{"id":12297,"date":"2009-11-11T11:21:00","date_gmt":"2009-11-11T13:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2009\/11\/lula-no-financial-times-entrevista\/"},"modified":"2009-11-11T11:21:00","modified_gmt":"2009-11-11T13:21:00","slug":"lula-no-financial-times-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2009\/11\/lula-no-financial-times-entrevista\/","title":{"rendered":"Lula no Financial Times &#8211; Entrevista"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/Svq36LCeO2I\/AAAAAAAABKo\/w0ytD-sSvTg\/s1600-h\/Alencar.jpg\" imageanchor=\"1\"><img decoding=\"async\" border=\"0\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/Alencar.jpg\"><\/a><\/div>\n<div>O Presidente Luis In\u00e1cio Lula da Silva deu uma entrevista ao jornal brit\u00e2nico Financial Times bastante interessante, onde ele aborda assuntos que, normalmente, a imprensa daqui n\u00e3o se preocupa em saber. Destaco, entre tantos assuntos, o reconhecimento ao vice-presidente Jos\u00e9 de Alencar. Outros temas interessantes s\u00e3o o modelo de Estado em seu pensamento e o racioc\u00ednio pol\u00edtico do presidente.<\/p>\n<p>Apesar de um tanto quanto extensa, vale muito a pena a leitura. Agrade\u00e7o ao <a href=\"http:\/\/www.viomundo.com.br\/voce-escreve\/na-entrevista-ao-financial-times-lula-elogia-a-oposicao\/\">Viomundo <\/a>pela disponibiliza\u00e7\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Entrevista publicada no dia 8 de novembro pelo jornal brit\u00e2nico Financial Times:<\/b><\/p>\n<p><i>Financial Times: Sr. Presidente, me diga, como \u00e9 que o Brasil saiu da crise financeira e econ\u00f4mica global t\u00e3o rapidamente?<\/i><\/p>\n<p>Presidente Lula: Bom, primeiro de tudo, eu acredito que \u00e9 importante para voc\u00ea entender o que aconteceu no Brasil antes da crise. Est\u00e1vamos determinados a acabar com a paralisia que o Brasil sofreu durante os anos 80 e 90. O Brasil teve de voltar ao caminho do crescimento e investir em infra-estrutura como condi\u00e7\u00e3o para o sucesso nas d\u00e9cadas futuras. Uma coisa importante \u00e9 que muitas das medidas que alguns pa\u00edses\u00a0 tomaram s\u00f3 ap\u00f3s a crise, o Brasil j\u00e1 as havia feito em janeiro de 2007.<\/p>\n<p>Deixe-me lhe dizer algo que vai soar como uma ironia do destino. Eu tinha medo de concorrer a um segundo mandato. N\u00e3o estava satisfeito com a id\u00e9ia de concorrer novamente. Por qu\u00ea? Porque eu tinha a impress\u00e3o de que um segundo mandato, poderia ser apenas mais da mesma coisa. Teria falta de motiva\u00e7\u00e3o se as coisas n\u00e3o fossem bem, e tudo que t\u00ednhamos conseguido fazer no primeiro mandato, n\u00e3o seria suficientemente bom para sustentar um segundo mandato. Eu ainda tinha muito vivo em minha mente os erros de Fernando Henrique Cardoso [Fernando Henrique Cardoso, seu antecessor ], em seu segundo mandato. O fracasso dele ainda estava em minha mente.<\/p>\n<p>Muito bem, em 2006, discutindo o segundo mandato, disse aos meus colegas que era necess\u00e1rio come\u00e7ar 2007 com um programa de investimento que iria nos ocupar completamente nos pr\u00f3ximos quatro anos. E n\u00f3s preparamos o PAC. O PAC \u00e9 o programa de crescimento acelerado. O PAC iria ser lan\u00e7ado em 2006. Mas um dos meus conselheiros em comunica\u00e7\u00e3o aconselhou-me n\u00e3o lan\u00e7\u00e1-lo em 2006, porque seria visto como parte da campanha de pol\u00edticos durante as elei\u00e7\u00f5es, e que poderia perder a credibilidade com a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E os meus assessores disseram &#8211; &#8220;Voc\u00ea n\u00e3o precisa do programa de acelera\u00e7\u00e3o do crescimento para ganhar esta elei\u00e7\u00e3o&#8221; &#8211; as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2006. Ent\u00e3o, o PAC foi lan\u00e7ado somente ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es, e \u00e9 isso que n\u00f3s fizemos em 22 de janeiro de 2007. E o PAC foi uma das principais raz\u00f5es da crise ter chegado tarde ao Brasil e \u00e9 uma das raz\u00f5es do Brasil ter sa\u00eddo da crise em primeiro lugar, porque para um pa\u00eds desenvolvido, US $ 300 bilh\u00f5es de investimentos \u00e9 nada, mas para um pa\u00eds do tamanho do Brasil que n\u00e3o estava acostumado a fazer tais investimentos, os investimentos p\u00fablicos, um programa de investimentos do governo para quatro anos de US $ 300 bilh\u00f5es, era um desafio extraordin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o o que aconteceu realmente foi que, quando veio a crise, o Brasil j\u00e1 est\u00e1 fazendo muitos investimentos, coisa que outros pa\u00edses s\u00f3 come\u00e7aram a discutir hoje. O Brasil j\u00e1 estava fazendo investimentos pesados. As coisas j\u00e1 estavam em curso e, em uma reuni\u00e3o com o meu Ministro da Fazenda, com