{"id":22323,"date":"2014-01-23T14:00:21","date_gmt":"2014-01-23T16:00:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/?p=22323"},"modified":"2014-01-23T14:12:35","modified_gmt":"2014-01-23T16:12:35","slug":"457-portugal","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2014\/01\/457-portugal\/","title":{"rendered":"457: &#8220;Um pequeno olhar sobre Portugal&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Temos a estreia de uma nova coluna no Ouro de Tolo: a \u201c457\u201d (refer\u00eancia a uma linha de \u00f4nibus carioca), <strong>assinada pelo professor e dramaturgo Rafael Cal<\/strong>. Ela ser\u00e1 mensal e na estreia o colunista conta um pouco de Portugal, pa\u00eds visitado pelo autor em suas f\u00e9rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><em><strong>Um pequeno olhar sobre Portugal<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O c\u00e9u estava azul. N\u00e3o um azul habitual aos meus olhos. N\u00e3o o azul do c\u00e9u azul inconfund\u00edvel do Rio de Janeiro que vi, novamente, ao desembarcar no Gale\u00e3o 30 dias depois. E o azul e sol do c\u00e9u de l\u00e1 enganavam: fazia frio. Muito frio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pela primeira vez, visitava a terra dos meus pais. Ser brasileiro e filho de portugueses, meu caso e de tantos outros, \u00e9 carregar a eterna sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento a dois mundos completamente distintos e umbilicalmente ligados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estava na esta\u00e7\u00e3o de trem havia dez minutos. Um turista, em Lisboa, tentando, em v\u00e3o, passar despercebido. Por l\u00e1 havia uma semana, tentava mimetizar certos comportamentos. \u00c0s vezes, por\u00e9m, o olhar se perdia em tantas cores, tantas coisas, tantas gentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cen\u00e1rio, ao fundo, lindo. Um aqueduto, casinhas brancas, algumas coloridas. Depois, viria a descobrir que estava numa regi\u00e3o considerada problem\u00e1tica da cidade, com altos \u00edndices de viol\u00eancia. A esta\u00e7\u00e3o, nem tanto. Um pouco suja e ligeiramente abandonada. De tempos em tempos, a voz feminina do alto-falante anuncia os comboios e os hor\u00e1rios. Lembrava um pouco alguma esta\u00e7\u00e3o mais afastada da Supervia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o havia funcion\u00e1rios. Na verdade, um seguran\u00e7a, que parece meio apressado na hora do almo\u00e7o, e uma senhora varrendo o ch\u00e3o no andar t\u00e9rreo, longe das plataformas. Ela, terceirizada; ele, talvez. Os guich\u00eas, esses estavam fechados mesmo. Nem vulto. Bilhetes, s\u00f3 nas m\u00e1quinas. Informa\u00e7\u00f5es, num mapa afixado em um mural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/20131204_120808.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-22325\" alt=\"20131204_120808\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/20131204_120808-300x225.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/20131204_120808-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/20131204_120808-453x340.jpg 453w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/20131204_120808.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Os rostos se multiplicavam. E a plataforma se tornava um conjunto bastante heterog\u00eaneo. Rostos, cabelos, casacos. Muitos africanos, asi\u00e1ticos e at\u00e9 portugueses. Todos muito bonitos. A constru\u00e7\u00e3o estereotipada causa essa surpresa, pensei. A verdade \u00e9 que nem todas tem a cara da v\u00f3 Maria e nem todos s\u00e3o carecas, usam bigode e guardam o l\u00e1pis atr\u00e1s da orelha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, eram muito bonitos. Em todos os lugares por onde passei. Uma beleza, por\u00e9m, diferente da brasileira. Talvez seja a nossa miscigena\u00e7\u00e3o. Ou pode ser o frio deles. Eram muitos casacos, gorros, cachec\u00f3is. As curvas se perdem, a ginga tamb\u00e9m. Sim, certamente, h\u00e1 uma ginga portuguesa, ainda que eles n\u00e3o saibam, ainda que n\u00e3o seja uma ginga <i>stricto sensu<\/i>. H\u00e1, e