trouxe Joana D&#8217;Arc sendo queimada e se transformando em Santa. O quarto setor, que era, digamos, o mais comercial do desfile, foi tamb\u00e9m o menos empolgante. A nova era, como dizia o enredo, vinha atrav\u00e9s do g\u00e1s. G\u00e1s que se usa para cozinhar, para tomar banho (com os chuveiros a g\u00e1s), etc. A quarta alegoria tinha uma concep\u00e7\u00e3o complicada e n\u00e3o estava muito bonita, passando sem chamar muita aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No setor final, a escola voltou a impressionar. Na \u00faltima alegoria, um lagarto de 18 metros se transformava em um paj\u00e9 que protege a natureza em outro truque brilhante. A escola fez um desfile para brigar pelo t\u00edtulo, embora o samba fraco e o ch\u00e3o consequentemente discreto colocassem a azul-e-branca como zebra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia, come\u00e7ou o desfile que desde o in\u00edcio despontava como forte concorrente ao t\u00edtulo. Apresentando o enredo &#8220;Carrossel das Ilus\u00f5es&#8221;. A Mocidade deu um show em todos os nove quesitos de julgamento desde o primeiro minuto de desfile. O samba, apesar de bom, n\u00e3o era nada de espetacular, mas rendeu e rendeu muito. A bateria de Mestre Sombra foi um verdadeiro espet\u00e1culo. As bossas e paradinhas da Ritmo Puro levantaram um Anhembi que j\u00e1 n\u00e3o estava t\u00e3o empolgado e fizeram crescer muito o samba. As paradinhas vinham no refr\u00e3o do meio. P\u00fablico e escola cantaram forte e provocaram um momento de catarse no Samb\u00f3dromo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No visual, o espet\u00e1culo de sempre. A comiss\u00e3o de frente embaralhava letras e depois fazia o convite com essas mesmas letras: iluda-se! Um fant\u00e1stico carro abre-alas convidava voc\u00ea a entrar nessa ilus\u00e3o da Morada do Samba. Na parte dianteira, vinham aquelas rodas preto-e-brancas representando a hipnose. A escola lembrou os cinco sentidos e a ilus\u00e3o provocada pelo c\u00e9rebro. Quem aceitou o convite entrou em um verdadeiro carrossel de ilus\u00f5es! Esse carrossel vinha na parte traseira, com uma linda roda gigante. Um carro colorido, lindo, perfeitamente acabado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo setor viajou pelas ilus\u00f5es no mundo infantil. As brincadeiras l\u00fadicas cheias de faz-de-conta e as personagens infantis que iludiram outras personagens em fantasias maravilhosas, coloridas, de muito bom gosto e com muita clareza. O segundo carro trazia a busca infantil pela terra do nunca. O carro tamb\u00e9m foi muito bem trabalhado, com sereias encantadas, \u00edndios apaches, caveiras, caramujos e outros elementos presentes em &#8220;Peter Pan&#8221;. Afinal, poucas hist\u00f3rias foram mais recheadas de ilus\u00f5es quanto essa do garoto que n\u00e3o queria crescer. Aos poucos, ia se desenhando uma briga hist\u00f3rica entre Vai-Vai e Mocidade pelo t\u00edtulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O terceiro setor saiu do Mundo infantil e falou sobre ilus\u00f5es, digamos, mais adultas. Os m\u00e1gicos, por exemplo, s\u00e3o mestres na arte de iludir. E o futuro, n\u00e3o \u00e9, afinal de contas, uma grande ilus\u00e3o? A divis\u00e3o crom\u00e1tica escureceu um pouco, pendendo para o momento em quest\u00e3o do enredo, e seguiram luxuosas, imponentes e com leitura simples. O terceiro carro tinha truques de ilusionismo, com o tradicional truque da mo\u00e7a serrada ao meio, que contou com os trabalhos do m\u00e1gico brasileiro Issao Yamamoto. O carro em quest\u00e3o manteve o padr\u00e3o de luxo e acabamento de quem foi para a Avenida brigar pelo t\u00edtulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas quando esse carro se aproximava do meio da pista, veio a not\u00edcia que acabou de vez com as esperan\u00e7as da Morada do Samba. A quarta alegoria, que era muito bem trabalhada e representava o cinema