{"id":17854,"date":"2013-06-07T06:28:46","date_gmt":"2013-06-07T09:28:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/?p=17854"},"modified":"2013-06-06T08:20:56","modified_gmt":"2013-06-06T11:20:56","slug":"sobretudo-o-maior-cantor-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2013\/06\/sobretudo-o-maior-cantor-do-brasil\/","title":{"rendered":"Sobretudo &#8211; &#8220;O Maior Cantor do Brasil&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Nesta sexta feira, a <strong>coluna &#8220;Sobretudo&#8221;, do publicit\u00e1rio Affonso Romero<\/strong>, nos traz um tema musical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><em><strong>O Maior Cantor do Brasil<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa das primeiras colunas que eu escrevi aqui para o Ouro de Tolo, falei sobre a vida e a carreira de um cantor que eu curti bastante na minha primeira inf\u00e2ncia: Simonal. O texto foi inspirado pelo verdadeiro revival da turma da pilantragem que culminou no lan\u00e7amento do dvd\/cd \u201cO Baile do Simonal\u201d, em que a fina-flor da m\u00fasica brasileira presta tributo ao rei do swing dos anos 60 e do document\u00e1rio \u201cNingu\u00e9m Sabe o Duro que Dei\u201d, do ex-Casseta Cl\u00e1udio Manoel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos depoimentos do document\u00e1rio \u00e9 do multitalentoso Miele, que acompanhou de perto a trajet\u00f3ria do cantor. Para Miele, Simonal foi o maior cantor do Brasil nos seus anos de sucesso. A afirma\u00e7\u00e3o contrasta com o ostracismo a que seu nome foi relegado e, por isso mesmo, precisa de uma explica\u00e7\u00e3o: numa \u00e9poca em que come\u00e7aram a despontar os cantores-compositores que passaram a caracterizar a MPB (Caetano, Gil, Chico etc.), Simonal era um cantor-cantor, capaz de encantar multid\u00f5es e ser, ao mesmo tempo, sofisticado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 11 de maio vi o show de lan\u00e7amento do novo cd do Simoninha em S\u00e3o Paulo. O disco marca a maturidade art\u00edstica do filho que confirma o ditado sobre filhos de peixe. No caso, eu diria que \u201cfilho de tubar\u00e3o, tubar\u00e3o \u00e9\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E eu vou resumir minhas impress\u00f5es numa afirma\u00e7\u00e3o que se far\u00e1 conscientemente pol\u00eamica e ousada: Simoninha \u00e9, hoje, o maior cantor do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e1 certo que esta mania de fazer listas dos maiores-isto e maiores-aquilo \u00e9 tanto imprecisa quanto pessoal, subjetiva e pretensiosa. Para n\u00e3o dizer que tende ao cometimento de grandes injusti\u00e7as e parcialidades. Chacrinha, o Velho Guerreiro, era capaz de apresentar dez atra\u00e7\u00f5es seguidas do seu programa como sendo \u201co-maior-alguma-coisa-do-universo\u201d, do alto de sua loucura s\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu n\u00e3o teria cometido esta frase enquanto estava vivo o Em\u00edlio Santiago. Digo aos f\u00e3s do Ed Motta, de quem tamb\u00e9m bato palma na primeira fila, que o Ed \u00e9 t\u00e3o exuberante em sua superioridade vocal que pegou o gosto pelo exagero e o narcisismo estil\u00edstico. O Seu Jorge \u00e9 t\u00e3o bom que a linha de chegada tem que ser definida na foto. E como eu sou sempre lento para escrever a coluna, deu tempo de ir ver o show em formato semiac\u00fastico do disco \u201c8\u201d, do Pedro Mariano, a quem eu tamb\u00e9m poderia qualificar como \u201co-maior-alguma-coisa-do-Brasil\u201d de tanto que eu gosto. Mas, este ano, o Simoninha leva a estatueta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Simoninha tem a sorte de estar viv\u00edssimo, cantar com grau zero de exibicionismo e ter herdado cada gota de swing do pai, al\u00e9m do timbre caracter\u00edstico. Ali\u00e1s, a simplicidade \u00e9 a t\u00f4nica do cantar do sujeito. Muito molejo, sem que o ouvinte tenha que se dar conta disso. Tudo parece f\u00e1cil e natural, e este \u00e9 o maior trunfo e, talvez, a raz\u00e3o pela qual pouca gente arriscaria dizer que ele \u00e9 