{"id":18954,"date":"2013-09-21T09:32:34","date_gmt":"2013-09-21T12:32:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/?p=18954"},"modified":"2013-09-20T12:38:30","modified_gmt":"2013-09-20T15:38:30","slug":"buraco-da-fechadura-primeiro-amor","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2013\/09\/buraco-da-fechadura-primeiro-amor\/","title":{"rendered":"Buraco da Fechadura: &#8220;Primeiro Amor&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Neste s\u00e1bado, mais um <strong>conto do compositor Aloisio Villar<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><em><strong>Primeiro Amor<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jean era um menino ainda. Treze anos de idade, morador da Ilha do Governador no Rio de Janeiro, era um garoto como outro qualquer de sua idade. Estudava de manh\u00e3, odiava acordar cedo e quando n\u00e3o tinha aula de ingl\u00eas \u00e0 tarde corria para jogar bola na rua ou v\u00eddeo game.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o era muito bom de bola; na verdade era p\u00e9ssimo e s\u00f3 conseguia jogar porque era o dono da bola. Seus companheiros de time mandavam que ele ficasse atr\u00e1s apenas rebatendo as bolas e assim ele fazia: ningu\u00e9m tocava a bola para ele e quando um advers\u00e1rio chegava \u00e0 sua frente Jean seguia o lema \u201cdo cabelo pra baixo \u00e9 tudo canela\u201d, sendo defensor do tipo \u201ccarniceiro\u201d e muitas vezes provocando confus\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era craque mesmo no v\u00eddeo game. Adorava jogos de esportes e explosivos, muito explosivos. Gostava de jogos de lutas tamb\u00e9m e n\u00e3o era raro reunir toda a meninada na sala de casa para grandes embates de v\u00eddeo game.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o pai aprendeu a jogar bot\u00e3o e ele mesmo fabricava seus jogadores e podia passar horas jogando com \u201cseu velho\u201d que tamb\u00e9m o levava ao Maracan\u00e3 torcer pelo Flamengo e dividirem assim suas vit\u00f3rias e derrotas. Um grande amor e cumplicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jean era um pouco gordinho e isso lhe fazia t\u00edmido em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s meninas. Enquanto os meninos de sua idade falavam que faziam e aconteciam, mesmo sendo mentira, Jean ficava quieto e se perguntava porque os outros meninos conseguiam conhecer meninas e namorar e ele n\u00e3o. Sua m\u00e3e lhe acalmava e dizia que um dia ele conheceria uma menina legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Filho \u00fanico, tinha todo o amor dos pais e uma vida tranq\u00fcila, mas toda tranq\u00fcilidade um dia pode ter fim e foi assim com sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jean notou que o clima em casa estava estranho, seus pais afastados um do outro mal se falavam, mas preferia n\u00e3o se meter. Estranhou ver sua m\u00e3o chorosa pelos cantos e nem dando broncas quando tirava notas baixas, assim como estranhou seu pai n\u00e3o lev\u00e1-lo mais ao Maracan\u00e3 nem jogar bot\u00e3o com ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegou a pensar que o problema fosse com ele quando come\u00e7ou a ver discuss\u00f5es dos pais que sempre procuraram preservar o filho nesse sentido, mas n\u00e3o conseguiam mais. As discuss\u00f5es tornavam-se di\u00e1rias e cada vez mais acaloradas. Jean sofria por ver os pais assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A situa\u00e7\u00f5es tornava-se insustent\u00e1vel, at\u00e9 que os pais chamaram Jean para conversar. N\u00e3o tinha mais jeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O menino sentou no sof\u00e1 e o pai comentou que como Jean j\u00e1 notara a situa\u00e7\u00e3o entre eles n\u00e3o estava muito boa e ningu\u00e9m estava feliz, nem eles nem o filho e aquela hist\u00f3ria n\u00e3o poderia continuar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deu uma respirada enquanto a esposa chorava e continuou dizendo que o casal tinha decidido se separar, era a melhor op\u00e7\u00e3o cada um seguir sua vida, mas que se separavam como casal, n\u00e3o como pais e estariam sempre perto de Jean quando ele precisasse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O menino ficou com l\u00e1grimas nos olhos e pediu que os pais n\u00e3o fizessem isso. O pai pediu desculpas e respondeu que n\u00e3o tinha mais como, era