o Presidente do Banco Central, com o Ministro do Planejamento, disse a eles, &#8220;temos agora de tratar a economia como se estiv\u00e9ssemos em guerra&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00e3o pod\u00edamos perder tempo em reuni\u00f5es e ouvindo um monte de pessoas. As medidas anti-c\u00edclicas tinham que ser implementadas imediatamente. E n\u00f3s tivemos a participa\u00e7\u00e3o do Congresso. Isso foi muito importante, porque todas as medidas, todos os projetos que n\u00f3s mandamos para o Congresso para enfrentar a crise, o Congresso aprovou-los muito rapidamente. Mesmo a oposi\u00e7\u00e3o passou nossas medidas muito rapidamente em uma demonstra\u00e7\u00e3o clara de que todos estavam muito preocupados com os efeitos da crise no nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00c9 importante lembrar que em 22 de dezembro de 2008, eu fiz algo que eu nunca imaginei que eu faria. Houve um grande p\u00e2nico provocado pela imprensa e nos meios de comunica\u00e7\u00e3o sobre os E.U.A, o que estava acontecendo na Gr\u00e3-Bretanha, na Europa, uma crise mundial, e toda a imprensa dizendo que o consumo iria cair. Ent\u00e3o eu fui na TV nacional e fiz uma declara\u00e7\u00e3o, uma declara\u00e7\u00e3o de nove minutos para chamar o povo brasileiro a comprar mais, consumir mais de uma forma respons\u00e1vel. Havia uma id\u00e9ia de que os trabalhadores n\u00e3o estavam comprando mais nada porque estavam com medo de perder seus empregos, e eles n\u00e3o conseguiriam pagar suas presta\u00e7\u00f5es, suas contas. Fui \u00e0 televis\u00e3o para dizer que era compreens\u00edvel esse medo de perder o emprego, mas que eu tinha certeza que eles iriam perder seus empregos se n\u00e3o comprassem nada. Portanto, era necess\u00e1rio que, dentro do or\u00e7amento de cada um, dever\u00e1mos comprar tudo o que n\u00f3s esttv\u00e9ssemos interessados em comprar.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo concedemos incentivos fiscais para a ind\u00fastria automobil\u00edstica, para produtos de linha branca, geladeiras, m\u00e1quinas de lavar, fog\u00f5es e materiais de constru\u00e7\u00e3o. E por \u00faltimo, mas n\u00e3o menos importante, anunciamos um programa de constru\u00e7\u00e3o de um milh\u00e3o de casas para a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda, das quais metade s\u00e3o para a faixa de renda muito baixa, que \u00e9 de zero a tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos. E n\u00f3s colocamos R $ 100 bilh\u00f5es, o equivalente a US $ 50 bilh\u00f5es a mais ou menos, no banco de desenvolvimento nacional, um banco estatal, pelo que poder\u00e1 financiar projetos de desenvolvimento.<\/p>\n<p>Lan\u00e7amos no mercado mais R $ 100 bilh\u00f5es dos dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios que os bancos t\u00eam de manter no Banco Central, para abrir os fluxos de cr\u00e9dito. Fizemos os bancos p\u00fablicos comprarem as carteiras de bancos pequenos usadas para financiar compras de carros usados e n\u00f3s tomamos a iniciativa de comprar dois bancos importantes; a Caixa Econ\u00f4mica do Estado de S\u00e3o Paulo e 50 por cento do Banco Votorantim . Isso \u00e9 um banco de direito privado.<\/p>\n<p>Por que fazemos isso? Porque o mercado de carros usados ficou paralisado, completamente sem vendas. Se voc\u00ea n\u00e3o vender seu carro usado, voc\u00ea n\u00e3o compra um carro novo, e Banco do Brasil, que \u00e9 um banco estatal, n\u00e3o tinha experi\u00eancia neste dom\u00ednio, no financiamento de ve\u00edculos usados, assim, ao inv\u00e9s de ensinar o seu pessoal a aprender sobre financiamento de carros usados, compramos um banco que tinha grande experi\u00eancia no mercado de carros usados; o governo comprou 50 por cento desse banco.<\/p>\n<p>E hoje, gra\u00e7as a Deus, o mercado se normalizou e a ind\u00fastria automobil\u00edstica no Brasil \u00e9 vende normalmente os carros novos.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o, n\u00f3s tamb\u00e9m enfrentamos um problema muito s\u00e9rio de venda de caminh\u00f5es. N\u00f3s quer\u00edamos renovar a frota de caminh\u00f5es no Brasil. E agora n\u00f3s desenvolvemos um programa de financiamento para permitir que as pessoas possam comprar caminh\u00f5es novos, em condi\u00e7\u00f5es altamente vantajosas. Assim, o aut\u00f4nomo, motorista free-lance poderia comprar seu pr\u00f3prio caminh\u00e3o.<\/p>\n<p>Em julho do ano passado, lan\u00e7amos um outro programa chamado Mais e Melhor Alimenta\u00e7\u00e3o, e que financiou a compra de 60.000 tratores e 300.000 m\u00e1quinas agr\u00edcolas para a agricultura familiar.<\/p>\n<p><i>FT: Senhor Presidente, sobre a imagem que o senhor descreveu para um grande momento. O senhor disse que estava preocupado com o seu segundo mandato. Muitos financistas internacionais e dos mercados de Wall Street estavam preocupados antes e durante o seu primeiro mandato. Ser\u00e1 que eles erraram a leitura? Que tipo de socialista o senhor \u00e9?