{"id":18221,"date":"2013-07-12T07:21:49","date_gmt":"2013-07-12T10:21:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/?p=18221"},"modified":"2013-07-12T07:21:49","modified_gmt":"2013-07-12T10:21:49","slug":"cinecasulofilia-lawrence-da-arabia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2013\/07\/cinecasulofilia-lawrence-da-arabia\/","title":{"rendered":"Cinecasulofilia &#8211; &#8220;Lawrence da Ar\u00e1bia&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Nesta sexta feira, mais uma edi\u00e7\u00e3o da <strong>coluna do cineasta, professor e cr\u00edtico Marcelo Ikeda<\/strong>. Como habitual, publicada em parceria com o <a href=\"http:\/\/cinecasulofilia.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff6600;\">blog de mesmo nome<\/span><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><em><strong>Lawrence da Ar\u00e1bia<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas \u00faltima segunda feira passei boa parte do meu dia me dedicando a (re)ver LAWRENCE DA AR\u00c1BIA. Uau.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para mim, que venho me dedicando durante anos a fazer pequenos v\u00eddeos caseiros, \u00e9 uma esp\u00e9cie de grande constrangimento testemunhar essa obra assombrosa do David Lean. O que dizer?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Me parece claro que, assim como Lawrence montou um ex\u00e9rcito para ocupar o Oriente M\u00e9dio, Lean precisou montar um verdadeiro campo de batalha para fazer esse heroico filme. Mesmo que eu seja um tanto avesso ao cinema de grande espet\u00e1culo, n\u00e3o tenho como n\u00e3o me render ao gigantismo, ao seu tom humano, ao seu tom cr\u00edtico, a uma enorme obra de cinema como \u00e9 esse LAWRENCE DA AR\u00c1BIA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que dizer? Me parece que David Lean, al\u00e9m de ter levado adiante a sua pr\u00f3pria cinematografia, fez um filme absurdamente pessoal (Lean-Lawrence). Me parece que Lean levou adiante o que Stroheim n\u00e3o conseguiu fazer, por conta de sua enorme vaidade pessoal. Lawrence, esse encarregado das vontades da corte brit\u00e2nica, que no fundo \u00e9 quem comanda o destino dos \u00e1rabes; Lean, esse encarregado das vontades do grande arsenal da ind\u00fastria b\u00e9lica cinematogr\u00e1fica, vagando ao l\u00e9u para encontrar a sua identidade, percorrendo com enormes gruas e travellings esse arenoso territ\u00f3rio da Jord\u00e2nia e do Marrocos como se fosse um western hollywoodiano, apenas para entregar para os marechais da guerra, trancafiados em seus escrit\u00f3rios, a sua \u201ccompanhia de \u00e1gua\u201d, ou seja, mais um produto do espect\u00e1culo cinematogr\u00e1fico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De um lado, os canh\u00f5es da guerra; de outro, as Panavisons 70mm. Qual a diferen\u00e7a? O que importa para os que det\u00eam o poder?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pobre Lawrence; pobre Lean, que, ap\u00f3s esse filme, teve que simplesmente voltar para casa. O que dizer? O que dizer diante do absurdo da guerra, da hipocrisia da alta guarda inglesa, do jogo de poder dos gabinetes, da vaidade e do prazer pela roleta russa do sangue, da finitude humana? O que fica de tudo isso? Um filme feito \u201ccom a faca entre os dentes\u201d e uma enorme consci\u00eancia (uma languidez) do fracasso (da ingenuidade) dessa tentativa? O que dizer desse filme feito apenas de homens?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, me parece que Lean tamb\u00e9m seguiu as velhas tradi\u00e7\u00f5es do cinema ingl\u00eas, e que LAWRENCE DA AR\u00c1BIA \u00e9, acima de tudo, um sucessor de <span style=\"color: #ff6600;\"><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/11\/cinecasulofilia-coronel-blimp\/\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff6600;\">CORONEL BLIMP, o extraordin\u00e1rio filme de Powell-Pressburger passado no hiato entre as duas Grandes Guerras<\/span><\/a><\/span>. Sem querer entrar no m\u00e9rito hist\u00f3rico do filme, que mereceria uma an\u00e1lise mais aprofundada, como espet\u00e1culo cinematogr\u00e1fico, \u00e9 absolutamente comovente ver como David Lean se apresenta no \u00e1pice da possibilidade de uma experi\u00eancia cinematogr\u00e1fica (a maturidade do cinema como entremeio entre produto e linguagem) e como, ao mesmo tempo, se apresenta uma consci\u00eancia aguda de uma crise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crise da pol\u00edtica, crise dos homens, crise da paisagem, crise da linguagem, crise desse homem que procura incessantemente quem ele \u00e9, e essa paisagem nunca lhe responde. Cinema cl\u00e1ssico, cinema moderno, cinema contempor\u00e2neo, LAWRENCE DA AR\u00c1BIA pode ser visto por m\u00faltiplos aspectos. Um filme solar, um filme sombrio: mistura de Stroheim com Antonioni; mistura de Gerry com Boetticher. Um filme misterioso, um filme corajoso, um filme conscientemente suicida, entregue todo \u00e0 raz\u00e3o e ao instinto. Talvez ainda perturbado, sob o feiti\u00e7o dessa sess\u00e3o, penso que talvez LAWRENCE DA AR\u00c1BIA possa ser entendido como a quintess\u00eancia do que se chama da tal \u201cexperi\u00eancia-cinema\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"LAWRENCE OF ARABIA - Trailer Oficial Portugu\u00eas\" width=\"525\" height=\"295\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zSfE5TiyPd8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta sexta feira, mais uma edi\u00e7\u00e3o da coluna do cineasta, professor e cr\u00edtico Marcelo Ikeda. 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