{"id":28117,"date":"2014-07-28T12:05:05","date_gmt":"2014-07-28T15:05:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/?p=28117"},"modified":"2014-07-28T09:52:13","modified_gmt":"2014-07-28T12:52:13","slug":"disputa-de-samba-o-futuro-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2014\/07\/disputa-de-samba-o-futuro-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Disputa de Samba &#8211; &#8220;O futuro em S\u00e3o Paulo&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O futuro das disputas de samba-enredo: esse \u00e9 um tema recorrente aqui no Ouro de Tolo. O blog, que tem em seu time compositores, dirigente e amantes de Carnaval em geral, j\u00e1 falou sobre os concursos em v\u00e1rias oportunidades e sempre com o mesmo tom, o de preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Disputa de samba-enredo, no Rio de Janeiro, \u00e9 algo extremamente caro e desgastante para o compositor e que, no caso do Grupo Especial, costuma beneficiar somente as escolas. O resultado \u00e9 que, mesmo ainda sendo um n\u00famero bem razo\u00e1vel, as escolas que recebem muitas obras tem que optar entre, em casos extremos, 50, 55 composi\u00e7\u00f5es sendo que, h\u00e1 at\u00e9 bem pouco tempo, esse n\u00famero facilmente chegava em tr\u00eas d\u00edgitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isso que se fala sobre o Rio de Janeiro tamb\u00e9m podia se aplicar a S\u00e3o Paulo, por\u00e9m em menor escala. As disputas, apesar de nunca terem sido\u00a0muito longas, eram muito custosas para os compositores. Por aqui, cerca de tr\u00eas ou quatro anos atr\u00e1s, eram pouqu\u00edssimas as escolas que recebiam mais que dez ou 12 sambas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma diferen\u00e7a, no entanto, provocou uma mudan\u00e7a: as disputas tamb\u00e9m davam preju\u00edzo para as pr\u00f3prias escolas. O p\u00fablico paulistano tradicionalmente \u00e9 menos adepto ao samba que o carioca, ent\u00e3o as quadras j\u00e1 ficavam mais vazias por natureza. Os custos com toda a estrutura necess\u00e1ria para uma disputa dessas muitas vezes superava o lucro, ou as vezes rendia um lucro m\u00ednimo. Ou seja: estava ruim para todo mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As escolas que passaram por esse problema no Rio de Janeiro costumam adotar dois recursos que, particularmente, n\u00e3o me agradam: um \u00e9 a reedi\u00e7\u00e3o de samba-enredo, que \u00e9 quando a escola leva um samba de outro Carnaval \u2013 e as vezes at\u00e9 de outra escola \u2013 para a Avenida. E o outro \u00e9 a encomenda de samba para determinada parceria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Veja apresenta\u00e7\u00e3o na Rosas de Ouro<br \/>\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=BUHK9d4JY50<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema que as duas escolhas tem em comum \u00e9 que acabam com a Ala de Compositores da escola. No primeiro, a escola n\u00e3o precisa de samba porque o enredo reeditado j\u00e1 vem com um. No segundo, ou a agremia\u00e7\u00e3o escolhe um grupo de compositores consagrados na pr\u00f3pria escola ou um sambista famoso. Em todos os casos, n\u00e3o h\u00e1 renova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, as escolas que usem desse tipo de artif\u00edcio com frequ\u00eancia \u2013 como a Tradi\u00e7\u00e3o e, agora, Renascer e Uni\u00e3o de Jacarepagu\u00e1 \u2013 v\u00e3o, aos poucos, matando sua ala de compositores porque, ainda mais hoje em dia, quando a\u00a0internet e o fim das disputas fechadas para quem \u00e9 de fora facilitam essas coisas, os compositores antigos v\u00e3o arrumando outros lugares para compor e os novos come\u00e7am em outro lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, em S\u00e3o Paulo, come\u00e7ou a acontecer um fen\u00f4meno interessante, que considero um meio-termo entre as desgastantes disputas de quadra e o assassinato