em 3D, quebrou ainda na concentra\u00e7\u00e3o e n\u00e3o teve como entrar na pista. A escola tinha outros quatro carros e n\u00e3o perderia pontos, mas certamente seria penalizada no quesito enredo. Esses descontos tornavam imposs\u00edvel o t\u00edtulo da Morada. Uma pena, porque tanto o que veio antes, quanto o que viria depois foram dignos de ao menos brigar pela ta\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O quarto setor falou sobre as artes. A m\u00fasica ilude, o ator ilude, a TV ilude&#8230; Tudo no bom sentido, claro! As fantasias tinham \u00f3timo entrosamento com o carro que n\u00e3o entrou, o que foi realmente uma pena. O quinto setor falou sobre lendas que iludiram exploradores durante a hist\u00f3ria da humanidade. Exploradores que sonharam com eldorados, com riquezas e partiram em busca das mesmas. O quinto e \u00faltimo carro foi o mais modesto, mas passou bem. Foi uma apresenta\u00e7\u00e3o que beirou a perfei\u00e7\u00e3o. \u00c9 claro que problemas no Carnaval sempre s\u00e3o lamentados, mas em um desfile como assim, s\u00e3o muito mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vilamaria2011.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-32005 size-medium alignleft\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vilamaria2011-300x160.jpg\" alt=\"vilamaria2011\" width=\"300\" height=\"160\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vilamaria2011-300x160.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vilamaria2011-550x293.jpg 550w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vilamaria2011.jpg 620w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Quarta escola da segunda noite de desfiles, a Unidos de Vila Maria entrou na Avenida para apresentar o enredo &#8220;Teatro Amazonas: Manaus em cena&#8221;, do carnavalesco F\u00e1bio Borges. A exalta\u00e7\u00e3o ao centen\u00e1rio de um dos cart\u00f5es postais do Norte do Brasil rendeu \u00e0 escola um desfile bastante superior aos dois anteriores, mas que ainda parecia longe de poder brigar pela ta\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comiss\u00e3o de frente relembrou o dramaturgo franc\u00eas Moli\u00e9re. Componentes fizeram uma coreografia que serviu para saudar o p\u00fablico e abrir o grande espet\u00e1culo da escola do Jardim Jap\u00e3o. A Vila Mais Famosa caprichou em um bel\u00edssimo abre-alas que representava o pr\u00f3prio Teatro. Grandiosa e bem acabada, a alegoria representava com fidelidade o local e passou muito bem pela Avenida. No segundo setor, chamaram a aten\u00e7\u00e3o as belas fantasias que retrataram a riqueza vinda da borracha que ajudaram a erguer o Teatro. A Manaus do in\u00edcio do S\u00e9culo XX foi lembrada por sua import\u00eancia econ\u00f4mica e pelas influ\u00eancias internacionais que recebeu. Apesar da divis\u00e3o crom\u00e1tica um pouco escura para o meu gosto, F\u00e1bio Borges conseguiu boas fantasias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As demais alegorias da Vila Maria, por\u00e9m, n\u00e3o conseguiram se destacar. Longe da grandiosidade dos carros das escolas que mais se destacaram, as alegorias eram de f\u00e1cil leitura e representavam bem os pontos do enredo, mas n\u00e3o tinham muito luxo. A segunda lembrou grandes \u00f3peras que passaram pelo Teatro, mas, a despeito da concep\u00e7\u00e3o interessante, n\u00e3o se destacou. O ponto alto do desfile foi o quarto setor, que passeou pela decad\u00eancia vivida pelo Teatro, quando a grana da borracha j\u00e1 n\u00e3o pingava mais e os grandes espet\u00e1culos n\u00e3o vinham at\u00e9 o Amazonas. A sa\u00edda, assim, foram os bailes carnavalescos e alguns espet\u00e1culos nacionais. Fantasias luxuosas e de \u00f3timo gosto precederam um carro que lembrou os grandes artistas que pisaram naquele palco. O carro n\u00e3o estava feio, nem tinha falhas de acabamento, mas tamb\u00e9m n\u00e3o brilhou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00faltimo