{"id":29405,"date":"2014-10-06T14:39:03","date_gmt":"2014-10-06T17:39:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/?p=29405"},"modified":"2014-10-04T17:04:31","modified_gmt":"2014-10-04T20:04:31","slug":"bodas-de-prata-1998-oriental-vai-vai-desbanca-velhas-rivais-e-e-novamente-campea","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2014\/10\/bodas-de-prata-1998-oriental-vai-vai-desbanca-velhas-rivais-e-e-novamente-campea\/","title":{"rendered":"Bodas de Prata \u2013 1998: Oriental, Vai-Vai desbanca velhas rivais e \u00e9 novamente campe\u00e3"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O Carnaval de 1997 foi, pela primeira vez, um estrondoso sucesso nacional. A transmiss\u00e3o da TV Globo bateu picos de audi\u00eancia de 35 pontos durante a madrugada e os desfiles ganharam repercuss\u00e3o em todo o pa\u00eds. S\u00e3o Paulo, naquele Carnaval, praticamente acabava com o monop\u00f3lio do Rio de Janeiro na aten\u00e7\u00e3o dada pela\u00a0m\u00eddia para os festejos de Momo em termos de escola de samba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Junto \u00e0 responsabilidade por fazer um belo espet\u00e1culo, cresceram ainda mais as fontes de renda para as escolas paulistanas. A aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico cresceu, mais gente passou a acompanhar e os patroc\u00ednios aumentaram ainda mais em rela\u00e7\u00e3o ao boom do ano anterior. Embora ainda tiv\u00e9ssemos poucos enredos nitidamente patrocinados, os \u201cincentivos\u201d ficavam expl\u00edcitos em certos pontos dos temas trazidos pelas 10 escolas do Grupo Especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falando nisso, a Liga Independente das Escolas de Samba de S\u00e3o Paulo dava naquele Carnaval de 1998 o primeiro passo rumo ao ousado plano de fazer os desfiles do primeiro grupo em dois dias, tal como acontecia no Rio desde 1984. Para tal, n\u00e3o haveria rebaixamento naquele Carnaval e nem no seguinte, chegando assim a 14 escolas em 2000 e com os desfiles divididos em dois dias. A melhor novidade, contudo, ficava por conta da ado\u00e7\u00e3o dos crit\u00e9rios de desempate em caso de igualdade em pontos por parte de duas ou mais escolas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma outra novidade para 98 estava na ordem dos desfiles. A campe\u00e3 X-9 Paulistana seria a primeira a desfilar, seguida pelas agremia\u00e7\u00f5es vindas do Grupo de Acesso, Acad\u00eamicos do Tucuruvi e Camisa Verde e Branco. A decis\u00e3o, naturalmente, prejudicou a escola da Parada Inglesa, visto que a Passarela ainda estaria fria e o desfile n\u00e3o seria transmitido pela TV (a Globo abriria a transmiss\u00e3o \u00e0s 21h40, uma hora e dez minutos ap\u00f3s o in\u00edcio do primeiro desfile).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falando em X-9, a escola prometia fazer uma apresenta\u00e7\u00e3o diferente para tentar o bicampeonato com um enredo sobre os cowboys e lembrando da figura de Beto Carreiro. Era s\u00f3 uma, no entanto, das muitas escolhas surpreendentes daquele Carnaval. Vice-campe\u00e3, a Vai-Vai, oriunda do italian\u00edssimo bairro do Bixiga, tamb\u00e9m surpreendeu ao adotar a imigra\u00e7\u00e3o japonesa como tema, ao passo que a Nen\u00ea, um ano ap\u00f3s enfim voltar a brigar pelo t\u00edtulo, ousou e ousou muito: fazer uma homenagem a uma escola de samba carioca, ainda mais com o salto de popularidade dos desfiles paulistanos, j\u00e1 seria diferente, mas a escola em quest\u00e3o ser a Mangueira, tradicional rival de sua madrinha Portela, pegou a todos de surpresa. N\u00e3o que Portela e Mangueira fossem inimigas ou que os sambistas paulistanos n\u00e3o gostassem das escolas cariocas, longe disso, mas foi surpreendente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Rosas de Ouro, ap\u00f3s uma pequena queda de rendimento em 97, escolheu exaltar o samba paulistano atrav\u00e9s da figura do inesquec\u00edvel Adoniram Barbosa. A Gavi\u00f5es da Fiel resolveu homenagear o Corinthians, enquanto a Mocidade Alegre tentava se recuperar com um interessante enredo sobre mulheres ousadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Leandro de Itaquera falou sobre os la\u00e7os entre Brasil e Fran\u00e7a, enquanto a Unidos do Peruche mais uma vez optou por exaltar os negros. Voltando ao Grupo Especial, o Camisa Verde e Branco adotou as fotografias