{"id":17269,"date":"2013-04-15T14:45:15","date_gmt":"2013-04-15T17:45:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/?p=17269"},"modified":"2013-04-14T15:08:06","modified_gmt":"2013-04-14T18:08:06","slug":"historia-outros-assuntos-entrevista-mario-magalhaes-autor-de-marighella-o-guerrilheiro-que-incendiou-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2013\/04\/historia-outros-assuntos-entrevista-mario-magalhaes-autor-de-marighella-o-guerrilheiro-que-incendiou-o-mundo\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria &#038; Outros Assuntos &#8211; &#8220;Entrevista: M\u00e1rio Magalh\u00e3es, autor de \u201cMarighella, o guerrilheiro que incendiou o mundo\u201d"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/mario-magalhaes-165014.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-17270\" alt=\"mario-magalhaes-165014\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/mario-magalhaes-165014-550x308.jpg\" width=\"550\" height=\"308\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/mario-magalhaes-165014-550x308.jpg 550w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/mario-magalhaes-165014-300x168.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/mario-magalhaes-165014.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Nesta segunda feira, <strong>a coluna &#8220;Hist\u00f3ria e Outros Assuntos&#8221;, do doutorando em Hist\u00f3ria Fabr\u00edcio Gomes<\/strong>, traz uma entrevista com o autor da recente biografia de Carlos Marighella &#8211; <span style=\"color: #ff6600;\"><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2013\/01\/historia-e-outros-assuntos-carlos-marighella-o-brasileiro-que-nao-teve-tempo-de-ter-medo\/\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff6600;\">j\u00e1 resenhada neste\u00a0mesmo\u00a0blog<\/span><\/a><\/span>.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><em><strong><span style=\"color: #000080; text-decoration: underline;\">M\u00e1rio Magalh\u00e3es, autor de \u201cMarighella, o guerrilheiro que incendiou o mundo<\/span><\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">M\u00e1rio Magalh\u00e3es nasceu no Rio de Janeiro na primeira semana de abril de 1964. Formou-se em Jornalismo na Escola de Comunica\u00e7\u00e3o da UFRJ. Trabalhou nos jornais Tribuna da Imprensa, O Globo, O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo, di\u00e1rio do qual foi rep\u00f3rter especial, colunista e ombudsman. Recebeu mais de 20 pr\u00eamios, entre eles: Every Human Has Rights Media Awards, Lorenzo Natali Prize, Pr\u00eamio Anamatra (Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Magistrados da Justi\u00e7a do Trabalho), Medalha Chico Mendes de Direitos Humanos, Pr\u00eamio Vladimir Herzog de Direitos Humanos e Anistia, Pr\u00eamio AMB (Associa\u00e7\u00e3o dos Magistrados Brasileiros), Grande Pr\u00eamio Esso de Jornalismo, Pr\u00eamio Folha de Reportagem, Pr\u00eamio Direitos Humanos-RS e Pr\u00eamio Dom H\u00e9lder C\u00e2mara de Imprensa (da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil). Lan\u00e7ou em 2012 o livro &#8220;Marighella &#8211; O guerrilheiro que incendiou o mundo&#8221;, pela Companhia das Letras. O livro recebeu o Pr\u00eamio APCA (Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Cr\u00edticos de Artes) como melhor biografia do ano.<!--more--><\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">M\u00e1rio gentilmente concedeu uma pequena entrevista a esse blog, contando um pouco sobre seu trabalho na biografia de Marighella:<\/span><span style=\"color: #000080;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #000080;\">1. Como voc\u00ea teve a ideia de escrever a biografia de Carlos Marighella? Algum motivo especial?<\/span><\/em><span style=\"color: #000080;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">MM &#8211; Nasci na primeira semana de abril de 1964, a do golpe de Estado que mudou a hist\u00f3ria do Brasil. Em 2003, eu tinha 39 anos e n\u00e3o queria virar quarent\u00e3o sem iniciar um mergulho numa reportagem de f\u00f4lego, sem as amarras de tempo e espa\u00e7o pr\u00f3prias de uma reda\u00e7\u00e3o de jornal \u2013 eu era rep\u00f3rter especial da \u201cFolha de S. Paulo\u201d. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Como queria contar uma vida, levantei as op\u00e7\u00f5es, como um rep\u00f3rter busca pautas. N\u00e3o encontrei trajet\u00f3ria mais fascinante para investigar e narrar que a de Carlos Marighella (1911-69). N\u00e3o produzi nem uma hagiografia, propagandeando o protagonista, nem um libelo contra ele. E sim uma reportagem, procurando oferecer informa\u00e7\u00f5es sobre o que ele fez, pensou e disse, para que cada leitor forme seu pr\u00f3prio ju\u00edzo.