salta aos olhos, um charme t\u00edpico do lugar. Todos diziam: voc\u00ea precisa vir aqui no ver\u00e3o. Pois \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltando a esta\u00e7\u00e3o, j\u00e1 eram quase trinta minutos esperando. Disse pra mim mesmo que s\u00f3 seriam poss\u00edveis duas explica\u00e7\u00f5es: um acidente grave ou o Metr\u00f4 Rio estava operando a CP (empresa respons\u00e1vel pelo trem urbano que ia pegar). A voz que saiu do alto-falante respondeu: n\u00e3o era o Metr\u00f4 Rio. Segundo a informa\u00e7\u00e3o, um acidente com v\u00edtimas fatais causava o transtorno e tudo estaria funcionando normalmente em breve. Para alguns destinos, j\u00e1 eram 45, 50 minutos de espera. As pessoas pareciam resignadas. Sentaram-se, alguns no ch\u00e3o mesmo, e permaneceram esperando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inquieto, decidi encontrar outra maneira de chegar ao meu destino; n\u00e3o estava com muita disposi\u00e7\u00e3o para esperar mais. Essa outra maneira passava pela necessidade de abrir um mapa no meio da plataforma. Tentei me esconder um pouquinho, movimentos curtos pra evitar o rid\u00edculo de me enrolar com o mapa. Certeza que foi em v\u00e3o: todos devem ter percebido o sujeito meio desajeitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em meu mapa, no entanto, n\u00e3o havia indica\u00e7\u00e3o do lugar pra onde deveria ir. Procurei umas cinco ou seis vezes. Nada. No mesmo dia, mais tarde, ficaria claro que o mapa que estava usando tinha alguns probleminhas com propor\u00e7\u00f5es e posi\u00e7\u00f5es. Nada grave.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de guardar o mapa, ainda naquela tentativa de parecer um <i>local<\/i>, me aproximei do mapa afixado no mural da plataforma. Procurei. Tamb\u00e9m n\u00e3o estava l\u00e1. Achei, por um segundo, que algu\u00e9m tinha me sacaneado. No caso, o seguran\u00e7a da esta\u00e7\u00e3o atrasado para o almo\u00e7o que teria se divertido me mandando para um lugar que n\u00e3o existia. Ou talvez tivesse entendido errado, sei l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a voz voltou, informando o atraso, dentre muitos outros, do trem que ia justamente para o lugar que eu deveria ir e que n\u00e3o encontrava no mapa. Repetiu a not\u00edcia do acidente. Decidi sair da esta\u00e7\u00e3o e tomar um \u00f4nibus. Afinal, tem sempre um 638 (adapte para o \u00f4nibus da sua cidade famoso por dar voltas intermin\u00e1veis por todos os bairros) para se tomar por a\u00ed e descer no lugar que a gente precisa.<a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/20131209_203540.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-22326\" alt=\"20131209_203540\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/20131209_203540-453x340.jpg\" width=\"453\" height=\"340\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/20131209_203540-453x340.jpg 453w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/20131209_203540-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/20131209_203540.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 453px) 100vw, 453px\" \/><\/a>Saindo da esta\u00e7\u00e3o, incomodava a falta de pessoas no caminho. Havia apenas uma senhorinha, de quem me aproximei e perguntei pelo n\u00famero do \u00f4nibus que deveria tomar. Bem pequena, \u00f3culos fundos, aros grossos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Me olhou inteiro e perguntou, afirmando, se era brasileiro. Balancei a cabe\u00e7a, sorrindo. Percebe-se, n\u00e3o sabem lidar com frio, v\u00eam pra c\u00e1 de algod\u00e3o, tens que usar l\u00e3, disse. N\u00e3o adiantou dizer que estava com uma blusa e dois casacos. Ela seguiu reprovando, falando do vizinho brasileiro, h\u00e1 oito em Portugal, que teve uma hipotermia. \u00c9 preciso estar atento ao frio, concluiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concordei com ela e acreditei ter perdido o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o por n\u00e3o estar adequadamente vestido para encarar o frio. Mas, com um gesto de m\u00e3o, ela pediu que eu a acompanhasse. Ia