como tema e, a Acad\u00eamicos do Tucuruvi, tamb\u00e9m voltando \u00e0 elite, falaria sobre os piratas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A X-9 Paulistana entrou na Avenida para tentar a miss\u00e3o quase imposs\u00edvel de ser bicampe\u00e3 abrindo a festa. Primeira escola a desfilar, a X apresentou o enredo \u201cSonhos de um cowboy brasileiro\u201d, do Carnavalesco Augusto Oliveira, que era do Camisa Verde e Branco. Desde o grito de guerra, o int\u00e9rprete Royce do Cavaco tentava levantar o p\u00fablico ainda frio na base dos gritos. Competente como sempre, fez o poss\u00edvel e o imposs\u00edvel, mas n\u00e3o obteve \u00eaxito e ainda esteve rouco durante o trecho final do desfile.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os desfilantes at\u00e9 que estavam animados, o desfile at\u00e9 que estava bonito, mas foi uma apresenta\u00e7\u00e3o apenas regular. Menos luxuosas que em 1997, as alegorias e fantasias estavam bastante corretas, mas n\u00e3o era, definitivamente, uma apresenta\u00e7\u00e3o campe\u00e3. O enredo, embora ousado, n\u00e3o conseguiu ser corretamente desenvolvido e em alguns momentos caiu na mesmice. Alguns problemas de evolu\u00e7\u00e3o comprometeram de vez o desfile e a possibilidade de t\u00edtulo estava completamente descartada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia, a Acad\u00eamicos do Tucuruvi pisou na Avenida para apresentar o enredo \u201cNa Trilha do Tesouro, Nem Todo Mar \u00e9 Azul, Nem Todo Amarelo \u00e9 Ouro\u201d. Voltando ao Grupo Especial, o Zaca prometia uma apresenta\u00e7\u00e3o leve e divertida para tratar dos piratas. O enredo dividiu a hist\u00f3ria dos piratas em uma cronologia simples e de f\u00e1cil entendimento: passado, presente e futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro setor contou a participa\u00e7\u00e3o dos piratas nas navega\u00e7\u00f5es europeias e alguns casos interessantes relacionados ao Brasil, como a \u201cGuerra da Lagosta\u201d entre os piratas franceses e as embarca\u00e7\u00f5es brasileiras para que os primeiros n\u00e3o levassem as nossas lagostas. O bom humor esteve presente em um desfile marcado por alegorias simples, por\u00e9m de bom gosto e bom acabamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo setor, dedicado ao presente, teve ainda mais empatia com o p\u00fablico. A venda de CDs, DVDs, cigarros, t\u00eanis, roupas e demais produtos piratas foi retratada em alas que simbolizavam tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o dos \u201cclientes\u201d com os vendedores ambulantes espalhados por S\u00e3o Paulo e por todo o Brasil. Por fim, os carnavalescos viajaram e tentaram imaginar a pirataria no futuro, com \u201cpiratas biotecnol\u00f3gicos\u201d que roubavam esp\u00e9cies de plantas e o DNA alheio para fazer clonagens \u2013 vale lembrar que, um ano antes, houve o caso da ovelha Dolly.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No presente, a Tucuruvi foi a primeira prejudicada por um problema que perseguiria praticamente todas as escolas naquele Carnaval: a p\u00e9ssima qualidade do som do Samb\u00f3dromo do Anhembi. O primeiro carro de som perdeu um cabo de energia a cerca de 300 metros do fim da passarela e a escola teve alguns problemas de harmonia. No fim das contas, foi uma apresenta\u00e7\u00e3o no m\u00ednimo simp\u00e1tica, ainda que o abre-alas tenha se desmanchado ao longo da Avenida por conta das fortes chuvas que assolavam S\u00e3o Paulo e prejudicaram muitas escolas nos dias que antecederam os desfiles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/camisa1998.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-29792 alignleft\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/camisa1998-300x225.jpg\" alt=\"camisa1998\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/camisa1998-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/camisa1998-453x340.jpg 453w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/camisa1998.