da ala de compositores: a audi\u00e7\u00e3o interna. Acredito que, ainda mais com o interc\u00e2mbio recente entre compositores, diretores e Carnavalescos das duas pra\u00e7as, isso em breve comece a acontecer no Rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Basicamente, consiste nos compositores fazerem seus sambas, gravarem em CD, mandarem para a escola e aguardarem o resultado. Ou, na maioria dos casos, esperar a agremia\u00e7\u00e3o escolher tr\u00eas ou quatro para fazer uma final. Assim, o custo da disputa se resume na grava\u00e7\u00e3o \u2013 que, aqui, dificilmente chega na casa dos dois mil reais \u2013 e em uma apresenta\u00e7\u00e3o na quadra se o seu samba for finalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se eu n\u00e3o me engano, quem come\u00e7ou a fazer isso foi a Mancha Verde e j\u00e1 tem algum tempo. Como a escola nunca teve uma quadra grande, optou alguns anos por encomendar sambas e, em outros, escolheu atrav\u00e9s do CD. Em 2012, a \u201cfinal\u201d foi no programa No Mundo do Samba e, esse ano, na nova quadra, com tr\u00eas obras inscritas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a situa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a mudar mesmo em 2012, quando a Acad\u00eamicos do Tatuap\u00e9 levou todos os seis sambas que recebeu para a quadra e, em uma \u00fanica apresenta\u00e7\u00e3o, escolheu o que iria para a Avenida em 2013. O excelente samba sobre Beth Carvalho garantiu a manuten\u00e7\u00e3o da escola no Grupo Especial e a\u00ed a escola repetiu a dose.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A facilidade do formato e a redu\u00e7\u00e3o de custos provocaram um estratosf\u00e9rico n\u00famero de 21 sambas inscritos no concurso para 2014. Como a escola n\u00e3o divulga o nome dos autores, \u00e9 complicado saber, mas posso dizer que a dupla formada por Lequinho\u00a0e\u00a0Junior Fionda e a parceria dos insulanos M\u00e1rcio Andr\u00e9 e seu filho participaram do concurso. Isso sem falar na maioria dos grandes autores paulistanos. Porque, aqui, ainda h\u00e1 essa facilidade: um mesmo compositor pode assinar samba em quantas escolas quiser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mesmo ano de 2013, o Morro da Casa Verde e a Imperador do Ipiranga, duas escolas que sofriam com o n\u00famero pequeno de obras recebidas, nem final fizeram. Receberam, ouviram, divulgaram o vencedor. A Colorado do Br\u00e1s ouviu, classificou quatro para uma final na quadra e escolheu. Enquanto isso, muitas outras tinham que se virar com seis ou sete sambas que nem sempre eram dos melhores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ent\u00e3o, em 2014 o fen\u00f4meno explodiu. Mancha Verde, Tom Maior, Imp\u00e9rio de Casa Verde e Tatuap\u00e9: quatro das 14 escolas do Grupo Especial j\u00e1 confirmaram essa op\u00e7\u00e3o (a primeira j\u00e1 escolheu o seu, enquanto Tom Maior e Tatuap\u00e9 v\u00e3o fazer suas finais em breve). No acesso, a P\u00e9rola Negra (que s\u00f3 recebeu tr\u00eas sambas, ent\u00e3o deu quase na mesma) j\u00e1 fez essa op\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 prov\u00e1vel que Colorado, Morro e Imperador mantenham a decis\u00e3o do \u00faltimo ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora vejam qual a grande vantagem desse formato: o n\u00famero das obras e, consequentemente, a qualidade da mesma, cresce e cresce muito. No Rio, ter 30 sambas ou 110 n\u00e3o faz muita diferen\u00e7a, talvez, j\u00e1 que os outros 80 podem ser ruins, mas de sete para 22, amigo, ah, faz. Veja s\u00f3 alguns exemplos de compositores que participaram da disputa na Mancha:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Lequinho, J\u00fanior Fionda, Igor Leal, Paulinho Miranda (multicampe\u00f5es na Mangueira), Turko e Maradona (consagrados na Tom Maior e na Imperador do Ipiranga);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; M\u00e1rcio