pegar o mesmo caminho que eu e ficamos esperando o \u00f4nibus. No ponto, lotado, desandou a falar. Chamava-se Adelaide e era professora de filosofia aposentada. Por ela, descobri que, al\u00e9m do problema nos trens, os motoristas de \u00f4nibus e de bonde estavam em greve. Era a explica\u00e7\u00e3o pro ponto cheio. \u00c9 a crise, ela emendou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali entrava uma palavra que se tornaria recorrente durante o m\u00eas que passei por l\u00e1. Outdoors, placas e cartazes nas ruas, manifesta\u00e7\u00f5es, greves, minicom\u00edcios, coment\u00e1rios nos caf\u00e9s, dureza nas entrevistas dos deputados do PS na tv, charges pouco delicadas sobre a Troika. Sem contar os reflexos: muitos mendigos e muitos jovens pedindo doa\u00e7\u00f5es para projetos sociais; no metr\u00f4, mensagens positivas e uma campanha para aumentar a autoestima; nos \u00f4nibus, em todos, a mesma propaganda sobre a loteria de fim de ano.<a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/DSC02252.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-22328\" alt=\"DSC02252\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/DSC02252-453x340.jpg\" width=\"453\" height=\"340\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/DSC02252-453x340.jpg 453w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/DSC02252-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 453px) 100vw, 453px\" \/><\/a>Foi um suic\u00eddio, a senhorinha disse. N\u00e3o entendi e ela explicou que o aviso dado pelo sistema de som da esta\u00e7\u00e3o de trem era o padr\u00e3o para suic\u00eddios. E que j\u00e1 era o segundo que ela tomava conhecimento naquele dia. Insisti no assunto e perguntei sobre a exist\u00eancia de estat\u00edsticas. Ela rebateu dizendo que n\u00e3o era necess\u00e1rio, bastava perguntar e a maioria dali provavelmente conhecia algum caso recente. N\u00e3o pude confirmar, mas encaixava no que ouvia dela e no que ouvi e vi no tempo que passei no pa\u00eds. Foi dela, por\u00e9m, a fala mais contundente de todas as coisas ouvidas. Desemprego cresce, a economia piora, o rem\u00e9dio, disse se referindo ao FMI\/Troika, n\u00e3o faz efeito. As pessoas est\u00e3o no limite e n\u00e3o h\u00e1 mais esperan\u00e7a. N\u00e3o se pode exigir mais nada.N\u00e3o se pode exigir mais nada. Foi a frase mais contundente que ouvi de algu\u00e9m por l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Demorei quatro horas pra fazer um caminho que durava, em m\u00e9dia, 40 minutos. Mas, de alguma forma, valeu. No \u00f4nibus, a senhorinha se foi e fiquei observando tudo com mais aten\u00e7\u00e3o. Pela janela, as ruas do sub\u00farbio de Lisboa. Como o sub\u00farbio do Rio, com mais casacos e menos ginga. Dentro, os rostos. Multicoloridos. Bonitos. E envelhecidos. Quem sabe, Copacabana, o Ver o Peso, a pelada no fim de semana, o ensaio da Portela, o churrasco, a festa no quintal, o mocot\u00f3 no boteco, a rua e s\u00f3 a rua pudesse amenizar aquele sofrer e aquele cansa\u00e7o. Porque era isso, aquela velhice nos rostos mais jovens era isso, era a desesperan\u00e7a. Efeito da crise, o fardo da crise, um fado silencioso no semblante dos portugueses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensei em n\u00f3s, brasileiros. No quanto somos diferentes dos portugueses. Talvez seja Copacabana, o Ver o Peso, a pelada no fim de semana, o ensaio da Portela, o churrasco, a festa no quintal, o mocot\u00f3 no boteco, a rua. Talvez. \u00c9 s\u00f3 a impress\u00e3o de um turista, n\u00e3o um tratado sociol\u00f3gico. Mas, tamb\u00e9m, no quanto somos parecidos com os portugueses. No quanto esquecemos, dos dois lados, que somos parecidos e que temos tanto passado e tantos passados em comum. Quando os ouvia perguntando se eu iria aproveitar pra ir \u00e0 Europa, como se Portugal n\u00e3o fosse Europa, era imposs\u00edvel n\u00e3o pensar em n\u00f3s, brasileiros, nos referindo \u00e0 Am\u00e9rica Latina.<a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/20131211_170327.