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Voltando ao seu lugar de fato e de direito, o Camisa Verde e Branco apresentou o enredo \u201cFotografia aos olhos do mundo, nas lentes da verde e branco\u201d, sobre o mundo da fotografia. O desfile do Trevo da Barra Funda sofreu um consider\u00e1vel atraso por conta dos problemas do som que, no entanto, n\u00e3o foram resolvidos ap\u00f3s a entrada da agremia\u00e7\u00e3o na Avenida. A grande quest\u00e3o envolvendo o sistema de som era a falta de sincronia entre o carro de som e a bateria: os int\u00e9rpretes n\u00e3o ouviam a bateria e a bateria n\u00e3o ouvia o canto dos int\u00e9rpretes. Esse seria um problema que perseguiria praticamente todas as escolas que viriam depois do Camisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De todo modo, o Camisa Verde e Branco voltou para a elite resgatando aquilo que fora perdido gradualmente em anos anteriores e que a levou ao segundo grupo: a garra. Depois de alguns anos afastado daquilo que faz de melhor, o Camisa fez um desfile de Camisa: de ch\u00e3o, de canto, pisando forte na Passarela. A resposta do p\u00fablico, assim, n\u00e3o poderia ser melhor. As arquibancadas corresponderam ao samba apenas regular da verde-e-branco e acabou levantando um desfile apenas regular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O enredo era bastante simpl\u00f3rio e tinha alas de dif\u00edcil execu\u00e7\u00e3o. Algumas, que faziam alus\u00e3o a certos retratos, tinham que inevitavelmente ser representadas com \u201cquadros\u201d, o que prejudicava consideravelmente a beleza das fantasias. As alegorias tamb\u00e9m demonstravam um potencial econ\u00f4mico mais reduzido do Camisa. O acabamento n\u00e3o estava de todo ruim, mas o luxo passou longe. A divis\u00e3o crom\u00e1tica tamb\u00e9m n\u00e3o me agradou muito e mais uma vez usou mais do verde que deveria. Gostei bastante da comiss\u00e3o de frente que lembrava as fotografias tiradas pelas classes mais altas nos s\u00e9culos passados, trajada com roupas t\u00edpicas daqueles tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mais, foi um desfile comum, simples, t\u00edpico de meio de tabela, mas que, por ser com o Camisa Verde, ganhou outra dimens\u00e3o. N\u00e3o havia nenhuma expectativa quanto a t\u00edtulo, mas, dependendo da boa vontade dos jurados, uma boa coloca\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava descartada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passado o desfile do Camisa, foi a vez de outra gigante tentar se recuperar: a Unidos do Peruche, que flertou com o rebaixamento em 1997, cruzou o port\u00e3o principal do Anhembi para cantar o enredo \u201cMamma Africa\u201d. Ainda que n\u00e3o tenha tido uma apresenta\u00e7\u00e3o arrebatadora, a Filial do Samba fez um desfile bastante superior ao do Carnaval anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Carnavalesco Ra\u00fal Diniz, de quem sou f\u00e3 declarado, n\u00e3o pecou onde vinha pecando na Gavi\u00f5es da Fiel: no desenvolvimento dos enredos. Ao chamar a aten\u00e7\u00e3o para a \u201csociedade escravocrata em que o Brasil vivia no final do S\u00e9culo XX\u201d, ele pretendia exaltar os negros de uma maneira diferente. Pretendia mostrar ao p\u00fablico tudo aquilo que o negro tem de melhor, mas colocando o dedo na ferida e mostrando o preconceito e a desigualdade envolvendo esta ra\u00e7a at\u00e9 aqueles tempos \u2013 e at\u00e9 os tempos atuais, ali\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ra\u00fal foi mais uma vez brilhante na concep\u00e7\u00e3o das fantasias. Usou muitas palhas e muitas tonalidades que remetiam \u00e0 terra, o que causou o melhor efeito poss\u00edvel. O visual provocado pela excelente divis\u00e3o crom\u00e1tica foi o ponto alto do desfile, compensando as alegorias que, mais uma vez, n\u00e3o eram das melhores. A escola visivelmente tinha problemas financeiros, mas, em todo caso, o desfile resgatou parte da auto-estima perdida no desastre do ano anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dando sequ\u00eancia aos desfiles, a Nen\u00ea de Vila Matilde pretendia continuar a evolu\u00e7\u00e3o demonstrada no ano anterior com a homenagem aos 70 anos da Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira. O enredo \u201cEsta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira, Semente do Samba, Uni\u00e3o de Gente Bamba\u201d reuniu figuras conhecid\u00edssimas da verde-e-rosa como Dona Zica (torcedora do Camisa Verde e Branco, ali\u00e1s) e a cantora Alcione, que saiu elogiando muito a folia paulistana e criticando pesadamente o sistema de som. O ator Miguel Falabella tamb\u00e9m marcou presen\u00e7a e ajudou a levantar a Passarela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o que