{"id":12457,"date":"2009-09-01T16:03:00","date_gmt":"2009-09-01T18:03:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2009\/09\/samba-de-terca-natal-da-portela\/"},"modified":"2009-09-01T16:03:00","modified_gmt":"2009-09-01T18:03:00","slug":"samba-de-terca-natal-da-portela","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2009\/09\/samba-de-terca-natal-da-portela\/","title":{"rendered":"Samba de Ter\u00e7a &#8211; Natal da Portela"},"content":{"rendered":"<div>Hoje a nossa j\u00e1 tradicional se\u00e7\u00e3o do Ouro de Tolo ser\u00e1 um pouquinho diferente. Atrav\u00e9s de dois sambas e tr\u00eas desfiles, farei uma homenagem e uma rever\u00eancia ao maior presidente da hist\u00f3ria da minha Portela, Natalino Jos\u00e9 do Nascimento, o Natal da Portela (1905-1975).<\/p>\n<p>Natal foi homenageado pela primeira vez no carnaval portelense de 1984, &#8220;Contos de Areia&#8221; &#8211; v\u00eddeo acima. O enredo era uma homenagem a tr\u00eas baluartes da escola: Natal, Paulo da Portela e Clara Nunes, relacionados, respectivamente, a Ox\u00f3ssi, Oranian e Yans\u00e3.<\/p>\n<p>A sinopse dos carnavalescos Edmundo Braga e Paulino Esp\u00edrito Santo era bem clara:<\/p>\n<p><span>&#8220;Portela &#8211; Cantando sua gente falamos de voc\u00ea !<\/span><\/p>\n<p><span>&#8230; e estava escrito. Quando o beato Padre Anchieta escreveu o poema sobre a virgem sant\u00edssima nas areias da beira mar, estava sem d\u00favida compondo tamb\u00e9m um canto de louvor a Yemanj\u00e1, pois nessa terra o sincretismo religioso e a miscigena\u00e7\u00e3o j\u00e1 eram uma decis\u00e3o do criador.<\/span><\/p>\n<p><span>Com os negros cativos no banzo da saudade, viajaram nos caminhos do medo e da humilha\u00e7\u00e3o os orix\u00e1s mais tem\u00edveis e amados para renascerem em terra casta nos filhos dos seus filhos, e na dinastia de &#8220;Reis Negros&#8221; para serem perpetuados em ritos-mitos e dengos. E hoje mesmo que as \u00e1guas das mar\u00e9s do tempo cubram de espuma o mito de cada um de n\u00f3s escrito nas areias da praia gravado ficar\u00e1 para sempre na mem\u00f3ria dos espa\u00e7os infinitos os nossos CONTOS DE AREIA.<\/span><\/p>\n<p><span>ABERTURA<\/span><\/p>\n<p><span>Se a lenda \u00e9 irreal e a hist\u00f3ria tradi\u00e7\u00e3o, nada mais l\u00f3gico que seja a Bahia o cen\u00e1rio da intimidade entre homens e Deuses porque a velha Bahia \u00e9&#8230;.<\/span><br \/><span>&#8230; o ber\u00e7o da hist\u00f3ria<\/span><br \/><span>&#8230; a terras das lendas<\/span><br \/><span>&#8230; a tendas dos Orix\u00e1s<\/span><br \/><span>&#8230; o santu\u00e1rio dos Deuses Negros<\/span><\/p>\n<p><span>MOMENTO I<\/span><\/p>\n<p><span>1\u00ba Conto<\/span><br \/><span>De como Oranian, Orix\u00e1 Negro por designo de Olorun, senhor da vida e da morte, criou do nada com seu manto azul o c\u00e9u, o mar, a terra.<\/span><\/p>\n<p><span>1\u00ba Mito<\/span><br \/><span>De como um sambista influenciado por Oranian criou do nada o riso, a amizade, a beleza em azul e branco: a Portela. O ABC de Paulo Benjamin de Oliveira (Paulo da Portela)<\/span><\/p>\n<p><span>MOMENTO II<\/span><\/p>\n<p><span>2\u00ba Conto<\/span><br \/><span>De como o Rei Keto-Ox\u00f3ssi, zelador dos homens e bichos, dominou os espa\u00e7os verdes, campos e cerrados para que a cria\u00e7\u00e3o perpetuasse nas gl\u00f3rias de Orum.