decis\u00e3o j\u00e1 tomada e abra\u00e7ou Jean dizendo que sempre estaria com ele e ainda iriam muito ao Maracan\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00e3e limpou as l\u00e1grimas e contou a Jean que tinha conversado com seu pai e como as f\u00e9rias se aproximavam decidiram que era melhor ele passar aquelas f\u00e9rias de julho em Curitiba com a tia Suely, que vinha a ser irm\u00e3 de sua m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jean relutou e disse que n\u00e3o queria ir, mas o pai contou que era a melhor sa\u00edda e que no come\u00e7o de agosto ele j\u00e1 estaria de volta ao Rio para comemorar seu anivers\u00e1rio de quatorze anos. N\u00e3o tinha jeito: a separa\u00e7\u00e3o estava conturbada depois, seria litigiosa com muita briga ainda por vir e o melhor que podiam fazer era preservar o menino mandando-o para longe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00e3e arrumou sua mala enquanto Jean olhava o quintal pela janela da casa pensando que sua fam\u00edlia se desestruturava e n\u00e3o podia fazer nada. Queria poder fazer alguma coisa, ajudar seus pais, fazer o amor entre eles voltar; mas amor perdido dificilmente tem recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jean, um menino ainda, n\u00e3o entendia o amor. N\u00e3o entendia como duas pessoas que se amaram tanto podem acabar daquela forma e tinha na mente n\u00e3o se apaixonar nunca. S\u00f3 via as pessoas a sua volta sofrerem com o amor e tinha medo de um dia passar por isso, n\u00e3o queria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua m\u00e3e, com a mala na m\u00e3o, chamou Jean e ele com os pais partiu para a rodovi\u00e1ria. Chegando \u00e0 frente do \u00f4nibus que lhe conduziria deu um beijo nos pais e entrou sentando-se na janela e acenando vendo os dois acenando de volta. Sabia, quando o \u00f4nibus partiu, que dificilmente veria aquela cena de novo. Ligou o notebook, usou um pouco a Internet e desligou dormindo at\u00e9 Curitiba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegou \u00e0 capital paranaense e foi recebido na rodovi\u00e1ria pela tia Suely, o tio Fl\u00e1vio e seu primo Marcel. A tia deu um abra\u00e7o apertado em Jean, dando-lhe boas vindas e contando que ele teria uma estadia feliz no local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entraram no carro com Marcel contando que teriam muito para curtir e foram ao pr\u00e9dio que a fam\u00edlia morava. Chegaram ao pr\u00e9dio, pegaram o elevador e quando a porta fechava uma menina gritou \u201csegura\u201d. Jean segurou e ela entrou dizendo \u201cobrigada\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir do momento que Jean olhara aquela menina entrando no elevador e agradecendo por ter segurado a porta sua vida mudou. Era uma menina branca, ruiva, um pouquinho gordinha como ele e linda, muito linda. Ela entrou no elevador e Suely cumprimentou \u201coi Bia\u201d. Jean s\u00f3 pensava \u201cBia&#8230; Bia..\u201d, a menina retribuiu o cumprimento e o elevador subiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No oitavo andar ela desceu com Suely mandando recomenda\u00e7\u00f5es a sua av\u00f3. Jean acompanhou a menina pelo olhar at\u00e9 onde p\u00f4de e Fl\u00e1vio contou que assim como ele Bia era carioca e passava f\u00e9rias em Curitiba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jean pensava \u201ccomo assim? Carioca? \u00c9 o destino, minha alma g\u00eamea, escrito nas estrelas desde a cria\u00e7\u00e3o do universo!!\u201d e para o tio respondeu \u201clegal\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9, a estadia em Curitiba come\u00e7ava a ficar interessante e o menino que prometera nunca se apaixonar come\u00e7ava a ser tocado pelo amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquela mesma noite para seu azar Jean descobriu que estava com umas pintinhas vermelhas e sentiu febre. Suely correu com o menino a um hospital e descobriu que ele estava com catapora. Suas f\u00e9rias come\u00e7avam de cama no apartamento da tia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De manh\u00e3 Marcel com uma bola de futebol na m\u00e3o contou ao primo que iria ao clube lamentando que ele n\u00e3o pudesse ir. Jean tamb\u00e9m lamentou, mas disse que logo poderia acompanhar, Marcel ent\u00e3o contou que ele podia jogar v\u00eddeo game pra se distrair.