{"id":12972,"date":"2010-02-05T12:52:00","date_gmt":"2010-02-05T14:52:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/02\/o-carnaval-do-chacrinha\/"},"modified":"2010-02-05T12:52:00","modified_gmt":"2010-02-05T14:52:00","slug":"o-carnaval-do-chacrinha","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/02\/o-carnaval-do-chacrinha\/","title":{"rendered":"O CARNAVAL DO CHACRINHA"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_OmnJuwB8hy0\/S2w3GNtfM8I\/AAAAAAAAA3Y\/vZF4tO8OcdM\/s1600-h\/a5558bd3e8afa3ddbb26d76955e809fa456.jpg\"><img decoding=\"async\" border=\"0\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/a5558bd3e8afa3ddbb26d76955e809fa456.jpg\"><\/a><\/p>\n<div align=\"justify\">Outro dia me perguntaram sobre quem eu acho que faz falta no reino de Momo. Respondi de bate pronto, inspirado pela proximidade do furdun\u00e7o: Abelardo Chacrinha Barbosa , o menino levado da breca. Ouso dizer que a hist\u00f3ria do Carnaval brasileiro seria diferente sem a figura\u00e7a do Chacrinha.<\/p>\n<p>O cabra era conterr\u00e2neo do meu av\u00f4. Nasceu em Surubim, interior de Pernambuco, e iniciou sua carreira de comunicador , no in\u00edcio dos anos 30, na R\u00e1dio Clube de Pernambuco, no Recife. Paralelamente ao trabalho como locutor, estudava medicina na Faculdade do Recife e era m\u00fasico &#8211; percussionista dos bons &#8211; de um conjunto relativamente famoso na capital pernambucana, o <em>Bando Acad\u00eamico.<\/p>\n<p><\/em>Sem um puto no bolso, Abelardo Barbosa acabou aceitando um convite de um amigo para virar baterista da orquestra do navio <em>Bag\u00e9<\/em>, em turn\u00ea pela Europa. A medicina foi pro belel\u00e9u e o nosso Chacrinha foi fazer esporro no velho continente.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a foi \u00f3tima. Chacrinha m\u00e9dico \u00e9 rigorosamente inacredit\u00e1vel. Algu\u00e9m consegue imaginar o Doutor Chacrinha comandando, por exemplo, uma cirurgia de apendicite, todo de branco, na beca? N\u00e3o d\u00e1.<\/p>\n<p>Ao voltar da Europa, Abelardo aproveitou uma escala que o navio fez no Rio de Janeiro e resolveu ficar na capital federal. N\u00e3o conseguiu emprego nas maiores r\u00e1dios do Rio. A Tupi, por exemplo, argumentou que Chacrinha nunca faria sucesso na comunica\u00e7\u00e3o, em virtude de seu temperamento amador, ideias an\u00e1rquicas e sotaque de cabra da peste.<\/p>\n<p>Ferrado de grana, arrumou um biscate como locutor de vendas da loja &#8220;O Toalheiro&#8221;. Foi descoberto no meio da rua, fantasiado de chuveiro, por um diretor da R\u00e1dio Clube de Niter\u00f3i, pequena emissora que tinha como sede uma ch\u00e1cara em Icara\u00ed. A dire\u00e7\u00e3o da r\u00e1dio deu autonomia para Abelardo criar uma atra\u00e7\u00e3o de fim de noite. Foi a\u00ed que o locutor teve a id\u00e9ia de fazer um programa com m\u00fasicas carnavalescas, cujo nome fazia refer\u00eancia ao local de onde era transmitido : <em>O Rei Momo na Chacrinha<\/em>. Isso mesmo. A chacrinha era a pequena ch\u00e1cara em Icara\u00ed de onde a R\u00e1dio Clube transmitia sua programa\u00e7\u00e3o. Virou, com o tempo, o apelido definitivo de Abelardo Barbosa.<\/p>\n<p>O programa fez sucesso, sobretudo em raz\u00e3o das extravag\u00e2ncias do apresentador. Chacrinha recebia seus convidados de cuecas, toalhas de banho, fraldas, babador e len\u00e7o na cabe\u00e7a. Dependendo da marchinha que estivesse fazendo sucesso, aparecia caracterizado de \u00e1rabe, colombina, \u00edndio, pirata, tirol\u00eas, jardineira e outras maluquices. Em certa feita amea\u00e7ou tirar a roupa na frente da atriz Zez\u00e9 Macedo e a pol\u00edcia invadiu a ch\u00e1cara para evitar o streaptease do locutor. Vem desta \u00e9poca alguns bord\u00f5es ( Terezinhaaaaaa!! Voc\u00eas querem bacalhau? ) que posteriormente marcaram a atua\u00e7\u00e3o de Chacrinha em r\u00e1dios maiores e na televis\u00e3o.