<br \/><\/i><br \/>PL: Primeiro de tudo, eles erraram a leitura, mesmo. Se as pessoas tivessem lido minha biografia, perceberiam a forma sempre muito respons\u00e1vel que conduzimos nossa atividade junto ao\u00a0 movimento sindical no Brasil, e se essas pessoas levassem em conta o fato de que t\u00ednhamos perdido tr\u00eas elei\u00e7\u00f5es anteriores, e que hav\u00edamos esperado por 12 anos, tempo suficiente para o partido amadurecer e para um candidato a amadurecer. E eu era o \u00fanico candidato\u00a0 no Brasil que n\u00e3o poderia falhar. Eu n\u00e3o podia me dar ao luxo de cometer erros. Eu n\u00e3o poderia proceder do mesmo modo que [Lech] Wa\u0142\u0119sa fez na Polonia, ou nenhum trabalhador jamais seria eleito presidente novamente.Est\u00e1vamos trabalhando com a id\u00e9ia da necessidade do sucesso, para que outros trabalhadores pudessem ter os mesmos sonhos que tive, e eles tamb\u00e9m poderiam concorrer \u00e0 presid\u00eancia. Ent\u00e3o, eu estava trabalhando obsessivamente com a convic\u00e7\u00e3o de que eu n\u00e3o podia cometer erros.<\/p>\n<p>Assim, em n\u00edvel internacional, acredito que eles fizeram uma an\u00e1lise sociol\u00f3gica \u00e0s pressas. Eles me julgaram erradamente, a mim mesmo e o nosso partido al\u00e9m de subestimar nossas possibilidades. Os melhores intelectuais no Brasil estavam nos apoiando.T\u00ednhamos ao nosso lado a maioria dos movimentos sociais. T\u00ednhamos o apoio da maioria do movimento oper\u00e1rio. T\u00ednhamos uma grande parte da esquerda pol\u00edtica no Brasil. Tamb\u00e9m tivemos ao nosso lado o que faltava para eu termos vencido as elei\u00e7\u00f5es anteriores, e que foi um grande empres\u00e1rio como meu vice-presidente; ter algu\u00e9m da classe empresarial para ser meu vice-presidente, que era a maneira de conquistar os 20 por cento dos votos que faltaram em cada uma das elei\u00e7\u00f5s anteriores.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o eu trouxe para ser\u00a0 vice-presidente uma pessoa que considero ser o melhor vice-presidente do mundo, um homem do mundo empresarial, que tem hoje a maior empresa t\u00eaxtil no mundo. Ele \u00e9\u00a0 vice-presidente e ajudou a quebrar tabus e preconceitos no mundo empresarial. Este foi um passo importante que s\u00f3 depois das elei\u00e7\u00f5es alguns setores empresariais come\u00e7aram a compreender, e aqui eu quero dizer publicamente, que Gordon Brown era algu\u00e9m muito importante, uma pessoa muito importante, porque atrav\u00e9s de todo esse tempo, ele confiava no Brasil e sempre falou bem do meu governo. E o diretor-gerente do FMI, eu me lembro de uma reuni\u00e3o em Paris, em 2003, quando eu estava conversando com [Horst] K\u00f6hler sobre o Brasil, sobre a minha vida. Isso foi quando eu tinha sido pouco menos de um m\u00eas no cargo. E, de repente, est\u00e1vamos abra\u00e7ados e n\u00f3s est\u00e1vamos a chorar.<\/p>\n<p><i>FT: O qu\u00ea, voc\u00ea K\u00f6hler?<\/i><\/p>\n<p>PL: Sim, em Paris, 2003; janeiro de 2003. Ent\u00e3o havia muita compreens\u00e3o de alguns l\u00edderes internacionais, apoiando as nossas pol\u00edticas, diferentemente de outros per\u00edodos. Todo mundo que veio nos visitar sabia dos esfor\u00e7os que n\u00f3s est\u00e1vamos emppreendendo, e em seguida, eles come\u00e7aram a falar bem do Brasil ao redor do mundo. Assim, os mercados tornaram-se um pouco menos preconceituosos, e [Jacques] Chirac foi uma figura muito importante que me apoiou. Olha, eu estou falando sobre o direito do povo de direita.<\/p>\n<p><i>FT: Voc\u00ea persuadiu [George W] Bush?<\/i><\/p>\n<p>PL: Sim. Sou muito grato ao presidente Bush. Lembro muito bem como se fosse hoje. Em 10 de dezembro de 2002, antes da inaugura\u00e7\u00e3o, fui a Casa Branca para falar com o presidente Bush. Bush estava falando sobre a guerra do Iraque, o futuro da guerra do Iraque , de uma forma muito obsessiva, dizendo que estava lutando contra o terrorismo &#8230; Ele falou muito francamente. Ap\u00f3s 40 minutos disse ao presidente Bush &#8211; &#8220;Presidente Bush, o Iraque \u00e9 de 14.000 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia do meu pa\u00eds. N\u00e3o tenho nada contra o Iraque, mas tenho uma outra guerra no Brasil. Essa \u00e9 a guerra \u00e9 para acabar com a fome no meu pa\u00eds. Esta \u00e9 a minha prioridade. Assim, a partir da\u00ed em diante, n\u00f3s estabelecemos uma amizade muito boa. Tornei-me um amigo de Bush.<\/p>\n<p><i>FT: Senhor Presidente, quero fazer outra pergunta sobre a economia, mas muito brevemente, o senophr se referiu \u00e0 sua formid\u00e1vel coliga\u00e7\u00e3o que o ajudou a ganhar o seu primeiro mandato. Essa coliga\u00e7\u00e3o que pode manter-se unida quando deixar o poder?