{"id":12811,"date":"2012-11-23T08:15:00","date_gmt":"2012-11-23T10:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/11\/jackson-do-brasil-exu-cantava-coco\/"},"modified":"2012-12-30T10:25:16","modified_gmt":"2012-12-30T12:25:16","slug":"jackson-do-brasil-exu-cantava-coco","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/11\/jackson-do-brasil-exu-cantava-coco\/","title":{"rendered":"JACKSON DO BRASIL (EXU CANTAVA COCO)"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_OmnJuwB8hy0\/TDhTndgBIkI\/AAAAAAAABAk\/zQqmGJNhT1Q\/s1600\/Jackson-do-Pandeiro.jpg\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/Jackson-do-Pandeiro.jpg\" border=\"0\" \/><\/a><\/div>\n<div>Jackson do Pandeiro est\u00e1 para a m\u00fasica brasileira como Man\u00e9 Garrincha para o nosso futebol.\u00a0Senhor absoluto na arte do ritmo, o do Pandeiro fazia\u00a0uns balacobacos com a voz\u00a0ao cantar seus cocos, xotes, quadrilhos, bai\u00f5es, sambas, marchas e frevos que s\u00f3 encontram similar na cultura do drible, da ginga, do faz- que-vai-n\u00e3o-vai do\u00a0anjo torto\u00a0dos gramados.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Jackson pintava o sete feito o camisa sete, \u00a0cantava indo e voltando da linha de fundo at\u00e9, subitamente, bater em gol ou mandar a redonda\u00a0pro fuzu\u00ea da\u00a0pequena \u00e1rea. Era\u00a0versado no gog\u00f3 e em seus atalhos, \u00a0como o velho Pastinha fazia ao menear\u00a0o corpo retinto\u00a0no jogo de angola. Era Seu Z\u00e9\u00a0chegando\u00a0das Alagoas e\u00a0baixando na guma, de terno branco, len\u00e7o de seda e o escambau.Cresci ouvindo muito Jackson pintar os cavacos. Criado por av\u00f3s e m\u00e3e pernambucana, os sons e os ritmos do nordeste formaram, ao lado do samba carioca, a trilha sonora sentimental que definiu os meus jeitos de escutar o mundo. Nos fuzu\u00eas de fam\u00edlia, com a malungada, era nesses arrepiados de sanfona e pandeiro, com o zabumba, que a vida festejava suas alegrias. E eram tr\u00eas, os grandes do Norte.<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O centen\u00e1rio Luiz Gonzaga, senhor da trindade sant\u00edssima da m\u00fasica do nordeste, \u00a0tinha a majestade de Oxaluf\u00e3, o pai maior. A sanfona\u00a0era seu opaxor\u00f4; cajado de segredos. O velho Lua vestia o gib\u00e3o de couro com a fidalguia grande de Bab\u00e1 ao trajar o pano branco.Jo\u00e3o do Vale,\u00a0o segundo da trina\u00a0, tinha\u00a0o olhar desconfiado\u00a0de Od\u00e9 e o poder ca\u00e7ador\u00a0de sua flecha certeira. Fez do carcar\u00e1 &#8211;\u00a0o que pega, mata e come &#8211;\u00a0\u00a0o pass\u00e1ro das feiticeiras do pa\u00eds nag\u00f4. Passou a vida\u00a0 pisando na ful\u00f4 e\u00a0aprendeu o segredo de subir nos ares e brincar na\u00a0asa do vento &#8211;\u00a0aquele que\u00a0muita gente desconhece.<\/p>\n<p>E como Jackson jogava\u00a0nessa linha de frente divina e \u00a0infernal? O do\u00a0Pandeiro\u00a0cantava como Exu, no riscado, na fresta, malandreando no\u00a0sincopado, desconversando, rindo feito o\u00a0capeta no coco. Desconfio mesmo que era o dono do corpo, Laroi\u00ea, que chegava junto, fungando no cangote do\u00a0malandro.<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Jackson nos deixou em 1982, h\u00e1 trinta anos.\u00a0Foi malandrear\u00a0no terreiro grande do Orum, Aruanda dos pretos, macaia macaiana dos caboclos.\u00a0Ouvir Jackson \u00e9 quase um ritual, feito\u00a0tomar cacha\u00e7a, pedir licen\u00e7a na encruza,\u00a0\u00a0oferecer a do santo, responder o coco na palma da m\u00e3o, ralar o bucho no forr\u00f3 em Limoeiro, xaxar na Para\u00edba, arrumar\u00a0encrenca com a mulher do An\u00edbal e\u00a0louvar o mirradinho que ajuremou e cantava pra caralho.&nbsp;<\/p>\n<p>Abra\u00e7os<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jackson do Pandeiro est\u00e1 para a m\u00fasica brasileira como Man\u00e9 Garrincha para o nosso futebol.\u00a0Senhor absoluto na arte do ritmo, o do Pandeiro fazia\u00a0uns balacobacosTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[292],"tags":[295,297],"class_list":["post-12811","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historias-brasileiras","tag-brasileiras","tag-encantarias"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12811","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12811"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12811\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12811"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12811"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12811"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}