{"id":31030,"date":"2014-12-03T13:24:19","date_gmt":"2014-12-03T15:24:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/?p=31030"},"modified":"2014-12-04T08:25:24","modified_gmt":"2014-12-04T10:25:24","slug":"bodas-de-prata-2006-com-show-de-cores-ao-luar-imperio-e-bi-mancha-compete-sozinha-e-gavioes-cai","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2014\/12\/bodas-de-prata-2006-com-show-de-cores-ao-luar-imperio-e-bi-mancha-compete-sozinha-e-gavioes-cai\/","title":{"rendered":"Bodas de Prata \u2013 2006: com show de cores ao luar, Imp\u00e9rio \u00e9 bi; Mancha compete sozinha e Gavi\u00f5es cai"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O Carnaval de 2006 era pol\u00eamico desde o ber\u00e7o. Como j\u00e1 adiantamos na semana passada, com o acesso da Gavi\u00f5es da Fiel e a manuten\u00e7\u00e3o da Mancha Verde, pela primeira vez na hist\u00f3ria duas escolas oriundas de torcidas organizadas, de dois times diferentes ainda por cima, estariam competindo no Grupo Especial. O regulamento proibia, desde 2001, que isso acontecesse. Por conta de uma a\u00e7\u00e3o do Promotor Fernando Capez, al\u00e9m de ter que desfilar em dias diferentes, as escolas que guardassem liga\u00e7\u00f5es com times de futebol, caso fossem mais de uma, teriam que competir em um grupo \u00e0 parte, o das chamadas desportivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa decis\u00e3o podia ser bonita na teoria, mas n\u00e3o fazia nenhum sentido na pr\u00e1tica. As duas escolas seriam julgadas pelos mesmos jurados, desfilariam nos mesmos dias das demais e seriam analisadas pelo mesmo crit\u00e9rio. Estariam no CD oficial, participariam de todas as festas, enfim, seriam escolas do Grupo Especial, mas que competiriam separadas e sem chances de serem rebaixadas. A apura\u00e7\u00e3o seria logo ap\u00f3s a do Especial e ningu\u00e9m sabia dizer se a campe\u00e3 iria para o Desfile das Campe\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Mancha Verde era contra o grupo das desportivas, mas n\u00e3o parecia oferecer muita resist\u00eancia ao que foi proposto pela Liga. O Presidente da escola, Paulo Serdan, afirmava que s\u00f3 queria participar da festa. Com a Gavi\u00f5es, o buraco era um pouco mais fundo. A escola foi \u00e0 Justi\u00e7a tentar voltar ao Grupo Especial. O argumento era o de que o regulamento tamb\u00e9m guardava \u00e0 escola o direito de desfilar na elite. Em outubro de 2005, tr\u00eas meses depois de definido o grupo das desportivas, a escola enfim conseguiu uma liminar que a devolvia para o grupo normal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, j\u00e1 em 2006, a Liga\/SP conseguiu reverter a situa\u00e7\u00e3o e a Gavi\u00f5es voltou a fazer parte do grupo das desportivas. No in\u00edcio de fevereiro, por\u00e9m, a tr\u00eas semanas dos desfiles, a Gavi\u00f5es conseguiu mais uma liminar, esta definitiva, que lhe dava o direito de competir com as demais. Essa decis\u00e3o, no entanto, dava \u00e0 Mancha Verde o t\u00edtulo das desportivas, j\u00e1 que ela passaria a competir sozinha. E assim foi. A escola da Barra Funda, que trouxe para a Avenida um enredo sobre os homens injusti\u00e7ados ao longo da hist\u00f3ria, ficou sozinha no grupo das desportivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria tamb\u00e9m um Carnaval com mudan\u00e7as no regulamento. Visando reduzir para 14 o n\u00famero de escolas do Grupo Especial, a Liga\/SP decidiu que as quatro \u00faltimas colocadas seriam rebaixadas, recorde absoluto na hist\u00f3ria do Carnaval Paulistano. Haveria tamb\u00e9m uma mudan\u00e7a no sistema de concess\u00e3o de notas. As escolas continuariam sendo avaliadas por tr\u00eas jurados em 10 quesitos, mas as notas n\u00e3o seriam mais fracionadas em meio ponto. A partir de 2006, os jurados poderiam conceder notas fracionadas em 0,25. Ou seja: se antes as notas entre 9 e 10 eram 9, 9,5 e 10, agora seriam 9, 9,25, 9,5, 9,75 e 10. O mesmo vale para as notas entre 6 e 10.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Campe\u00e3 de 2005, a Imp\u00e9rio de Casa Verde, j\u00e1 consolidada como pot\u00eancia, escolheu a hist\u00f3ria da pecu\u00e1ria no Brasil como enredo. Vice-campe\u00e3 no Carnaval anterior, a X-9 Paulistana adotou a letra X como tema, ao passo que a Mocidade Alegre abordaria a hist\u00f3ria do Rio S\u00e3o Francisco atrav\u00e9s dos \u00edndios. Em constante evolu\u00e7\u00e3o, a Vila Maria optou por homenagear os transportadores e a Vai-Vai por contar a hist\u00f3ria da cidade de S\u00e3o Vicente, no litoral paulista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por voos mais altos, a Tucuruvi falaria sobre a agricultura, enquanto a Leandro de Itaquera, com dificuldades financeiras, abordaria as festas populares nas cidades banhadas pelo Rio Tiet\u00ea. Ap\u00f3s resultados ruins em 2005, Rosas de Ouro e Nen\u00ea de Vila Matilde abordariam o negro: a Roseira sob as injusti\u00e7as por ele sofrida ao longo da hist\u00f3ria e a \u00c1guia da Zona Leste falando sobre a Bahia e lembrando uma famosa \u00f3pera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c1guia de Ouro e Tatuap\u00e9 apostaram em temas diferentes, um alerta contra a viol\u00eancia infantil das mais diversas formas e o cooperativismo, respectivamente. O Camisa Verde e Branco tentava se recuperar do desfile ruim de 2005 falando sobre o vinho e a Tom Maior pretendia surpreender com um enredo sobre o Piau\u00ed e o cantor de forr\u00f3 Frank Aguiar. Voltando ao Grupo Especial, Gavi\u00f5es e Peruche abordariam a avia\u00e7\u00e3o: a Fiel Torcida falando do desejo do homem de voar e a Filial do Samba narrando a trajet\u00f3ria de Santos Dumont.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/gavioes2006.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-31032 alignleft\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/gavioes2006-300x224.jpg\" alt=\"gavioes2006\" width=\"300\" height=\"224\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/gavioes2006-300x224.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/gavioes2006-454x340.jpg 454w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/gavioes2006.jpg 620w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Para abrir a maratona de desfiles, a Gavi\u00f5es da Fiel fez uma conturbada apresenta\u00e7\u00e3o em sua volta ao Grupo Especial. O desfile \u201cAsas da Fascina\u00e7\u00e3o\u201d come\u00e7ou a ter problemas antes mesmo dos port\u00f5es se abrirem. Minutos antes do cron\u00f4metro ser disparado, um gerador de luz caiu sobre o abre-alas e danificou ligeiramente a alegoria, que teve que ser reparada \u00e0s pressas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O carnavalesco Jorge Freitas apostou em carros grandiosos e em fantasias luxuosas para surpreender o p\u00fablico. P\u00fablico que, por sinal, respondeu bem ao bom samba da escola, que foi interpretado de maneira brilhante por Ernesto Teixeira. Apesar da coreografia simples, a comiss\u00e3o de frente chamou a aten\u00e7\u00e3o pela fantasia luxuosa e pelo elemento aleg\u00f3rico grandioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O enredo foi muito bem setorizado, embora em alguns momentos tenha fugido da proposta de retratar o sonho do homem em voar. Apesar de ser um dos trabalhos menos inspirados de Jorge Freitas, a escola trouxe bel\u00edssimas alegorias, que apresentaram muita clareza. Particularmente, senti falta de mais luz, os carros estavam muito apagados, mas foram belas alegorias. As fantasias estavam bastante coloridas