{"id":15960,"date":"2013-01-11T05:05:24","date_gmt":"2013-01-11T07:05:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/?p=15960"},"modified":"2013-01-11T05:05:25","modified_gmt":"2013-01-11T07:05:25","slug":"cinecasulofilia-renovacao-no-cinema-brasileiro-atual","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2013\/01\/cinecasulofilia-renovacao-no-cinema-brasileiro-atual\/","title":{"rendered":"Cinecasulofilia &#8211; &#8220;Renova\u00e7\u00e3o no cinema brasileiro atual&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Avenida Bras\u00edlia Formosa - Gabriel Mascaro [Trailer] [HD]\" width=\"525\" height=\"295\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tWzOdBmxSAE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Nesta sexta a <strong>coluna \u201cCinecasulofilia\u201d, do professor, cineasta e cr\u00edtico Marcelo Ikeda<\/strong>, tra\u00e7a um panorama do denominado \u201cnovo\u201d cinema brasileiro.<b><br \/>\n<\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\"><b>Renova\u00e7\u00e3o no cinema brasileiro atual<\/b> <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">\u00c9 poss\u00edvel afirmar que 2010 foi um ano paradigm\u00e1tico num movimento de renova\u00e7\u00e3o de um cinema brasileiro. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Podemos escolher dois acontecimentos-chave que simbolizaram esse momento: o primeiro, logo no in\u00edcio do ano, e o segundo, j\u00e1 em seu final: a exibi\u00e7\u00e3o de <i>A Alegria<\/i> e a premia\u00e7\u00e3o de <i>O C\u00e9u Sobre os Ombros<\/i> nos Festivais de Cannes e de Bras\u00edlia, respectivamente. Essas premia\u00e7\u00f5es \u2013 mais do que meramente legitimar o valor ou a import\u00e2ncia dos filmes \u2013 funcionaram para dar visibilidade a uma produ\u00e7\u00e3o que agora recebe destaque mas que na verdade possui uma trajet\u00f3ria muito anterior aos pr\u00eamios, que ainda permanece subterr\u00e2nea, desconhecida. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Se os festivais e a cr\u00edtica brasileiros come\u00e7am a reconhecer o amadurecimento dessa cena, \u00e9 importante destacar que esse movimento de renova\u00e7\u00e3o do cinema brasileiro n\u00e3o est\u00e1 come\u00e7ando agora, mas que na verdade esses s\u00e3o os frutos de um processo que dura pelo menos dez anos. Nesse sentido, \u00e9 importante observar como esse novo caminho pode ser visto numa complementaridade entre dois pontos: uma nova forma de produ\u00e7\u00e3o e novas possibilidades de difus\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">De um lado, essa nova gera\u00e7\u00e3o encontrou novas possibilidades de express\u00e3o com as tecnologias digitais. Cada vez mais, tornava-se poss\u00edvel realizar um bom filme com meios praticamente amadores. No entanto, esses videos produzidos n\u00e3o conseguiam ser exibidos nos festivais de cinema do Brasil, que, no in\u00edcio deste s\u00e9culo, ainda privilegiavam obras em 35mm. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Estas, para serem produzidas, eram muito custosas, dependendo, portanto, dos editais p\u00fablicos para sua realiza\u00e7\u00e3o. Isso configurava um circuito de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o: obras em 35mm que circulavam nos festivais, e que, para poderem existir, precisavam ganhar editais, ou seja, obras pr\u00e9-formatadas. N\u00e3o \u00e9 que essa configura\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o tenha gerado grandes curtas e apontado para grandes realizadores, mas tornava mais restritas as possibilidades de express\u00e3o audiovisual. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Do mesmo modo, para chegar ao seu primeiro longa-metragem, era preciso que o realizador tivesse formado um \u201ccurr\u00edculo\u201d, ganhando diversos pr\u00eamios com seu curta 35mm nos principais festivais de cinema do pa\u00eds, conquistado a simpatia de uma empresa produtora, para que inscrevesse seu projeto de longa nos poucos editais federais que abriam possibilidades para estreantes, notadamente o da Petrobr\u00e1s e o de Baixo Or\u00e7amento do MinC &#8211; especialmente este \u00faltimo. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">No entanto, a cada edi\u00e7\u00e3o do \u201cBO\u201d eram contemplados apenas quatro ou cinco projetos, e a demanda era muito grande, havendo ainda uma necessidade de divis\u00e3o por regi\u00f5es e a eterna pol\u00edtica de atender aos gostos singulares dos jurados de cada comiss\u00e3o. Assim, grandes realizadores, mesmo com in\u00fameras premia\u00e7\u00f5es nos festivais de cinema no pa\u00eds, demoraram dez anos (ou mais) para realizarem seu primeiro longa. Entre eles, podemos citar Gustavo Spolidoro, Paulo Halm, Phillipe Barcinski, Kleber Mendon\u00e7a Filho, ou outros como Eduardo Nunes e Camilo Cavalcanti, cujos primeiros longas contemplados pelo BO ainda n\u00e3o est\u00e3o conclu\u00eddos. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Ou seja, uma transforma\u00e7\u00e3o da tecnologia (ou da t\u00e9cnica) despertava novas possibilidades, mostrando um novo modo de produ\u00e7\u00e3o, abandonando a depend\u00eancia de um certo modelo de financiamento, e apontando a necessidade de uma nova forma de circula\u00e7\u00e3o dessas obras. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">O circuito fechado come\u00e7ava a se abrir, a se ampliar para novas perspectivas. Uma s\u00e9rie de videos \u2013 baratos, radicais, marginais \u2013 come\u00e7ava a ser produzido nos cinco cantos do pa\u00eds, mas n\u00e3o conseguia circular. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que nesse momento houve uma profus\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o de cineclubes. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">O cineclube era essencialmente um ponto de encontro dessa nova gera\u00e7\u00e3o, que trocava ideias, fuma\u00e7as, afetos, exibia seus filmes e pensamentos, e conhecia outras pessoas para juntos realizarem novos projetos. Ou seja, os cineclubes geravam encontros, que geraram trocas, racionais e sentimentais, que geraram mais filmes, e mais encontros e mais trocas, de modo que esse circuito foi ganhando uma for\u00e7a inesperada, que crescia de forma org\u00e2nica. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Surgia uma curiosidade em tocar os limites de algo que n\u00e3o se sabia muito bem o que era, mas surgia essencialmente de uma insatisfa\u00e7\u00e3o diante de um embolorado rumo das coisas e de uma necessidade de colocar para fora uma nova vis\u00e3o de mundo: por isso, eram filmes confusos, estranhos, de descoberta, que misturavam bitolas (do Super-8 ao VHS) e refer\u00eancias (do pop ao punk, da vida das ruas ao \u201cintelectualismo acad\u00eamico\u201d, de Debord ao sexo expl\u00edcito da Boca), num grande caldo de raiva e desejo, insatisfa\u00e7\u00e3o e maravilhamento. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Essa era a forma pol\u00edtica poss\u00edvel de uma gera\u00e7\u00e3o mostrar a sua cara, uma forma pol\u00edtica diferente dos debates da \u201cidentidade cultural de um pa\u00eds\u201d l\u00e1 dos anos sessenta, mas, no in\u00edcio deste novo s\u00e9culo, parecia ser a forma poss\u00edvel de falar do mundo. Um olhar prec\u00e1rio, confuso, difuso, entediado, mas de alguma forma era um olhar que mostrava uma puls\u00e3o diante das novas possibilidades de encontro que o audiovisual vinha possibilitando. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Nesse contexto, come\u00e7aram a surgir mostras e festivais de cinema que davam espa\u00e7o para as novas obras audiovisuais que eram produzidas nesse novo contexto e que n\u00e3o conseguiam abrigo nos mais tradicionais festivais de cinema do pa\u00eds, ainda voltados para uma outra l\u00f3gica de circula\u00e7\u00e3o, os \u201cgrandes e importantes curtas com uma estrutura de produ\u00e7\u00e3o\u201d. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Esses festivais, com uma l\u00f3gica mais tradicional, carregaram consigo o long\u00ednquo fardo da necessidade de corrobora\u00e7\u00e3o de um processo de \u201cretomada do cinema brasileiro\u201d que, mesmo com todas as iniciativas governamentais, centradas nas leis de incentivo, continuava patinando na necessidade de ocupa\u00e7\u00e3o de um mercado dominado pelo produto hegem\u00f4nico estrangeiro. Por isso, ca\u00eda na doce de ilus\u00e3o de tentar mostrar que o cinema nacional era \u201cforte\u201d e\u00a0 \u201cbem feito\u201d.