{"id":21796,"date":"2014-01-11T09:35:38","date_gmt":"2014-01-11T11:35:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/?p=21796"},"modified":"2014-01-11T13:53:02","modified_gmt":"2014-01-11T15:53:02","slug":"buraco-da-fechadura-o-buraco-da-fechadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2014\/01\/buraco-da-fechadura-o-buraco-da-fechadura\/","title":{"rendered":"Buraco da Fechadura &#8211; &#8220;O Buraco da Fechadura&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><!--[if gte mso 9]&gt;--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste s\u00e1bado, o \u00faltimo conto da s\u00e9rie &#8220;Buraco da Fechadura&#8221;, <strong>do compositor Aloisio Villar<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><em><strong>O Buraco da Fechadura<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aloisio era um cara normal como outro qualquer. Sem superpoderes, n\u00e3o era gal\u00e3 de cinema, o craque da bola, nada disso. Era uma pessoa comum. Filho \u00fanico de pais separados passou sua inf\u00e2ncia na Ilha do Governador, bairro da cidade do Rio de Janeiro sendo criado pela m\u00e3e e pela av\u00f3. T\u00edmido, nunca foi de ter muitas amizades na inf\u00e2ncia, apenas alguns amigos no col\u00e9gio e na rua em que morava.Odiava brincar na rua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a sua m\u00e3e queria puni-lo mandava para fora de casa para brincar e o pobre menino ficava no port\u00e3o querendo entrar. Era p\u00e9ssimo em todos os esportes e com as meninas, muitas vezes vendo as que gostava nos bra\u00e7os de algum amigo ou de algu\u00e9m que n\u00e3o gostava. Era triste sua sina\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acabava tendo a imagina\u00e7\u00e3o como v\u00e1lvula de escape. Como eu j\u00e1 disse era filho \u00fanico e solit\u00e1rio ent\u00e3o usava um boneco do homem aranha que tinha para criar hist\u00f3rias. Entrava assim em um mundo paralelo onde ele comandava as a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o tempo come\u00e7ou a escrever hist\u00f3rias em quadrinhos sobre os programas de televis\u00e3o que gostava e brincava de fazer m\u00fasicas com os amigos. J\u00e1 adolescente come\u00e7ou a escrever pequenos roteiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Descobriu assim uma forma de interagir com as pessoas de sua idade e chegar nas meninas. Era muito bom em reda\u00e7\u00e3o, criava hist\u00f3rias e o restante da turma gostava, ria, pela primeira vez Aloisio chamava a aten\u00e7\u00e3o de outras pessoas sem ser como p\u00e9ssimo jogador de futebol ou tirando zero em geometria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O menino cresceu, se tornou adulto em meio a hist\u00f3rias e m\u00fasicas que criava e descobriu um modo sui generis de mostrar que sabia escrever. Virou compositor de samba-enredo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ningu\u00e9m que convivera com o Aloisio, aquele garoto t\u00edmido, desajeitado que n\u00e3o sabia nem batucar em uma caixa de f\u00f3sforos pudesse virar sambista, mas ele virou e com relativo sucesso \u2013 sendo autor de v\u00e1rios sambas para o carnaval carioca e ganhando pr\u00eamios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 n\u00e3o mudou a sua total falta de aptid\u00e3o com as mulheres. Parou de tomar tantos \u201cn\u00e3os\u201d como tomava quando era crian\u00e7a e adolescente, mas a\u00ed o problema foi o contr\u00e1rio. Muitos \u201csims\u201d que recebeu lhe trouxeram dores de cabe\u00e7a e Aloisio pulava de \u201cgalho em galho\u201d n\u00e3o conseguindo amadurecer emocionalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Intenso, rom\u00e2ntico, carinhoso, surpreendente, am\u00e1vel, um pr\u00edncipe encantado \u00e0s vezes, um grande canalha nas outras, contradit\u00f3rio at\u00e9 a alma, apaixonado, apaixonante, desprez\u00edvel, repugnante, maravilhoso, nojento, encantador\u2026 Uma pessoa comum com muitas qualidades e defeitos tendo como maior defeito a voca\u00e7\u00e3o para o suic\u00eddio emocional: fazer mal a si mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aloisio parecia um de seus personagens