{"id":12408,"date":"2009-09-17T18:12:00","date_gmt":"2009-09-17T20:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2009\/09\/resenha-literaria-espirito-santo\/"},"modified":"2009-09-17T18:12:00","modified_gmt":"2009-09-17T20:12:00","slug":"resenha-literaria-espirito-santo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2009\/09\/resenha-literaria-espirito-santo\/","title":{"rendered":"Resenha Liter\u00e1ria &#8211; &quot;Esp\u00edrito Santo&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/SrJxCnUgR_I\/AAAAAAAAA5E\/jkUTzGZBkzA\/s1600-h\/Esp%C3%ADrito+Santo.jpg\" imageanchor=\"1\"><img decoding=\"async\" border=\"0\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/Esp%C3%ADrito+Santo.jpg\"><\/a><\/div>\n<div>Hoje a nossa resenha trata de um assunto pol\u00eamico.\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Trata da captura do Judici\u00e1rio e da Pol\u00edcia pelo crime organizado e pela pistolagem. Tamb\u00e9m mostra o corporativismo dos ju\u00edzes e as teias de prote\u00e7\u00e3o montadas entre os diferentes agentes que deveriam cumprir a lei e a ordem, mas que fomentam a desordem e a anomia.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Falo de <a href=\"http:\/\/www.travessa.com.br\/ESPIRITO_SANTO\/artigo\/fa623d5b-e09e-409c-80e5-8504dccee79e\">&#8220;Esp\u00edrito Santo&#8221; (Editora Objetiva, 234 pp.)<\/a>, escrito por Luis Eduardo Soares, Carlos Eduardo Ribeiro Lemos e Rodney Rocha Miranda.\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>A partir do assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, ocorrido em mar\u00e7o de 2003, os autores descrevem como o estado estava nas m\u00e3os de bandidos de farda e de toga. Contam a hist\u00f3ria do crime, suas motiva\u00e7\u00f5es, a investiga\u00e7\u00e3o e o desfecho.\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>No caminho, v\u00e3o mostrando o corporativismo do Judici\u00e1rio, a quadrilha instalada no comando da Pol\u00edcia do estado e a omiss\u00e3o do governo local at\u00e9 2002. Tamb\u00e9m aparecem pistoleiros, &#8220;queima de arquivo&#8221; disfar\u00e7ada em fugas de pres\u00eddios e uma crueldade que perpassa todas as a\u00e7\u00f5es do grupo.\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Os juizes Alexandre (que foi meu colega de peladas em Cascadura, na inf\u00e2ncia) e Carlos Eduardo, lotados na Vara de Execu\u00e7\u00f5es Penais, come\u00e7am a estranhar certos benef\u00edcios de progress\u00e3o penal aplicados pelo chefe deles, o juiz M\u00e1rio S\u00e9rgio.\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Puxam o fio da meada e come\u00e7am a investigar as rela\u00e7\u00f5es existentes entre coron\u00e9is da Pol\u00edcia Militar, ju\u00edzes respons\u00e1veis pelos presos do estado e pol\u00edticos. Pedem aux\u00edlio ao governo federal, dada a contamina\u00e7\u00e3o do aparato estadual, e forma-se um grupo de trabalho a fim de investigar estes crimes; em especial assassinatos por encomenda. Mas n\u00e3o somente esses.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Ressalto que este grupo de trabalho foi formado ap\u00f3s o Ministro da Justi\u00e7a ter anunciado interven\u00e7\u00e3o federal no estado e o ent\u00e3o Presidente Fernando Henrique Cardoso, vetado para proteger o \u00e0 \u00e9poca governador Jos\u00e9 Ign\u00e1cio &#8211; seu aliado pol\u00edtico.\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Ap\u00f3s o assassinato do juiz, com o apoio do Secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a Rodney Miranda &#8211; trazido de fora do estado pelo Governador Paulo Hartung &#8211; o grupo especial dedicou-se de um lado a investigar o assassinato do colega e, por outro, desbaratar a quadrilha que se apossara do comando do Estado.\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Com o tempo, percebe-se a contamina\u00e7\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio e seu extremo corporativismo. N\u00e3o vou contar o final do livro aqui, mas a impress\u00e3o que passa e perpassa \u00e9 de que no momento em que abrirem a caixa preta deste poder, ir\u00e3o sair toda forma e esp\u00e9cie de delitos. A id\u00e9ia que formei \u00e9 que este fen\u00f4meno n\u00e3o parece ser exclusividade do estado capixaba.