setor falava mais sobre a cidade de Manaus que propriamente sobre o Teatro. A escola previa anos pr\u00f3speros para a Capital Amazonense com muito dinheiro vindo do turismo. At\u00e9 a Copa do Mundo de 2014 seria lembrada &#8211; Manaus, \u00e0quela altura, j\u00e1 havia sido escolhida como sede. O \u00faltimo carro retomou a grandiosidade do abre-alas e passou muito bonito e muito bem iluminado. Sem grandes erros na evolu\u00e7\u00e3o, a Vila Maria fez um bom desfile, mas podia sonhar apenas com uma vaga no desfile das campe\u00e3s. E, nesta briga, nem era uma das favoritas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fazendo um dos mais leves desfiles de sua hist\u00f3ria, a X-9 Paulistana alternou bons e maus momentos na exibi\u00e7\u00e3o do enredo &#8220;Da eterna crian\u00e7a ao embaixador da esperan\u00e7a&#8230; Renato Arag\u00e3o, Didi Trapalh\u00e3o!&#8221;. O samba, apesar de n\u00e3o ser dos melhores, era animado e ganhou um bom acompanhamento da bateria de Mestre Augusto, que o fez render bem. O in\u00edcio do desfile foi dos mais promissores do ano. Coreografada pela sempre competente Chris Rabello, a comiss\u00e3o de frente fez uma linda exibi\u00e7\u00e3o. A coreografia trazia retirantes vestidos de palha\u00e7os com malas nas m\u00e3os. As malas tinham letras que formavam o nome &#8220;Renato Arag\u00e3o&#8221; e outras palavras que trouxeram o p\u00fablico para o esp\u00edrito do enredo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um bel\u00edssimo abre-alas tamb\u00e9m mereceu destaque. O Cear\u00e1, terra natal do humorista Renato Arag\u00e3o, o homenageado do enredo, foi representado como uma terra encantada. O universo infantil foi muito bem representado com carross\u00e9is e rodas gigantes. Com \u00f3timo acabamento, a alegoria chamou a aten\u00e7\u00e3o pela leveza e pelo bom gosto. Na sequ\u00eancia, por\u00e9m, o desfile caiu um pouco em termos pl\u00e1sticos. O segundo setor lembrou do direito que todas as crian\u00e7as tem de brincar. As fantasias at\u00e9 estavam bonitas, mas o carro, apesar da concep\u00e7\u00e3o interessante, apresentou algumas falhas de acabamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O terceiro setor foi o \u00fanico a percorrer especificamente a carreira de Renato Arag\u00e3o como humorista. &#8220;Os Trapalh\u00f5es&#8221; foi o projeto mais lembrado, contando inclusive com a presen\u00e7a do outro trapalh\u00e3o vivo, Ded\u00e9 Santana, na terceira alegoria. Outros amigos do ator, a maioria que \u00e0 \u00e9poca trabalhava com ele na &#8220;Turma do Didi&#8221;, tamb\u00e9m marcaram presen\u00e7a na alegoria que lembrou os filmes feitos por Renato. O carro n\u00e3o foi pensado de maneira muito criativa e n\u00e3o estava muito adere\u00e7ado. Apenas passou pela Avenida, chamando a aten\u00e7\u00e3o pela presen\u00e7a das figuras conhecidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O quarto setor lembrou o trabalho de Renato Arag\u00e3o como embaixador da Unesco. Sua luta, sempre relacionada \u00e0s crian\u00e7as, foi lembrada em fantasias de concep\u00e7\u00e3o mais escura, chamando a aten\u00e7\u00e3o para os problemas contra os quais o comediante lutou. Mais uma vez, o bom gosto das fantasias foi superior ao da alegoria, que n\u00e3o passou bem. O \u00faltimo setor tamb\u00e9m lembrou o lado social de Renato Arag\u00e3o, com feitos como o destacado no \u00faltimo carro: o momento em que ele subiu nos bra\u00e7os do Cristo Redentor para cumprir o desafio do projeto Crian\u00e7a Esperan\u00e7a. Com uma linda concep\u00e7\u00e3o, o carro passou pobre e modesto, destacando-se apenas pela emo\u00e7\u00e3o do homenageado, que superou o medo de altura e entrou no clima de um desfile alegre e regular, que deveria dar \u00e0 X-9 uma coloca\u00e7\u00e3o ali no meio da tabela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/gavioes2011.