e, leves, permitiam uma boa evolu\u00e7\u00e3o para os animados componentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas problemas n\u00e3o faltaram para a Gavi\u00f5es. O experiente primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira Michel e Idely deixou a bandeira enrolar no mastro, o que certamente seria punido pelos jurados. O grande problema, por\u00e9m, foi a soma dos carros gigantescos com o excesso de componentes. Eram mais de cinco mil desfilantes e, a\u00ed, faltou tempo. A Gavi\u00f5es apertou o passo, correu, mas estourou em um minuto o tempo, o que acarretaria uma perda de dois pontos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 que, minutos depois, chegou a informa\u00e7\u00e3o de que, por um descuido, uma marca de gerador apareceu em uma alegoria, configurando merchandising e a perda de mais dois pontos. Como desgra\u00e7a pouca \u00e9 bobagem, a escola ainda trouxe o s\u00edmbolo do Corinthians no abre-alas, o que tamb\u00e9m era proibido pelo regulamento \u2013 ainda que constasse no s\u00edmbolo da escola \u2013 com puni\u00e7\u00e3o de dois pontos prevista. Assim, a Fiel Torcida deveria, na tradicional reuni\u00e3o realizada na segunda-feira, ser penalizada em seis pontos, o que tirava qualquer chance de voltar ao desfile das campe\u00e3s e, em um Carnaval onde quatro escolas cairiam, estava novamente amea\u00e7ada de descenso a despeito do belo desfile.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia, entrou na Avenida a Rosas de Ouro com o enredo \u201cA Di\u00e1spora Africana. Um Crime Contra a Ra\u00e7a Humana\u201d. A escola pretendia emocionar o p\u00fablico ao abordar a injusti\u00e7a contra os negros, mas surpreendeu pela est\u00e9tica adotada pelo carnavalesco F\u00e1bio Borges. Ele dizia que n\u00e3o queria trazer aquela \u00c1frica tribal cheia de palhas e representa\u00e7\u00f5es r\u00fasticas. Ele queria era mostrar a \u00c1frica que se espalhou pelo Mundo trazendo, inclusive, elementos da arte cubista. Sem d\u00favida alguma, uma op\u00e7\u00e3o interessant\u00edssima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O destaque do desfile, mais uma vez, foi a comiss\u00e3o de frente, que executou uma coreografia dific\u00edlima com uma fantasia pesad\u00edssima e conquistou o p\u00fablico. O abre-alas, com as tais representa\u00e7\u00f5es cubistas, tinha uma concep\u00e7\u00e3o diferente, mas foi muito bem executado. F\u00e1bio apostou em uma divis\u00e3o crom\u00e1tica diversificada, em um enredo de simples leitura e em um visual diferenciado. As alegorias foram ousadas, com belas esculturas, e garantiram um \u00f3timo efeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Rosas de Ouro n\u00e3o chegou a empolgar o p\u00fablico, apesar do bom samba, mas fez um excelente desfile. Pouco errou e apresentou um \u00f3timo visual. Claro que, com 14 escolas ainda a desfilar, era dif\u00edcil falar em favoritismo, mas, sem d\u00favida, a Rosas de Ouro estava no p\u00e1reo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A terceira escola da noite foi a Nen\u00ea de Vila Matilde, que tentava se recuperar do resultado ruim de 2005 com o enredo \u201cMamma Bahia \u2013 \u00d3pera Negra L\u00eddia de Oxum\u201d. O enredo era inspirado na \u00f3pera Negra L\u00eddia de Oxum, que narrava o casamento entre uma negra e um aristocrata. Mas at\u00e9 que se chegasse a esta \u00f3pera, que viria no \u00faltimo carro, a Nen\u00ea faria um passeio pela Bahia dos negros e da luta pela liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O carnavalesco Andr\u00e9 Machado novamente concebeu alegorias de alto n\u00edvel, mas elas passaram pela Avenida visivelmente inacabadas. Os carros foram feitos com material de mais baixo custo, o que prejudicou o efeito, e tinham um padr\u00e3o de luxo mais reduzido. O ponto positivo foi a clareza das fantasias, que eram de f\u00e1cil leitura e, a despeito dos materiais mais pobres, conseguiram bom efeito. Gostei da divis\u00e3o crom\u00e1tica e a escola veio bem setorizada. No conjunto aleg\u00f3rico, destaque para o \u00faltimo carro, que tinha uma bela escultura da Negra L\u00eddia cercada por harpas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 que n\u00e3o faltaram problemas para a Nen\u00ea. Tr\u00eas dos cinco carros aleg\u00f3ricos apresentaram problemas. O mesmo problema, por sinal. Por conta de um eixo quebrado, o carro abre-alas, o carro 3 e o carro 4 se dirigiram, em momentos diferentes, \u00e0 grade que separa pista do p\u00fablico. Para evitar um desastre \u00e0 l\u00e1 Gavi\u00f5es 2004, os empurradores tiveram muito trabalho e, com muito sacrif\u00edcio, colocaram os carros de novo nos eixos. O problema \u00e9 que o incidente danificou um pouco as alegorias e complicou toda a evolu\u00e7\u00e3o, com direito a tr\u00eas enormes buracos ap\u00f3s as tr\u00eas quebras. A Nen\u00ea fechou no tempo, mas teve que correr. Os problemas, somados ao desfile de n\u00edvel t\u00e9cnico baixo, faziam da \u00c1guia da Zona Leste uma enorme candidata ao descenso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sai uma escola da Zona Leste, entra outra. A Acad\u00eamicos do Tatuap\u00e9 abriu o quarto desfile da noite para apresentar o complicado enredo \u201cCooperativismo, Uni\u00e3o para o bem comum. Uma grande na\u00e7\u00e3o se faz com coopera\u00e7\u00e3o\u201d. Com um samba bastante fraco, a escola apresentou um conjunto visual pobre e, como era de se esperar, um enredo que n\u00e3o conseguiu ocupar um desfile. Os carnavalescos da comiss\u00e3o de carnaval tiveram dificuldade para preencher as alas e o resultado foram fantasias de dif\u00edcil leitura em um enredo bastante confuso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Tatuap\u00e9 n\u00e3o empolgou o p\u00fablico, que n\u00e3o captou bem a ideia do desfile. A escola veio muito mais pobre que nos anos anteriores e os carros e fantasias apresentaram claros problemas de acabamento. Embora n\u00e3o tenha errado, ou seja, tenha evolu\u00eddo bem e fechado o desfile no tempo correto sem grandes problemas, a Tatuap\u00e9 era candidat\u00edssima ao rebaixamento pois havia preparado, com folgas, o pior desfile do ano. Uma pena para quem vinha em uma evolu\u00e7\u00e3o interessante. De bom mesmo s\u00f3 o desempenho do int\u00e9rprete Celsinho, que ganharia o Pr\u00eamio de Revela\u00e7\u00e3o por parte da Sociedade dos Amantes do Samba Paulistano, a SASP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/imperiocasaverde2006B.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-31034 alignleft\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/imperiocasaverde2006B-300x227.jpg\" alt=\"imperiocasaverde2006B\" width=\"300\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/imperiocasaverde2006B-300x227.