Andr\u00e9 Filho (Ilha, Imp\u00e9rio da Tijuca, Alegria da Zona Sul&#8230;) e Vaguinho (int\u00e9rprete da Tatuap\u00e9, compositor do \u00faltimo samba do Imp\u00e9rio da Tijuca e renomado em S\u00e3o Paulo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Lucas Donato (jovem compositor do Imp\u00e9rio Serrano que tem feito samba com o Arlindo Cruz);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Samir Trindade e Elson Ramires (bom hist\u00f3rico em Beija-Flor, Imp\u00e9rio da Tijuca e Portela);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Djalma Falc\u00e3o e Roger Linhares (Uni\u00e3o da Ilha);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Silas Augusto e Marcelo Casa Nossa (o primeiro j\u00e1 ganhou samba na Unidos da Tijuca e ano passado faturou tr\u00eas em S\u00e3o Paulo; o segundo tamb\u00e9m ganha sambas com algum frequ\u00eancia \u2013 essa foi a parceria vencedora);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Rafa do Cavaco e Juninho Berin (esses ganham poucos, mas fazem um barulho danado com suas obras, que costumam fazer sucesso);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Arm\u00eanio Poesia e Xandinho Nocera (talvez os dois maiores vencedores da cidade em tempos recentes);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Celsinho Mody e L\u00e9o Reis (outros que j\u00e1 ganharam algumas vezes, principalmente no Imp\u00e9rio de Casa Verde);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Vitor Gabriel, Rodrigo Minuetto, Rodolfo Minuetto e Tomageski (de cabe\u00e7a, me lembro de vit\u00f3rias em Leandro de Itaquera, Tatuap\u00e9, Colorado do Br\u00e1s, Imp\u00e9rio de Casa Verde, Tom Maior e na pr\u00f3pria Mancha);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Veja o samba campe\u00e3o da Rosas de Ouro<br \/>\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=whekbrlKdoM<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu particularmente nunca vi uma disputa em t\u00e3o alto n\u00edvel. A Tom Maior tamb\u00e9m contou com muitos desses grupos e acredito que isso se repita em todas. Esse formato tem um problema e acredito que o leitor mais atento j\u00e1 tenha notado: nem sempre o melhor samba no CD \u00e9 o melhor na quadra. E, por consequ\u00eancia, quem n\u00e3o investe em uma boa grava\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o tem dinheiro nem pra isso, sai muito atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 por isso que eu penso que o melhor formato \u00e9 o adotado pela Drag\u00f5es da Real. A escola classifica cinco sambas atrav\u00e9s do CD \u2013 dificilmente uma escola tem mais que isso de sambas de alto n\u00edvel \u2013 e faz tr\u00eas ou quatro semanas de Eliminat\u00f3rias. Os custos acabam ficando um pouco maiores, mas penso que \u00e9 o ideal. N\u00e3o fica um custo estratosf\u00e9rico, \u00e9 r\u00e1pido, disputado s\u00f3 por aqueles que de fato podem ir para a Avenida e n\u00e3o se deixa enganar por uma boa grava\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De todo modo, poder emplacar um samba no Grupo Especial gastando menos de 10 mil reais parece ser imposs\u00edvel no Rio de Janeiro. Em S\u00e3o Paulo, j\u00e1 \u00e9 uma realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>[N.do.E.: <a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2014\/07\/disputa-de-samba-as-novas-formas-de-escolha\/\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff6600;\">ao contr\u00e1rio do informado no primeiro texto da s\u00e9rie<\/span><\/a>, a Portela n\u00e3o foi a primeira escola do Grupo Especial a receber seus sambas. Salgueiro e Imperatriz o fizeram ontem e hoje a Vila Isabel recebe suas composi\u00e7\u00f5es. PM]<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O futuro das disputas de samba-enredo: esse \u00e9 um tema recorrente aqui no Ouro de Tolo. 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