<\/span><span style=\"color: #000080;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #000080;\">2. Quanto tempo esse trabalho consumiu? Voc\u00ea se dedicou s\u00f3 a isso? Como foi a sua rotina de trabalho para escrever essa biografia? Me lembro numa palestra sua, que fui, que voc\u00ea citou n\u00fameros \u201cassustadores\u201d (risos) sobre n\u00famero de livros que leu, pessoas que entrevistou etc. Poderia citar?<\/span><\/em><span style=\"color: #000080;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">MM &#8211; Foram nove anos de trabalho, dos quais cinco anos e nove meses em regime de dedica\u00e7\u00e3o exclusiva. Entrevistei 256 pessoas, algumas em v\u00e1rias sess\u00f5es. Cerca de 40 j\u00e1 faleceram. Como eu brinco, n\u00e3o que eu seja p\u00e9-frio, mas eram octogen\u00e1rios e nonagen\u00e1rios, contempor\u00e2neos de um homem nascido no come\u00e7o do s\u00e9culo XX. At\u00e9 com uma antiga professora de Marighella, de quase cem anos, eu me encontrei. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Tive acesso a aproximadamente 70 mil p\u00e1ginas de documentos, oriundos de 32 arquivos p\u00fablicos e privados de Brasil, Paraguai, Estados Unidos, Rep\u00fablica Tcheca e R\u00fassia. Em boa parte, pap\u00e9is secretos na origem, seja os produzidos pelo aparato de Estado, seja os da lavra de organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias clandestinas. A bibliografia soma 600 t\u00edtulos, alcan\u00e7ando quase 700 volumes (s\u00f3 a hist\u00f3ria oral do Ex\u00e9rcito sobre a ditadura re\u00fane 15 tomos). Minha rotina foi de suor \u2013 muito trabalho \u2013 e disciplina, empregando os m\u00e9todos e as li\u00e7\u00f5es que aprendi em um quarto de s\u00e9culo de jornalismo.<\/span><span style=\"color: #000080;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #000080;\">3. Marighella foi deputado federal pelo PCB em um momento onde o partido havia sa\u00eddo da ilegalidade \u2013 voc\u00ea inclusive conta que Marighella levava uma vida bastante simples, doando a maior parte de seus proventos ao Partido. Logo depois, o PCB voltou \u00e0 ilegalidade. Muitos historiadores consideram o per\u00edodo que vai de 1946 a 1964 como o \u201ctempo da experi\u00eancia democr\u00e1tica brasileira\u201d \u2013 o que \u00e9 bastante pol\u00eamico, j\u00e1 que, se por um lado o Rio de Janeiro conta com 14 peri\u00f3dicos circulando pela cidade, por outro h\u00e1 partidos com registros cassados \u2013 o pr\u00f3prio PCB \u2013 e pol\u00edticos presos. Como voc\u00ea analisa essa quest\u00e3o? Foi, de fato, um per\u00edodo democr\u00e1tico ou n\u00e3o?<\/span><\/em><span style=\"color: #000080;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">MM &#8211; Sim e n\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">O presidente Eurico Gaspar Dutra (1946-51) foi eleito diretamente, mas logo se empenhou em proibir legendas como o PCB, que tinha Marighella entre suas figuras mais conhecidas. Sua base parlamentar aprovou leis asfixiando a livre organiza\u00e7\u00e3o sindical e proibindo o direito de greve. No governo Dutra, foram assassinados mais militantes do PCB que na ditadura instaurada em 1964. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">O jornalista e historiador Pedro Estevam da Rocha Pomar tem uma express\u00e3o feliz para classificar aquele tempo, \u201cdemocracia intolerante\u201d. O PCB permaneceu na ilegalidade depois de 1947, mas foi ganhando espa\u00e7o at\u00e9 adquirir um status de \u201clegalidade de fato\u201d nos anos que precederam 1964, como o partido reconheceu. Em tempo: Marighella doava ao PCB 92% do sal\u00e1rio como constituinte (1946) e deputado federal (1946-48). Ficava com meros 8%.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #000080;\">4. O PCB enfrenta at\u00e9 hoje profundas cr\u00edticas quanto a sua atitude no pr\u00e9-1964, de n\u00e3o ter pego, de fato, em armas, como era esperado. Houve inclusive uma rela\u00e7\u00e3o bastante estremecida de Marighella com Lu\u00eds Carlos Prestes. O livro quebra a ideia de que toda a esquerda atuava num bloco monol\u00edtico contra o regime \u2013 havia muitos grupos pensando em propostas distintas. Pelo que voc\u00ea pesquisou do Marighella, o que ele pensava sobre a postura que deveria ser adotada?