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/imperiocasaverde2006B-448x340.jpg 448w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/imperiocasaverde2006B.jpg 628w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Campe\u00e3 de 2005, a Imp\u00e9rio de Casa Verde foi a quinta escola a cruzar os port\u00f5es do Anhembi para apresentar o enredo \u201cDo Boi M\u00edstico ao Boi Real \u2013 De Garcia D\u2019\u00c1vila na Bahia ao Nelore \u2013 O Boi que come capim \u2013 A saga da pecu\u00e1ria no Brasil\u201d. A escola apostava em uma receita parecida com a do primeiro campeonato: um enredo bem desenvolvido gerou um bom samba (apesar do erro de concord\u00e2ncia no verso \u201ca pecu\u00e1ria e a ci\u00eancia evoluiu\u201d), com destaque para o refr\u00e3o principal, que dizia \u201c\u00e9 lindo ver o meu Imp\u00e9rio \/ um show de cores ao luar \/ cantando para o mundo inteiro \/ a saga desse gado brasileiro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O forte da azul-e-branca, por\u00e9m, estava mesmo nas alegorias. A escola mais uma vez pretendia impressionar o Anhembi com alegorias grandiosas e de muito luxo e, de fato, isso ocorreu. No entanto, ainda que a bateria tenha tido, mais uma vez, um desempenho irrepreens\u00edvel, a Imp\u00e9rio n\u00e3o conseguiu fazer uma apresenta\u00e7\u00e3o no n\u00edvel das de 2004 e 2005. A comiss\u00e3o de Carnaval n\u00e3o foi feliz na concep\u00e7\u00e3o das alegorias que, embora estivessem realmente muito luxuosas e impecavelmente acabadas, n\u00e3o conseguiram um bom efeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O abre-alas, por exemplo, representando o boi na mitologia, destacou-se apenas pelos dois tigres enormes, mas poderia ter sido melhor pensado. O segundo carro, um dos grandes trunfos da escola, que apresentava o boi sagrado da \u00edndia, chamou a aten\u00e7\u00e3o por ser muito colorido, mas tamb\u00e9m n\u00e3o era dos mais bonitos. Ao meu ver, o mais bonito foi o carro que trazia Garcia d\u2019\u00c1vila e o in\u00edcio da pecu\u00e1ria no Brasil. As fantasias, por outro lado, foram um verdadeiro espet\u00e1culo. Com uma divis\u00e3o crom\u00e1tica perfeita, as fantasias, al\u00e9m de luxuosas, eram de excelente gosto e deram \u00f3timo efeito. Al\u00e9m do mais, eram de f\u00e1cil leitura e foram dispostas de maneira que, visto do alto, o Tigre Guerreiro conseguisse \u00f3timo efeito. Destaque tamb\u00e9m para a fantasia do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, toda em um tom de azul mais escuro, que foi das mais belas do ano.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/imperiocasaverde2006C.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-31035 alignright\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/imperiocasaverde2006C-300x220.jpg\" alt=\"imperiocasaverde2006C\" width=\"300\" height=\"220\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/imperiocasaverde2006C-300x220.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/imperiocasaverde2006C-463x340.jpg 463w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/imperiocasaverde2006C.jpg 632w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gostei muito tamb\u00e9m do desenvolvimento do enredo, que foi muito bem setorizado e seguiu uma linha cronol\u00f3gica coerente. N\u00e3o foi nada genial, com grandes sacadas, como em 2004 e 2005, mas foi um enredo muito coerente. Dessa forma, com alegorias muito luxuosas, fantasias bel\u00edssimas e um ch\u00e3o muito competente, a azul-e-branco estava, mais uma vez, no p\u00e1reo e prometia vir forte na briga pelo bi. Por outro lado, n\u00e3o foi, nem de longe, uma exibi\u00e7\u00e3o incontest\u00e1vel e insuper\u00e1vel. A pr\u00f3pria Rosas de Ouro j\u00e1 aparentava ser uma concorrente forte para os imperianos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do belo desfile da Imp\u00e9rio, uma apresenta\u00e7\u00e3o tr\u00e1gica do Camisa Verde e Branco na defesa do enredo \u201cDas Vinhas aos Vinhos \u2013 Do Profano ao Sagrado, uma Viagem ao Mundo do prazer com o N\u00e9ctar dos deuses\u201d. O carnavalesco Alexandre Colla acertou em cheio no desenvolvimento do enredo, que foi bem humorado, apresentou um excelente conte\u00fado hist\u00f3rico e apresentou com sutileza impressionante a ideia central de misturar o sagrado e o profano atrav\u00e9s do vinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os elogios, por\u00e9m, param a\u00ed. Se em 2005 o conjunto aleg\u00f3rico do Camisa j\u00e1 havia sido de baixo n\u00edvel, em 2006 ele foi simplesmente uma trag\u00e9dia. Carros pobres, visivelmente inacabados e discretos passaram pela Avenida de maneira que nem de longe remetiam a uma escola com a tradi\u00e7\u00e3o do Camisa Verde e Branco. Com um samba-enredo bastante fraco, o Trevo da Barra Funda passou como se fosse uma estreante, uma escola que ali caiu de paraquedas. A escola parecia abatida, n\u00e3o conseguiu empolgar e nem a bateria salvou. As fantasias tamb\u00e9m estavam em um n\u00edvel muito aqu\u00e9m do esperado e o Camisa dificilmente escaparia do descenso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito diferente do desfile da Vai-Vai. A Saracura balan\u00e7ou o Anhembi na apresenta\u00e7\u00e3o do enredo \u201cS\u00e3o Vicente. Aqui come\u00e7ou o Brasil\u201d. Amparada por um bom samba e por uma grande apresenta\u00e7\u00e3o de Agnaldo Amaral, que estaria fazendo sua despedida da escola, a Escola do Povo veio mordida pelo quinto lugar de 2005 e fez uma apresenta\u00e7\u00e3o ainda superior a do ano anterior. Ra\u00fal Diniz mais uma vez acertou a m\u00e3o no desenvolvimento do enredo e concebeu \u00f3timas alegorias e fantasias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o show da bateria de Mestre Tadeu, a escola cantou forte e passou bastante com uma alegria enorme. Os componentes evolu\u00edram com facilidade e conquistaram o p\u00fablico. A Vai-Vai, por\u00e9m, n\u00e3o fez uma apresenta\u00e7\u00e3o perfeita. Os carros, apesar de estarem muito bonitos, n\u00e3o apresentavam muito luxo. Ra\u00fal Diniz apostou em alegorias de \u00f3tima concep\u00e7\u00e3o e de muita clareza, mas que tinham tamanho reduzido. Ainda assim, o conjunto aleg\u00f3rico da Saracura era, com folgas, o melhor a desfilar desde a Rosas de Ouro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi um desfile marcado muito mais pelo ch\u00e3o que pelo visual. Nesse ponto, o destaque ficou para a divis\u00e3o crom\u00e1tica, que mais uma vez privilegiou o preto e o branco, garantindo \u00f3timo efeito para as fantasias. O enredo abordou bem a hist\u00f3ria da cidade do litoral paulista, enfocando bastante o fato de ter sido o primeiro vilarejo do pa\u00eds. Claro que isso deu aquela sensa\u00e7\u00e3o de mais do mesmo, com a chegada dos colonizadores, o encontro dos \u00edndios e etc, mas, ainda assim, foi um tema muito bem desenvolvido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foi, insisto, uma apresenta\u00e7\u00e3o soberana, que desse \u00e0 escola um enorme favoritismo. No conjunto, a Vai-Vai parecia ter sido um pouco superior \u00e0 Imp\u00e9rio de Casa Verde e parecia ter igualado no ch\u00e3o a defici\u00eancia visual em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Rosas de Ouro. Em todo caso, pela primeira vez desde 2001 a Saracura havia feito um desfile para brigar de fato pelo t\u00edtulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/mocidadealegre2006.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-31036 alignleft\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/mocidadealegre2006-300x224.jpg\" alt=\"mocidadealegre2006\" width=\"300\" height=\"224\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/mocidadealegre2006-300x224.