com todo amor sufocante no peito e desvio de regras e condutas que eles t\u00eam. Seus personagens t\u00eam vida pr\u00f3pria e viram fantasmas lhe rondando como costelas que lhe foram tiradas pra ganhar vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E foi dessa forma que o escritor virou personagem do \u00faltimo conto do livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O homem por traz do buraco da fechadura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De tanto Aloisio aprontar a vida aprontou com ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sempre se achou muito esperto, a intelig\u00eancia em pessoa, mas foi pego \u201cno pulo\u201d em sua \u00faltima rela\u00e7\u00e3o e foi abandonado sem len\u00e7o, sem documento e apaixonado por mais contradit\u00f3rio que possa parecer ferir quem se ama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas era assim que ele se sentia e n\u00e3o se conformava com o fim. Por quase dois anos tentou de tudo para reatar com sua \u00faltima namorada. Fez declara\u00e7\u00f5es de amor, enviou flores, poesias, m\u00fasicas, fez v\u00eddeos, foi at\u00e9 sua cidade, deu pirueta, salto mortal\u2026 S\u00f3 n\u00e3o engoliu espadas porque pegaria mal. Fez de tudo e deu tudo errado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabem o que \u00e9 insistir no imposs\u00edvel dois anos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois \u00e9, ele fez isso e sinceramente n\u00e3o sabemos quando algo deixa de ser for\u00e7a de vontade, luta, pra ser burrice, insanidade e Aloisio n\u00e3o sabia esse limite. Foram dois anos de desgastes dele, da mo\u00e7a e muitas vezes ele mesmo n\u00e3o ag\u00fcentava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7ou a sofrer um bloqueio mental. N\u00e3o conseguia escrever mais nada, livros, colunas para um blog que tinha espa\u00e7o aos domingos, m\u00fasicas, mal era capaz de formular uma frase pra escrever no twitter!! E chegava a \u00e9poca das disputas de samba-enredo, sua parceria contava com ele para ajudar a fazer a letra do samba, mas estava dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E mais uma vez teve uma conversa desgastante com ela na internet onde teve que engolir uma declara\u00e7\u00e3o sua que ele n\u00e3o devia ter ambi\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a ela. Engoliu calado e quando ela se despediu sua vontade foi de destruir seu quarto a golpes de kung fu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o fez isso: decidiu sair de casa e dar um volta. Pensou na conversa recente, em todas as conversas que tiveram ao longo de quase dois anos, pensou se n\u00e3o seria melhor se falarem pessoalmente e finalmente resignado desistiu, chegando a conclus\u00e3o que por mais que se falassem ele nunca conseguiria falar tudo que sentia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acabou parando no \u201cPeix\u00e3o\u201d, um lugar de baixo meretr\u00edcio perto de sua casa. Um puteiro, para os \u00edntimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegou l\u00e1 e algumas mulheres lhe ofereceram prazer em troca de um punhado de dinheiro, mas Aloisio estava t\u00e3o carente, t\u00e3o com baixa estima que s\u00f3 pagaria naquela noite por um elogio. N\u00e3o se interessou por nenhuma delas e sentou perto do balc\u00e3o. O atendente lhe cumprimentou e perguntou: \u201coi Aloisio, guaran\u00e1?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aloisio se sentiu incomodado por um atendente de puteiro lhe conhecer t\u00e3o bem e pensou em mudar o pedido, mas sem criatividade alguma confirmou o pedido do guaran\u00e1 que j\u00e1 foi lhe entregue com canudo, que era o jeito que ele sempre bebia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De repente uma mulher se aproximou dele e pediu um real para colocar m\u00fasica. Ele sem olhar a mo\u00e7a perguntou se ela colocaria funk e ela respondeu que n\u00e3o. Agradecido ele deu a moeda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mulher foi at\u00e9 a junkie Box e colocou \u201cNever can say goodbye\u201d na voz de Gloria Gaynor. Aloisio finalmente olhou para a mulher e disse que gostava dessa m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela respondeu que sabia, pois dava nome a um de seus contos. Aloisio respondeu que era verdade, bebeu um gole de guaran\u00e1 e depois se tocou perguntando \u201cque conto?