{"id":13001,"date":"2009-12-11T08:07:00","date_gmt":"2009-12-11T10:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2009\/12\/chama-noel-rosa\/"},"modified":"2009-12-11T08:07:00","modified_gmt":"2009-12-11T10:07:00","slug":"chama-noel-rosa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2009\/12\/chama-noel-rosa\/","title":{"rendered":"CHAMA N\u00d6EL ROSA !"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\">N\u00f6el Rosa \u00e9 um dos inventores do Brasil, g\u00eanio da ra\u00e7a. Deveria ser ensinado nas escolas, cantado nas universidades, bebido nos botequins, saudado nas esquinas e reverenciado nos terreiros.<\/div>\n<div align=\"justify\">N\u00f6el Rosa \u00e9 Exu e Oxal\u00e1 ao mesmo tempo &#8211; homem da rua, dono do corpo, malandro maneiro, azougue de c\u00e9u e terra, civilizador afoito e velho s\u00e1bio. Feito Obatal\u00e1 bebeu o vinho de palma, dormiu na sombra da palmeira, largou a medicina como se larga a tarefa de Olodumare, zombou da sorte, n\u00e3o criou o mundo mas moldou no verso &#8211; ritmado em samba &#8211; o homem.<\/div>\n<div align=\"justify\">N\u00f6el Rosa \u00e9 tapa na cara do preconceito e prova evidente de que o maior elemento civilizador do Brasil \u00e9 o samba. N\u00e3o pensou em remover favela &#8211; subiu o morro, aprendeu, ensinou, bateu, levou e inventou a vida entre o pandeiro e a viola. Branco azedo entre os pretos, feito camisa do Botafogo.<\/div>\n<div align=\"justify\">N\u00f6el Rosa \u00e9 conversa de botequim, futebol no r\u00e1dio de pilha, conta pendurada, caldo verde pra curar ressaca, conversa fiada, sacanagem no port\u00e3o, punheta de garoto, p\u00eara uva ma\u00e7\u00e3 salada mista, selo carni\u00e7a nova, pipa no c\u00e9u, bola ou b\u00falica, vida pela sete, com tabela na ca\u00e7apa do meio. Brasil que gosta do Brasil.<\/div>\n<div align=\"justify\">N\u00f6el Rosa \u00e9 festa da Penha, novena, quermesse, tambor de mina, sess\u00e3o de mesa, doce de Cosme, baile nos infernos, flor e navalha, afago e pernada, gol de letra e gol de m\u00e3o, pomba da paz e galo de rinha, Est\u00e1cio, Tijuca, Vila &#8211; o Brasil que sabe, e Morengueira confirma, que em casa de malandro o vagabundo n\u00e3o pede emprego.<\/div>\n<div align=\"justify\">N\u00f6el Rosa viveu no tempo em que do morro da Mangueira se enxergava a Vila Isabel. Hoje, entre o Buraco Quente e o Boulevart, existe o pr\u00e9dio da Universidade do Estado do Rio de Janeiro pra esculhambar a vista &#8211; e n\u00e3o se ensina o poeta, e n\u00e3o se canta o poeta na universidade: Pior pra ela.<\/div>\n<div align=\"justify\">N\u00f6el Rosa faz anivers\u00e1rio hoje: nasceu no dia 11 de dezembro de 1910. Nunca morreu; encantou-se em Vila Isabel aos vinte e seis anos, feito Mestre da Jurema, Z\u00e9 Pilintra, caboclo de pena, boiadeiro de la\u00e7o, er\u00ea de cachoeira, bugre do mato, malandro da encruza e exu cati\u00e7o. <\/div>\n<div align=\"justify\">N\u00f6el Rosa \u00e9 da fam\u00edlia dos encantados que moram nas esquinas, campos de v\u00e1rzea e botecos vagabundos, e baixam quando a noite \u00e9 grande e a cacha\u00e7a \u00e9 farta: Man\u00e9 Garrincha, Aleijadinho, Bispo do Ros\u00e1rio, Jo\u00e3o da Baiana, Cartola, M\u00e3e Senhora, Geraldo Assoviador, Villa Lobos, Bimba, Pastinha, Camafeu de Ox\u00f3ssi, Lima Barreto e Zulu, mestre do Favela, s\u00e3o da mesma guma de ajuremados &#8211; os caboclos nossos, brasileiros.<\/div>\n<div align=\"justify\">Chama N\u00f6el Rosa, seu Wilson das Neves, chama :<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00f6el Rosa \u00e9 um dos inventores do Brasil, g\u00eanio da ra\u00e7a. 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