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/mocidadealegre2006-454x340.jpg 454w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/mocidadealegre2006.jpg 620w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Quem tamb\u00e9m estava doida para faturar um t\u00edtulo era a Mocidade Alegre, que encerrou a primeira noite de desfiles com o enredo \u201cDas L\u00e1grimas de Iaty Surge o Rio, do Imagin\u00e1rio Ind\u00edgena a Saga de Opara. Para os Olhos do Mundo um S\u00edmbolo de Integra\u00e7\u00e3o Nacional: Rio S\u00e3o Francisco\u201d. O enredo, inspirado em um poema de Carlos Drummond de Andrade, abordaria o Rio S\u00e3o Francisco pela \u00f3tica ind\u00edgena. Suas lendas, sua rela\u00e7\u00e3o com os \u00edndios, com a economia local, enfim, fazer um passeio pelo rio atrav\u00e9s dos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Morada do Samba mais uma vez fez um grande desfile. Em manh\u00e3 inspirada, o int\u00e9rprete Daniel Coll\u00eate levou de maneira brilhante o \u00f3timo samba da escola e ajudou o p\u00fablico a seguir firme no Anhembi. A bateria de Mestre Sombra mais uma vez imprimiu \u00f3timo andamento ao samba, ao passo que o carnavalesco Zilkson Reis desenvolveu o enredo de maneira muito coerente, com uma setoriza\u00e7\u00e3o bastante clara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o meu gosto, ele errou um pouco a m\u00e3o na concep\u00e7\u00e3o das alegorias. Ao retratar o \u00edndio e sua rela\u00e7\u00e3o com as matas e rios, desenvolveu carros com pouca criatividade e com alguns problemas de acabamento. Os destaques ficaram por conta do abre-alas, que representou uma lenda ind\u00edgena para o surgimento do Rio \u2013 que tamb\u00e9m vinha em uma espetacular comiss\u00e3o de frente \u2013 e do quarto carro, o da \u201cFor\u00e7a Sertaneja\u201d, com belas esculturas e \u00f3timos adere\u00e7os. Fiquei com a sensa\u00e7\u00e3o de que desfilar \u00e0 luz do dia prejudicou um pouco a escola, pois muitos carros pareciam melhores se desfilassem durante a madrugada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, as fantasias foram deslumbrantes. Com uma divis\u00e3o crom\u00e1tica que beirou a perfei\u00e7\u00e3o, Zilkson desenvolveu fantasias leves e usou as cores de maneira muito pertinente a cada um dos setores. O \u00e1pice do desfile foi na fantasia da bateria, que representava o rio. Os ritmistas que ocupavam as extremidades da ala simbolizavam palmeiras (com direito a uma fantasia bastante pesada) e os do meio as \u00e1guas, formando assim um rio. Um pouco antes do recuo, a surpresa: desfilantes sa\u00edam do meio da bateria com fantasias que representavam monstros, os monstros que sa\u00edam do S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A entrada no recuo tamb\u00e9m reservou um susto a todos os presentes no Anhembi. A rainha de bateria Nani Moreira mais uma vez prometia surpreender com uma coreografia de dif\u00edcil realiza\u00e7\u00e3o e que, ainda por cima, apresentava um efeito pirot\u00e9cnico em sua fantasia. No meio da coreografia, por\u00e9m, sua fantasia pegou fogo e as chamas atingiram o seu cabelo. O corpo de bombeiros entrou imediatamente na pista e ela foi atendida ali mesmo na ambul\u00e2ncia que estava posicionada no recuo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas ali Nani Moreira se mostrava uma Rainha diferente e escreveu seu nome na hist\u00f3ria da Mocidade Alegre. Mesmo com graves queimaduras no corpo, ela, ap\u00f3s receber o atendimento, seguiu at\u00e9 o fim do desfile sambando como se nada tivesse acontecido. Quando cruzou a linha final do Anhembi, por\u00e9m, n\u00e3o conteve as l\u00e1grimas de dor e teve que ser imediatamente levada ao Hospital do Mandaqui, onde foi medicada e internada at\u00e9 que se recuperasse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltando ao desfile em si, a Mocidade Alegre evoluiu bem, apresentou um conjunto aleg\u00f3rico de bom n\u00edvel e empolgou o p\u00fablico. Dentre erros e acertos, a Morada se colocou ao lado de Rosas, Vai-Vai e Imp\u00e9rio dentre as melhores da primeira noite. As quatro escolas acabaram se igualando em diferentes erros e haviam feito desfiles muito parecidos em termos de qualidade. Para o meu gosto, a Roseira havia sido um pouco superior, mas h\u00e1 de se lembrar que ainda faltavam oito escolas para desfilar. Embora, dessas oito, apenas X-9 e Vila Maria tivessem um hist\u00f3rico recente de bons desfiles, muita coisa ainda rolaria naquele Grupo Especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abrindo a segunda noite de desfiles, a Unidos do Peruche enfim conseguiu fazer uma boa apresenta\u00e7\u00e3o na defesa do enredo \u201cSantos Dumont \u2013 Brasil e Fran\u00e7a navegando pelos ares\u201d. Apesar do enredo um pouco desconexo, que escondeu um pouco o Pai da Avia\u00e7\u00e3o e focou mais nos ares parisienses e brasileiros no in\u00edcio do S\u00e9culo XX, a Filial do Samba voltou a desfilar bem, com boas alegorias, e parecia com vontade de mostrar que estava viva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os componentes cantaram com garra, empolgados e o p\u00fablico, ainda pequeno, respondeu bem. A escola n\u00e3o tentou fazer grandes ousadias ou apostar em inova\u00e7\u00f5es. Quis fazer o simples e fez bem feito. A comiss\u00e3o de frente, por exemplo, n\u00e3o tinha nenhuma coreografia muito elaborada, mas foi muito bem executada. Componentes com roupas t\u00edpicas do S\u00e9culo XX dan\u00e7avam e abordavam pontos diferentes do enredo, inclusive os 50 anos da escola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sempre competente carnavalesco Paulo F\u00fchro caprichou no visual e nas cores. Criou fantasias coloridas, mesclou o azul, vermelho e branco da Fran\u00e7a com o verde e amarelo do Brasil e conseguiu \u00f3timo efeito. As alegorias, embora mais modestas, estavam bastante bonitas e muito acima do que vinha sendo apresentado pela Peruche. A ala que mais chamou a aten\u00e7\u00e3o foi a do Carnaval do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, com componentes trajados em diferentes roupas da \u00e9poca e sem nenhuma regra. Dan\u00e7avam e sambavam como dava vontade, de maneira solta, alegre, descontra\u00edda e deram um tom diferente para o desfile. Outros dois destaques foram a Torre Eiffel cercada por tucanos e araras no quarto carro e a \u00faltima alegoria, com o bonequinho s\u00edmbolo da escola acompanhado de Santos Dumont. Em suma, um bel\u00edssimo desfile da Peruche, que praticamente assegurava sua perman\u00eancia entre as grandes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda escola a entrar na pista foi a Tom Maior, que apresentou o enredo \u201cEm grandes sert\u00f5es veredas o elo perdido se achou&#8230; Piau\u00ed a terra do sol me encantou, com Frank Aguiar o Rei do Forr\u00f3 eu vou\u201d. A vermelho-e-amarelo tinha um dos maiores or\u00e7amentos do ano e surpreendeu com um conjunto visual de relativo luxo. O enredo tinha um desenvolvimento que lembrava em partes o desfile da Mancha no ano anterior, sobre o Mato Grosso, partindo l\u00e1 da pr\u00e9-hist\u00f3ria. Mais uma vez, penso que isso prejudicou um pouco o enredo, mas, em contrapartida, garantiu fantasias de muito bom gosto, com muita clareza, e com bom visual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A divis\u00e3o crom\u00e1tica come\u00e7ou com tons mais opacos e terminou com cores mais quentes, o que garantiu uma sequ\u00eancia muito boa. Era como se as cores evolu\u00edssem junto com o desenvolvimento. Ao contr\u00e1rio da Peruche, a vermelho-e-amarelo resolveu ousar. O segundo carro trazia a representa\u00e7\u00e3o do esqueleto de um dinossauro e, at\u00e9 pela concep\u00e7\u00e3o dific\u00edlima, n\u00e3o era dos mais bonitos, mas impressionou. A bateria tamb\u00e9m apresentou bossas e paradinhas surpreendentes, que animaram o p\u00fablico, assim como o pr\u00f3prio Frank Aguiar, que veio no \u00faltimo carro, que tamb\u00e9m n\u00e3o era dos mais bonitos. A Tom Maior ainda enfrentou problemas com a evolu\u00e7\u00e3o j\u00e1 no in\u00edcio do