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mulher sentou a sua frente e respondeu que era uma das hist\u00f3rias do livro de contos que ele escreveria. Aloisio riu e respondeu que n\u00e3o estava escrevendo nenhum livro de contos, ela contou que ele come\u00e7aria naquela noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aloisio respondeu que seria imposs\u00edvel, estava com bloqueio criativo e acabara de ter uma conversa ruim com uma ex namorada. A mulher bebeu um gole de seu guaran\u00e1 e disse \u201csim, a Bia eu sei\u2026 E n\u00e3o precisa contar a hist\u00f3ria n\u00e3o que j\u00e1 est\u00e1 todo mundo cansado de saber e inclusive voc\u00ea a utilizou em um conto que se passava na rodovi\u00e1ria de S\u00e3o Paulo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aloisio olhava espantado a mulher, que completou: \u201cinclusive voc\u00ea usou o nome Bia em dois contos, est\u00e1 na hora de voc\u00ea ser menos previs\u00edvel\u2026 Voc\u00ea \u00e9 previs\u00edvel demais pro ego que tem\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mulher ia se retirando do local quando Aloisio perguntou seu nome. Ela virou e disse que se chamava Bia\u2026 Rafaela, Michele, Vivian, Thais, Alice\u2026 O nome que ele quisesse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aloisio riu e falou que esses eram nomes de ex namoradas suas e se pudesse lhe chamar por um nome seria Emanuelle como a dos filmes do \u201cCine Priv\u00ea\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mulher que j\u00e1 se retirara voltou e disse que ele tinha usado o nome Emanuelle em um conto com o mesmo argumento. Ela balan\u00e7ou a cabe\u00e7a negativamente e criticou \u201cprevis\u00edvel demais\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Saiu e voltou de novo pra falar: \u201colha, para de falar e escrever sobre seus defeitos pra dizer que \u00e9 uma pessoa comum e assim as pessoas te acharem o m\u00e1ximo por admitir que erra, isso s\u00f3 \u00e9 mais um defeito\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rapaz foi pra casa atormentado com todas aquelas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entrou na internet um pouco e decidiu dormir. Ao acordar abriu o computador para ver se escrevia algo quando notou um arquivo novo chamado \u201cburaco da fechadura\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esfregou os olhos para ver se era isso mesmo e era. Abriu o arquivo e tinha um conto ali escrito sobre um rapaz chamado Rodrigo, noivo, que se apaixonara por uma prostituta e o nome do conto era \u201cAmor, estranho, amor\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Espantando se dizia \u201ceu n\u00e3o escrevi isso\u201d. Pensou em chamar a Bia na internet para contar o que ocorrera, mas deixou pra l\u00e1. Lembrou que tinha sonhado com algo parecido, mas n\u00e3o lembrava de ter escrito e ficou pensando \u201cser\u00e1 que eu estava com tanto sono ao escrever que n\u00e3o lembro?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E no dia seguinte ao acordar tinha mais um conto e foi assim dia ap\u00f3s dia sem interrup\u00e7\u00f5es, sonhava com hist\u00f3rias e quando ia ver estavam no papel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teve uma noite que decidiu n\u00e3o dormir. Cheio de sono ficou acordado para ver se algo ocorria e toda hora olhava o livro para ver se algum conto novo surgia e nada. Decidiu tomar um banho e ao voltar ouviu um choro na televis\u00e3o. Quando olhou se viu na tv abra\u00e7ado a um notebook dentro de um \u00f4nibus inter estadual e chorando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o entendeu nada, abriu o arquivo e l\u00e1 estava o conto sobre um menino que se apaixonou ao passar f\u00e9rias em Curitiba. Fechou o computador assustado e pensou em ir a uma rezadeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conseguiu se desligar daquele mist\u00e9rio