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-medium wp-image-32009 alignleft\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/gavioes2011-300x225.jpg\" alt=\"gavioes2011\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/gavioes2011-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/gavioes2011-453x340.jpg 453w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/gavioes2011.jpg 620w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pen\u00faltima escola a se apresentar, a Gavi\u00f5es da Fiel conseguiu uma boa apresenta\u00e7\u00e3o com o enredo &#8220;Do mar das p\u00e9rolas e das areias do deserto \u00e0 cidade do futuro &#8211; Dubai, o sonho do rei Maktoum&#8221;, mas trope\u00e7ou em alguns momentos, saindo assim da briga pelo t\u00edtulo. Antes de mais nada, \u00e9 preciso dizer que foi uma apresenta\u00e7\u00e3o bastante at\u00edpica em se tratando da Gavi\u00f5es da Fiel. Com um samba que n\u00e3o era dos mais animados, a escola n\u00e3o conseguiu conquistar a arquibancada e se destacou mais pelo luxo que pelo ch\u00e3o. Convenhamos que Dubai n\u00e3o era um enredo muito alinhado \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es da escola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 parte isso, o tema foi muito bem desenvolvido pelo carnavalesco Zilkson Reis, que mais uma vez mostrou a capacidade de ir al\u00e9m do que os temas lhe oferecem por si s\u00f3. No caso de Dubai, o in\u00edcio foi at\u00e9 um pouco \u00f3bvio, mas bastante competente. A Gavi\u00f5es lembrou o surgimento da cidade. Os primeiros habitantes \u00e1rabes vieram na comiss\u00e3o de frente. &#8220;As l\u00e1grimas da Lua&#8221;, que teriam feito nascer um dos sete Emirados \u00c1rabes Unidos vieram em um luxuoso e imponente abre-alas. Com grande riqueza de detalhes e v\u00e1rios efeitos visuais e sonoros, o carro trouxe o tradicional Gavi\u00e3o em dourado, mas trouxe uma concep\u00e7\u00e3o predominantemente em azul claro, conseguindo \u00f3timo efeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo setor chegou ao tal sonho do Rei Maktoum. Esse Rei foi o primeiro a pensar que daquelas areias poderia sair uma cidade do futuro. As alas vieram com fantasias luxuosas que representavam os primeiros anos de Dubai, com muitos mercadores \u00e1rabes. Os personagens que ajudaram a construir a cidade vieram em fantasias com tonalidade mais escuras, mas que esbanjavam bom gosto, a despeito da divis\u00e3o crom\u00e1tica carregada. Predominantemente marrom, o segundo carro tamb\u00e9m foi um show. Pal\u00e1cios e mercadores vinham \u00e0 frente do pr\u00f3prio Rei Maktoum em um carro muito bem adere\u00e7ado e acabado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O terceiro setor era a transi\u00e7\u00e3o entre o sonho e a realidade. A escola contou como foi que Dubai se tornou o que se tornou. O dinheiro vindo do petr\u00f3leo foi lembrado na fantasia da ala das baianas, toda em preto, que n\u00e3o foi muito feliz. Ali\u00e1s, foi a partir desse setor que a pl\u00e1stica do desfile caiu consideravelmente. Com tons mais prateados, as fantasias passaram a ter dif\u00edcil leitura. J\u00e1 o terceiro carro, que destacou o aspecto futurista da cidade e sua transforma\u00e7\u00e3o, tinha uma concep\u00e7\u00e3o complicada e n\u00e3o era dos mais bonitos. No pen\u00faltimo setor, a Fiel Torcida passeou pela Dubai dos dias atuais, com pr\u00e9dios modernos e tecnologia por toda a parte. As fantasias passaram a ter melhor leitura, mas n\u00e3o estavam muito bonitas. O quarto carro tinha uma concep\u00e7\u00e3o interessante, com rodas gigantes e tobog\u00e3s representando os parques tem\u00e1ticos de Dubai, mas se perdeu pela presen\u00e7a de um Fara\u00f3. Zilkson tentava assim comparar a constru\u00e7\u00e3o de Dubai \u00e0 das Pir\u00e2mides do Egito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, foi a vez de lembrar o emirado como um p\u00f3lo de