desfile, visto que o abre-alas foi acoplado j\u00e1 na pista. Foi um bom desfile, bastante animado e surpreendente, mas, pelos erros cometidos, as chances de ir ao desfile das campe\u00e3s eram muito pequenas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem tentava continuar evoluindo era a Acad\u00eamicos do Tucuruvi, que cantou o enredo \u201cA F\u00e9 do Homem do Campo em Cultivar, Ensinar e Aprender\u201d. A escola da Cantareira fez uma bela homenagem aos trabalhadores rurais em um enredo simples, mas muito bem executado. No entanto, tal como em 2005, trope\u00e7ou em um visual bastante inferior ao das duas escolas que haviam desfilado anteriormente. Para piorar, alguns contratempos prejudicaram a apresenta\u00e7\u00e3o da escola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiramente, \u00e9 necess\u00e1rio dizer que novamente o excesso de verde prejudicou a Tucuruvi. Algumas alas pareciam se repetir e as fantasias feitas com materiais mais baratos acabaram destoando um pouco de outras mais bem trabalhadas. O Carnavalesco Eduardo Caetano foi mais feliz na concep\u00e7\u00e3o das alegorias que na das fantasias, algumas muito pesadas, mas, no todo, fez um bom trabalho. O destaque ficou para o bel\u00edssimo carro da Preserva\u00e7\u00e3o do Meio Ambiente. O bom samba foi bem cantado, teve um bom acompanhamento da bateria, mas n\u00e3o conseguiu animar muito o p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que era para ser um desfile de meio de tabela ganhou contornos mais dram\u00e1ticos por conta de dois problemas: um ponto alto do desfile foi a comiss\u00e3o de frente dos \u201cEspantalhos Agr\u00f4nomos\u201d, que trazia uma excelente coreografia em triciclos. O problema \u00e9 que um desses triciclos perdeu uma das rodas ainda antes da metade do desfile e teve que se virar como p\u00f4de para ir at\u00e9 o final. O segundo carro tamb\u00e9m teve algumas esculturas danificadas ao longo da Avenida e, assim, o risco de rebaixamento existia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem conseguiu chamar a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico foi a \u00c1guia de Ouro, que apresentou o enredo \u201cN\u00e3o tem desculpa\u201d. A escola n\u00e3o era das mais aguardadas por causa do enredo um pouco sisudo, sobre as viol\u00eancias sofridas pelas crian\u00e7as, e pelo samba, um trash daqueles que ainda foi excessivamente acelerado pela bateria. No visual, por\u00e9m, a escola conseguiu se destacar e, se n\u00e3o se colocou entre as favoritas, ao menos fez uma apresenta\u00e7\u00e3o simp\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As alegorias tinham sim alguns problemas de acabamento e concep\u00e7\u00e3o, mas a criatividade prevaleceu. Ao alertar para os perigos enfrentados pelas nossas crian\u00e7as, o carnavalesco Victor Santos trouxe o p\u00fablico de volta ao universo dos contos infantis \u2013 com direito a casal de mestre-sala e porta-bandeira vestido de Chapeuzinho Vermelho e Lobo Mau \u2013 e criou met\u00e1foras muito bem sacadas. Ao falar dos perigos da internet no terceiro carro, por exemplo, ele comparou a rede mundial de computadores com uma teia de aranha. O carro, que trazia fotos de crian\u00e7as que sofreram algum tipo de viol\u00eancia, teve grande impacto, assim como a bateria, que se ajoelhou para agradecer ao p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O samba, apesar de n\u00e3o ser dos melhores, foi interpretado brilhantemente por Serginho do Porto e muito bem cantado pelos componentes. O encerramento do desfile, apesar da alegoria que me pareceu inacabada, foi muito interessante, mostrando a necessidade de se punir os criminosos que atacam crian\u00e7as. O carro, hom\u00f4nimo do enredo, tinha le\u00f5es presos em jaulas, e se destacou por conta de sua parte traseira, que apresentava uma deusa resgatando uma crian\u00e7a, em refer\u00eancia ao caso de uma m\u00e3e que havia jogado o filho em um rio dois meses antes. No todo, foi uma apresenta\u00e7\u00e3o ali para ficar pelo meio da tabela, mas que foi das mais interessantes do ano e surpreendeu em uma noite em que n\u00e3o se esperava um desfile assim.<\/p>\n<p>Depois do excelente resultado de 2005, a Unidos de Vila Maria entrou na Avenida para apresentar o enredo \u201cEm Minhas Costas o Brasil Carreguei, nas Minhas Rodas o Pa\u00eds Levantei&#8230; com o Futuro Eu Sonhei\u201d. N\u00e3o \u00e9 novidade para ningu\u00e9m que eu sou f\u00e3 do carnavalesco Wagner Santos, mas, ao meu ver, ele n\u00e3o foi feliz no desenvolvimento desse desfile sobre carregadores, mercadorias, transportes e estradas. Para o meu julgamento, ele falhou justamente onde costuma ser mais brilhante: na concep\u00e7\u00e3o das alegorias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pegando carona no enredo, n\u00e3o coloquemos a carro\u00e7a na frente dos bois e vamos por partes. O enredo era, apesar de uma ou outra falha, bastante criativo. A comiss\u00e3o de frente, por exemplo, trazia uma dan\u00e7a entre \u00edndios e colonizadores. At\u00e9 a\u00ed, nenhuma novidade. O interessante \u00e9 que isso simbolizava, na vis\u00e3o da escola, o primeiro transporte do Brasil: o transporte do pau-brasil que os europeus levaram de gra\u00e7a. O carro abre-alas era ousado, representava uma caravela, mas foi muito mal executado. Era muito grande, razoavelmente bem adere\u00e7ado, mas muito verticalizado, perdendo assim seu efeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse foi, ali\u00e1s, um problema cr\u00f4nico do desfile. As alegorias eram todas muito verticais, sobretudo as duas primeiras, o que me incomoda bastante. O padr\u00e3o de luxo apresentado foi mais ou menos o mesmo de 2005, com boas fantasias e uma excelente divis\u00e3o crom\u00e1tica. Dentre as alegorias, destaque para o terceiro carro, \u201cViajando pelo Brasil\u201d, e o quinto, \u201cA Rodovia do Futuro\u201d. Pessoalmente, acho que a Vila Maria decepcionou um pouco e as chances de voltar ao desfile das campe\u00e3s eram reduzidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia, quem entrou na Avenida foi a Leandro de Itaquera. A escola n\u00e3o prometia muito luxo para a apresenta\u00e7\u00e3o do enredo \u201cA Nova Passar\u00e1gua do Samba orgulhosamente apresenta festas e tradi\u00e7\u00f5es paulistas sobre as \u00e1guas de um Novo Tiet\u00ea\u201d, muito por conta do or\u00e7amento bastante apertado. Na Avenida, as coisas n\u00e3o sa\u00edram de maneira desastrosa, mas o Le\u00e3o Guerreiro de Itaquera fez um desfile de baixo n\u00edvel t\u00e9cnico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desfile da Leandro era aguardado com alguma expectativa por dois motivos: um era o muito anunciado beija\u00e7o gay em um dos carros, o que acabaria n\u00e3o ocorrendo. O outro era a propaganda pol\u00edtica expl\u00edcita \u2013 e gratuita &#8211; ao PSDB, cujo quadro de filiados conta com Seu Leandro \u2013 em forma de homenagem aos Governadores do partido, M\u00e1rio Covas, Geraldo Alckmin e Jos\u00e9 Serra, pelos servi\u00e7os prestados \u00e0 despolui\u00e7\u00e3o do rio e pela promo\u00e7\u00e3o das festas retratadas no enredo. Carro esse, ali\u00e1s, que chamou a aten\u00e7\u00e3o pelos dois ins\u00f3litos bonecos de Alckmin e Serra. Era a \u00faltima alegoria e foi um encerramento bastante complicado. N\u00e3o por conta da pol\u00edtica, muito embora o PT tenha ido \u00e0 Justi\u00e7a para tentar proibir o carro de desfilar por propaganda eleitoral, mas sim por conta do p\u00e9ssimo acabamento. Al\u00e9m de