fosse preciso, ali\u00e1s. O enredo, de leitura fac\u00edlima, conquistou rapidamente o p\u00fablico presente no Anhembi. O samba, que estava entre os melhores da safra, tamb\u00e9m sacudiu a galera. A Nen\u00ea foi, sem d\u00favida, a escola que mais agradou o p\u00fablico a ponto de, em certos momentos, as arquibancadas repetirem as coreografias que a \u00c1guia da Zona Leste fazia na pista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O enredo pretendia destacar as semelhan\u00e7as entre a Nen\u00ea e a \u201cmais popular, mais tradicional e mais respeitada\u201d escola de samba do pa\u00eds. A principal, delas, claro, o fato de serem formadas por comunidades simples e guerreiras. Achei interessante a op\u00e7\u00e3o por n\u00e3o \u201cpassear\u201d por Carnavais famosos da verde-e-rosa e sim exaltar sua hist\u00f3ria de fato. De in\u00edcio, os baluartes envolvidos em sua funda\u00e7\u00e3o. No fim, os projetos sociais e a preocupa\u00e7\u00e3o com a fun\u00e7\u00e3o de uma escola de samba na cidadania. No meio, os bambas e as hist\u00f3rias que fazem da Mangueira uma escola \u00fanica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O visual da escola, se n\u00e3o foi impec\u00e1vel, foi bastante correto. Boas fantasias, boas alegorias e um bom contraste entre o verde e o rosa da Mangueira e o azul e o branco da Nen\u00ea. Foi, de longe, o melhor desfile da noite at\u00e9 ent\u00e3o e, por conta do sacode nas arquibancadas, a \u00c1guia da Zona Leste se colocava como uma grande favorita a levantar a ta\u00e7a. A escola, por\u00e9m, errou em alguns momentos. Um setor onde desfilaram alguns diretores tinha parte deles com camisetas da Nen\u00ea e parte com camisetas da Mangueira, o que certamente acarretaria perda de pontos no quesito fantasia. Em todo caso, um grande desfile.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De uma das escolas de samba que melhor representam o samba carioca para o sambista-s\u00edmbolo do samba paulistano. A Rosas de Ouro foi a sexta escola a entrar na Avenida para contar o enredo \u201cSamba na Garoa\u201d, que viajaria pelas can\u00e7\u00f5es memor\u00e1veis do poeta Adoniram Barbosa. A escola pretendia repetir a f\u00f3rmula de sucesso do final da d\u00e9cada de 80 e come\u00e7o de 90: excelente visual misturado a um enredo de forte apelo popular e que despertasse no p\u00fablico o orgulho de ser paulistano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s um trabalho apenas razo\u00e1vel em 1997, os jovens carnavalescos Neto e Mona acertaram em cheio no desenvolvimento do tema. O desfile foi um delicioso passeio pela S\u00e3o Paulo retratada nas m\u00fasicas de Adoniram e ganhou alas de f\u00e1cil leitura e carregadas de bom humor. O malandro bo\u00eamio que chega tarde em casa e, para n\u00e3o dormir na rua, promete que n\u00e3o perturbar\u00e1 nunca mais o sono de seu amor, o morador do Ja\u00e7an\u00e3 que n\u00e3o pode perder o trem das onze, o convidado do samba do Arnesto que n\u00e3o encontrou ningu\u00e9m, os amigos moradores da Saudosa Maloca onde passaram dias felizes de suas vidas, dentre muitos outros personagens, estiveram presentes no desfile.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escola mais uma vez esteve muito longe de repetir os seus desfiles mais luxuosos, mas apresentou um visual interessante, com uma divis\u00e3o crom\u00e1tica que usou de muitas tonalidades diferentes e um bom acabamento. Impec\u00e1vel em evolu\u00e7\u00e3o e harmonia, a escola se colocou como favorita ao fazer um desfile praticamente sem erros, mas que, apesar do enredo, n\u00e3o conquistou o p\u00fablico. Apesar da anima\u00e7\u00e3o dos componentes e do bom desempenho da bateria, trajada de \u201cTiro ao \u00c1lvaro\u201d, a apresenta\u00e7\u00e3o acabou sendo um pouco fria. O destaque foi sem d\u00favida o carro que j\u00e1 era genial desde o t\u00edtulo: \u201cO poeta dos pobres na Saudosa Maloca\u201d, que trazia uma escultura de Adoniram \u00e0 frente de casas simples. A Roseira, de todo modo, era uma forte candidata ao primeiro lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A s\u00e9tima escola a iniciar o seu desfile foi a Leandro de Itaquera, que levou os la\u00e7os de uni\u00e3o entre Brasil e Fran\u00e7a para o Anhembi com o enredo \u201cFran\u00e7a e Brasil, Unidos pela Sedu\u00e7\u00e3o\u201d. Era um enredo muito interessante. O