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-large wp-image-22327\" alt=\"20131211_170327\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/20131211_170327-255x340.jpg\" width=\"255\" height=\"340\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/20131211_170327-255x340.jpg 255w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/20131211_170327-225x300.jpg 225w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/20131211_170327.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 255px) 100vw, 255px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi muito interessante ver um pa\u00eds ao mesmo tempo t\u00e3o semelhante e t\u00e3o diferente das mem\u00f3rias inventadas. Foi bom ver que Portugal \u00e9 um pa\u00eds que se sofisticou e que atrai turistas de todos os cantos. Mas que, infelizmente, ainda n\u00e3o se deu conta da beleza absurda do seu rio Tejo, a ponto de estamp\u00e1-lo por todos os cantos do mundo, vendendo-o como uma esp\u00e9cie de Ba\u00eda de Guanabara lusitana. Foi bom ver os jovens e esquecer as velhinhas t\u00edpicas personagens de document\u00e1rios, que existem tamb\u00e9m, claro, mas dividem o espa\u00e7o com uma gente cheia de vigor e disposi\u00e7\u00e3o. O problema \u00e9 a crise, uma crise de confian\u00e7a, a desesperan\u00e7a desses jovens, sem saber muito por que caminho seguir. Foi bom ver que o pa\u00eds tem se miscigenado nos \u00faltimos anos. Mas foi triste ver os guetos tamb\u00e9m. Qualquer semelhan\u00e7a, com o Brasil de hoje ou de 20 anos atr\u00e1s, como disse, n\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 razo\u00e1vel olhar com tristeza para a pol\u00edtica de bem estar social deles que come\u00e7a a falhar, pra politica de austeridade e submiss\u00e3o que o pa\u00eds tem adotado. Pras lojas vazias e pros comerciantes a espera de um <i>Deus ex machina<\/i> que chegue pra comprar tudo, aquecer a economia, gerar empregos e solucionar os problemas econ\u00f4micos e sociais. S\u00f3 resta pensar que isso pode servir de alerta, que o Brasil possa construir bases mais s\u00f3lidas pros direitos e conquistas, mas que os avan\u00e7os n\u00e3o parem. Que o outro ensine alguma coisa com seus tempos duros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E foi pensando em tudo isso que cheguei ao meu ponto e desci. O \u00f4nibus seguiu e, eu, a partir dali, submergi no mundo perfeito dos turistas em que tudo funciona e entrei no Mosteiro dos Jer\u00f4nimos. L\u00e1 dentro, pensava ainda sobre os rostos e sobre o pa\u00eds. E que talvez Dom Sebasti\u00e3o (supostamente enterrado ali, coisas de Portugal) pudesse retornar para resolver tudo aquilo. O pensamento, no entanto, n\u00e3o demorou na cabe\u00e7a. Mesmo porque as respostas n\u00e3o est\u00e3o mais no passado. Se h\u00e1 um caminho para Portugal, certamente, est\u00e1 no futuro, no que se far\u00e1 dele e na vaz\u00e3o que dar\u00e3o aos sonhos de toda uma juventude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma juventude que hoje \u00e9 triste e envelhecida. Mas que deseja ser alguma coisa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Temos a estreia de uma nova coluna no Ouro de Tolo: a \u201c457\u201d (refer\u00eancia a uma linha de \u00f4nibus carioca), assinada pelo professor e dramaturgoTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":27,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[493],"tags":[58,51,115,6],"class_list":["post-22323","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-493","tag-economia","tag-politica-internacional","tag-viagens","tag-vida-cotidiana"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22323","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/27"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22323"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22323\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22360,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22323\/revisions\/22360"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22323"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22323"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22323"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}