<\/span><\/p>\n<p><span>2\u00ba Mito<\/span><br \/><span>De como um sambista influenciado por Ox\u00f3ssi um Deus Negro, forjou e perpetuou o Santu\u00e1rio do Samba &#8211; A Portela. Dono de bicho, amigos dos homens, sambista de f\u00e9&#8230;. O ABC de Natalino Jos\u00e9 do Nascimento (Natal)<\/span><\/p>\n<p><span>MOMENTO III<\/span><\/p>\n<p><span>3\u00ba Conto<\/span><br \/><span>De como Oi\u00e1 Yans\u00e3, Orix\u00e1 Rainha Guerreira &#8211; deusa dos homens &#8211; soberana dos Eguns, bailou nos ventos e rasgou o tempo, tecendo com o jogo dos c\u00e9us acordes de gl\u00f3rias e brandos de luta.<\/span><\/p>\n<p><span>3\u00ba Mito<\/span><br \/><span>De como uma sambista da mais pura tradi\u00e7\u00e3o mesti\u00e7a, deusa do branco amor e paz, fulgor azul dos raios da guerra, cantou as tradi\u00e7\u00f5es, gl\u00f3rias e hinos de luta da sua escola Portela.<\/span><\/p>\n<p><span>MOMENTO IV<\/span><\/p>\n<p><span>FINAL &#8211; PORTELA NA AVENIDA<\/span><br \/><span>Raz\u00e3o \u00fanica deste enredo<\/span><\/p>\n<p><span>E no Pante\u00e3o Azul e Branco, Portela e outros deuses negros se fizeram presentes para que incorporados em seus s\u00faditos formassem a constela\u00e7\u00e3o fulgurante das estrelas gloriosas.<\/span><br \/><span>\u00c1guias de ouro de brados e luta.<\/span><br \/><span>\u00c1guias de prata de luz e paz.<\/span><br \/><span>No azul a homenagem viva dos que aplaudem os que agora na Avenida desfilam.<\/span><br \/><span>No branco a gl\u00f3ria eterna aos que nas saudades nos guiam.<\/span><br \/><span>Para que hoje fosse o exemplo do passado e que no futuro cada um de n\u00f3s tenha gravado na mem\u00f3ria dos tempos.<\/span><br \/><span>Nossos feitos &#8211; nossas gl\u00f3rias &#8211; nossos CONTOS DE AREIA !<\/span><\/p>\n<p><span><span>(Fonte: <a href=\"http:\/\/www.galeriadosamba.com.br\/\">Galeria do Samba<\/a>)<\/span><\/span><\/p>\n<p>A Portela desfilou j\u00e1 na manh\u00e3 de segunda feira de carnaval daquele 1984, estr\u00e9ia do Samb\u00f3dromo, com 5.000 declarados componentes. Reza a lenda de que, enquanto os primeiros desfilantes j\u00e1 deixavam a dispers\u00e3o, ainda haviam alas em frente ao pr\u00e9dio dos Correios aguardando a sua vez de passar pela avenida, tamanho o gigantismo da Portela.<\/p>\n<p>Com 203 pontos, a escola foi a campe\u00e3 do desfile de domingo daquele ano, obtendo posteriormente o segundo lugar no supercampeonato disputado no desfile do s\u00e1bado das campe\u00e3s.<\/p>\n<p>O samba, de autoria de Ded\u00e9 da Portela e Norival Reis e puxado por Silvinho, \u00e9 um cl\u00e1ssico:<\/p>\n<p><span>&#8220;Bahia \u00e9 um encanto a mais<\/span><br \/><span>Vis\u00e3o de aquarela<\/span><br \/><span>E no ABC dos orix\u00e1s<\/span><br \/><span>Oranian \u00e9 Paulo da Portela<\/span><br \/><span>Um mundo azul e branco<\/span><br \/><span>O Deus negro fez nascer<\/span><br \/><span>Paulo Benjamim de Oliveira<\/span><br \/><span>Fez esse mundo crescer<\/span><br \/><span> <\/span><br \/><span>Ok\u00ea, ok\u00ea Oxossi<\/span><br \/><span>Faz nossa gente sambar<\/span><br \/><span>Ok\u00ea, ok\u00ea Natal<\/span><br \/><span>Portela \u00e9 canto no ar<\/span><br \/><span> <\/span><br \/><span>Jogo feito, banca forte<\/span><br \/><span>Qual foi o bicho que deu ?