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jean lamentava sua falta de sorte jogando quando a campainha tocou, Suely atendeu e era uma senhora com um bolo de fub\u00e1 acompanhada de uma menina. Bia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Suely convidou as duas para entrar e a senhora, av\u00f3 de Bia, comentou com Suely que trazia o bolo para seu sobrinho experimentar, Suely agradeceu e contou que aquilo iria fazer bem a ele que estava com catapora levando as duas at\u00e9 seu quarto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jean jogava v\u00eddeo game quando Suely bateu na porta perguntando se podia entrar. Jean concordou e a tia entrou com a senhora e Bia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cora\u00e7\u00e3o de Jean quase parou quando viu a menina, ficou de tal forma sobressaltado que at\u00e9 perdeu no jogo. A senhora perguntou se Jean estava melhor e o menino respondeu que sim, ent\u00e3o ela contou que fizera um bolo de fub\u00e1 e deixaria na mesa de jantar para ele. Jean agradeceu e ela saiu com Suely.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bia em vez de sair ficou, sentou ao lado de Jean perguntando qual jogo era aquele. Jean respondeu e ela perguntou se podia jogar com ele. O menino tremendo de nervoso respondeu que sim e eles come\u00e7aram a jogar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto jogavam Jean perguntou se Bia n\u00e3o tinha medo de pegar catapora e ela respondeu que n\u00e3o, j\u00e1 tivera e ela perguntou se era verdade que ele era do Rio, com Jean respondendo que sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bia logo depois gritou que tinha vencido e Jean brincou que era marmelada e queria revanche. A menina venceu v\u00e1rias vezes Jean e depois ficaram conversando. Jean contou da separa\u00e7\u00e3o de seus pais e que ficaria ali at\u00e9 o in\u00edcio de agosto, Bia contou que estava com a av\u00f3 tamb\u00e9m at\u00e9 o come\u00e7o do m\u00eas e que seus pais j\u00e1 eram separados; que ele n\u00e3o ficasse triste porque a vida continuava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Transformaram-se em bom amigos e Bia ia todos os dias at\u00e9 o apartamento visit\u00e1-lo e fazer companhia. A menina tamb\u00e9m reclamava de solid\u00e3o, n\u00e3o tinha amigos em Curitiba e contou que a melhor coisa que poderia ter corrido foi conhecer o menino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mal ela sabia que Jean n\u00e3o lhe via como amiga. O menino estava completamente apaixonado e t\u00edmido n\u00e3o sabia como se declarar. Ensaiou v\u00e1rias vezes na frente do espelho, sonhava com a declara\u00e7\u00e3o, tinha tudo pronto, mas na hora de falar travava e deixava apenas na amizade. Depois que Bia ia embora Jean socava sua cabe\u00e7a e reclamava de sua timidez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O menino ficou bom e logo p\u00f4de ir com Marcel jogar bola. Bia foi junto e ficou na arquibancada assistindo e torcendo. Jean fez o de sempre e ficou na defesa rebatendo as bolas e acertando os advers\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O jogo estava dif\u00edcil e foi empatado at\u00e9 o fim, at\u00e9 que Jean rebateu uma bola com tanta for\u00e7a que acertou o gol do outro lado, o primeiro gol da vida de Jean que nem sabia como comemorar. Seu time venceu e ele foi carregado pelos outros meninos como her\u00f3i, ganhando um beijo no rosto de Bia ao final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bia e Jean n\u00e3o se desgrudavam, saindo para todos os cantos. Iam a pizzarias, sorveterias, conversavam na pra\u00e7a, passeavam pela rua das flores, tiraram fotos no pal\u00e1cio de Cristal. Jean sa\u00eda de manh\u00e3 de casa e s\u00f3 voltava de noitinha, mal sua fam\u00edlia lhe via. O menino estava feliz e nem lembrava mais da separa\u00e7\u00e3o dos pais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fim das f\u00e9rias chegava e os dois decidiram comprar passagens de volta para o mesmo dia e o mesmo \u00f4nibus prometendo manter a proximidade no Rio de Janeiro. Jean se sentia confuso com tudo aquilo, tinha certeza que a menina tamb\u00e9m gostava dele, mas n\u00e3o sabia se declarar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dia cheio de coragem chamou Bia para um programa mais rom\u00e2ntico, para o cinema. A menina topou e na noite da sa\u00edda Jean botou sua melhor roupa, se