{"id":12966,"date":"2010-02-10T13:46:00","date_gmt":"2010-02-10T15:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/02\/carnavalescas-destino-d-pedro-ii\/"},"modified":"2010-02-10T13:46:00","modified_gmt":"2010-02-10T15:46:00","slug":"carnavalescas-destino-d-pedro-ii","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/02\/carnavalescas-destino-d-pedro-ii\/","title":{"rendered":"CARNAVALESCAS &#8211; DESTINO D. PEDRO II"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\"><span><em>Camaradas, esse espa\u00e7o decreta, definitivamente, o in\u00edcio das festas de Momo. N\u00e3o escreverei, at\u00e9 o final do furdun\u00e7o, nada in\u00e9dito nessas bandas. Aceitei a sujest\u00e3o que me deram: relembrar alguns textos que escrevi no antigo blog sobre os sambas de enredo que me comovem, com m\u00ednimas modifica\u00e7\u00f5es. Vou come\u00e7ar com um texto sobre um samba monumental, publicado originalmente no dia 18 de dezembro de 2008: 33 &#8211; Destino D. Pedro II. D\u00e1 licen\u00e7a:<\/em><\/span><\/div>\n<div align=\"justify\">O sujeito, quando \u00e9 importante mesmo, n\u00e3o vira est\u00e1tua. Sempre tive, quando crian\u00e7a, a impress\u00e3o de que o neg\u00f3cio \u00e9 virar nome de rua, avenida, rodovia, est\u00e1dio de futebol com capacidade para 120 mil pessoas, ou ent\u00e3o aparecer estampado no dinheiro &#8211; o que reputo como ser\u00edssimo. Durante muito tempo achei que o homem mais importante do mundo tinha sido o Bar\u00e3o do Rio Branco, cuja ef\u00edgie marcou as notas de mil cruzeiros em tempos d\u00b4antanho. Vai ver que vem da\u00ed minha conhecida obsess\u00e3o pela tumba do Bar\u00e3o, no cemit\u00e9rio do Caju &#8211; muito mais imponente que o Cristo Redentor.<\/div>\n<div align=\"justify\">Disse isso porque, na verdade, quero falar de D. Pedro II. Ou melhor, quero falar da Companhia de Estrada de Ferro D. Pedro II, inaugurada em 1855 com o objetivo de cortar o territ\u00f3rio brasileiro a partir da cidade do Rio de Janeiro &#8211; Munic\u00edpio da Corte. Vejam a moral imensa do nosso segundo Pedro &#8211; virou em vida, aos 30 anos, companhia ferrovi\u00e1ria.<\/div>\n<div align=\"justify\">O primeiro trecho da ferrovia, conclu\u00eddo nos idos de 1858, ligou a Esta\u00e7\u00e3o da Aclama\u00e7\u00e3o, aqui no Rio, \u00e0 Freguesia de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o de Marapicu ( que hoje atende pelo horroroso nome de Queimados). Os trens percorriam a esta\u00e7\u00e3o do Campo, Engenho Novo, Cascadura, Maxambomba (minha querida Nova Igua\u00e7u) e chegavam ent\u00e3o ao destino.<\/div>\n<div align=\"justify\">Pouco depois houve a extens\u00e3o dos trilhos at\u00e9 a esta\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m (atual Japeri). Da\u00ed em diante, a bichinha foi fazendo piu\u00ed-tictac-piu\u00ed, transp\u00f4s a serra, chegou a Barra do Pira\u00ed e tomou o rumo das Minas Gerais.<\/div>\n<div align=\"justify\">Quando a turma verde oliva e o pessoal do caf\u00e9 proclamaram a Rep\u00fablica, em 1889, retiraram o nome de D. Pedro II da companhia ferrovi\u00e1ria, que passou a se chamar Central do Brasil. Uma pena e uma indelicadeza com o velho imperador, brasileiro de boa cepa. Em 1975 a Central do Brasil virou Rede Ferrovi\u00e1ria Federal S.A. . Hoje \u00e9 a Supervia. Continuo chamando de Central e n\u00e3o discuto.<\/div>\n<div align=\"justify\">Mas mudar o nome, como diria o travesti Rog\u00e9ria, \u00e9 o de menos. Outros fizeram pior com a ferrovia, sucateada p\u00e1cas e v\u00edtima preferencial da perspectiva rodoviarista que marcou o Brasil a partir da d\u00e9cada de 1950 &#8211; em especial durante os anos JK, com a duplica\u00e7\u00e3o da rodovia Presidente Dutra (trocar D. Pedro II pelo Dutra, ali\u00e1s, \u00e9 um disparate). A import\u00e2ncia da estrada de ferro diminuiu e desde ent\u00e3o o neg\u00f3cio s\u00f3 fez degringolar.<\/div>\n<div align=\"justify\">Dizem que hoje a coisa est\u00e1 um pouquinho &#8211; s\u00f3 um pouquinho &#8211; melhor &#8211; mas o fato \u00e9 que pelo menos at\u00e9 o in\u00edcio dos anos 90 o sufoco da rapaziada que dependia do trem pra se despencar da Baixada Fluminense at\u00e9 o Centro da Cidade do Rio, cortando o sub\u00farbio e vivendo a experi\u00eancia de sardinha em lata, n\u00e3o era mole. Meu av\u00f4 dizia que o sujeito dentro do trem, na hora do pega pra capar (os mais descolados preferem a express\u00e3o a hora do rush) andava mais apertado que S\u00e3o Jorge na lua minguante &#8211; e acabava fazendo o papel do pobre do drag\u00e3o, que fique claro.<\/div>\n<div align=\"justify\">Como, por\u00e9m, \u00e9 inerente ao ser humano produzir cultura e reinventar a vida, a coisa terminou em samba &#8211; e por essa eu garanto que D. Pedro II, mais chegado num minueto com a Condessa de Barral, n\u00e3o esperava.<\/div>\n<div align=\"justify\">Em 1984 a Em Cima da Hora, tradicional agremia\u00e7\u00e3o de Cavalcante, desfilou com o enredo 33 &#8211; Destino D. Pedro II. O relato sobre o cotidiano da popula\u00e7\u00e3o que depende do trem \u00e9 comovente e difere completamente de uma certa tradi\u00e7\u00e3o que marcou durante anos os enredos das escolas &#8211; as grandes efem\u00e9rides, vultos nacionais, her\u00f3is da negritude, mitologias ind\u00edgenas, obras liter\u00e1rias, natureza exuberante e por a\u00ed vai.<\/div>\n<div align=\"justify\">O neg\u00f3cio foi t\u00e3o bonito e o defile t\u00e3o emocionante (vamos sublimar em poesia \/ a raz\u00e3o do dia a dia\/ pra ganhar o p\u00e3o \u00e9 das melhores defini\u00e7\u00f5es sobre como transformar o perrengue em arte que conhe\u00e7o) que o hino cantado na avenida &#8211; dos compositores Guar\u00e1 e Jorginho das Rosas &#8211; acabou sendo gravado por Jovelina P\u00e9rola Negra. \u00c9 comovente.<\/div>\n<div align=\"justify\">Salve (m) o trem e a rapaziada que depende dele !<\/div>\n<div align=\"justify\">.. <\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Camaradas, esse espa\u00e7o decreta, definitivamente, o in\u00edcio das festas de Momo. N\u00e3o escreverei, at\u00e9 o final do furdun\u00e7o, nada in\u00e9dito nessas bandas. 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