<\/i><\/p>\n<p>PL: Sim<\/p>\n<p><i>FT: Por qu\u00ea?<\/i><\/p>\n<p>PL: Sim, e n\u00f3s estamos sempre construindo esta coliga\u00e7\u00e3o. Primeiro de tudo, porque sei que quem vai ser o futuro presidente n\u00e3o ser\u00e1 capaz de mudar todas as conquistas que a sociedade brasileira veio a se beneficiar. Em segundo lugar, porque eu tenho um candidato muito bom, ela \u00e9 muito competente, que conhece o Brasil muito bem. Muito poucas pessoas sabem o Brasil como ela faz, ela \u00e9 o grande gerente do sucesso do nosso governo.<\/p>\n<p><i>FT: Mas ela n\u00e3o tem o seu carisma, Senhor Presidente.<\/i><\/p>\n<p>PL: Ela vai ter que construir. Uma coisa que eu acredito que \u00e9 importante \u00e9 que se eu conseguir eleger Dilma, o meu grande contribui\u00e7\u00e3o ser\u00e1 para lhe permitir desenvolver seu pr\u00f3prio estilo, para desenvolver sua pr\u00f3pria maneira de fazer as coisas.<\/p>\n<p><i>FT: Alguma vez o senhor pensou em um terceiro mandato? E eu pergunto, porque eu s\u00f3 passei uma hora e meia com o presidente [\u00c1lvaro] Uribe.<\/i><\/p>\n<p>PL: Eu comecei a entrevista dizendo que eu estava com medo do meu segundo mandato. Acredito que o sucessor que consegue isso atrav\u00e9s de uma elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem o direito de pensar de um terceiro mandato, porque o sucessor, uma vez eleito tem direito apenas a um segundo mandato.<\/p>\n<p><i>FT: Vamos voltar para a economia. \u00c9 esse crescimento atual \u00e9 sustent\u00e1vel? \u00c9 demasiado dependente de commodities?<\/i><\/p>\n<p>PL: N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 dependente de commodities. O crescimento \u00e9 sustent\u00e1vel porque envolve diversos setores. Commodities sim, s\u00e3o importantes. O setor industrial \u00e9 importante. As exporta\u00e7\u00f5es s\u00e3o importantes. A ind\u00fastria de constru\u00e7\u00e3o naval e da ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o s\u00e3o importantes. A ind\u00fastria petroqu\u00edmica \u00e9 importante. Ou seja, n\u00f3s tomamos a decis\u00e3o de tornar o Brasil uma economia grande e verdadeira, e Deus ajudou-nos de duas formas, basicamente.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, porque o mundo vai continuar a precisar de mais alimentos, e o Brasil tem todas as condi\u00e7\u00f5es adequadas para produzir parte desse alimento. Em segundo lugar, porque descobrimos uma enorme reserva de petr\u00f3leo, e n\u00f3s n\u00e3o queremos usar o petr\u00f3leo como tradicionalmente os pa\u00edses produtores de petr\u00f3leo t\u00eam usado , para ser apenas meros exportadores de petr\u00f3leo cru e petr\u00f3leo cru n\u00e3o combina com o desenvolvimento nacional. Portanto, estamos desenvolvendo um fundo no escopo do novo marco regulador da ind\u00fastria do petr\u00f3leo s\u00f3 para cuidar especificamente &#8230;<\/p>\n<p><i>FT: N\u00e3o h\u00e1 a preocupa\u00e7\u00e3o do demasiado peso da m\u00e3o do Estado?<\/i><\/p>\n<p>PL: N\u00e3o, n\u00e3o estou preocupado. Estamos desenvolvendo um fundo com o objetivo de investir em educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e tecnologia, sa\u00fade, cultura e meio ambiente. Estas s\u00e3o as prioridades. \u00c9 um fundo que ser\u00e1 investido nos mercados, e vamos repassar todos os investimentos que temos neste fundo. N\u00f3s n\u00e3o vamos gastar o dinheiro do fundo. Queremos ser exportadores de derivados de petr\u00f3leo, e n\u00e3o exportadores de petr\u00f3leo, porque n\u00f3s queremos desenvolver uma forte ind\u00fastria de petr\u00f3leo e uma ind\u00fastria naval forte tamb\u00e9m. Queremos construir nossas plataformas de perfura\u00e7\u00e3o, nossas pr\u00f3prias plataformas offshore, e os nossos pr\u00f3prios navios. E n\u00f3s queremos desenvolver uma forte ind\u00fastria petroqu\u00edmica. N\u00f3s j\u00e1 estamos trabalhando nisso.<\/p>\n<p><i>FT: Petrobras \u00e9 uma empresa de classe mundial. N\u00f3s sabemos disso. Mas voc\u00ea vai precisar de alguma tecnologia estrangeira aqui.<br \/><\/i><br \/>PL: Sim, e n\u00f3s queremos isso, e n\u00f3s queremos compartilhar o nosso conhecimento com estrangeiros tamb\u00e9m, ent\u00e3o \u00e9 por isso que estamos fazendo todos os esfor\u00e7os para incentivar as empresas de petr\u00f3leo em todo o mundo a desenvolver parcerias conosco na constru\u00e7\u00e3o de estaleiros com docas secas, para que possamos construir coisas no Brasil.<\/p>\n<p><i>FT: Muitas pessoas que criticam o seu governo, mas tamb\u00e9m existem pessoas que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o cr\u00edticas, disseram que h\u00e1 uma press\u00e3o do Estado nesse sentido. Houve press\u00e3o sobre a Vale, por exemplo, para investir na produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7o? Como v\u00ea a rela\u00e7\u00e3o entre os setores p\u00fablico e privado no futuro governo?