<\/span><br \/><span>Deu \u00c1guia, s\u00edmbolo da sorte<\/span><br \/><span>Pois vintes vezes venceu<\/span><br \/><span> <\/span><br \/><span>\u00c9 cheiro de mato<\/span><br \/><span>\u00c9 terra molhada <\/span><br \/><span>\u00c9 Clara Guerreira<\/span><br \/><span>L\u00e1 vem trovoada<\/span><\/p>\n<p><span>Epa-hei! Ians\u00e3 Epa-hei !<\/span><br \/><span> <\/span><br \/><span>Na ginga do estandarte<\/span><br \/><span>Portela derrama arte<\/span><br \/><span>Neste enredo sem igual<\/span><br \/><span>Faz da vida poesia<\/span><br \/><span>E canta sua alegria<\/span><br \/><span>Em tempo de carnaval<\/span>&#8220;<\/p>\n<p>Em 1987 a Tradi\u00e7\u00e3o, escola fundada no final de 1984 a partir de uma dissid\u00eancia da Portela, estreou na Passarela do Samba, desfilando pelo hoje Grupo de Acesso A com uma homenagem a Natal da Portela.<\/p>\n<p>Explico: naqueles tempos haviam apenas quatro grupos de escolas. Os dois primeiros desfilavam no Samb\u00f3dromo e os demais, em outros espa\u00e7os. O segundo grupo desfilava na sexta feira de carnaval e o s\u00e1bado era reservado aos blocos de enredo.<\/p>\n<p>O enredo era de autoria do mesmo Paulino Esp\u00edrito Santo, carnavalesco portelense em 1984. Evocava a hist\u00f3ria de vida de Natal da Portela, sendo dedicado exclusivamente a ele.<\/p>\n<p>Belo samba, era de autoria da dupla Jo\u00e3o Nogueira e Paulo C\u00e9sar Pinheiro e puxado por Kandonga. Com ele, a Tradi\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou o vice campeonato do segundo grupo, empatado em pontos com a Unidos da Tijuca; entretanto perdeu no desempate. Assim mesmo, o resultado serviu para que a escola fosse promovida, pela primeira vez, ao Olimpo do samba.<\/p>\n<p>O curioso \u00e9 que a escola obteve 203 pontos, igual ao total obtido pela Portela em 1984.<\/p>\n<p>Vamos \u00e0 letra, do tempo em que a Tradi\u00e7\u00e3o ainda era uma escola s\u00e9ria e n\u00e3o este pastiche a que assistimos anualmente:<\/p>\n<p><span>&#8220;Vem chegando a Tradi\u00e7\u00e3o<\/span><br \/><span>Benzendo o ch\u00e3o da passarela<\/span><br \/><span>E pra falar nos Sonhos de Natal<\/span><br \/><span>Pedimos licen\u00e7a a nossa querida Portela<\/span><br \/><span>Entre Oswaldo Cruz e Madureira<\/span><br \/><span>Ele p\u00f4s sua bandeira<\/span><br \/><span>E fez seu estado maior<\/span><br \/><span>Senhor da f\u00e9 e patrono da alegria<\/span><br \/><span>Samba, jogo e valentia<\/span><br \/><span>Comandou com um bra\u00e7o s\u00f3<\/span><br \/><span>Com um bra\u00e7o s\u00f3<\/span><br \/><span>Com um bra\u00e7o s\u00f3, j\u00e1 dei tapa em vagabundo<\/span><br \/><span>Dei a volta pelo mundo mas tamb\u00e9m j\u00e1 fiz o bem<\/span><br \/><span>Com um bra\u00e7o s\u00f3, vou viver a vida inteira<\/span><br \/><span>Mandando em Madureira e em outras terras tamb\u00e9m<\/span><br \/><span>Oh Natal<\/span><br \/><span>Oh Natal que saudade<\/span><br \/><span>Foram dezenove Carnavais<\/span><br \/><span>Toda cidade era felicidade<\/span><br \/><span>Sonhos bonitos que j\u00e1 n\u00e3o voltam mais<\/span><br \/><span>Vem e guia seus filhos<\/span><br \/><span>No derradeiro sonho do seu cora\u00e7\u00e3o<\/span><br \/><span>Volta pra avenida iluminada<\/span><br \/><span>Mostra pra rapaziada<\/span><br \/><span>Que \u00e9 a Tradi\u00e7\u00e3o<\/span><br \/><span>Chegou, chegou mas s\u00f3 vem quem quer<\/span><br \/><span>Quem \u00e9 sonhador, como a gente \u00e9<\/span><br \/><span>Chegou, chegou pra dizer no p\u00e9<\/span><br \/><span>Respeitando os sonhos do senhor da f\u00e9<\/span>&#8220;<\/p>\n<p><\/div>\n<div>Em 2004, a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) prop\u00f4s que as escolas reeeditassem antigos sambas na comemora\u00e7\u00e3o de seus 20 anos de exist\u00eancia, <a href=\"http:\/\/pedromigao.blogspot.com\/2009\/08\/samba-de-terca_18.html\">como escrevi no texto sobre &#8220;O C\u00edrio de Nazar\u00e9&#8221;<\/a>.<\/p>\n<p>E o que faz a Tradi\u00e7\u00e3o ? Em acordo com a escola da qual se originou, resolve reeditar o mesmo samba de 1984 trazido pela Portela na ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>A sinopse dava bem uma medida dos novos tempos que vivia o desfile das grandes escolas de samba do Rio de Janeiro. Somente a introdu\u00e7\u00e3o, que reproduzo abaixo, era maior que a sinopse inteira de 1984. Depois reclamam porque, ano ap\u00f3s ano, os sambas s\u00f3 pioram&#8230;<\/p>\n<p>Passemos \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o do enredo, na sinopse:<\/p>\n<p><span>&#8220;Enredo: Contos de areia &#8211; Paulo da Portela, Natal e Clara Nunes<\/span><br \/><span>Autores do enredo: Edmundo Braga e Paulino do Esp\u00edrito Santo<\/span><br \/><span>Carnavalesco: Orlando J\u00fanior<\/span><br \/><span>Elabora\u00e7\u00e3o de Enredo: Hiram Ara\u00fajo, Vicente Dattoli e Ricardo Cravo Albin<\/span><\/p>\n<p><span>Tal e qual a Liga Independente das Escolas de Samba, a Tradi\u00e7\u00e3o completar\u00e1, em 2004, 20 anos.<\/span><br \/><span>Somos a ca\u00e7ulinha do Grupo Especial.<\/span><br \/><span>Quando a Liga sugeriu que, para comemorar seu vig\u00e9simo anivers\u00e1rio, as Escolas reeditassem antigos sucessos, imediatamente a Tradi\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a buscar, entre as co-irm\u00e3s, um samba (e um enredo) que pudessem fazer parte desta festa &#8211; nossa Escola n\u00e3o teria algo de seu para exibir.<\/span><br \/><span>E isso ficou na mente de nossos diretores e simpatizantes.<\/span><br \/><span>Com a libera\u00e7\u00e3o, por parte da Liga, dos rumos a seguir, passamos a estudar outras possibilidades de enredo.<\/span><br \/><span>Batia forte, por\u00e9m, dentro de n\u00f3s um desejo&#8230; <\/span><br \/><span>Fomos procurados por amigos que tinham grandes id\u00e9ias.<\/span><br \/><span>Empresas nos assediaram&#8230; Enfim, op\u00e7\u00f5es n\u00e3o faltavam. <\/span><br \/><span>Mas continua latente em todos n\u00f3s a vontade de falar de algo que preenche nossas vidas: falar do Carnaval, de pessoas amigas, de gente do samba. <\/span><br \/><span>Muitos de nossos fundadores (para n\u00e3o exagerar e dizer todos) eram &#8211; alguns ainda o s\u00e3o &#8211; componentes da Portela. <\/span><br \/><span>Portela tantas vezes campe\u00e3. Portela de Paulo, Portela de Natal, Portela de Clara&#8230; <\/span><br \/><span>Como n\u00e3o somos donos de nossas vidas, em 1984 muitos de n\u00f3s realizaram seus \u00faltimos desfiles na Portela. <\/span><br \/><span>Conquistamos o t\u00edtulo do