Le\u00e3o Guerreiro da Zona Leste come\u00e7ou seu desfile mostrando a influ\u00eancia francesa nas artes e costumes dos brasileiros no per\u00edodo imperial. \u201cEra chic\u201d, como dizia a sinopse, falar franc\u00eas e se vestir como os habitantes da terra de Napole\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desfile tamb\u00e9m lembrou o sonho dos franceses de \u201cespalharem eldorados\u201d pelo mundo e o convite da Fran\u00e7a aos \u00edndios brasileiros para uma apresenta\u00e7\u00e3o para a Corte Francesa, l\u00e1 em 1550. Sim, justamente aquela hist\u00f3ria-base do enredo da Imperatriz Leopoldinense quatro anos antes, \u201cCatarina de M\u00e9dices na Corte dos Tupinamb\u00e1s\u201d. A Leandro lembrou tamb\u00e9m a ineg\u00e1vel a influ\u00eancia dos ideais da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa \u2013 \u201cliberdade, igualdade, fraternidades \u2013 nas posteriores revolu\u00e7\u00f5es que ocorreram em solo brasileiro que, tal como todo o resto do Mundo, n\u00e3o ficou imune ao movimento ocorrido l\u00e1 em terras francesas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quase sem querer, o pa\u00eds europeu ainda mudou completamente a vida do Brasil em 1808, quando expulsou a Corte Portuguesa que veio para c\u00e1 se esconder. O Rio de Janeiro foi lembrado a todo momento, principalmente por conta do per\u00edodo da \u201cbell\u00e9 ep\u00f3que\u201d, quando os Governantes tentaram transformar a Capital Carioca em uma esp\u00e9cie de Paris. Por fim, foram lembradas as rela\u00e7\u00f5es comerciais entre os dois pa\u00edses no fim daquele S\u00e9culo XX. Foi um desfile simples, sem luxo, marcado pela melhor comiss\u00e3o de frente da noite e que deveria ficar ali no meio da tabela, principalmente por conta dos erros na evolu\u00e7\u00e3o e da harmonia, que n\u00e3o foi das melhores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do desfile bastante irregular de 1997, a Mocidade Alegre foi a oitava agremia\u00e7\u00e3o a desfilar com o enredo \u201cEssas maravilhosas mulheres ousadas\u201d, do Carnavalesco Wagner Santos. A escola, que ainda contava com a presen\u00e7a da Globeleza Val\u00e9ria Vanessa, apostava em muito topless e em muitas artistas conhecidas para levantar o p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As arquibancadas n\u00e3o chegaram a corresponder como a escola esperava, mas foi um bom desfile. O enredo era bastante interessante e corajoso e foi bem desenvolvido, ao passo em que as alegorias e fantasias tiveram uma melhora consider\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 97. A primeira \u201cmulher ousada\u201d do desfile era ningu\u00e9m menos que Eva, que convenceu Ad\u00e3o a morder a ma\u00e7\u00e3, provocando a f\u00faria de Deus. A segunda, era Princesa Isabel que, com sua luta, conseguiu abolir a escravid\u00e3o no Brasil. A terceira, Maria Bonita, era a mulher de Lampi\u00e3o e lutou na mis\u00e9ria do Sert\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia, vieram Carmen Miranda, Chiquinha Gonzaga, Luz del Fuego, Marilyn Monroe, Evita Per\u00f3n e Madonna que, de diferentes formas, ousaram e revolucionaram o modo da sociedade encarar o universo feminino. A Morada do Samba fez uma apresenta\u00e7\u00e3o bastante correto do ponto de vista est\u00e9tico e tamb\u00e9m errou pouco em quesitos como evolu\u00e7\u00e3o e harmonia. N\u00e3o foi um desfile no n\u00edvel da Rosas de Ouro ou da Nen\u00ea de Vila Matilde, mas havia a expectativa por uma boa classifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/vaivai1998c.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-29791 alignleft\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/vaivai1998c-300x223.jpg\" alt=\"vaivai1998c\" width=\"300\" height=\"223\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/vaivai1998c-300x223.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/vaivai1998c-457x340.jpg 457w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/vaivai1998c.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Depois de perder o t\u00edtulo para a X-9 em 1997, a Vai-Vai chegou pisando forte como sempre para defender o enredo \u201cBanzai, Vai-Vai!