<br \/><\/i><br \/>PL: Eu acredito que, se voc\u00ea analisar as coisas corretamente, duvido que em qualquer momento da hist\u00f3ria do Brasil o setor privado tenha tido mais respeito por parte do Estado do que tem hoje. Duvido que eles n\u00e3o tenham aproveitado esse respeito, ou que j\u00e1 tenham ganho mais dinheiro. O que pe\u00e7o a Vale \u00e9 que deve transformar min\u00e9rio de ferro em a\u00e7o no Brasil e, ao mesmo tempo, comprar o maquin\u00e1rio e os navios que precisa no Brasil, porque \u00e9 assim que voc\u00ea trazer a tecnologia para o pa\u00eds.<br \/>Agora, se voc\u00ea n\u00e3o fizer isso, o que acontece? N\u00f3s vamos vender o nosso min\u00e9rio de ferro para a China. China vai construir navios de grande porte. China produz 540 milh\u00f5es de toneladas de a\u00e7o, eo Brasil s\u00f3 fabrica 35milh\u00f5es de toneladas de a\u00e7o. E precisamos exportar material com valor agregado tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><i>FT: Senhor Presidente, o senhor \u00e9 um patriota econ\u00f4mico, ent\u00e3o? Ou voc\u00ea \u00e9 um nacionalista econ\u00f4mico?<\/i><\/p>\n<p>PL: Eu sou um patriota, um patriota econ\u00f4mico. Isso \u00e9 um termo que eu gosto. Sim, gosto disso. Isso me agrada. Voc\u00ea tem que pensar sobre o futuro do pa\u00eds. O min\u00e9rio de ferro e petr\u00f3leo, estas s\u00e3o coisas que funcionam para fora, por isso, se voc\u00ea n\u00e3o tiver cuidado, logo voc\u00ea esgotar\u00e1 a oferta, e ficar\u00e1 \u00f3rf\u00e3o. Ent\u00e3o o que precisamos fazer? Temos que aproveitar este momento e construir uma base industrial mais s\u00f3lida e no Brasil. N\u00f3s n\u00e3o estamos cometendo nenhum pecado. N\u00f3s queremos ser um pa\u00eds mais industrializado.<\/p>\n<p><i>FT: N\u00e3o \u00e9 um pecado, mas as pessoas querem entender qual a forma de Estado n\u00e3o vai ser no futuro. Qu\u00e3o grande \u00e9 o papel do Estado na determina\u00e7\u00e3o do futuro da economia do Brasil?<\/i><\/p>\n<p>PL: A minha vis\u00e3o do Estado \u00e9 que esta discuss\u00e3o sobre o estado &#8230; na minha opini\u00e3o, a discuss\u00e3o usual sobre o papel do estado terminou como resultado da crise global. Por um longo tempo, em todo o mundo, inclusive no Brasil, as pessoas disseram que o estado n\u00e3o tinha e os mercados governariam tudo. E no Brasil, voc\u00ea sabe, eles at\u00e9 pensaram que o mercado deve regular at\u00e9 mesmo a educa\u00e7\u00e3o , o que \u00e9 uma id\u00e9ia absurda.<br \/>Ent\u00e3o, primeiro de tudo, e quero deixar isto bem claro aqui, eu sou contra o Estado ser o gestor da economia. Eu sou contra essa id\u00e9ia. O estado tem que ser forte, mas como um catalisador de desenvolvimento, uma entidade que impulsiona o desenvolvimento em n\u00edvel regional no nosso pa\u00eds, e o estado ao mesmo tempo, deve exercer a supervis\u00e3o das boas pr\u00e1ticas, econ\u00f4micas e pol\u00edticas de boas pr\u00e1ticas. E podemos dar-lhe um exemplo. Por que o sistema financeiro no Brasil n\u00e3o quebrou na crise? Porque ele \u00e9 fortemente regulamentado.<\/p>\n<p><i>FT: Porque l\u00e1 o senhor n\u00e3o tem muitos loiros de olhos azuis&#8230;<\/i><\/p>\n<p>PL: \u00c9 importante esclarecer isso, porque quando eu falei sobre o cabelo loiro e os olhos azuis, quando a crise aumentou, eu estava reagindo aos coment\u00e1rios de pessoas que colocaram a culpa da crise sobre os migrantes e imigrantes. As pessoas pobres da \u00c1frica e do mundo v\u00e3o ter de pagar a crise e que n\u00e3o foram eles que causaram. Ent\u00e3o \u00e9 por isso que eu disse, esta crise n\u00e3o \u00e9 uma crise dos pobres, n\u00e3o \u00e9 proveniente do pobre, ou latino-americanos, ou de africanos. Essa crise \u00e9 proveniente dos ricos com os olhos azuis. E eu disse isso ao Gordon Brown em pal\u00e1cio, no Pal\u00e1cio do Presidente.<\/p>\n<\/div>\n<div>Voc\u00ea sabe o que fizemos no Brasil h\u00e1 dois meses? Legalizamos todas as pessoas que estavam em situa\u00e7\u00e3o irregular no Brasil, todos eles, para dar uma demonstra\u00e7\u00e3o clara aos pa\u00edses ricos que n\u00e3o temos de perseguir os pobres por causa de uma crise econ\u00f4mica da qual n\u00e3o s\u00e3o culpados.<\/p>\n<p>Agora, por favor, preste aten\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea pode imaginar que se todos os pa\u00edses ricos gastassem 10 por cento do dinheiro que eles gastaram na crise global para salvar o sistema financeiro em uma pol\u00edtica de ajuda aos pa\u00edses mais pobres do mundo? Os pa\u00edses ricos dizem que n\u00e3o podem ter recursos para financiar a redu\u00e7\u00e3o da pobreza nos pa\u00edses pobres. Mas, para salvar seus bancos, eles encontraram trilh\u00f5es e trilh\u00f5es. Se tivessem ajudado alguns pa\u00edses pobres, o mundo seria um lugar melhor. O dinheiro que eles n\u00e3o tinham para ajudar os pa\u00edses pobres, de repente apareceu. Trilh\u00f5es e trilh\u00f5es de d\u00f3lares apareceram para salvar um sistema financeiro que havia sido quebrado de forma irrespons\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, eu acredito que isso deve servir de aviso para n\u00f3s. O Estado n\u00e3o pode controlar tudo ou intrometer-se em todos os assuntos, mas voc\u00ea n\u00e3o pode manter o estado longe de tudo, como era nos anos 80 e nos anos 90.