<\/span><\/em><span style=\"color: #000080;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">MM &#8211; Marighella n\u00e3o era partid\u00e1rio de \u201cpegar em armas\u201d antes do golpe de 1964. O que a documenta\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria demonstra e os testemunhos confirmam \u00e9 que ele se opunha \u00e0 pol\u00edtica de subservi\u00eancia do PCB em rela\u00e7\u00e3o ao presidente Jo\u00e3o Goulart. As quase duas dezenas de cadernetas do dirigente comunista Luiz Carlos Prestes, com anota\u00e7\u00f5es de 1961 a 63, evidenciam que Marighella e outros l\u00edderes, como M\u00e1rio Alves, j\u00e1 desenvolviam uma pol\u00edtica mais \u00e0 esquerda e se confrontavam com a maioria do comando pecebista. Como o partido condicionou sua sorte \u00e0 de Jango, quando o presidente decidiu n\u00e3o resistir ao golpe, o PCB foi derrotado junto com ele.<\/span><span style=\"color: #000080;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #000080;\">5. O g\u00eanero biogr\u00e1fico teve uma retomada a partir dos anos 1980 \u2013 juntamente com a renova\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria Pol\u00edtica -, ap\u00f3s ficar durante muitas d\u00e9cadas relegada a segundo plano. Hoje vemos jornalistas e principalmente historiadores retomando essa pr\u00e1tica biogr\u00e1fica, mas com certos cuidados, como por exemplo, a \u201cilus\u00e3o biogr\u00e1fica\u201d (termo cunhado pelo soci\u00f3logo Pierre Bourdieu, que diz que historiadores devem evitar escrever uma hist\u00f3ria cronol\u00f3gica, com linearidade e previsibilidade \u2013 afinal, j\u00e1 sabemos o in\u00edcio, o meio e o fim das personagens que pesquisamos). <\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #000080;\">Como voc\u00ea v\u00ea essa quest\u00e3o de jornalistas escrevendo biografias, em contraposi\u00e7\u00e3o a muitos historiadores que ainda v\u00eaem com ressalvas essa pr\u00e1tica fora da Academia? Sua ampla pesquisa demonstra que voc\u00ea se baseou em fontes seguras e teve bastante rigor acad\u00eamico na pesquisa.<\/span><\/em><span style=\"color: #000080;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">MM &#8211; Como sabemos, h\u00e1 restri\u00e7\u00f5es arraigadas de historiadores e jornalistas sobre a elabora\u00e7\u00e3o de biografias por uns e outros. Grosso modo, historiadores costumam identificar falta de profundidade nas biografias jornal\u00edsticas. Muitas vezes est\u00e3o cobertos de raz\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Os jornalistas reclamam com recorr\u00eancia da prosa enfadonha de historiadores. N\u00e3o \u00e9 raro que estejam corretos. Rejeitando preconceitos anacr\u00f4nicos, considero que o rigor acad\u00eamico e a narrativa jornal\u00edstica podem e devem conviver em harmonia. Tentei escrever uma biografia com uma narrativa esteticamente encantadora, seduzindo o leitor, o que \u00e9 uma caracter\u00edstica de rep\u00f3rter. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Ao fim do volume, empregando um instrumento caro \u00e0 academia, publiquei 2.580 notas sobre fontes, expondo escrupulosamente a origem das informa\u00e7\u00f5es mais relevantes e interessantes. A quantidade e qualidade de depoentes \u00e9 mat\u00e9ria-prima cara tanto a historiadores (que falam em hist\u00f3ria oral) quanto para jornalistas (que adotam o termo entrevista).<\/span><span style=\"color: #000080;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #000080;\">6. Algumas pessoas n\u00e3o entenderam quando voc\u00ea escreveu que Marighella foi \u201co guerrilheiro que incendiou o mundo\u201d. Poderia explicar essa frase\/afirma\u00e7\u00e3o?<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">MM &#8211; Todas as restri\u00e7\u00f5es \u2013 mais d\u00favidas do que restri\u00e7\u00f5es \u2013 que ouvi partiram de pessoas que ainda n\u00e3o haviam lido a biografia. O livro fundamenta \u00e0 exaust\u00e3o o subt\u00edtulo. Ao ser declarado \u201cinimigo p\u00fablico n\u00famero um\u201d pela ditadura, em novembro de 1968, Marighella ganha ainda mais proje\u00e7\u00e3o no Brasil. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Com a repercuss\u00e3o de a\u00e7\u00f5es espetaculares de sua organiza\u00e7\u00e3o, a ALN (A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional), ele se transforma em um personagem internacional. Marighella e a ALN foram ajudados por personalidades como o fil\u00f3sofo franc\u00eas Jean-Paul Sartre (publicou cinco textos de Marighella e da ALN na revista \u201cLes Temps Modernes\u201d), pelo cineasta franc\u00eas Jean-Luc Godard (com dinheiro, entregue ao colega marighellista Glauber Rocha), pelo cineasta italiano Luchino Visconti (dinheiro) e o pintor catal\u00e3o Joan Mir\u00f3 (desenhos para leiloar). <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">N\u00e3o foi s\u00f3. Depois da morte do guerrilheiro argentino-cubano Ernesto Che Guevara, a CIA, Central Intelligence Agency norte-americana, apontou Marighella como o sucessor de Che como o grande inspirador de movimentos rebeldes na Am\u00e9rica Latina. A\u00e7\u00f5es da ALN, como a tomada dos transmissores da R\u00e1dio Nacional paulista, em agosto de 1969, ganharam enorme destaque em jornais como o \u201cNew York Times\u201d. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">O \u201cMinimanual do guerrilheiro urbano\u201d, escrito por Marighella, animou movimentos revolucion\u00e1rios e contestat\u00f3rios em todo o planeta. At\u00e9 hoje \u00e9 empregado por militantes de esquerda. E estudado por historiadores e academias militares e de intelig\u00eancia. H\u00e1 muito mais, como conto no livro.<\/span><span style=\"color: #000080;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #000080;\">7. Marighella s\u00f3 soube do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick quando o mesmo j\u00e1 havia sido consumado \u2013 inclusive era contr\u00e1rio aquela a\u00e7\u00e3o. No seu entender, isso j\u00e1 indica que ele estaria \u201cperdendo o prest\u00edgio\u201d junto \u00e0 esquerda revolucion\u00e1ria?<\/span><\/em><span style=\"color: #000080;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">MM &#8211; A biografia conta em min\u00facias o que ocorreu, como uma s\u00e9rie de informa\u00e7\u00f5es absolutamente in\u00e9ditas. N\u00e3o tem nada a ver com perda de prest\u00edgio &#8211; pelo contr\u00e1rio, no come\u00e7o de setembro de 1969, quando ocorreu o sequestro, Marighella e a ALN viviam seu auge. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Marighella sustentava que ningu\u00e9m precisa pedir autoriza\u00e7\u00e3o para agir contra a ditadura. Foi o que ocorreu: companheiros seus da ALN se uniram a um grupo carioca &#8211; a Dissid\u00eancia da Guanabara, logo rebatizada como MR-8 &#8211; para sequestrar o embaixador, na a\u00e7\u00e3o mais espetacular da luta armada.<\/span><span style=\"color: #000080;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #000080;\">8. Como seria o \u201cBrasil ideal\u201d de Carlos Marighella? Na Hist\u00f3ria evitamos sempre o \u201cse\u201d, mas no seu entender, caso a revolu\u00e7\u00e3o do proletariado tivesse prosperado, qual seria o papel de Carlos Marighella? Como ele estaria situado no cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro?<\/span><\/em><span style=\"color: #000080;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">MM &#8211; A ALN era uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, mas n\u00e3o defendia a introdu\u00e7\u00e3o de uma ditadura do proletariado, embora essa pudesse ser a agenda de alguns dos seus militantes. A agenda de Marighella foi sintetizada no manifesto \u201cAo povo brasileiro\u201d, cujos pontos principais eu reproduzi no livro. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Marighella hoje? Seria adivinha\u00e7\u00e3o, of\u00edcio no qual n\u00e3o sou versado.<\/span><span style=\"color: #000080;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #000080;\">9. Alguma nova pesquisa em vista? Algum novo trabalho biogr\u00e1fico? Se uma pessoa quiser escrever hoje, uma biografia, qual a dica que voc\u00ea daria?<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">MM &#8211; Primeiro preciso que Marighella desencarne de mim. Sugest\u00e3o? Se n\u00e3o fizer biografia com paix\u00e3o, gostando ou n\u00e3o do personagem, n\u00e3o vale a pena.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta segunda feira, a coluna &#8220;Hist\u00f3ria e Outros Assuntos&#8221;, do doutorando em Hist\u00f3ria Fabr\u00edcio Gomes, traz uma entrevista com o autor da recente biografia deTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[60,35,106],"class_list":["post-17269","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cacique-de-ramos","tag-brasil","tag-historia","tag-jogo-misto"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17269","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17269"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17269\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17269"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17269"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17269"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}