parecerem a mesma pessoa, os dois bonecos n\u00e3o retratavam de maneira mais brilhante os pol\u00edticos tucanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, pol\u00eamicas sexuais e pol\u00edticas \u00e0 parte, a Leandro fez um desfile tenso. O abre-alas, que estava muito bonito \u2013 o \u00fanico belo carro do desfile, a prop\u00f3sito \u2013 teve um problema na entrada, j\u00e1 que uma das patas de um dos gigantes le\u00f5es com boias salva-vida enroscou no cron\u00f4metro e foi retirado com dificuldade. O carnavalesco Anderson Paulino desenvolveu o enredo com corre\u00e7\u00e3o e trouxe inova\u00e7\u00f5es interessantes, como um helic\u00f3ptero que espalhou rosas pela Passarela. As fantasias e demais alegorias, por\u00e9m, estavam muito pobres e prejudicaram muito o conjunto visual da escola, que vinha amparada por um bom samba. Bom samba, mas que n\u00e3o tirava a Leandro do bolo das poss\u00edveis rebaixadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Grupo Especial de S\u00e3o Paulo teve, por assim dizer, uma pausa para a Mancha Verde desfilar o enredo \u201cBem Aventurados Sejam Os Perseguidos, Por Causa da Justi\u00e7a dos Homens&#8230; Porque Deles \u00c9 O Reino Dos C\u00e9us\u201d. \u00c9 que, sempre bom lembrar, a escola n\u00e3o fazia parte do Grupo Especial e sim do grupo das desportivas. Foi um Carnaval muito complicado para a Mancha. Al\u00e9m de toda essa quest\u00e3o de participar ou n\u00e3o do primeiro grupo, a escola teve problemas em seu barrac\u00e3o, que chegou a sofrer um inc\u00eandio, e perdeu, no terceiro dia daquele ano, uma de suas fundadoras: Dona Norma, a m\u00e3e do Presidente Paulo Serdan, e uma das figuras mais queridas do samba paulistano. T\u00e3o querida que sua morte chegou a interromper um ensaio da Gavi\u00f5es da Fiel, que prestou um minuto de sil\u00eancio em homenagem \u00e0 ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem pensa que esses problemas provocaram um abatimento na escola, se enganou. Foi exatamente o contr\u00e1rio. A Mancha desfilou com uma garra impressionante e, no amanhecer, fez um dos mais arrepiantes desfiles que o Anhembi j\u00e1 viu. Foi um soco no est\u00f4mago atr\u00e1s do outro. Embora eu n\u00e3o morra de amores pela obra, tida por muitos como uma das melhores do ano, o samba rendeu fantasticamente bem naquela que deve ter sido uma das melhores atua\u00e7\u00f5es do int\u00e9rprete Vaguinho em sua carreira. A Bateria Puro Balan\u00e7o tamb\u00e9m deu um show e deu \u00f3timo andamento ao samba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Avenida, as alegorias apresentaram alguns problemas de concep\u00e7\u00e3o e acabamento, mas chamaram a aten\u00e7\u00e3o por, assim como todo o desfile, serem de alt\u00edssimo impacto. A comiss\u00e3o de frente, por exemplo, foi uma das mais fortes de que eu j\u00e1 tive not\u00edcia. Atores simbolizavam, tal como no filme dirigido por Mel Gibson, \u201cPaix\u00e3o de Cristo\u201d, as chibatadas recebidas por Jesus Cristo e sua crucifica\u00e7\u00e3o. A bel\u00edssima e forte coreografia chegou a afastar um componente do desfile a 15 dias do Carnaval. \u00c9 que as imagens da coreografia eram t\u00e3o fortes que tomavam os seus sonhos e o ator considerou que n\u00e3o conseguiria interpret\u00e1-la na Avenida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O enredo sobre injusti\u00e7as e perseguidos relembrou grandes personagens da hist\u00f3ria como os \u00edcones da luta pela igualdade racial, como Martin Luther King, Malcom X e Nelson Mandela, da luta pela paz, como Dalai Lama, e at\u00e9 os italianos, perseguidos pelo Governo de Get\u00falio Vargas durante a II Guerra Mundial. Esse era o gancho necess\u00e1rio para falar do Palmeiras, que s\u00f3 virou Palmeiras por causa dessa persegui\u00e7\u00e3o (seu antigo nome era Palestra It\u00e1lia) e da Mancha Verde, da perseguida Mancha Verde, que tanto havia sofrido em meses anteriores. Os carros, a despeito do acabamento deficiente, estavam bonitos, principalmente o abre-alas com dois enormes drag\u00f5es que simbolizavam o mal. Se competisse com as demais, a Mancha poderia esperar uma \u00f3tima coloca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para encerrar, a X-9 Paulistana pisou na Avenida para apresentar o enredo \u201cX da Quest\u00e3o\u201d. Era uma verdadeira salada de fatos hist\u00f3ricos e eventos do dia-a-dia que envolviam a letra X. Do x que \u00e9 a inc\u00f3gnita matem\u00e1tica ao iluminismo. Do x-salada \u00e0 pr\u00f3pria X-9 Paulistana. Apesar de criativo, o complicado enredo n\u00e3o se sustentou e recebeu alas de dif\u00edcil entendimento, al\u00e9m de n\u00e3o ter come\u00e7o, meio e fim bem definidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gostei da ideia de lembrar o \u201cx\u201d como o \u201cmeio\u201d de qualquer confronto. Por exemplo, \u201cO Bem x O Mal\u201d, como vinha lembrando o abre-alas. Acho, por\u00e9m, que o conjunto aleg\u00f3rico sofreu uma consider\u00e1vel queda de n\u00edvel se comparado com o dos anos anteriores. A escola tamb\u00e9m foi prejudicada pelo intenso e incomum sol que brilhava sobre o Anhembi e projetava uma sombra que tapava a vis\u00e3o de alegorias e fantasias quando vistas de frente. Muitas cores ficaram escondidas por conta do sol, em uma apresenta\u00e7\u00e3o que j\u00e1 estava carregada de muitas tonalidades escuras para o meu gosto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m das alas dos sandu\u00edches, chamaram a aten\u00e7\u00e3o as alas que lembraram o \u201cX\u201d da hora de tirar uma foto e suas varia\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas. A bateria tamb\u00e9m se destacou pelas bossas e paradinhas ousadas, enquanto o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira teve um dos melhores desempenhos do ano, com direito at\u00e9 a fuma\u00e7a verde e vermelha espalhada pela Avenida. N\u00e3o foi um desfile ruim, mas parecia insuficiente para brigar pelo t\u00edtulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao final das apresenta\u00e7\u00f5es, nenhuma escola despontava como favorita, com quatro \u2013 todas estas desfilando na sexta \u2013 prometendo brigar por cada 0,25 da apura\u00e7\u00e3o: Rosas de Ouro, Vai-Vai, Imp\u00e9rio de Casa Verde e Mocidade Alegre, com as duas primeiras ligeiramente \u00e0 frente. A briga prometia ser intensa para fugir do rebaixamento porque, apesar do alto n\u00famero de rebaixadas, muitas escolas fizeram apresenta\u00e7\u00f5es que poderiam resultar em um descenso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, no entanto, a apura\u00e7\u00e3o foi um completo absurdo. Apesar de ter a perda de dois pontos por uso do s\u00edmbolo do Corinthians revogada ainda no s\u00e1bado de Carnaval, a Gavi\u00f5es, ainda que com uma liminar permitindo o uso do escudo, foi penalizada com esses dois pontos e, no total, saiu com seis pontos a menos. O julgamento da escola foi um esc\u00e1rnio. As notas n\u00e3o representaram nem de longe o que foi visto na Avenida e a Fiel Torcida foi muito, muito prejudicada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bom, mas vamos come\u00e7ar com a briga pelo t\u00edtulo. Ao final do primeiro quesito, fantasia, \u00c1guia de Ouro, Imp\u00e9rio de Casa Verde, Mocidade Alegre, Vila Maria e X-9 receberam tr\u00eas notas 10, enquanto Vai-Vai e Rosas de Ouro perderam 0,25 cada uma. No segundo, enredo, foi a vez da Imp\u00e9rio perder 0,25, deixando as quatro outras agremia\u00e7\u00f5es empatadas com 60 pontos, enquanto Vai-Vai e Rosas