turismo. Das Ilhas Paradis\u00edacas \u00e0s corridas de camelo, dos hot\u00e9is de luxo aos shopping centers, a cidade recebe turistas do mundo todo. Apesar de luxuosas, as fantasias n\u00e3o se destacaram. J\u00e1 o \u00faltimo carro, com um beb\u00ea robotizado \u00e0 frente de S\u00e3o Jorge, mostrava o futuro de Dubai. Prateado e luxuoso, ele encerrou, j\u00e1 no amanhecer, muito bem um desfile irregular, mas que rendia \u00e0 Torcida Que Samba algumas chances de voltar na Sexta das Campe\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encerrando o Carnaval de 2011 no Grupo Especial paulistano, a Imp\u00e9rio de Casa Verde decepcionou na apresenta\u00e7\u00e3o do enredo &#8220;Samba sabor cerveja. Admirada a mil\u00eanios, a mais nova sensa\u00e7\u00e3o nacional&#8221;. Com um samba cheio de refer\u00eancias \u00e0 Nova Schin, patrocinadora do enredo, a azul-e-branca apresentou uma pl\u00e1stica muito aqu\u00e9m de suas tradi\u00e7\u00f5es e n\u00e3o conseguiu fazer um bom desfile.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentre os destaques esteve a \u00f3tima comiss\u00e3o de frente chamada &#8220;Porre dos deuses&#8221;, que mostrava o apre\u00e7o de deuses eg\u00edpcios pela cerveja. O abre-alas tentou, em sua concep\u00e7\u00e3o, trazer a grandiosidade dos carros da Imp\u00e9rio, mas o tiro saiu pela culatra. Fara\u00f3s e elementos da cultura eg\u00edpica estiveram presentes em um carro muito mal acabado e com cores muito escuras. N\u00e3o foi um in\u00edcio dos mais promissores. O segundo setor, ainda dedicado ao Egito e sua rela\u00e7\u00e3o com a cerveja, ficou marcado pela absoluta falta de criatividade das fantasias. Os fara\u00f3s voltaram a aparecer a rodo e sem muita explica\u00e7\u00e3o. O sempre competente Marco Aur\u00e9lio Ruffim dessa vez n\u00e3o foi bem e errou a m\u00e3o nos carros. No segundo, dos vikings que tamb\u00e9m gostavam de cerveja, o acabamento voltou a ser deficiente e longe do padr\u00e3o da escola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O terceiro setor destacou toda a alquimia envolvendo a cerveja. As fantasias melhoraram e o terceiro carro, o do &#8220;caldeir\u00e3o da burxa&#8221;, passou bem, apesar de n\u00e3o ser dos maiores. No quarto setor, a cerveja no Brasil teve sua hist\u00f3ria contada desde o h\u00e1bito de D. Jo\u00e3o VI de apreciar um suco de cevada. O n\u00edvel das fantasias passou a ser bastante satisfat\u00f3rio, com destaque para a dos Imigrantes Alem\u00e3es e o quarto carro, tal como o terceiro, estava modesto, mas bonito. Por fim, a Imp\u00e9rio homenageou sua madrinha, o Camisa Verde e Branco. \u00c9 que em 1991 o Trevo da Barra Funda foi campe\u00e3o ao lado da Rosas de Ouro com o enredo &#8220;Combust\u00edvel da Ilus\u00e3o&#8221;, tamb\u00e9m sobre a cerveja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi, sem d\u00favida, o ponto alto do desfile. A ala das baianas trouxe o s\u00edmbolo do Camisa e as alas, al\u00e9m de destacar a rela\u00e7\u00e3o do brasileiro com a bebida, prestaram homenagens a figuras conhecidas do Camisa como Talism\u00e3, o carnavalesco que tinha como h\u00e1bito comer um peixe frito e beber cerveja nas rodas de pagode da escola. O \u00faltimo carro, apesar de n\u00e3o ter nenhum luxo, foi um \u00f3timo encerramento. Um tigre relativamente modesto, mas tamb\u00e9m muito mais &#8220;alegre&#8221; que de costume, trazia um copo de cerveja nas m\u00e3os e um chap\u00e9u verde. Ao lado, s\u00edmbolos do Camisa. \u00c0 frente, uma loira, lembrando o &#8220;apelido&#8221; pelo qual \u00e9 chamada a cerveja. No fim das contas, os \u00faltimos setores, apesar de n\u00e3o terem evitado a decep\u00e7\u00e3o que foi o desfile, diminu\u00edram um pouco o mesmo e salvaram a escola do risco de rebaixamento. Com os problemas da Mocidade Alegre, a Vai-Vai despontava como grande favorita, enquanto, com erros e acertos distintos, Tucuruvi, Rosas, Mancha e \u00c1guia de Ouro tentariam surpreender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A apura\u00e7\u00e3o come\u00e7ou com a confirma\u00e7\u00e3o dos cinco pontos perdidos pela Unidos do Peruche. Ao final do primeiro quesito, enredo, Mancha Verde, Vai-Vai, \u00c1guia de Ouro, Vila Maria, X-9 e Gavi\u00f5es somaram 30 pontos, sendo que s\u00f3 as duas \u00faltimas conseguiram as cinco notas 10. A Tucuruvi vinha atr\u00e1s com 29,75 ao lado da Rosas de Ouro. A Mocidade perdeu 1,5 ponto por causa do problema com o quarto carro e ficou de vez fora da briga. Em harmonia, apenas Mancha, Vai-Vai e Vila Maria seguiram invictas com 60 pontos. A Rosas subiu para terceiro com 59,75, mesma pontua\u00e7\u00e3o da \u00c1guia, que caiu para quarto junto da Gavi\u00f5es. X-9, Imp\u00e9rio e Tucuruvi tinham 59,5. No quesito mestre-sala e porta-bandeira, as \u00fanicas mudan\u00e7as mais significativas foram a perda de mais 0,25 por parte da Tucuruvi e o fim do sonho de X-9 e Imp\u00e9rio, que perderam 0,5 e 1 ponto respectivamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em samba-enredo, a Mancha Verde perdeu 0,25 e deixou Vai-Vai e Vila Maria na lideran\u00e7a com 120 pontos. A Rosas se isolou em terceiro com 119,75, j\u00e1 que a \u00c1guia de Ouro perdeu 0,5 e foi ultrapassada por Gavi\u00f5es (119,5) e Tucuruvi (119,25). A Vai-Vai assumiu a lideran\u00e7a isolada no quinto quesito, bateria, quando somou 30 pontos e foi a 150, ao passo que a Vila Maria perdeu 0,25 e caiu para segundo. A queda s\u00f3 n\u00e3o foi maior porque Mancha e Rosas perderam meio ponto cada. Assim, o terceiro lugar passou a ser da Tucuruvi, com 159,25. Com meio ponto perdido cada, Gavi\u00f5es e \u00c1guia de Ouro se afastaram da briga. O quesito fantasia foi bom mesmo para a Vai-Vai, que abriu meio ponto de vantagem para a Vila Maria, que perdeu mais 0,25 e foi a 179,5. Com 30 pontos no quesito, Tucuruvi e Mancha vinham na sequ\u00eancia com 179,25. Tamb\u00e9m com nota m\u00e1xima, a Rosas aparecia em quinto com 179.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a vit\u00f3ria da Vai-Vai parecia mais certa que nunca, veio o quesito alegoria. As tr\u00eas primeiras notas da Escola do Povo foram 9,75, 9,75 e 9,5. A lideran\u00e7a chegou a ser perdida para a Vila Maria, mas os dois 10 que vieram na sequ\u00eancia, somados a mais um 9,75 da Vila Mais Famosa, devolveram a ponta \u00e0 Escola do Povo, mas agora com 0,25 de frente para a nova vice-l\u00edder, a Tucuruvi, que aparecia com os mesmos 209,25 da Vila Maria. A Rosas subiu para quarto com 209 com o meio ponto perdido pela Mancha. O quesito evolu\u00e7\u00e3o, o pen\u00faltimo, teve aproveitamento m\u00e1ximo das tr\u00eas l\u00edderes, enquanto a Rosas perdeu 0,25 e foi novamente ultrapassada pela Mancha, que subiu para quarto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00faltimo quesito, comiss\u00e3o de frente, seria, claro, decisivo. Se tirasse ao menos quatro notas 10, a Vai-Vai seria campe\u00e3, mas duas notas diferentes da m\u00e1xima certamente custariam o t\u00edtulo, j\u00e1 que duas escolas estavam 0,25 abaixo da Saracura: a Tucuruvi e a Vila Maria. Mas, ao contr\u00e1rio do que aconteceu nos tr\u00eas anos anteriores, dessa vez n\u00e3o teve mudan\u00e7a na \u00faltima nota. A Vai-Vai, assim como suas duas concorrentes, tirou cinco notas 10 e conquistou sua ta\u00e7a de n\u00famero 14 ao somar 269,5. Depois de um pr\u00e9-Carnaval marcado pelo preconceito, a Tucuruvi conquistou um in\u00e9dito vice-campeonato com os mesmos 269,25 da Vila Maria. A Mancha Verde terminou em quarto, seguida da Gavi\u00f5es. Depois de desperdi\u00e7ar 0,75 no \u00faltimo quesito, a Rosas foi ultrapassada n\u00e3o s\u00f3 pela Fiel Torcida, que fechou o grupo das que avan\u00e7aram ao desfile das campe\u00e3s, como tamb\u00e9m pela \u00c1guia de Ouro, que acabou em sexto. A Mocidade Alegre, por todos os problemas, terminou