escrevendo o samba-enredo pra Uni\u00e3o da Ilha. Pelo menos aquela hist\u00f3ria estranha serviu para algo: o seu bloqueio sumira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o contou para ningu\u00e9m aquela situa\u00e7\u00e3o, nem mesmo para a Bia que era a pessoa que mais confiava, mas desde a hist\u00f3ria da ambi\u00e7\u00e3o ia se afastando aos poucos dele. Pensou em contar a algumas pessoas, mas pensariam que ele estivesse louco e pensariam com raz\u00e3o porque at\u00e9 ele come\u00e7ava a ter d\u00favidas de sua sanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o tempo aquele espanto foi se tornando curiosidade. Assim que acordava Aloisio abria o notebook e lia o conto novo. Gostava da maioria e se perguntava \u201cFui eu que escrevi mesmo? Sabe que at\u00e9 que ficou legal?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ria com alguns, se emocionava com outros e at\u00e9 se surpreendeu ao notar a letra de um samba-enredo homenageando a capital mundial do esterco em um deles. Gargalhou e comentou que fazia sambas dormindo melhor que acordado [N.do.E.: concordo plenamente&#8230;].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E percebeu que tinha um pedacinho dele em cada conto escrito, fosse personagem homem ou mulher. Cada um lembrava a ele um pouco, eram seus filhos, seus espelhos com todas as inquietudes e conflitos de sua alma, sua voca\u00e7\u00e3o para autodestrui\u00e7\u00e3o, amores imposs\u00edveis e de tentar rir de si mesmo para disfar\u00e7ar fraquezas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi assim durante quarenta e um dias, quarenta e um contos, at\u00e9 a noite de estr\u00e9ia da disputa de samba na Uni\u00e3o da Ilha, nesse dia ele n\u00e3o sonhou e nenhum conto apareceu no livro.Aloisio estranhou e se perguntou se o livro estava pronto. Era dia de apresenta\u00e7\u00e3o de samba, mas ele nem pensava em carnaval, queria saber do livro de contos, afinal, era assim que terminava? Do nada?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi para a Uni\u00e3o da Ilha e subiu no palco com seus parceiros para a apresenta\u00e7\u00e3o. De cima do palco olhava a torcida e reparou em um canto numa mulher que o olhava fixamente. Ao olhar bem percebeu que era a mulher misteriosa do Peix\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desceu do palco sem dar muita import\u00e2ncia para os cumprimentos pela apresenta\u00e7\u00e3o, correndo atr\u00e1s da mulher. Procurou por todos os cantos e n\u00e3o achou, at\u00e9 que decidiu ir ao banheiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Urinando sozinho no banheiro ouviu uma voz \u201cvoc\u00ea as vezes desiste muito f\u00e1cil das coisas, s\u00f3 me procurou um pouco e desistiu\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olhou pro lado e viu a mulher sorrindo, disse que precisava mesmo falar com ela e a mulher logo falou \u201ceu sei, voc\u00ea quer saber se o livro terminou\u201d. Aloisio respondeu que sim e ela contou que n\u00e3o, faltava um cap\u00edtulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aloisio perguntou qual e ela respondeu: \u201co seu\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mulher estendeu a m\u00e3o dizendo \u201cvem\u201d e Aloisio lhe acompanhou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando percebeu estava na frente de uma boate chamada \u201cNight Fever\u201d e lembrou que era o nome da boate de um dos contos. A mulher puxando o rapaz pela m\u00e3o entrou na mesma dizendo que era a boate do conto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entraram sendo recebidos por Jardel, o dono da boate do conto \u201cNever can say goodbye\u201d. Jardel deu um abra\u00e7o no espantado<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aloisio dizendo que era um prazer t\u00ea-lo em sua boate e brincou que o escritor poderia ter sido menos cruel com ele em seu conto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jardel puxava um Aloisio que nada entendia para dentro da boate dizendo que estavam todos l\u00e1 e o escritor perguntou \u201cTodos quem?\u201d. Jardel apontando respondeu \u201cEles !!