\u201d, j\u00e1 com o dia amanhecendo. O samba, se n\u00e3o era inovador e tinha uma melodia muito semelhante \u00e0 sambas de anos anteriores, sacudiu a arquibancada com seu refr\u00e3o: <em>\u201ca\u00ed fiquei maluco \/ no desfile da Vai-Vai \/ sacode, pov\u00e3o, banzai\u201d<\/em>. Mais uma vez, Thobias da Vai-Vai foi fundamental no processo de incendiar a Passarela com mais uma apresenta\u00e7\u00e3o inesquec\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Saracura conseguiu aliar sua for\u00e7a em quesitos de ch\u00e3o \u00e0quele que talvez tenha sido o seu melhor desfile em termos pl\u00e1sticos no Anhembi at\u00e9 ent\u00e3o. O enredo que contava a hist\u00f3ria de um mulato que dormiu, sonhou em ser um Imperador do Jap\u00e3o e acordou no desfile da Vai-Vai foi muito bem desenvolvido e destacou a influ\u00eancia dos orientais na cultura paulistana, lembrando que a Capital Paulista era a cidade de maior concentra\u00e7\u00e3o de japoneses fora do Jap\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sempre impec\u00e1vel bateria de Mestre Tadeu garantiu um bom andamento para o samba que, apesar do agravamento dos problemas no som, foi bem cantado. As fantasias apresentaram muito luxo e impon\u00eancia e representavam muito fielmente o mundo dos orientais. A bateria, por exemplo, veio trajada de \u201cninjas paulistanos\u201d com o rosto todo coberto. A Comiss\u00e3o de Frente apresentou a melhor indument\u00e1ria da noite e uma coreografia impec\u00e1vel. O abre-alas foi de longe o maior da noite, com muitos adere\u00e7os e muitas cores, al\u00e9m de drag\u00f5es alados que soltavam fuma\u00e7a pela Avenida.<a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/vaivai1998.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-29789 alignright\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/vaivai1998-300x200.jpg\" alt=\"vaivai1998\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/vaivai1998-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/vaivai1998.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar do n\u00famero consider\u00e1vel de fot\u00f3grafos espalhados pelas alas da Escola do Povo, a evolu\u00e7\u00e3o foi bastante correta durante quase todo o desfile, mas o n\u00famero excessivo de componentes \u2013 4.600 \u2013 cobrou sua conta. O tempo de desfile ficou curto e, no final, alas tiveram que correr para que a Saracura n\u00e3o estourasse o tempo m\u00e1ximo de desfile. Certamente haveria uma penaliza\u00e7\u00e3o, mas as chances de t\u00edtulo ainda eram muito altas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para encerrar, com o Samb\u00f3dromo ainda lotado e j\u00e1 totalmente iluminado pela luz do dia, a Gavi\u00f5es da Fiel chegou para exaltar \u201ca raz\u00e3o do seu viver\u201d com o enredo \u201cCorinthians, o meu mundo \u00e9 voc\u00ea\u201d, do polon\u00eas Roberto Szaniecki. Apesar do samba n\u00e3o ser dos melhores, a Fiel Torcida foi a \u00fanica que conseguiu repetir a euforia causada pela Nen\u00ea de Vila Matilde nas arquibancadas, que cantaram o samba do primeiro ao \u00faltimo minuto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Szaniecki usou muito do branco, aproveitando-se do hor\u00e1rio do desfile, e foi muito feliz na concep\u00e7\u00e3o e na execu\u00e7\u00e3o de algumas fantasias, que apresentaram um consider\u00e1vel luxo. O desfile, todavia, ficou marcado por muitas falhas no acabamento das alegorias e tamb\u00e9m das fantasias. Algumas alas passaram com muitas fantasias danificadas e os adere\u00e7os de cabe\u00e7a eram privil\u00e9gio de pouco mais da metade dos componentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O enredo, simples, foi desenvolvido mais como um tratado hist\u00f3rico sobre o Corinthians do que como uma declara\u00e7\u00e3o de amor que exaltasse a torcida. A Gavi\u00f5es foi, claro, encaixada no \u00faltimo setor, quando o Tim\u00e3o foi abandonado no enredo, mas, de resto, um passeio r\u00e1pido pelo cen\u00e1rio do futebol paulista em 1910 \u2013 um esporte de elite \u2013 e a import\u00e2ncia do Corinthians no papel de aproximar o povo do esporte. Al\u00e9m, claro, de um passeio pelas gl\u00f3rias e pelas conquistas mais importantes. As falhas na parte pl\u00e1stica tiraram qualquer chance de t\u00edtulo da Gavi\u00f5es que, ali\u00e1s, foi vendo a euforia do p\u00fablico diminuir \u00e0 medida que o desfile avan\u00e7ava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de anos com novatas como Gavi\u00f5es, X-9 e Leandro de Itaquera roubando a cena, o Carnaval de 1998 