desfile de Domingo de Carnaval. <\/span><br \/><span>Inesquec\u00edvel. <\/span><br \/><span>Agora, com a possibilidade que a Liga nos abre, vamos falar exatamente daquele samba, daquele enredo. <\/span><br \/><span>Infelizmente muitos dos que ajudaram a realizar aquele sonho n\u00e3o est\u00e3o mais conosco. Pelo menos n\u00e3o aqui &#8211; mas certamente vibrar\u00e3o ao ver o que iremos preparar para o grande p\u00fablico da Sapuca\u00ed. <\/span><br \/><span>Com a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Paulo, de Natal e de Clara, a Tradi\u00e7\u00e3o tem o prazer de apresentar para quem n\u00e3o conhece, e relembrar para quem n\u00e3o esquece&#8230; <\/span><br \/><span>&#8220;Contos de Areia&#8221; <\/span><\/p>\n<p><span>E estava escrito&#8230; <\/span><br \/><span>Quando o beato padre Anchieta escreveu o poema \u00e0 Virgem Sant\u00edssima nas areias \u00e0 beira mar, estava sem d\u00favida compondo tamb\u00e9m um canto de louvor a Iemanj\u00e1, pois nesta terra o sincretismo e a miscigena\u00e7\u00e3o j\u00e1 eram decis\u00e3o do Criador. <\/span><br \/><span>E n\u00e3o era press\u00e1gio, era afirma\u00e7\u00e3o quando os antigos, negros como noite, carapinhas prata de luar passavam de boca em boca, nos seus risos banguela os cantos mais secretos e mitos nos long\u00ednquos tempos de abeucuta &#8211; \u00d3io e Keto. <\/span><br \/><span>Afirmavam que seus deuses mais queridos, orix\u00e1s mais tem\u00edveis, voariam com seu povo cativo na humilha\u00e7\u00e3o e na escravid\u00e3o renasceriam em segredo nos filhos dos seus filhos, nos netos dos seus netos, em terra casta de al\u00e9m mar para serem cultuados e perpetuados em ritos, mitos e dengos. <\/span><br \/><span>A escravid\u00e3o do tempo chegou e ficou, at\u00e9 que os raios da aurora rasgassem o v\u00e9u negro da noite e a luz trouxe o presente. <\/span><br \/><span>E nas praias molhadas de mar &#8211; outra vez Contos de Areia s\u00e3o escritos, poemas cantados, rabiscos gravados mostrando que cada um de n\u00f3s &#8211; gr\u00e3o de areia &#8211; incorpora uma personalidade m\u00edstica ancestral, vinda de longe, para formar no santu\u00e1rio negro e sacro mosaico dos nossos destinos. <\/span><br \/><span>Mesmo que os ventos quentes dos desertos nos seus redemoinhos fren\u00e9ticos espalhem as douradas dunas e com a sua dan\u00e7a lasciva apague os poemas e mem\u00f3rias neles escritos. <\/span><br \/><span>Mesmo que as \u00e1guas azuis das mar\u00e9s cubram de espuma o mito de cada um de n\u00f3s, escritos nas areias das praias &#8211; gravados ficar\u00e3o para sempre na mem\u00f3ria dos espa\u00e7os infinitos os &#8220;Contos de Areia&#8221; <\/span><\/p>\n<p><span>ABERTURA: <\/span><br \/><span>Todo conto &#8211; contado <\/span><br \/><span>Reza &#8211; rezada <\/span><br \/><span>Mito &#8211; narrado <\/span><br \/><span>Sonho &#8211; sonhado <\/span><\/p>\n<p><span>Precisa de um lugar para ser contado &#8211; rezado &#8211; narrado &#8211; e sonhado. <\/span><br \/><span>Se a lenda \u00e9 fantasia, e a fantasia \u00e9 o irreal, nada mais l\u00f3gico que seja na Bahia o local de incorpora\u00e7\u00e3o e uni\u00e3o entre Homens e &#8220;Santos&#8221; porque a Bahia \u00e9&#8230; <\/span><br \/><span>O ber\u00e7o das lendas <\/span><br \/><span>A