<a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Avenida-Brasi\u0301lia-Formosa-Fa\u0301bio-filmando-videobook-de-De\u0301bora-divulgaca\u0303oo-foto-Rachel-Ellis.jpg\"><span style=\"color: #000080\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-15963\" alt=\"Avenida-Brasi\u0301lia-Formosa-Fa\u0301bio-filmando-videobook-de-De\u0301bora-divulgaca\u0303oo-foto-Rachel-Ellis\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Avenida-Brasi\u0301lia-Formosa-Fa\u0301bio-filmando-videobook-de-De\u0301bora-divulgaca\u0303oo-foto-Rachel-Ellis-300x216.jpg\" width=\"336\" height=\"241\" srcset=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Avenida-Brasi\u0301lia-Formosa-Fa\u0301bio-filmando-videobook-de-De\u0301bora-divulgaca\u0303oo-foto-Rachel-Ellis-300x216.jpg 300w, http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Avenida-Brasi\u0301lia-Formosa-Fa\u0301bio-filmando-videobook-de-De\u0301bora-divulgaca\u0303oo-foto-Rachel-Ellis-1024x739.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 336px) 100vw, 336px\" \/><\/span><\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Mas havia um outro cinema que acreditava na precariedade como pot\u00eancia e via no processo, e n\u00e3o necessariamente no produto final, um dos pontos-chave de uma nova forma de produ\u00e7\u00e3o, menos hierarquizada e mais flex\u00edvel, dialogando com o document\u00e1rio e com a videoarte, que via uma rela\u00e7\u00e3o de cumplicidade entre o cinema e o mundo, entre a cria\u00e7\u00e3o e a vida. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Ao longo desses dez anos, essa gera\u00e7\u00e3o \u201ctomou corpo\u201d, fortaleceu-se, diversificou seu processo criativo, amadureceu: de modo que hoje \u00e9 poss\u00edvel afirmar que constitui uma nova cena, ou ainda, uma nova gera\u00e7\u00e3o. Dos primeiros curtas-metragens em v\u00eddeo, foi crescendo a certeza de que tamb\u00e9m era poss\u00edvel fazer longas-metragens com o mesmo esp\u00edrito criativo, com o mesmo modo de produ\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">O tabu do \u201cprimeiro longa\u201d foi reduzido: nos \u00faltimos anos, um conjunto de longas-metragens foi produzido ou sem nenhuma grana estatal ou com or\u00e7amentos menores que R$200 mil. Entre eles podemos citar: <i>Estrada Para Ythaca<\/i> e <i>Os Monstros<\/i> (Guto Parente, Luiz e Ricardo Pretti, e Pedro Di\u00f3genes), <i>A Fuga da Mulher Gorila<\/i> (Felipe Bragan\u00e7a e Marina Meliande), <i>Meu Nome \u00e9 Dindi<\/i> (Bruno Safadi), <i>S\u00e1bado \u00e0 Noite<\/i> (Ivo Lopes Ara\u00fajo), <i>Pacific<\/i> (Marcelo Pedroso), <i>Acidente<\/i> (Pablo Lobato e Cao Guimar\u00e3es), <i>Um Lugar ao Sol<\/i> e <i>Avenida Bras\u00edlia Formosa<\/i> e <i>Dom\u00e9stica<\/i> (Gabriel Mascaro), <i>A Casa de Sandro<\/i> e <i>Chantal Akerman, de C\u00e1<\/i> (Gustavo Beck), entre tantos outros, com grande repercuss\u00e3o cr\u00edtica nacional e com participa\u00e7\u00e3o em grandes festivais internacionais, como Locarno e Roterd\u00e3. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Hoje, outros festivais no Brasil destacam-se como centros de refer\u00eancia na difus\u00e3o de novos formatos audiovisuais, como a Mostra do Filme Livre (RJ), a Mostra de Tiradentes (MG), o Festival CineEsquemaNovo (RS), a Janela do Cinema (PE), entre alguns outros. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Em contraposi\u00e7\u00e3o ao modelo dos p\u00f3los de produ\u00e7\u00e3o \u2013 grandes centros que concentram uma infra-estrutura cinematogr\u00e1fica baseada em est\u00fadios de produ\u00e7\u00e3o \u2013, a acessibilidade das tecnologias digitais apontou para um modo de produ\u00e7\u00e3o baseado em redes, em que pequenos n\u00f3dulos de produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o interligados atrav\u00e9s de rela\u00e7\u00f5es fluidas, baseadas na flexibilidade e no dinamismo dos novos modos de produ\u00e7\u00e3o. Existe, portanto, uma multiplica\u00e7\u00e3o de pequenos \u00e1tomos de produ\u00e7\u00e3o, gerando um acentramento dos processos de produ\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Enquanto os p\u00f3los se