extraordin\u00e1rio. S\u00f3 que a simplicidade \u00e9 a \u00faltima fronteira da genialidade, ainda que pouca gente se encante por ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira vez que eu ouvi o Simoninha eu n\u00e3o gostei. Tem tempo demais para que eu ainda lembre bem do motivo. Foi no disco-projeto \u201cArtistas Reunidos\u201d, de 1998. N\u00e3o senti firmeza, parecia um cantor inseguro que estava ali por ser filho de um famoso. O que me leva a refletir que pode ter sido preconceito meu \u00e0 primeira audi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De l\u00e1 para c\u00e1, Simoninha firmou-se como produtor, tocou adiante uma gravadora, cresceu musicalmente ao lado do que h\u00e1 de melhor entre os artistas paulistanos de sua gera\u00e7\u00e3o (ou um pouco mais jovens, na verdade). H\u00e1 uma turma boa com DNA de grandes nomes dos anos 60 e 70 aos quais se somam compositores e m\u00fasicos de talento e estudo; tudo regado a bom gosto e ouvido atento a uma sonoridade contempor\u00e2nea que tem dividido est\u00fadios, palcos e projetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Simoninha j\u00e1 havia me impressionado muito bem em seus discos-solo anteriores. Vibrei com o tributo ao Jorge Ben(jor), com quem ele havia trabalhado bem antes como m\u00fasico. Fui a um show e, depois, a uma sequ\u00eancia incont\u00e1vel de shows-tributo ao velho Simonal, que alimentaram uma legi\u00e3o de f\u00e3s \u2013 principalmente em S\u00e3o Paulo \u2013 com a repeti\u00e7\u00e3o do set-list da pilantragem, trocando o palco e os eventuais artistas convidados. Esta turn\u00ea, imagino eu, deve ter tido um car\u00e1ter libertador para Simoninha e seu irm\u00e3o Max de Castro (de quem falarei em breve). Ter conseguido resgatar o nome e a mem\u00f3ria do grande artista que foi o pai deixou os \u201cmeninos\u201d livres, leves e soltos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Simoninha, cuja voz j\u00e1 soava bastante similar \u00e0 de Simonal, deve ter sido a oportunidade de se esmerar na interpreta\u00e7\u00e3o de alguns cl\u00e1ssicos daquele repert\u00f3rio, ganhando mais swing a cada apresenta\u00e7\u00e3o. Esse efeito faz-se sentir claramente na carreira solo. Agora, e com alguma demora em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 idade cronol\u00f3gica, Simoninha alcan\u00e7a a maturidade art\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O show do Ibirapuera foi o segundo dele que eu vi este ano. O primeiro, no Sesc Bom Retiro, foi para um p\u00fablico bem menor e antes do lan\u00e7amento do disco. No Ibirapuera foi poss\u00edvel perceber um dom\u00ednio completo do palco e da plateia, um repert\u00f3rio caprichado e todas as facetas do artista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num determinado momento, sentou-se ao piano para fazer vers\u00f5es alternativas dos sucessos anteriores \u201cMais um lamento\u201d e \u201cAgosto\u201d e brincou com o p\u00fablico: \u201c- Agora \u00e9 hora do Camaro Amarelo\u201d. T\u00edpico humor \u201csimon\u00edstico\u201d. Mas frente \u00e0s risadas da audi\u00eancia, emendou com do\u00e7ura: &#8211; \u201c \u00c9, mas se eu pedisse para cantar, todo mundo saberia a letra&#8230;\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comprei o cd no sagu\u00e3o, levei no camarim para o aut\u00f3grafo. O cara \u00e9 uma figura, sempre simp\u00e1tico, parece fazer disso um princ\u00edpio de vida. Fiquei imaginando o quanto a vida j\u00e1 bateu nele, e ele \u00e9 daquelas pessoas iluminadas capaz de devolver tudo com talento e sorrisos. Ganhou de vez um espa\u00e7o no meu cora\u00e7\u00e3o de f\u00e3, minha admira\u00e7\u00e3o: um cara que faz do palco e do disco um espa\u00e7o para a felicidade. Al\u00e9m de ser \u2013 e me perdoem a ousadia de dizer assim na lata \u2013 o maior cantor do Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta sexta feira, a coluna &#8220;Sobretudo&#8221;, do publicit\u00e1rio Affonso Romero, nos traz um tema musical. 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