terra dos mitos <\/span><br \/><span>Tenda dos Orix\u00e1s <\/span><br \/><span>Santu\u00e1rio dos deuses negros <\/span><br \/><span>Bahia que entre o mar e a poesia tem um porto &#8211; Salvador. <\/span><br \/><span>Bahia onde os Contos s\u00e3o sonhos, os sonhos poesia, poesia negritude como as lendas do seu povo e as ra\u00edzes do seu passado fincadas na \u00c1frica. <\/span><br \/><span>Bahia &#8211; cidade gorda, farta de dend\u00ea e cacau, que debru\u00e7ada sobre o mar, finge n\u00e3o saber de nada, fica tomando sua fresca, vendo a lua se escamar na mar\u00e9 enchente, seus saveiros serenos, suas ladainhas seus segredos, santos e orix\u00e1s. <\/span><br \/><span>Verdes vales &#8211; conventos e igrejas cor de osso &#8211; orikis alujas, ebos e festan\u00e7as o ano todo. <\/span><br \/><span>Bahia onde tudo se mistura, se disfar\u00e7a, sendo duas coisas ao mesmo tempo &#8211; caruru prato t\u00edpico e Amal\u00e1 Xang\u00f4 &#8211; S\u00e3o Jorge, santo de f\u00e9, Oxossi, orix\u00e1 dos bichos e ca\u00e7ador l\u00e1 das bandas de Ijeb\u00fa Ode. <\/span><br \/><span>Na Bahia o mar \u00e9 azul <\/span><br \/><span>o c\u00e9u \u00e9 azul <\/span><br \/><span>o rio vermelho \u00e9 azul <\/span><br \/><span>S\u00f3 as areias s\u00e3o brancas onde s\u00e3o escritos, contados e sonhados com sabedoria os ABC da vida. <\/span><br \/><span>A hist\u00f3ria da cada um de n\u00f3s, que teve na vida a gl\u00f3ria de poder trilhar com garbo e raz\u00e3o os caminhos tra\u00e7ados por Olodumar\u00e9, o Criador. <\/span>(&#8230;)&#8221;<\/p>\n<p><span><span>(Fonte: <a href=\"http:\/\/www.galeriadosamba.com.br\/\">Galeria do Samba<\/a>)<\/span><\/span><\/p>\n<p>A Tradi\u00e7\u00e3o fez um desfile melhor que os seus dois carnavais anteriores, mas longe de poder disputar uma das primeiras classifica\u00e7\u00f5es. A escola foi a primeira a desfilar na noite de 23 fevereiro de 2004, embaixo de uma chuva constante.<\/p>\n<p>Eu desfilei pela escola e digo que valeu apenas por cantar o samba. A Harmonia amarrou demais o desfile &#8211; era uma ala semi-coreografada &#8211; e meus joelhos do\u00edam bastante.<\/p>\n<p>A escola de Campinho, bem diferente daquela de 1987, obteve o d\u00e9cimo segundo lugar no desfile daquele ano, com 372,9 pontos.<\/p>\n<p>Mas eu me redimiria&#8230;<\/p>\n<p><\/div>\n<div>2009 marcava minha volta \u00e0 Portela desdea trag\u00e9dia de 2005. Fiquei tr\u00eas carnavais sem desfilar pela escola devido ao nascimento das minhas filhas. E&#8230;<\/p>\n<p>&#8230; o esquenta da escola foi justamente com &#8220;Contos de Areia&#8221;. Pude cantar o samba pela minha escola do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para saber mais sobre a vida de Natal da Portela, o site <a href=\"http:\/\/www.portelaweb.com.br\/\">PortelaWeb<\/a>, do qual fa\u00e7o parte da equipe respons\u00e1vel, possui um \u00f3timo material sobre a vida de nosso maior presidente.<\/p>\n<p>Semana que vem, falarei de um samba de que gosto muito, e que ser\u00e1 reeditado em 2010: &#8220;E por falar em Saudade&#8221;, Caprichosos de Pilares.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje a nossa j\u00e1 tradicional se\u00e7\u00e3o do Ouro de Tolo ser\u00e1 um pouquinho diferente. 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