perderam mais meio ponto e ficaram 0,75 atr\u00e1s das l\u00edderes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sonho do t\u00edtulo da \u00c1guia de Ouro come\u00e7ou a acabar no terceiro quesito, com um 9,25 em alegoria, que a deixou atr\u00e1s at\u00e9 da Imp\u00e9rio de Casa Verde, que perdeu mais 0,25. O quesito deixou a Mocidade isolada na lideran\u00e7a com 90 pontos, j\u00e1 que Vila Maria e X-9 perderam 0,25 e um ponto, respectivamente. Nos tr\u00eas quesitos seguintes, Mocidade e Vila Maria somaram todos os pontos poss\u00edveis, ficando a Morada na lideran\u00e7a com 180 pontos contra 179,75 da Vila Maria. A Imp\u00e9rio de Casa Verde parecia distante da briga, com 178,5 contra 179 da Vai-Vai e da Roseira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No quesito melodia, por\u00e9m, tudo mudou. Enquanto Imp\u00e9rio e Vai-Vai gabaritaram o quesito e a Rosas de Ouro perdeu apenas 0,25, a Mocidade tirou dois 9,75, caindo assim para 209,5 e ficando apenas 0,5 \u00e0 frente da Escola do Povo, enquanto a Rosas aparecia 0,75 atr\u00e1s da l\u00edder, 0,25 \u00e0 frente da Imp\u00e9rio. A Vila Maria perdeu qualquer chance de levantar a ta\u00e7a ao levar um 10, um 9,75 e um 8,75. Em evolu\u00e7\u00e3o, quem comemorou foi a Rosas, que tirou tr\u00eas 10 e ultrapassou a Vai-Vai, que tirou um 9,5 e um 9,75. Com 238,25, a Saracura ficou 0,25 atr\u00e1s da Roseira e ultrapassada no crit\u00e9rio de desempate pela Imp\u00e9rio, que tirou um 9,75. A Mocidade Alegre manteve a lideran\u00e7a, mas tirou dois 9,75, e tinha, assim, 239, 0,25 a mais que a Rosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O quesito harmonia provocou uma nova reviravolta. A Rosas de Ouro, mesmo tirando um 9,75, assumiu a lideran\u00e7a com 268,5 j\u00e1 que a Mocidade tirou tr\u00eas 9,75 e ficou com 268,25, a mesma pontua\u00e7\u00e3o de Imp\u00e9rio e Vai-Vai, que gabaritaram o quesito e passaram \u00e0 frente no crit\u00e9rio de desempate, com a azul-e-branco em vantagem sobre a Escola do Povo. O \u00faltimo quesito era bateria. No primeiro jurado, a Mocidade levou um 9,75 e a Rosas de Ouro um 9,5, deixando assim Imp\u00e9rio em primeiro e Vai-Vai em segundo com 278,25, 0,25 a mais que a Roseira e com meio ponto de frente para a Morada. As chances da Rosas foram para o espa\u00e7o de vez no segundo jurado, quando todas as outras tr\u00eas tiraram 10 e ela um 9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como emo\u00e7\u00e3o pouca \u00e9 bobagem, uma confus\u00e3o deixou todo mundo na d\u00favida. A Imp\u00e9rio de Casa Verde precisava apenas de um 10 e foi a quinta a desfilar. Portanto, as notas seriam lidas na seguinte ordem: Gavi\u00f5es, Rosas, Nen\u00ea, Tatuap\u00e9 e Imp\u00e9rio. E assim vinha sendo. 9,75 para a Gavi\u00f5es, 10 para a Rosas, 9,75 para a Nen\u00ea e&#8230; 10 para a Imp\u00e9rio. Quando todos esperavam a nota da Tatuap\u00e9, veio o 10 que dava o bicampeonato para a azul-e-branco e ningu\u00e9m entendeu nada. Para piorar, em seguida foi lido o 9,75 para a Tatuap\u00e9 que, somado ao 10 da Vai-Vai, criou uma confus\u00e3o maior. Na verdade, o locutor oficial, Zulu, apenas trocou acidentalmente a ordem de leitura das notas, mas, ali, na hora, era de se cogitar que ele tivesse invertido os nomes das escolas: o 10 seria da Tatuap\u00e9 e o 9,75 da Imp\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim das contas, apesar da hesita\u00e7\u00e3o, foi confirmado o 10 e o bicampeonato da Imp\u00e9rio com os mesmos 298,25 da Vai-Vai. A Mocidade terminou em terceiro com 298 e a bateria deu \u00e0 Vila Maria o quarto lugar, \u00e0 frente da Rosas de Ouro. A X-9 ficou de fora do desfile das campe\u00e3s, seguida por \u00c1guia de Ouro, Tucuruvi, Tom Maior, Peruche e Nen\u00ea. Ca\u00edram Camisa, Leandro, Tatuap\u00e9 e Gavi\u00f5es. A Mancha Verde somou 296,5 e foi, claro, a campe\u00e3 das desportivas. Se tivesse participado da disputa, com essa pontua\u00e7\u00e3o, teria sido a s\u00e9tima colocada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inconformado com o resultado e por ter recebido apenas quatro notas 10, o Presidente da Gavi\u00f5es, que parou a apura\u00e7\u00e3o em diversas oportunidades (n\u00e3o foi o \u00fanico, o Presidente Betinho, da Nen\u00ea, chegou a arremessar cadeiras em dire\u00e7\u00e3o a mesa de apura\u00e7\u00e3o), afirmou que a escola deixaria o Carnaval e organizaria uma festa pr\u00f3pria, o que levou \u00e0 SPTuris a afirmar que poderia, sim, destinar verba para esse Carnaval \u00e0 parte. Embora fosse choro de perdedor, de fato, o julgamento da escola foi um dos maiores absurdos da hist\u00f3ria do Carnaval paulistano. Mesmo com os problemas, ter recebido apenas quatro notas 10 e ter sido rebaixada em \u00faltimo foi um esc\u00e1rnio, j\u00e1 que, no m\u00ednimo, Camisa, Leandro, Tatuap\u00e9, Tucuruvi, Nen\u00ea e at\u00e9 a Vila Maria fizeram desfiles inferiores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No acesso, vit\u00f3ria da Imperador do Ipiranga no \u00faltimo trabalho da Carnavalesca Vaniria Nejanschi no Anhembi, que subiu ao lado da P\u00e9rola Negra. Um ano depois de deixar a Avenida sonhando com o acesso, a Camisa 12, outra escola oriunda de uma torcida do Corinthians, foi rebaixada em \u00faltimo lugar. A escola foi penalizada em 69 pontos por desfilar com componentes a menos e por merchandising. Com esses pontos, teria terminado em quarto lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Curiosidades<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Nada de mudan\u00e7as no Carnaval da Globo: Chico Pinheiro e Renata Ceribelli na narra\u00e7\u00e3o, Mauricio Kubrusly e Leci Brand\u00e3o nos coment\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Na transmiss\u00e3o da apura\u00e7\u00e3o, Mauricio Kubrusly falou por cima da \u00faltima nota da Imp\u00e9rio e n\u00e3o ouviu que o 10 era da azul-e-branco. Quando parou para ouvir, ouviu a nota da Tatuap\u00e9 e n\u00e3o entendeu, tal como o parceiro Chico Pinheiro, porque a comemora\u00e7\u00e3o. Ele chegou a suspeitar que algu\u00e9m j\u00e1 sabia anteriormente da nota, pois o 10 da Imp\u00e9rio apareceu na tabela da transmiss\u00e3o sem que fosse lido \u2013 pelo menos ele achava. O v\u00eddeo foi retirado do ar pela Globo, mas era divertid\u00edssimo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; \u00daltimo Carnaval de Sol\u00f3n Tadeu na Presid\u00eancia da Vai-Vai. Com ele, a escola conquistou seis t\u00edtulos, dentre eles um tetracampeonato. Figura emblem\u00e1tica do samba paulistano, Sol\u00f3n chegou a comemorar o t\u00edtulo de 2006 antes de descobrir que, pelo crit\u00e9rio de desempate, a Imp\u00e9rio de Casa Verde havia vencido. Ele passou a presid\u00eancia para o lend\u00e1rio int\u00e9rprete da escola, Thobias da Vai-Vai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; O cantor Frank Aguiar participou da faixa da Tom Maior no CD oficial ao lado de Royce do Cavaco, que cantou pela primeira e \u00fanica vez na escola, e Ren\u00e9 Sobral.