perfumou e ficou na frente do espelho ensaiando o que diria, tinha que conseguir se declarar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jean foi at\u00e9 o apartamento de Bia e sua av\u00f3 elogiou a eleg\u00e2ncia do rapaz e na frente da Bia contou que adoraria que eles namorassem. Bia sem gra\u00e7a pediu que a av\u00f3 parasse e Jean por dentro concordava com a senhora e torcia para o mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram ver um filme de terror e n\u00e3o foram poucas as vezes que a menina se assustou e agarrou o bra\u00e7o de Jean. O rapaz se sentia o superman pronto pra proteger sua Louis Lane e sorria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim levou Bia at\u00e9 a frente de seu apartamento e se olharam por um tempo. Bia comentou que parecia que ele queria dizer alguma coisa e pediu que dissesse. Jean fraquejou, disse que n\u00e3o era nada e se despediu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegou furioso ao apartamento da tia e sentou no sof\u00e1 desolado com sua falta de coragem. Seu tio que havia levantado para beber \u00e1gua foi at\u00e9 ele e deu um tapinha em sua cabe\u00e7a comentando \u201ct\u00e1 na cara que voc\u00ea gosta dessa menina, conte pra ela, o m\u00e1ximo que acontecer\u00e1 \u00e9 ela dizer n\u00e3o, ningu\u00e9m morre de tentar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dias passaram e chegou a hora dos dois irem embora. Jean com a mala arrumada esperava a tia na sala e ela apareceu perguntando se ele estava pronto. Jean respondeu que sim e se despediu de Marcel e do tio. Fl\u00e1vio chegou em seu ouvido e mandou que ele n\u00e3o esquecesse seu conselho enquanto Suely chamava Jean para buscarem Bia em seu apartamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dois foram com Jean cheio de coragem pra se declarar. Tocaram a campainha e a av\u00f3 atendeu pedindo que entrassem. Os dois entraram e a\u00ed veio a punhalada no peito de Jean.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jean da sala viu Bia com um menino na sacada do apartamento. Eles estavam abra\u00e7ados trocando beijos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu cora\u00e7\u00e3o sangrou de uma forma como ele nunca imaginara na vida. O ch\u00e3o sumiu, o ar tamb\u00e9m, a vontade que ele tinha era de gritar, chorar, desaparecer e o m\u00e1ximo que conseguiu dizer foi \u201coi Bia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A menina puxando o garoto que beijava pela m\u00e3o apresentou a Jean e sua tia como Anderson, seu namorado. Anderson cumprimentou os dois contando que era de S\u00e3o Gon\u00e7alo, cidade do estado do Rio e tamb\u00e9m voltaria ao Rio no \u00f4nibus deles. Bia perguntou se Suely poderia levar Anderson com eles de carro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabendo do amor que o sobrinho sentia por Bia Suely olhou para ele buscando sua aprova\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o e Jean de cabe\u00e7a baixa respondeu que tudo bem. Bia se despediu da av\u00f3 e eles partiram. Suely e Jean na frente do carro, Bia e Anderson atr\u00e1s de m\u00e3os dadas e Jean vendo a tudo pelo retrovisor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegaram \u00e0 rodovi\u00e1ria e Suely se despediu dos tr\u00eas. Bia e Anderson sentaram juntinhos logo na frente do \u00f4nibus e Jean foi pra tr\u00e1s, sentou sozinho numa posi\u00e7\u00e3o que dava pra ver o casal se beijando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pegou o celular e apagou o n\u00famero de Bia. Ligou o note e excluiu a menina de todas as suas redes sociais, depois desligou o computador, encostou o mesmo em seu peito e enquanto o \u00f4nibus partia fechou os olhos e come\u00e7ou a chorar. Um pranto do\u00eddo, ferido, daqueles que d\u00e1 vontade de abrir um berreiro desesperado, mas por estar em p\u00fablico fica contido, um choro amargo, com gosto de fel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00f4nibus partia junto com as esperan\u00e7as de Jean.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 menino&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8230; quem foi que disse que amar \u00e9 f\u00e1cil?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste s\u00e1bado, mais um conto do compositor Aloisio Villar. Primeiro Amor Jean era um menino ainda. 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