<\/p>\n<p>Ficou famoso o dia em que, na r\u00e1dio, o programa de Abelardo apresentou aos cariocas o cantor ga\u00facho Teixeirinha. Enquanto Teixerinha cantava &#8220;Cora\u00e7\u00e3o de Luto&#8221; &#8211; o \u00e9pico &#8220;churrasquinho de m\u00e3e&#8221; &#8211; as macacas de audit\u00f3rio choravam de forma incontrol\u00e1vel e Chacrinha simulava um enfarto que chegou a levar o pronto socorro e a r\u00e1dio patrulha ao est\u00fadio de transmiss\u00e3o. Boatos sobre a morte de Chacrinha no ar, sob forte emo\u00e7\u00e3o ap\u00f3s escutar Teixeirinha, levaram uma multid\u00e3o \u00e0 sede da emissora. O pr\u00f3prio apresentador ligou clandestinamente para uma funer\u00e1ria para que enviassem um caix\u00e3o para o &#8220;comunicador Chacrinha&#8221;. O furdun\u00e7o terminou na delegacia, com o menino levado da breca sendo enquadrado por perturbar a ordem p\u00fablica.<\/p>\n<p>Curioso foi o papel exercido pelo comunicador, j\u00e1 na televis\u00e3o, nos anos de chumbo do regime militar. Os cr\u00edticos do regime acusavam Chacrinha de promover a aliena\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das massas, jogando bacalhaus para a plat\u00e9ia, buzinando calouros e divulgando astros da m\u00fasica cafona. O regime , por sua vez, investigou Chacrinha. O apresentador chegou a prestar esclarecimentos ao departamento de censura federal, sob a acusa\u00e7\u00e3o de que promovia pornografia barata, atentava contra a fam\u00edlia brasileira e divulgava piadas de sentido d\u00fabio, al\u00e9m de expor mulheres seminuas no palco para afastar a juventude dos estudos e despertar a libido nos jovens (uso os termos que o departamento de censura utilizou) &#8211; as chacretes, gostos\u00edssimas, de inesquec\u00edvel mem\u00f3ria para gera\u00e7\u00f5es de adolescentes.<\/p>\n<p>Chacrinha foi tamb\u00e9m compositor de marchinhas carnavalescas politicamente incorret\u00edssimas, em parceria com Jo\u00e3o Roberto Kelly. S\u00e3o da dupla p\u00e9rolas como Maria Sapat\u00e3o, Eu t\u00f4 cheio de mulher (com a inacredit\u00e1vel interpreta\u00e7\u00e3o do ator M\u00e1rio Gomes, na \u00e9poca conhecido como Dino Cenoura &#8211; algu\u00e9m lembra por que? ) e Bota a camisinha. No fundo, era isso mesmo que Chacrinha fazia: carnaval o ano inteiro. Fantasiado de abacaxi, noiva, bombeiro, borboleta, pirata, \u00edndio e o escambau, o menino de Surubim, velho palha\u00e7o, esculhambou tudo. O que acho dele? O pr\u00f3prio definiu perfeitamente seu papel na comunica\u00e7\u00e3o brasileira com uma frase emblem\u00e1tica: Eu vim para confundir, e n\u00e3o para explicar. <\/p><\/div>\n<p><\/p>\n<div align=\"justify\">Fiquem agora com essa verdadeira raridade, pescada no Youtube. Chacrinha canta, de forma hil\u00e1ria, a marchinha <em>Como vai, vai bem?<\/em> , lan\u00e7ada no Carnaval de 1966: <\/div>\n<div align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/%3cobject%20width=%22425%22%20height=%22344%22%3e%3cparam%20name=%22movie%22%20value=%22http\/\/www.youtube.com\/v\/89CtblXP4oE&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;%22%3E%3C\/param%3E%3Cparam%20name=%22allowFullScreen%22%20value=%22true%22%3E%3C\/param%3E%3Cparam%20name=%22allowscriptaccess%22%20value=%22always%22%3E%3C\/param%3E%3Cembed%20src=%22http:\/\/www.youtube.com\/v\/89CtblXP4oE&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;%22%20type=%22application\/x-shockwave-flash%22%20allowscriptaccess=%22always%22%20allowfullscreen=%22true%22%20width=%22425%22%20height=%22344%22%3E%3C\/embed%3E%3C\/object%3E\"><\/p>\n<p><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">Evo\u00e9!<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Outro dia me perguntaram sobre quem eu acho que faz falta no reino de Momo. Respondi de bate pronto, inspirado pela proximidade do furdun\u00e7o: AbelardoTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-12972","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12972","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12972"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12972\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12972"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12972"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12972"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}