<br \/>\n&#8211; Fim da primeira passagem do int\u00e9rprete Vaguinho pela Mancha Verde. Ele foi substitu\u00eddo por Celsinho Mody em 2007, quando cantou pela Vai-Vai, mas voltou para a Mancha j\u00e1 no Carnaval de 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Nesse ano, por sinal, Vaguinho usou pela primeira vez o seu atual grito de guerra: \u201cO couro vai comer (o bicho vai pegar), o couro comeu (o bicho pegou)\u201d foi adicionado ao \u201cvai come\u00e7ar a festa: Mancha Verde&#8230;\u201d. O int\u00e9rprete, cujo primeiro grito foi \u201csacode, explode pov\u00e3o\u201d afirmou em entrevista recente que achava esse primeiro grito fraco demais para uma escola de fan\u00e1ticos como a Mancha. Ele disse ainda que achava a ideia do \u201co couro vai comer, o bicho vai pegar\u201d muito violenta, mas decidiu ir em frente ao ouvir o \u201cfogo neles\u201d do Carlos J\u00fanior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; J\u00e1 Agnaldo Amaral, cantou pela \u00faltima vez na Vai-Vai. Na sequ\u00eancia, ele cantaria por Barroca Zona Sul, Vila Maria, Camisa Verde e Branco, Mangueira e Nen\u00ea, onde est\u00e1 atualmente. Em 2010, foi contratado novamente pela Vai-Vai, gravou o DVD oficial da Superliga (mais tarde o leitor saber\u00e1 o que foi isso) e foi dispensado antes do fim do ano, cedendo lugar para Wander Pires no desfile de 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Estreia do int\u00e9rprete Fernandinho SP como cantor principal da Vila Maria. Com passagens por Morro da Casa Verde e Imperador do Ipiranga, onde est\u00e1 atualmente, ele foi presen\u00e7a constante no carro de som da escola e chegou a ser int\u00e9rprete oficial em outras oportunidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Despedida do grande int\u00e9rprete Juscelino do Grupo Especial. Um dos principais nomes da hist\u00f3ria do Camisa Verde e Branco, ele cantou ao lado de Andr\u00e9 Pantera o samba sobre o vinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Segundo rebaixamento do vinho no Grupo Especial de S\u00e3o Paulo. Antes da queda do Camisa em 2006, a Primeira de Aclima\u00e7\u00e3o havia sido rebaixada com o mesmo tema em 1994. Em 2013, a Vai-Vai conseguiu um pouco comemorado s\u00e9timo lugar com o mesmo enredo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A Imp\u00e9rio de Casa Verde contratou uma equipe profissional de seguran\u00e7a para cuidar de suas alegorias no Anhembi. A escola temia poss\u00edveis sabotagens das concorrentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; As homenagens ao patrono Chico Ronda, assassinado no fim de 2003, prosseguiram no Carnaval de 2006 da Imp\u00e9rio da Casa Verde. Ao cantar o refr\u00e3o no fim da primeira passada no CD oficial, o int\u00e9rprete Carlos J\u00fanior disse, por cima do samba: \u201cEterno Patrono Chico Ronda: o nosso Imp\u00e9rio conseguiu! E voc\u00ea estar\u00e1 para sempre em nossos cora\u00e7\u00f5es\u201d. O Presidente da escola, Alexandre Ronda, fez um agradecimento \u00e0 comunidade no in\u00edcio da faixa pelo t\u00edtulo de 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Carlos J\u00fanior adaptou o seu grito de guerra como j\u00e1 havia feito na Imperatriz Paulista, escola de samba virtual da qual fa\u00e7o parte, quando a mesma defendia um t\u00edtulo. Ao inv\u00e9s de \u201cAl\u00f4 Tigre! O mundo te espera! E aqui tem, hein! Fogo neles!\u201d, ele dizia: \u201cAl\u00f4 Tigre! O mundo pede bis! E aqui tem, hein! Fogo neles!\u201d. Ele criaria outro para 2007, quando a escola partiu em busca do tri.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; \u00daltima vez at\u00e9 o momento em que a Mocidade Alegre desfilou na sexta-feira de Carnaval.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Tal qual o Camisa Verde em 2005, este foi o \u00faltimo ano em que a Peruche conseguiu se manter no Grupo Especial. A Filial do Samba seria rebaixada em 2007 e s\u00f3 disputaria o primeiro grupo em outras duas oportunidades: 2009 e 2011. Nas duas, foi rebaixada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A \u00c1guia de Ouro, cujo Presidente tamb\u00e9m presidia a Liga\/SP, pediu para que o cron\u00f4metro do seu desfile voltasse a zero assim que o mesmo foi disparado porque o locutor oficial do Samb\u00f3dromo havia anunciado a entrada da Unidos de Vila Maria. Na sequ\u00eancia, ele emendou que quem estava desfilando era a \u201c\u00c1guias de Ouro\u201d. Sidnei Carrioulo, Presidente da \u00c1guia e da Liga, em entrevista \u00e0 TV Globo, deu uma declara\u00e7\u00e3o que entrou para a hist\u00f3ria das declara\u00e7\u00f5es: \u201c\u00c1guias \u00e9 o caralho, aqui \u00e9 o \u00c1guia de Ouro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; O samba da Mancha Verde \u00e9 o \u00fanico da hist\u00f3ria do Carnaval de S\u00e3o Paulo a ter sido reeditado. Foi em 2014, pela pr\u00f3pria Mancha, no Grupo de Acesso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Foi o \u00faltimo desfile assinado pelo\u00a0carnavalesco Lucas Pinto na X-9 Paulistana. De 1999 a 2006, ele conseguiu um t\u00edtulo, em 2000, e voltou ao desfile das campe\u00e3s em outras cinco oportunidades, o que n\u00e3o aconteceu em 2006. Foi o primeiro Carnaval de uma sequ\u00eancia de nove \u2013 todos os seguintes, pelo menos por ora \u2013 em que a agremia\u00e7\u00e3o da Parada Inglesa n\u00e3o ficou entre as cinco primeiras colocadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Douglinhas Aguiar cantou ao lado de Edson Dino o samba da X-9. Em 2007, a dupla seria substitu\u00edda por Karlinhos Madureira. O ano de 2006, por\u00e9m, marca a volta de Douglinhas \u00e0 P\u00e9rola Negra, com quem se sagrou vice-campe\u00e3o do Acesso e voltou ao Grupo Especial. O int\u00e9rprete, que j\u00e1 havia cantado pela agremia\u00e7\u00e3o da Vila Madalena entre 1986 e 1990 ficaria por l\u00e1 at\u00e9 o desfile de 2013, o \u00faltimo antes de se aposentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Em meio a uma acirrada disputa interna pela candidatura para a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica naquele 2006, o Prefeito Jos\u00e9 Serra e o Governador Geraldo Alckmin, ambos do PSDB, estiveram presentes no Samb\u00f3dromo. Os dois se cumprimentaram, mas evitaram muitos contatos, em uma rela\u00e7\u00e3o muito diferente \u00e0quela que aparecia no \u00faltimo carro da Leandro. Serra, ali\u00e1s, chegou a pedir para que a homenagem n\u00e3o fosse levada para a Avenida por conta da pol\u00eamica com o PT.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>V\u00eddeos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pior desfile do ano na vis\u00e3o dos jurados<br \/>\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=gt8mfTriW50<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande apresenta\u00e7\u00e3o da Rosas de Ouro<br \/>\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=f0PW3xZXM3U<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A bicampe\u00e3 Imp\u00e9rio de Casa Verde<br \/>\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=lHszJ-Om8g8<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A largada do desfile da Vai-Vai<br \/>\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_8TowMeB9hg<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mocidade Alegre e o Rio S\u00e3o Francisco<br \/>\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=UwXzrqWMYsk<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A surpreendente \u00c1guia de Ouro<br \/>\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=6uWr4Bb-Wbg<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A empolgante largada da Mancha Verde<br \/>\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=bH3XXyPjzhM<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a impactante comiss\u00e3o de frente<br \/>\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=-92mI7YVs1o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Carnaval de 2006 era pol\u00eamico desde o ber\u00e7o. 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