prometia tr\u00eas velhas advers\u00e1rias na briga ponto a ponto pelo t\u00edtulo: a Vai-Vai desfrutava do maior favoritismo, mas Nen\u00ea de Vila Matilde e Rosas de Ouro tamb\u00e9m eram muito cotadas para levantar a ta\u00e7a, enquanto Camisa Verde e Branco, Mocidade Alegre e Peruche estavam na expectativa por boas coloca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A apura\u00e7\u00e3o come\u00e7ou recheada de surpresas. Por desfilar com 22 baianas a menos que o m\u00ednimo exigido \u2013 50 -, a Gavi\u00f5es foi penalizada em cinco pontos, assim como a X-9, que trouxe os tr\u00eas casais de mestre-sala e porta-bandeira com pavilh\u00f5es oficiais, o que era proibido. A Vai-Vai, mesmo sendo a maior favorita, surpreendeu ao disparar na frente da Nen\u00ea de Vila Matilde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Saracura se sagrou campe\u00e3 com 298,5 pontos de 300 poss\u00edveis, 6,5 a mais que a vice-campe\u00e3, a Nen\u00ea de Vila Matilde. A grande surpresa da apura\u00e7\u00e3o foi o terceiro lugar do Camisa Verde e Branco, que somou 290,5 pontos e ficou \u00e0 frente da Mocidade Alegre e da Gavi\u00f5es da Fiel, que, com 289 pontos, teria sido vice-campe\u00e3 se n\u00e3o tivesse sido punida. A Rosas de Ouro terminou em um inexplic\u00e1vel sexto lugar, logo \u00e0 frente de Unidos do Peruche e Leandro de Itaquera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A X-9 Paulistana terminou em uma decepcionante nona posi\u00e7\u00e3o e l\u00e1 ficaria mesmo se n\u00e3o tivesse sido punida. A X foi salva pela aus\u00eancia de rebaixamento, assim como a Acad\u00eamicos do Tucuruvi, que ficou em \u00faltimo lugar. No Grupo de Acesso, a \u00c1guia de Ouro voltou ao Grupo Especial (havia sido rebaixada em 1997) como campe\u00e3 do Grupo 1, acompanhada da Imperador do Ipiranga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Curiosidades<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Pela primeira e \u00fanica vez desde que come\u00e7ou a transmitir os desfiles, a TV Globo n\u00e3o exibiu o desfile da campe\u00e3 vigente. No caso, a X-9 Paulistana. A emissora carioca teve mais uma vez o narrador Cl\u00e9ber Machado no comando da maratona de desfiles ao lado de Mariana Godoy.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Se o regulamento dos anos anteriores fosse mantido, a X-9 Paulistana teria sido rebaixada para o Grupo 1 um ano depois de ser campe\u00e3 do Grupo Especial. Seria algo in\u00e9dito na hist\u00f3ria do Carnaval Paulistano e que seria concretizado em 2004, quando a ent\u00e3o bicampe\u00e3 Gavi\u00f5es da Fiel caiu para o segundo grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A Acad\u00eamicos do Tucuruvi voltou ao Grupo Especial para, pelo menos at\u00e9 os dias de hoje, n\u00e3o sair mais. O Zaca come\u00e7ou a trilhar uma trajet\u00f3ria de relativo sucesso no primeiro grupo, que ficou marcada por apresenta\u00e7\u00f5es bem melhores do que os resultados obtidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Foi a primeira vez na hist\u00f3ria que a Gavi\u00f5es, enquanto escola de samba, escolheu o Corinthians como enredo. A escola voltaria a abordar o clube que deu origem \u00e0 Torcida em 2010, no centen\u00e1rio do Tim\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Primeiro desfile do Carnavalesco Roberto Szaniecki no Carnaval de S\u00e3o Paulo. Ele seria campe\u00e3o com a pr\u00f3pria Gavi\u00f5es da Fiel em 1999 e com a Imp\u00e9rio de Casa Verde em 2006, al\u00e9m de uma passagem r\u00e1pida pela Tom Maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; O Camisa Verde e Branco foi a \u00faltima escola a posicionar seus carros no Anhembi e, por isso, foi uma das poucas a n\u00e3o ser prejudicada pela chuva que danificou v\u00e1rias alegorias na concentra\u00e7\u00e3o nos dias anteriores ao desfile.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Para um desfile que pretendia falar sobre a destacar as lutas dos negros e a desigualdade que ainda imperava no pa\u00eds, chamou a aten\u00e7\u00e3o a presen\u00e7a marcante de brancos, maioria esmagadora no desfile da Unidos do Peruche.