<\/p>\n<p><i>FT: Senhor Presidente me perdoe a brincadeira, mas eu gostaria de citar uma outra coisa que voc\u00ea disse, voltando para assuntos externos, o que eu pensei que era um pouco ideal, que \u00e9: o senhor disse que quando come\u00e7ou como sindicalista, se houvesse um problema no Brasil, voc\u00ea iria culpar o governo. Ent\u00e3o, quando o senhor estava disputando a presid\u00eancia como candidato da oposi\u00e7\u00e3o, se houvesse um problema, o senhor culparia o governo. Mas ent\u00e3o, quando o senhor se tornou presidente do Brasil, e houve um problema em seu pa\u00eds, o senhor culpou os Estados Unidos?<\/i><\/p>\n<p>PL: N\u00e3o, n\u00e3o vou para o inferno por esse pecado. Nunca transferi minhas responsabilidades para os outros. Quando eu era um l\u00edder trabalhista\u00a0 colocava menos culpa no governo, porque era um l\u00edder dos metal\u00fargicos. Isso n\u00e3o teve nada a ver diretamente com o governo; era diretamente com a classe empresarial. Quando eu estava lutando contra o governo era porque eles n\u00e3o forneciam informa\u00e7\u00f5es sobre as taxas de infla\u00e7\u00e3o. Eles ocultavam essa informa\u00e7\u00e3o, ou mentiam, ou quando o governo proibiu as manifesta\u00e7\u00f5es dos trabalhadores ou para chegar a um acordo. Eles iriam intervir na mesa de negocia\u00e7\u00e3o. Mas a minha luta naqueles dias era contra os empregadores, e n\u00e3o contra o governo.<\/p>\n<\/div>\n<div>\u00c9 verdade, sim, que todo mundo que est\u00e1 na oposi\u00e7\u00e3o, p\u00f5e a culpa no governo. \u00c9 verdade. Eu fiz isso tamb\u00e9m. O meu partido fez isso tamb\u00e9m. Mas, por favor, eu nunca coloquei a culpa seja no imperialismo ianque, e menos ainda sobre os outros pa\u00edses ricos, porque a culpa, porque o Brasil \u00e9 o que \u00e9, a culpa deve ser colocado na elite brasileira, a elite econ\u00f4mica e pol\u00edtica. Esses s\u00e3o os \u00fanicos culpados. Pessoas que n\u00e3o t\u00eam uma mentalidade para pensar sobre quest\u00f5es sociais &#8230; Eles n\u00e3o pensam\u00a0 no pa\u00eds como um todo e, durante s\u00e9culos eles eram ficaram subordinados a outros interesses, subservientes.<\/p>\n<\/div>\n<div>E tenho dito para muitos l\u00edderes, os l\u00edderes pol\u00edticos da Am\u00e9rica Latina, parar de colocar a culpa nos outros. Olhar para dentro de seu pa\u00eds, o que acontece dentro de seu pa\u00eds. O que acontece com a classe pol\u00edtica em seu pa\u00eds, olhar para eles. Como \u00e9 que o setor empresarial se comporta em seu pa\u00eds? \u00c9 muito f\u00e1cil voc\u00ea transferir suas responsabilidades para outros, colocar a culpa nos outros.<\/p>\n<p><i>FT: O senhor mant\u00e9m boas rela\u00e7\u00f5es com outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina que seguem pol\u00edticas diferentes das suas, e t\u00eam id\u00e9ias diferentes das suas.<br \/><\/i><br \/>PL: Bem, eu carrego comigo uma li\u00e7\u00e3o que eu aprendi. Eu penso de quando o Presidente Nixon, em 1973, decidiu fazer da China um parceiro comercial preferencial. Eu acredito em conviv\u00eancia com a diversidade. N\u00f3s n\u00e3o temos o direito de pensar que outras pessoas devem pensar como n\u00f3s. Temos de trabalhar muito e democracia permite-lhe ter rela\u00e7\u00f5es pac\u00edficas entre os diferentes pa\u00edses.<\/p>\n<p>E olha como isso \u00e9 extraordin\u00e1rio. Temos excelentes rela\u00e7\u00f5es com a Col\u00f4mbia e o Peru, temos excelentes rela\u00e7\u00f5es com Venezuela e Bol\u00edvia. Porque eu fa\u00e7o isso? Porque para mim, as diferen\u00e7as entre n\u00f3s s\u00e3o muitas vezes hist\u00f3ricas. N\u00f3s ainda temos muitos problemas que herdamos do s\u00e9culo 19 na Am\u00e9rica Latina; fronteiras, quest\u00f5es de fronteiras terrestres quest\u00f5es, mar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, qual \u00e9 o papel de um pa\u00eds que \u00e9 a maior economia, a maior da popula\u00e7\u00e3o e tem\u00a0 muito mais tecnologia? Qual \u00e9 o papel que o Brasil deveria ter? N\u00e3o se trata de estabelecer uma pol\u00edtica hegem\u00f4nica vis-\u00e0-vis a outros pa\u00edses. Ou ele deve estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, para que as pessoas possam ver que n\u00e3o estamos interferindo ou com inger\u00eancia na pol\u00edtica interna de sua soberania, na sua pol\u00edtica soberana. Voc\u00ea n\u00e3o pode empurrar as pessoas em cantos. \u00c9 muito importante para voc\u00ea entender que &#8230; Eu sempre digo que o Brasil n\u00e3o deve trabalhar no sentido de hegemonia, mas apenas para a constru\u00e7\u00e3o de parcerias, porque durante o s\u00e9culo 20, ou pelo menos, dois ter\u00e7os do s\u00e9culo 20, a Pol\u00edtica Estadual de os E.U. foi no sentido de convencer pa\u00edses sul-americanos que o grande imp\u00e9rio era o Brasil.