{"id":16538,"date":"2013-02-18T07:23:54","date_gmt":"2013-02-18T09:23:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/?p=16538"},"modified":"2013-02-18T07:24:09","modified_gmt":"2013-02-18T09:24:09","slug":"historias-brasileiras-a-curimba-do-malandro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2013\/02\/historias-brasileiras-a-curimba-do-malandro\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias Brasileiras &#8211; &#8220;A Curimba do Malandro&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_NkQtXOJgXw<\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Nesta segunda feira, a <strong>coluna &#8220;Hist\u00f3rias Brasileiras&#8221;, do historiador Luiz Antonio Simas<\/strong>, parte da sauda\u00e7\u00e3o feita pela bateria da Portela a Z\u00e9 Pelintra e Maria Padilha em seu esquenta (cujo v\u00eddeo coloquei semana passada) para escrever texto sensacional sobre o fato.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">O registro acima \u00e9 de outro \u00e2ngulo.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"text-decoration: underline\"><em><strong><span style=\"color: #000080;text-decoration: underline\">A Curimba do Malandro<\/span><\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">H\u00e1 certos eventos que jamais se repetir\u00e3o. N\u00e3o podem ser reproduzidos nem como representa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica, pois perderiam o car\u00e1ter \u00fanico, transformador, epif\u00e2nico, potencializador da vida. Exemplifico.<\/span><span style=\"color: #000080\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">\u00c9 madrugada do dia 11 de fevereiro e a Portela se prepara para entrar na avenida. O enredo contar\u00e1 a hist\u00f3ria do bairro de Madureira. A bateria est\u00e1 vestida como Z\u00e9 Pelintra, o malandro seminal. A rainha dos ritmistas, Patr\u00edcia Nery, vem de Maria Padilha. As fantasias, evidentemente, fazem refer\u00eancia ao Mercad\u00e3o de Madureira e suas in\u00fameras lojas de artigos religiosos ligados ao candombl\u00e9 e a umbanda.<\/span><span style=\"color: #000080\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Desde o ensaio geral da escola, por alguns recados mandados pelo pr\u00f3prio malandro e pela Padilha, a bateria sabia que deveria pedir licen\u00e7a a Seu Z\u00e9 antes de iniciar o desfile. Acontece, ent\u00e3o, o momento \u00fanico. As caixas, repiques, tamborins, surdos e agog\u00f4s param de tocar. Os atabaques come\u00e7am a curimba e abre-se um corredor. A rainha de bateria \/ Maria Padilha, inicia sua dan\u00e7a sensual, desprovida de pecados, sacralizadora do profano e profanizadora do sagrado. Sem culpas. Os diretores de bateria bailam no corredor com a ginga sinuosa, sincopada, festeira e alforriada de Seu Z\u00e9. A bateria canta, o p\u00fablico canta e a madrugada canta o ponto do malandro divino, o Z\u00e9 das Alagoas, o do balan\u00e7o da canoa.<\/span><span style=\"color: #000080\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Contemplado o malandro, a bateria retoma o ritmo do samba e a Portela se prepara para entrar na avenida. Gilsinho, o puxador do samba, vez por outra assombrar\u00e1 a Sapuca\u00ed com a gargalhada vital do Homem da Rua. Os tambores portelenses sustentar\u00e3o o samba &#8211; para mim o melhor do ano &#8211; e a bateria sair\u00e1 consagrada pelo juri oficial e pelas premia\u00e7\u00f5es paralelas como a melhor dos desfiles. O malandro gostou da festa e bateu tambor pelas m\u00e3os e baquetas de cada um dos ritmistas.<\/span><span style=\"color: #000080\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Aquela curimba portelense conseguiu, em menos de cinco minutos, sintetizar o que eu tento escrever h\u00e1 tempos, sempre de forma prec\u00e1ria, sobre o perfil civilizador peculiar da nossa cidade. Em um texto de antanhos, ao tentar expressar que civiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 essa, escrevi mais ou menos o seguinte:<\/span><span style=\"color: #000080\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><em><span style=\"color: #000080\">Brado louvores e toco atabaques para festejar a civiliza\u00e7\u00e3o. Sim, a civiliza\u00e7\u00e3o que Jo\u00e3o Candido, Z\u00e9 Pelintra, Pixinguinha, Paulo da Portela, Cunhambebe, Cartola, Noel Rosa, Bide, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, Tia Ciata, Meia Noite, Madame Sat\u00e3, Lima Barreto, Paula Brito, Marques Rebelo, Manduca da Praia, Silas, Anescar, Dona Fia, Fio Maravilha, Le\u00f4nidas da Silva, Di Cavalcanti, os judeus da Pra\u00e7a Onze, a pomba gira cigana, a escrava Anast\u00e1cia, o Cristo de Porto das Caixas, o Z\u00e9 das Couves, o vendedor de mate, o apontador do bicho, o professor, o aluno, o gari, os l\u00edderes anarquistas da greve de 1919, a Banda do Corpo de Bombeiros, a torcida do Flamengo, o p\u00f3-de-arroz, a cachorrada, a nau do Almirante, o Bafo da On\u00e7a, o Cacique de Ramos, o Domingo de Ramos, a festa da Penha, a festa na lage e a cerveja gelada, criaram nesse extremo ocidente. Com baixaria na s\u00e9tima corda e uma sonora gargalhada no final.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Foi exatamente isso que aconteceu na avenida nesta madrugada recente de carnaval. A Portela, s\u00e9tima colocada pelo julgamento oficial, n\u00e3o retornou no desfile das campe\u00e3s. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Melhor assim. O momento \u00fanico, epif\u00e2nico, civilizador, festeiro, celebrador das alforrias do corpo, libertador da alma, encantado nos arrepiados do batuque, n\u00e3o podia mesmo ser repetido. \u00c9 feito o desfile de 1988 da Vila Isabel, a festa da ra\u00e7a com a Kizomba. Naquele ano a Vila ganhou, mas um temporal impediu a realiza\u00e7\u00e3o do desfile das campe\u00e3s. Ser\u00e1 assim com a curimba para Seu Z\u00e9 e a Dona Padilha que a Portela realizou na entrada do Samb\u00f3dromo. Festa de encantaria; Brasil redimido no fuzu\u00ea do tambor suburbano. Irrepet\u00edvel.<\/span><span style=\"color: #000080\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">\u00c9 assim, meus camaradas, que a gente reinventa a vida, zomba do pecado e transforma o corpo em totem. Na ginga do malandro da Portela, no balan\u00e7o dos ombros da Padilha, o sil\u00eancio \u00e9 preenchido e a bateria toca na cad\u00eancia do samba. Ele, o samba, essa nossa gargalhada zombeteira que alumia o mundo.<\/span><\/p>\n<p>http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=HJQ6jE3FXuE<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_NkQtXOJgXw Nesta segunda feira, a coluna &#8220;Hist\u00f3rias Brasileiras&#8221;, do historiador Luiz Antonio Simas, parte da sauda\u00e7\u00e3o feita pela bateria da Portela a Z\u00e9 Pelintra eTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[292],"tags":[18,65,49,9],"class_list":["post-16538","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historias-brasileiras","tag-carnaval","tag-carnaval-2013","tag-portela","tag-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16538","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16538"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16538\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16538"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16538"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16538"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}