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E l\u00e1 estavam Rodrigo, Marcela, Alexandre, Milena, C\u00e9sar Vieira, Amanda, Jairo Mello, dona Carola e seu preto velho, Henrique, Carla, Y, Rafaela, Napole\u00e3o, Dudu, Martinho, Larcinho, Quito, Borjalo, Barros\u00e3o, Jardel, Elisa, Lucinha, Andr\u00e9, Juliana, Marcelo, Gracinha, Beto, Silvana, Fabio, Lord Perversus, Afonso, Bianca, J\u00e9ssica, dona Zez\u00e9, Joca, Paula, Breno, o homem do metr\u00f4, Fabiana, Serginho, Ludmila, Jofre, Dr Rodrigues, Lurdinha, Leoc\u00e1dia, Ac\u00e1cio, Dorinha, Desid\u00e9rio, Matilde, Silas, Rubens, V\u00e2nia, Vinicius, Wallace Dorival, Teresa, Diego, Frank, dona Margarete, Chacal, Ana, Orlandinho, Ananias, Joyce, Barbosinha, Robertinho, Lara, Guto, Zezinho, Peteco, Jackson, Filomeno, Jussara, Ribamar, Romeu, Julieta, T\u00e9o, Marina, Let\u00edcia, Elias, Val\u00e9ria, Francisco, Geni, Curi\u00f3, U\u00f3sto, Andressa, Alice, Gomes, Te\u00f4nia, Rog\u00e9rio, Janu\u00e1rio, Am\u00e9lia, Jurandir, Neusa, Diana, Jean, Bia, Ezequiel, Graziela, Fil\u00f3, Cadinho, Gaspar, Larissa, Saulo, Adele, Gil, Jo\u00e3o, Ritinha, Cl\u00e1udio, Patr\u00edcia, Igor, Emanuelle, Nezinho, Chocolate, Xibiu de Jesus, Nen\u00ea Bei\u00e7ola, Franco, Nestor, Day, Maju, o boto em forma de homem, Nico Carioca, Rambo, Vitinho, Jaqueline, Jece, K\u00e1tia Fl\u00e1via\u2026 Mais de cento e vinte personagens, mais de cento e vinte vidas criadas por ele em quarenta e um contos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E eles felizes puxaram Aloisio para o meio da pista. Uma banda cantava \u201cNever can say goodbye\u201d no palco e Aloisio esquecia toda sua timidez e falta de talento para dan\u00e7a se acabando com aquelesamigos inesquec\u00edveis, abra\u00e7ando a eles, suando com eles, esquecendo todos os problemas da vida. Feliz como h\u00e1 muito tempo n\u00e3o ficava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de um tempo foi at\u00e9 o bar da boate e antes que dissesse algo o atendente falou \u201cboa noite sr Aloisio, guaran\u00e1 com canudo, certo?\u201d. O escritor respondeu que sim e foi atendido. A mulher misteriosa sentou ao seu lado e perguntou se ele estava feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aloisio respondeu que sim e enxugando o suor em um guardanapo de papel perguntou se era assim que acabava a hist\u00f3ria. Ela respondeu que ainda n\u00e3o e mandou que ele se acalmasse e bebesse seu guaran\u00e1.Ele bebeu um gole e come\u00e7ou a se sentir zonzo, tentou se segurar nas cadeiras e n\u00e3o conseguiu. Levantou seu bra\u00e7o pedindo ajuda para a mulher que s\u00f3 olhava sorrindo at\u00e9 que ele desmaiou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acordou em um lugar estranho, em um gramado com um lago e passarinhos voando. Levantou sentindo grande paz e se perguntando se tinha morrido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7ou a andar pelo gramado se questionando o que era aquilo afinal e o que fazia ali at\u00e9 que deu de frente com um grande muro branco e uma imensa porta. Tentou abrir com a ma\u00e7aneta e n\u00e3o conseguiu, estava trancada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O muro era alto, nem tinha como escalar, a porta fechada e ficou curioso sobre o que tinha do outro lado. Reparou no buraco da fechadura e que por ali dava pra ver o que aquele muro escondia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abaixou-se e olhou pelo buraco da fechadura. Levantou e parecia feliz, deu uma imensa gargalhada e respondeu que agora sim o livro estava pronto. Deu meia volta e continuou a andar deixando pra tr\u00e1s o muro, a porta e o buraco da fechadura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas afinal\u2026 O que escondia o buraco da fechadura? Ficou curioso, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode olhar\u2026 Fique \u00e0 vontade\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FIM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste s\u00e1bado, o \u00faltimo conto da s\u00e9rie &#8220;Buraco da Fechadura&#8221;, do compositor Aloisio Villar. 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