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o olhe para este paradoxo. Empres\u00e1rios bolivianos tinham medo dos empres\u00e1rios brasileiros, mas eles n\u00e3o tinham medo dos empres\u00e1rios americanos. Empres\u00e1rios mexicanos tinham medo dos empres\u00e1rios brasileiros, mas eles n\u00e3o tinham medo dos empres\u00e1rios americanos. Ch\u00e1vez foi um professor da academia militar, e ele dizia isso publicamente em suas aulas, dizia que os militares venezuelanos devem estar muito alertas contra o imp\u00e9rio brasileiro. Na pol\u00edtica voc\u00ea s\u00f3 aprende a teoria maquiav\u00e9lica: dividir para conquistar. No Brasil, sob o meu governo, n\u00f3s come\u00e7amos a reconstruir a confian\u00e7a na Am\u00e9rica do Sul, porque voc\u00ea n\u00e3o pode se desenvolver sem a confian\u00e7a pol\u00edtica. E gra\u00e7as a Deus, estamos conseguindo fazer isso.<\/p>\n<p><i>FT: Os Brics s\u00e3o quatro os pa\u00edses com os seus pr\u00f3prios interesses divergentes. Voc\u00ea acha que \u00e9 um grupo significativo?<\/i><\/p>\n<p>PL: Sim, \u00e9. O maior exemplo que posso dar \u00e9 a Uni\u00e3o Europeia. Parecia imposs\u00edvel h\u00e1 30 anos para n\u00f3s imaginar que a Uni\u00e3o Europeia seria\u00a0 como hoje. H\u00e1 quantos anos a Fran\u00e7a foi bombardeada pela Alemanha? Ent\u00e3o, de repente, todos esses pa\u00edses est\u00e3o juntos, e agora eles ainda decidiram eleger um Presidente da Uni\u00e3o Europeia e um ministro dos neg\u00f3cios estrangeiros. Isso \u00e9 algo fant\u00e1stico. Quem poderia imaginar que a Alemanha iria eleger uma mulher da Alemanha Oriental tornar-se chanceler da Alemanha?<\/p>\n<\/div>\n<div>Ent\u00e3o, \u00e9 para essas coisas positivas que temos de trabalhar. \u00c9 como quando voc\u00ea encontra uma nova namorada. Se voc\u00ea olhar apenas defeitos e falhas, voc\u00ea vai conseguir nada. Mas se voc\u00ea olhar pelo lado positivo, pode acabar se casando. E na pol\u00edtica, temos que saber existem diverg\u00eancias entre os Brics, e coloc\u00e1-los de lado. Coloque as diverg\u00eancias de lado e come\u00e7ar a trabalhar sobre os pontos que podemos construir juntos, e \u00e9 assim que vamos construir uma alian\u00e7a forte entre os Brics.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de exigir que algu\u00e9m deve fazer concess\u00f5es sobre as coisas que eles n\u00e3o acreditam. Queremos desenvolver objetivos que possam ser alcan\u00e7ados por todos. Deixe-me dar um exemplo.<\/p>\n<p>Sugeri na reuni\u00e3o passada, dos BRICs, que foi em Yekaterinburg, que devemos come\u00e7ar a operar em nossas pr\u00f3prias moedas. N\u00f3s n\u00e3o precisamos do d\u00f3lar. Podemos com\u00e9rciar com a nossa pr\u00f3pria moeda nacional. Isso iria ajudar sobretudo que as pequenas e m\u00e9dias empresas tenham acesso a moeda nacional e os bancos centrais fornecem a garantia. Qual \u00e9 o problema? N\u00e3o h\u00e1 problema. \u00c9 apenas uma quest\u00e3o cultural, porque estamos acostumados com o d\u00f3lar, mas isso pode mudar. E esta \u00e9 uma mudan\u00e7a extraordin\u00e1ria para os pa\u00edses que t\u00eam de comprar d\u00f3lares. Agora, nesta crise, tivemos que colocar nosso dinheiro de reservas para garantir os nossos exportadores devido \u00e0 crise de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p><i>FT: Ningu\u00e9m poderia imaginar&#8230;\u00a0 Voc\u00eas estavam mesmo emprestando dinheiro ao FMI. H\u00e1 uma ironia hist\u00f3rica.<\/i><\/p>\n<p>PL: A ironia foi quando eu chamei de Rato o FMI e disse que eu n\u00e3o queria o dinheiro do FMI. Ele disse, n\u00e3o, n\u00f3s precisamos de emprestar o dinheiro para o Brasil. O Brasil precisa de pedir emprestado. Brasil deve manter seus empr\u00e9stimos com o FMI. \u00c9 muito importante para mim, para mostrar que o Brasil &#8230; Eu disse: n\u00e3o, eu n\u00e3o quero seu dinheiro. E ele estava realmente chateado quando recebeu de volta os US $ 16 bilh\u00f5es que n\u00f3s emprestou. E eu ainda trabalhei com a id\u00e9ia de que vamos chegar ao final do meu mandato com uma taxa de infla\u00e7\u00e3o de 4 por cento. N\u00e3o muito tempo atr\u00e1s eu costumava sonhar de acumular US $ 100 bilh\u00f5es em reservas cambiais. Em breve teremos $ 300 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p><i>FT: Vamos falar sobre Copenhague. O Brasil est\u00e1 em uma posi\u00e7\u00e3o incomum. Tem uma matriz energ\u00e9tica limpa e pode reduzir as suas emiss\u00f5es de CO2 atrav\u00e9s da redu\u00e7\u00e3o do desmatamento. Mas isso \u00e9 muito dif\u00edcil para os outros pa\u00edses emergentes? O que o Brasil pode oferecer em termos de lideran\u00e7a?