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Primeiro desfile do Carnavalesco Wagner Santos. Depois de sua passagem pela Morada do Samba, ele assinaria belos Carnavais por Unidos de Vila Maria e Acad\u00eamicos do Tucuruvi, onde est\u00e1 atualmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Metade dos enredos que foram apresentados no Carnaval paulistano em 1998 foram ou seriam contados de maneira semelhante na Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed: os piratas da Tucuruvi (Imperatriz 2001), a fotografia do Camisa (Tijuca 2005), a luta dos negros da Peruche (Mangueira 1988), a uni\u00e3o Brasil-Fran\u00e7a da Leandro (Grande Rio 2009) e o Jap\u00e3o da Vai-Vai (Porto da Pedra 2008).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Primeiro ano das chamadas \u201cmesas de pista\u201d no Samb\u00f3dromo. O setor equivale, \u00e0 t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, com as frisas da Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed, com a diferen\u00e7a de que, no mesmo setor, al\u00e9m das mesas para quatro lugares, podem ser compradas tamb\u00e9m cadeiras individuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Foi um Carnaval marcado pela desorganiza\u00e7\u00e3o e pelas cr\u00edticas do p\u00fablico presente no Anhembi. Al\u00e9m do sistema de som ter falhado durante toda a noite, a Liga Independente das Escolas de Samba conseguiu vender, a m\u00f3dicos R$ 4600, vagas em dois camarotes que simplesmente n\u00e3o existiam. Uma confus\u00e3o gigantesca se instalou e virou caso de Pol\u00edcia. Na pista, o locutor oficial foi vaiado v\u00e1rias vezes por explicar porque apresentava a entrada das escolas em tr\u00eas idiomas e porque o portugu\u00eas era o \u00faltimo deles, atr\u00e1s do ingl\u00eas e do espanhol. As arquibancadas, ali\u00e1s, estavam superlotadas e os port\u00f5es foram abertos com atraso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Nos camarotes, a desorganiza\u00e7\u00e3o foi generalizada tamb\u00e9m nos dois mais badalados, o da Prefeitura e o da Rede Globo. O segundo ficou rapidamente cheio e o primeiro teve um inacredit\u00e1vel n\u00famero de quatro mil presentes, o dobro da capacidade. Na confus\u00e3o, o ator e \u201cmuso do Carnaval\u201d Miguel Falabella foi barrado por seguran\u00e7as e PMs do camarote de Celso Pitta mesmo aplicando o manjado \u201cvoc\u00ea sabe com quem est\u00e1 falando?\u201d. A entrada foi liberada por produtores da TV Globo. Vereadores e deputados, por sua vez, conseguiam com apenas um telefonema para o Presidente do Anhembi, a entrada de conhecidos e familiares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A ARM, contratada a 15 dias do desfile para cuidar do som da Passarela, justificou os problemas como uma \u201csabotagem\u201d. \u00c0 \u00e9poca, a empresa realizava quase todos os eventos da Prefeitura e havia vencido a licita\u00e7\u00e3o para fornecer o som do Aut\u00f3dromo de Interlagos no Grande Pr\u00eamio do Brasil de F\u00f3rmula 1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Por falar em Prefeitura, o Prefeito Celso Pitta, mais de um ano ap\u00f3s sua posse, j\u00e1 n\u00e3o desfrutava mais daquele prest\u00edgio de 1997. Na festa da vit\u00f3ria na quadra, o Presidente Sol\u00f3n Tadeu anunciou que Pitta estava a caminho e o Prefeito, que ainda nem tinha chego, foi vaiado por quase todos os seis mil torcedores presentes. Sol\u00f3n implorou: \u201cN\u00f3s temos que mostrar ao Pitta nossa rec\u00edproca porque ele ap\u00f3ia o Carnaval de S\u00e3o Paulo. Quem \u00e9 Vai-Vai aqui? Quem \u00e9 Vai-Vai tem que apoiar o Pitta!\u201d. N\u00e3o funcionou e o Prefeito acabou cancelando a presen\u00e7a alegando ter que participar de \u201cuma reuni\u00e3o important\u00edssima\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>V\u00eddeos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A volta do Camisa Verde e Branco<br \/>\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Dd1MQjvb37s<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O samba da Nen\u00ea<br \/>\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=18o37G7KQ5A<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bom desfile da Rosas de Ouro<br \/>\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=bicdqwqpbXM<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A campe\u00e3 de 1998<br \/>\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=7INTUMSKyyc<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Carnaval de 1997 foi, pela primeira vez, um estrondoso sucesso nacional. 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