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Outa faceta do livro \u00e9 relatar as pequenas vit\u00f3rias deste grupo especial e a progressiva reimplanta\u00e7\u00e3o de lei e da ordem no estado. Ainda h\u00e1 muito o que se fazer, por\u00e9m a quadrilha que comandava as entranhas do estado parece n\u00e3o deter mais o monop\u00f3lio do poder.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>H\u00e1 hist\u00f3rias inacredit\u00e1veis contadas, como a do pistoleiro de aluguel que descreve em depoimento sua forma de executar os crimes e, depois, \u00e9 deliberadamente entregue para ser assassinado pelo Judici\u00e1rio e a Pol\u00edcia Federal locais.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Outra hist\u00f3ria \u00e9 a da &#8220;propina com recibo&#8221;, que ocorria na Assembl\u00e9ia Legislativa at\u00e9 2002 e que era comandada pelo Presidente da casa. <\/div>\n<p><\/p>\n<div>No fim das contas, prenderam-se nove acusados da morte do juiz. No momento em que o livro foi escrito, 2009, seis deles encontravam-se presos, e os tr\u00eas mandantes, soltos por ordem do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justi\u00e7a.\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Mandantes esses um juiz, que teve o processo encerrado e reiniciado pelo Ministro do STF Marco Aur\u00e9lio Mello; um coronel reformado da PM, emin\u00eancia parda do aparato de seguran\u00e7a do Esp\u00edrito Santo e chefe da quadrilha que se apossou do estado, cujo processo dorme nas gavetas do STJ e habeas corpus concedido pelo pr\u00f3prio Marco Aur\u00e9lio Mello. O terceiro, empres\u00e1rio influente e &#8220;operador&#8221; em diversos neg\u00f3cios escusos, tamb\u00e9m recorreu ao STJ, onde o processo repousa em alguma gaveta destas da vida.\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Nas palavras dos autores:<\/div>\n<p><i>&#8220;Os acusados pela execu\u00e7\u00e3o e seus auxiliares diretos, que est\u00e3o condenados e presos, s\u00e3o pobres, moravam em bairros pobres e t\u00eam baixa escolaridade. Os dois policiais condenados ocupam posi\u00e7\u00f5es subalternas na corpora\u00e7\u00e3o militar.<\/i><\/p>\n<p><i>Por outro lado, os tr\u00eas acusados pelo planejamento e a contrata\u00e7\u00e3o dos executores ainda aguardam julgamento. Em liberdade. Eles t\u00eam graus elevados de escolaridade e n\u00edveis de renda altos. Por sua vez, o policial envolvido \u00e9 um coronel, isto \u00e9, ocupa a posi\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica superior na institui\u00e7\u00e3o. <\/i><\/p>\n<div><i>Essa n\u00e3o \u00e9 a cara de nosso pa\u00eds ?&#8221;<\/i><\/div>\n<p><i><\/i><\/p>\n<div><\/div>\n<div><i>(pp. 229)<\/i><\/div>\n<p><\/p>\n<div><\/div>\n<div>Traduzindo, \u00e9 a &#8220;Doutrina Gilmar Mendes&#8221;: &#8216;cadeia \u00e9 somente para pobre, preto e puta&#8217;.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>O bacana da narrativa \u00e9 que os autores, envolvidos diretamente na hist\u00f3ria, narram os acontecimentos como se fosse um livro policial. Absolutamente envolvente. O livro \u00e9 indispens\u00e1vel.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Por outro lado, confesso que fiquei chocado, em especial com os detalhes da conduta dos componentes do Poder Judici\u00e1rio. N\u00e3o me parece ser coisa localizada n\u00e3o.\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Fecho esta resenha com mais uma frase dos autores:\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div><i>&#8220;(&#8230;) como sempre, aos pol\u00edticos o holocausto, a pira sacrifical. Ao Judici\u00e1rio, \u00e0 magistratura, temor reverencial e sil\u00eancio. (&#8230;)&#8221;<\/i><\/div>\n<p><\/p>\n<div><i>P.S. &#8211; Pr\u00f3xima resenha dever\u00e1 ser de um livro sobre cerveja. Algo mais leve&#8230; <\/i><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje a nossa resenha trata de um assunto pol\u00eamico.\u00a0 Trata da captura do Judici\u00e1rio e da Pol\u00edcia pelo crime organizado e pela pistolagem. 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