{"id":12117,"date":"2010-02-25T07:55:00","date_gmt":"2010-02-25T09:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/02\/resenha-literaria-conquistando-o-inimigo-invictus\/"},"modified":"2010-02-25T07:55:00","modified_gmt":"2010-02-25T09:55:00","slug":"resenha-literaria-conquistando-o-inimigo-invictus","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/02\/resenha-literaria-conquistando-o-inimigo-invictus\/","title":{"rendered":"Resenha Liter\u00e1ria &#8211; &quot;Conquistando o inimigo&quot; (Invictus)"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/S4WEkksxfPI\/AAAAAAAAByw\/-koCMxaMl0s\/s1600-h\/conquistando.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"150\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/conquistando1.jpg\" width=\"200\"><\/a>Certos livros galvanizam a gente de tal forma que somente conseguimos parar quando finalmente terminamos a leitura. Deixamos outras prioridades de lado, leituras mais urgentes&#8230; Pelo menos para quem \u00e9 apaixonado pela literatura e por um bom livro \u00e9 assim que funciona.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Isto aconteceu com este &#8220;Conquistando o Inimigo&#8221;, que li em apenas duas noites de folga.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A hist\u00f3ria \u00e9 a seguinte: conta o processo de liberta\u00e7\u00e3o do ex-presidente Nelson Mandela, desde os tempos de cadeia at\u00e9 a chegada ao poder. O mote \u00e9 a Copa do Mundo de rugby que foi disputada no pa\u00eds em 1995 &#8211; ap\u00f3s o final do apartheid &#8211; e que foi utilizada como ve\u00edculo para a integra\u00e7\u00e3o entre negros e brancos no pa\u00eds.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>H\u00e1 lances inacredit\u00e1veis na hist\u00f3ria, como as tentativas de desestabiliza\u00e7\u00e3o do processo de fim do regime racista e ascens\u00e3o do CNA (Congresso Nacional Africano) ao poder desarmadas de modo brilhante por Mandela. Em muitas ocasi\u00f5es ele sacrificou o curto prazo apontando o final do caminho, a paz, como mais recompensadora.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Impressionante, tamb\u00e9m, \u00e9 o processo de transforma\u00e7\u00e3o do \u00f3dio em uni\u00e3o nacional empreendida pelo grande l\u00edder, tanto do lado dos brancos &#8211; os africaaners, descendentes de holandeses &#8211; quando do lado negro. Seria muito mais f\u00e1cil assumir o poder pela for\u00e7a e promover uma vingan\u00e7a ampla, geral e irrestrita; entretanto Mandela compreendeu que somente haveria um pa\u00eds e uma democracia se houvesse uni\u00e3o nacional.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Tamb\u00e9m se deve destacar o prec\u00e1rio equil\u00edbrio constru\u00eddo pelo l\u00edder desde as conversa\u00e7\u00f5es que redundaram em sua sa\u00edda da cadeia. Ao mesmo tempo em que conquistava o apoio dos brancos &#8211; viscerais inimigos, que o viam como um terrorista &#8211; ele foi aplacando os mais radicais dos seus correligion\u00e1rios e comandando a transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica na \u00c1frica do Sul.