s\u00f3 em oitavo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia, vieram Tom Maior, X-9, P\u00e9rola Negra e Imp\u00e9rio de Casa Verde, que somou 265,75 pontos. Nen\u00ea de Vila Matilde, com 262,5, e Unidos do Peruche, com 247,25 (portanto, a 15,25 pontos da pen\u00faltima colocada e a 18,5 da \u00faltima n\u00e3o rebaixada), foram rebaixadas. Depois de bater na trave nos dois anos anteriores, a Drag\u00f5es da Real enfim foi campe\u00e3 do Grupo de Acesso e subiu ao Grupo Especial ao lado do Camisa Verde e Branco que, com \u00f3timo samba sobre a Avenida Paulista, superou no crit\u00e9rio de desempate o Morro da Casa Verde. Com o acesso da Drag\u00f5es, o Grupo Especial teria, em 2012, o n\u00famero hist\u00f3rico de tr\u00eas escolas de samba oriundas de torcidas organizadas. Assim, pela primeira vez na hist\u00f3ria, duas delas desfilariam em um mesmo dia pelo grupo de elite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Curiosidades<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A TV Globo optou por voltar ao est\u00fadio a\u00e9reo localizado no centro da pista de desfiles. Cleber Machado e Mariana Godoy comandaram de l\u00e1 os desfiles, enquanto Chico Pinheiro foi o chefe do Est\u00fadio Globeleza, localizado no ch\u00e3o no final da Avenida. Ali estiveram os comentaristas Leandro Lehart,\u00a0 A\u00edlton Gra\u00e7a, Celso Vi\u00e1fora e Negra Li.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Foi a \u00faltima vez que o regulamento do ano anterior foi mantido no tocante ao sistema de concess\u00e3o de notas e de descartes. Nos tr\u00eas desfiles seguintes seriam usados tr\u00eas regulamentos diferentes. At\u00e9 o momento em que escrevo, o regulamento de 2015 n\u00e3o foi oficializado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Mais uma vez, Liga e Superliga produziram DVDs com os sambas de suas escolas. Mas, a Superliga &#8211; onde mais uma vez participou o pagodeiro Belo &#8211; optou por n\u00e3o fazer grava\u00e7\u00f5es em est\u00fadio. Os int\u00e9rpretes cantavam ao vivo o samba em um palco, como em um show. Antes do samba, cada escola p\u00f4de fazer um alusivo ou cantar um samba exalta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A faixa da Vai-Vai foi inicialmente gravada pelo cantor Agnaldo Amaral. Posteriormente, ele seria substitu\u00eddo por Wander Pires, que fez sua estreia no Anhembi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Foi, diga-se de passagem, o \u00faltimo ano dessa separa\u00e7\u00e3o. Em 2012, todas as agremia\u00e7\u00f5es passaram a pertencer \u00e0 Liga. Em tr\u00eas anos, a Liga faturou dois t\u00edtulos e sua dissid\u00eancia um &#8211; o de 2011. Entre as rebaixadas, quatro foram da Liga e duas da Superliga. Do Acesso, subiram uma de cada por ano e ca\u00edram cinco da Liga e uma da Superliga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; O samba do Camisa Verde e Branco sobre a Avenida Paulista, que levou a escola de volta ao Especial,\u00a0foi, at\u00e9 aqui, o \u00faltimo vencido pelo grande Ideval na escola. Foi tamb\u00e9m a \u00faltima vez at\u00e9 o momento que o cantor Celsinho comandou o carro de som da escola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A Torcida Jovem do Santos, contando com Pedrinho Pinotti como carnavalesco, caiu para o Grupo I em \u00faltimo lugar. O curioso \u00e9 que o enredo da escola era o Rei Pel\u00e9, que foi tema da Barroca Zona Sul no Especial em 2003. Naquela oportunidade, a verde-e-rosa ficou em \u00faltimo e n\u00e3o caiu por uma virada de mesa. Em 2014, a Leandro tamb\u00e9m citou o Rei e tamb\u00e9m ficou em \u00faltimo, mas n\u00e3o escapou de ir para o Acesso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Depois de mais um rebaixamento, Peruche e Nen\u00ea seguiram caminhos bem diferentes. A Filial do Samba esteve perto do rebaixamento para o Grupo I nos tr\u00eas anos seguintes, ao passo que a \u00c1guia voltou logo no ano seguinte para, por ora, n\u00e3o sair mais. Foi a primeira vez desde 1994 em que as duas escolas que subiram, ca\u00edram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Primeira e at\u00e9 aqui \u00fanica exibi\u00e7\u00e3o do cantor Z\u00e9 Paulo Sierra em S\u00e3o Paulo. Ele cantou o samba da X-9 Paulistana.