<\/i><\/p>\n<\/div>\n<div>PL: O Brasil vai com muito cuidado e com grande responsabilidade para Copenhagen. Em primeiro lugar, j\u00e1 assumiu o compromisso, em setembro do ano passado na ONU, para se estabelecer uma meta, um alvo, para reduzir o desmatamento em 80 por cento at\u00e9 ao ano 2020. E o Brasil tem outras coisas que pretende fazer. Primeiro, porque 85 por cento da nossa energia el\u00e9trica \u00e9 limpa. E de nossa matriz energ\u00e9tica total, 47 por cento \u00e9 limpa. Nenhum outro pa\u00eds tem tanta energia limpa. O Reino Unido tem somente 2 por cento de energia limpa.<\/p>\n<p>Agora o Brasil compreende a realidade de cada pa\u00eds e o Brasil n\u00e3o vai fazer o discurso f\u00e1cil de fazer exig\u00eancias aos outros. N\u00e3o, n\u00f3s vamos mostrar em Copenhagen, qual \u00e9 a meta para o Brasil e n\u00f3s n\u00e3o queremos nos subordinar os outros pa\u00edses a adotar a meta brasileira.<\/p>\n<p>Objetivos no Brasil s\u00e3o objetivos do Brasil, mas vamos trabalhar para que possamos construir um acordo que poderia ser vi\u00e1vel para outros pa\u00edses.<\/p>\n<\/div>\n<div>Creio que algo importante j\u00e1 est\u00e1 ocorrendo. Todo mundo percebe que todos n\u00f3s temos que fazer algo. E eu acredito que com todos fazendo um pouco de sua parte, podemos evitar a morte do planeta. Temos um processo de aquecimento de 2 graus nos \u00faltimos 30 anos. N\u00f3s estamos tentando trabalhar com a id\u00e9ia, juntamente com outros pa\u00edses e, certamente, a minha conversa com o primeiro-ministro Gordon Brown noite ser\u00e1 na quest\u00e3o ambiental. N\u00f3s j\u00e1 conversamos com os E.U.A. , com a Fran\u00e7a e com a Alemanha. Em 26 de novembro, vamos ter uma reuni\u00e3o com os pa\u00edses amaz\u00f4nicos, em Manaus, a capital do Amazonas. J\u00e1 temos o mapeamento do zoneamento agro-ecol\u00f3gico da cana para a floresta, e agora n\u00f3s estamos fazendo um levantamento de como podemos recuperar as terras degradadas no Brasil, e n\u00f3s estamos fortalecendo nossa pol\u00edtica de bio-diesel. Acabamos de aprovar para 1 de janeiro o diesel B5. Para o pr\u00f3ximo ano vamos ter uma mistura de 5 por cento de biodiesel no \u00f3leo diesel.<\/p>\n<p><i>FT: O que voc\u00ea vai pedir de Gordon Brown?<\/i><\/p>\n<p>PL: O Brasil n\u00e3o est\u00e1 pedindo nada.<\/p>\n<p><i>FT: E o que Gordon Brown vai pedir ao Brasil?<\/i><\/p>\n<p>PL: O Reino Unido sempre foi e continuar\u00e1 a ser um parceiro internacional. Eu acredito que o Reino Unido deve trabalhar com a id\u00e9ia da Europa para avan\u00e7ar um pouco mais, inclusive em termos de bio-diesel no \u00f3leo diesel e tamb\u00e9m em termos de redu\u00e7\u00e3o do aquecimento global. Dever\u00e1 haver um fundo para financiar os pa\u00edses mais pobres. A UE ir\u00e1 desenvolver um trabalho extraordin\u00e1rio de seq\u00fcestro, seq\u00fcestro de carbono.<\/p>\n<p><i>FT: Teria que ser como o Fundo Amaz\u00f4nia do Brasil?<\/i><\/p>\n<p>PL: Pode ser algo semelhante para o Fundo Amaz\u00f4nia. Estamos indo para ir \u00e0 reuni\u00e3o com a mente aberta, de modo que outras propostas poderiam ser benvindas. Acho que n\u00e3o \u00e9 hora de radicalizar. O bom senso deve prevalecer. Se queremos apenas fazer um discurso ideol\u00f3gico, um discurso f\u00e1cil, n\u00f3s poder\u00edamos obter alguns aplausos, mas n\u00e3o vamos obter nenhum resultado. E agora n\u00e3o \u00e9 o momento de colocar a culpa em ningu\u00e9m. Agora \u00e9 a hora de encontrar uma sa\u00edda.<\/p>\n<p><i>FT: Senhor Presidente, muito obrigado.<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><span>(Foto: Ag\u00eancia Folha)<\/span> <\/i><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Presidente Luis In\u00e1cio Lula da Silva deu uma entrevista ao jornal brit\u00e2nico Financial Times bastante interessante, onde ele aborda assuntos que, normalmente, a imprensaTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[289],"tags":[58,80,24,51],"class_list":["post-12297","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-pedro-migao","tag-economia","tag-lula","tag-politica","tag-politica-internacional"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12297","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12297"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12297\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12297"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12297"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12297"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}