baseiam numa concentra\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, que geraria economias de escala e de escopo (Hollywood, Vera Cruz, Projac), as redes se estabelecem atrav\u00e9s de rela\u00e7\u00f5es din\u00e2micas, de baixo custo e alta flexibilidade. Reduzindo enormemente os custos fixos, este modelo alternativo de produ\u00e7\u00e3o se estrutura atrav\u00e9s da circula\u00e7\u00e3o dessas obras, possibilitada especialmente pela internet (youtube, vimeo) e pelos circuitos de difus\u00e3o n\u00e3o-comerciais (cineclubes, festivais, itiner\u00e2ncias). Ou ainda, em contraposi\u00e7\u00e3o a um modelo de produ\u00e7\u00e3o industrial, existe um cinema p\u00f3s-industrial, conforme o conceito apresentado por Cezar Migliorin, feito em regime colaborativo, \u00e0 margem dos sistemas oficiais de legitima\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Dessa forma, no Brasil tem recebido destaque um conjunto de realizadores, chamados pela nova cr\u00edtica de \u201cnov\u00edssimo cinema brasileiro\u201d. Seja qual for o r\u00f3tulo que se designe, ele aponta para a emerg\u00eancia de um novo modelo de produ\u00e7\u00e3o, em geral fora do eixo Rio-S\u00e3o Paulo, com a \u00eanfase em processos colaborativos e produ\u00e7\u00f5es em rede. Um exemplo \u00e9 o coletivo Alumbramento, sediado em Fortaleza, Cear\u00e1.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">No filme <i>Estrada Para Ythaca<\/i>, os quatro realizadores \u2013 Luiz e Ricardo Pretti, Guto Parente e Pedro Di\u00f3genes \u2013 exercem todas as fun\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, entre a dire\u00e7\u00e3o, o roteiro, a fotografia, o som direto, a montagem, e sendo, inclusive, atores de seu pr\u00f3prio filme. Dessa forma, a r\u00edgida hierarquia do set de filmagem de uma produ\u00e7\u00e3o tipicamente industrial, comandada pelo diretor ou pelo produtor, \u00e9 rompida, com uma forma de produ\u00e7\u00e3o colaborativa, em que o processo criativo n\u00e3o se d\u00e1 mais pela organiza\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o do trabalho em categorias t\u00e9cnicas isoladas mas sim por um modo de produ\u00e7\u00e3o mais flex\u00edvel, em que as decis\u00f5es criativas s\u00e3o pensadas de uma forma org\u00e2nica. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Da mesma forma, formam-se redes de realizadores, que unem participantes de v\u00e1rios estados do pa\u00eds. \u00c9 o caso do filme <i>O C\u00e9u Sobre os Ombros<\/i>, de S\u00e9rgio Borges, da produtora Teia, de Belo Horizonte. Apesar de ser dirigido por uma \u00fanica pessoa (o realizador S\u00e9rgio Borges), em sua equipe de produ\u00e7\u00e3o existe a presen\u00e7a de outros realizadores, como Clarissa Campolina (assistente de dire\u00e7\u00e3o), Ricardo Pretti (montagem) e Ivo Lopes Ara\u00fajo (fotografia), sendo que os dois \u00faltimos residem no Cear\u00e1, membros do j\u00e1 citado Alumbramento. Dessa forma, a separa\u00e7\u00e3o entre fun\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas \u00e9 apenas aparente, j\u00e1 que esses membros s\u00e3o tamb\u00e9m realizadores, e n\u00e3o meramente t\u00e9cnicos que contribuem isoladamente para a elabora\u00e7\u00e3o da obra. Dessa sinergia, surge um processo colaborativo, que une realizadores de regi\u00f5es geogr\u00e1ficas distintas, fora do eixo Rio-S\u00e3o Paulo. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Este cinema ainda permanece muito pouco visto, restrito ao circuito de mostras e festivais de cinema, j\u00e1 que o lan\u00e7amento comercial no mercado de salas de cinema \u00e9 extremamente concentrado: tr\u00eas ou quatro filmes ocupam metade do circuito exibidor do pa\u00eds, dominado pelos multiplexes. No entanto, a visibilidade desses filmes come\u00e7a a aumentar, respaldada nos coment\u00e1rios cr\u00edticos e na exibi\u00e7\u00e3o de filmes em festivais internacionais, apontando para o vigor dessa nova cena.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta sexta a coluna \u201cCinecasulofilia\u201d, do professor, cineasta e cr\u00edtico Marcelo Ikeda, tra\u00e7a um panorama do denominado \u201cnovo\u201d cinema brasileiro. 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