\u00a0 O mesmo vale para o int\u00e9rprete Tinga, que n\u00e3o gravou o samba, mas esteve no carro de som da Unidos do Peruche.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Foi o fim de eras importantes nos carros de som. Freddy Vianna deixou a Tucuruvi ap\u00f3s 11 anos, Royce do Cavaco encerrou sua passagem de seis anos pela Nen\u00ea e\u00a0Vaguinho saiu da Mancha Verde ap\u00f3s 10 Carnavais. Eles iriam, respetivamente, para Mancha, X-9 e Tatuap\u00e9 (este \u00faltimo ap\u00f3s ser contratado pela Tucuruvi).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Outros int\u00e9rpretes tiveram pela \u00faltima vez a oportunidade de assumirem o posto de int\u00e9rpretes oficiais. \u00c9 o caso da dupla Baby e Pep\u00ea Niter\u00f3i, que cantaram ao lado de Fernandinho SP na Vila Maria, e, no Acesso, de Betto Muniz, que cantou ao lado de Juninho Branco na Leandro. Todos estes ainda seguem na ativa, mas como apoio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Revoltada com algumas notas baixas para a Gavi\u00f5es, a torcida da escola atirou alguns objetos que atingiram torcedores da P\u00e9rola Negra, que assistiam \u00e0 leitura das notas, que foi paralisada, no setor inferior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Foi o \u00faltimo Carnaval do saudoso Marko Ant\u00f4nio da Silva, o Markinho, fundador e Presidente da Tom Maior desde 1984. Ele, aos 44 anos, seria vencido por uma leucemia ainda em 2011. Al\u00e9m dos anos \u00e0 frente da escola, ele ficou marcado pela frase &#8220;Quem corre atr\u00e1s do que gosta, n\u00e3o cansa&#8221;, que sempre repetia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Gilberto Kassab, o Prefeito, e Geraldo Alckmin, o Governador, estiveram presentes no Anhembi. Jos\u00e9 Serra, rec\u00e9m-derrotado nas Elei\u00e7\u00f5es Presidenciais, n\u00e3o foi por estar gripado. Tamb\u00e9m passaram por l\u00e1 o ent\u00e3o ministro da sa\u00fade Alexandre Padilha e o primeiro-ministro do Timor Leste, Kay Rala Xannana Gusm\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>V\u00eddeos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O come\u00e7o do desfile da Tucuruvi<br \/>\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=qw_djjM9dE0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O come\u00e7o da Mancha Verde<br \/>\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=UM1ucweR4Ao<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um peda\u00e7o do desfile da Rosas de Ouro<br \/>\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ue_A7bN1ndQ<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O hist\u00f3rico desfile da Vai-Vai<br \/>\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=vXdIOfQILyc<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bom desfile da P\u00e9rola Negra<br \/>\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Cds47A_Z9AU<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fogo da \u00c1guia de Ouro<br \/>\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=wCrOuMOjkEo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O in\u00edcio da Mocidade<br \/>\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=1Fw3Y_orN5s<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reta final da apura\u00e7\u00e3o com a confirma\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo da Vai-Vai<br \/>\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=tSMYX_an9yk<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Carnaval de 2011 manteve a divis\u00e3o entre Liga e Superliga. 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