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O cl\u00edmax do livro \u00e9 a Copa do Mundo de rugby, disputada no pa\u00eds em 1995. Esporte predominantemente branco, foi compreendido pelo l\u00edder de seu poder potencial no processo de unifica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Utilizado de forma pol\u00edtica, foi o meio que permitiu a aceita\u00e7\u00e3o de Mandela e dos novos s\u00edmbolos do pa\u00eds pelos brancos. Por outro lado, ao conquistar a torcida dos negros &#8211; que odiavam a equipe, por representar toda a domina\u00e7\u00e3o e os sofrimentos imfligidos a eles. E com direito a final feliz&#8230;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Com passagens emocionantes, \u00e9 leitura obrigat\u00f3ria &#8211; at\u00e9 para se entender quem foi Nelson Mandela e o processo absolutamente bem sucedido de fim do apartheid. O curioso \u00e9 que eu n\u00e3o sabia que havia se transformado em filme at\u00e9 ver mat\u00e9ria publicada ontem sobre o livro no Globoesporte.com &#8211; com o autor John Carlin. Eu peguei o livro para ler porque j\u00e1 estava h\u00e1 algum tempo dentro da listinha de prioridades.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Chega a parecer um romance se n\u00e3o fossem fatos reais. \u00c9 uma aula de pol\u00edtica, de solidariedade e de toler\u00e2ncia. Tornei-me f\u00e1 do ex-presidente sul-africano, um verdadeiro estadista.<\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/www.travessa.com.br\/CONQUISTANDO_O_INIMIGO_NELSON_MANDELA_E_O_JOGO_QUE_UNIU_A_AFRICA_DO_SUL\/artigo\/9bf7715e-14ad-445e-9763-c7fa15afe3e1\"> Na Livraria da Travessa, custa R$ 23<\/a>. Indispens\u00e1vel.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Reproduzo abaixo a mat\u00e9ria com o autor, coincidentemente publicada anteontem no <a href=\"http:\/\/globoesporte.globo.com\/Esportes\/Noticias\/Futebol\/0,,MUL1500458-9825,00-ARTE+USA+PROEZA+DE+MANDELA+COM+O+ESPORTE+PARA+FALAR+DA+AFRICA+DO+SUL.html\">Globoesporte.com<\/a>.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><b>&#8220;Arte usa proeza de Mandela com o esporte para falar da \u00c1frica do Sul<\/b><\/p>\n<p>H\u00e1 15 anos, l\u00edder usou sele\u00e7\u00e3o de r\u00fagbi para unir a popula\u00e7\u00e3o. John Carlin, autor do livro que originou filme \u2018Invictus\u2019, fala das mudan\u00e7as no pa\u00eds<br \/><span><br \/>Alexandre Alliatti &#8211; Porto Alegre<\/span><\/p>\n<p>Imagine passar 27 anos preso. Pense como seria viver tanto tempo arquitetando sua vida p\u00f3s-liberta\u00e7\u00e3o. Calcule o peso de ganhar a liberdade e, quase na sequ\u00eancia, ter o poder de se vingar de seus inimigos. E agora tente entender um homem que, em vez disso, resolveu se unir a eles. Se a \u00c1frica do Sul vai sediar uma Copa do Mundo a partir do pr\u00f3ximo 11 de junho, \u00e9 porque existiu Nelson Mandela, um l\u00edder vision\u00e1rio a ponto de evitar que seu pa\u00eds mergulhasse no caos \u2013 e que usou o esporte para radicalizar (para o bem) as rela\u00e7\u00f5es entre fatias t\u00e3o heterog\u00eaneas de uma mesma na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Parece ter sido calculada a \u00e9poca de realiza\u00e7\u00e3o da primeira Copa do Mundo de futebol no continente africano. Em 2010, completam-se 20 anos da liberdade finalmente concedida a Mandela. E 15 anos de uma competi\u00e7\u00e3o que mudou os rumos do pa\u00eds. Em 1995, j\u00e1 com o maior l\u00edder nacional como presidente, a \u00c1frica do Sul foi sede do Mundial de r\u00fagbi. Mandela, ao pensar na disputa, teve um estalo: o esporte, ent\u00e3o reservado quase que exclusivamente aos brancos, poderia servir como alavanca para um processo de uni\u00e3o em um pa\u00eds que ainda sofria com a segrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Springboks, nome dado \u00e0 sele\u00e7\u00e3o nacional de r\u00fagbi, era idolatrado pelos brancos (os chamados afrikaners) em 1995. E detestado pelos negros. Afinal, ali estava um dos s\u00edmbolos do apartheid, o regime que separou a popula\u00e7\u00e3o sul-africana de acordo com o crit\u00e9rio mais inacredit\u00e1vel: a cor da pele. Mandela, ciente da aten\u00e7\u00e3o que o mundo daria \u00e0 Copa do Mundo de r\u00fagbi, resolveu convencer a popula\u00e7\u00e3o negra, quase toda encantada com ele, a apoiar a sele\u00e7\u00e3o. Soou estranho. Era o l\u00edder supremo do pa\u00eds pedindo a ajuda dos negros a um s\u00edmbolo do racismo. Mas Mandela sempre pensou adiante: ele sabia que conquistar o inimigo renderia frutos muito mais maduros do que enfrent\u00e1-los. E teve sucesso na empreitada.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria vivida por Mandela, o povo sul-africano e o Springboks parece conto de fadas. E \u00e9 real. No ano em que o planeta olha com mais aten\u00e7\u00e3o para o pa\u00eds, o mundo da arte se encarrega de relatar os epis\u00f3dios de 1995. Uma grande refer\u00eancia \u00e9 o livro \u201cConquistando o Inimigo\u201d, do jornalista ingl\u00eas John Carlin, que morou seis anos no pa\u00eds, justamente no per\u00edodo do fim do apartheid. \u00c9 a obra que inspirou Clint Eastwood a dirigir e produzir o filme \u201cInvictus\u201d, com Morgan Freeman no papel de Nelson Mandela e Matt Damon como Fran\u00e7ois Pienaar, o capit\u00e3o do Springboks. <\/p>\n<p>O livro, como costuma acontecer em adapta\u00e7\u00f5es, \u00e9 superior ao filme. \u00c9 mais completo. John Carlin, profundo conhecedor do pa\u00eds, mostra as nuances da \u00c1frica do Sul, as peculiaridades de um pa\u00eds que precisou se equilibrar em uma corda bamba para evitar a guerra civil e que teve a sorte de contar com um l\u00edder como Mandela, o homem certo na hora certa.<\/p>\n<p>Abaixo, voc\u00ea l\u00ea entrevista concedida por John Carlin, por e-mail, ao GLOBOESPORTE.COM. Ele fala sobre as diferen\u00e7as que separam a \u00c1frica do Sul do Mundial de r\u00fagbi, 15 anos atr\u00e1s, para o pa\u00eds da Copa do Mundo de futebol, daqui a quatro meses. E tamb\u00e9m deixa suas lembran\u00e7as de um pa\u00eds que marcou a vida do jornalista \u2013 do mesmo jeito que marcar\u00e1 a lembran\u00e7a de tantas outras pessoas, mesmo que de longe, a partir de junho.<\/p>\n<p>GLOBOESPORTE.COM: Passaram-se 15 anos desde a ideia de Mandela de usar a Copa do Mundo de r\u00fagbi para tentar reduzir a segrega\u00e7\u00e3o e a discrimina\u00e7\u00e3o na \u00c1frica do Sul. E faz 20 anos que ele deixou a pris\u00e3o. Mudar uma sociedade, claro, nunca \u00e9 um processo r\u00e1pido. Como voc\u00ea v\u00ea o pa\u00eds na atualidade? Est\u00e1 menos racista?<br \/>JOHN CARLIN: O racismo, na verdade, n\u00e3o \u00e9 a quest\u00e3o agora. N\u00e3o se voc\u00ea fala das pessoas comuns, cuja maioria trata aos outros com cordialidade e respeito, independentemente de sua ra\u00e7a. A \u00c1frica do Sul tem perdido muito de sua \u00e9pica e terr\u00edvel singularidade. Tem os mesmos problemas que muitos outros pa\u00edses. Se n\u00e3o fosse pela Copa do Mundo, a \u00c1frica do Sul n\u00e3o estaria sendo falada no notici\u00e1rio internacional agora. \u00c9 uma democracia s\u00f3lida, com liberdade de express\u00e3o e Estado de direito: uma democracia muito mais s\u00f3lida e respeit\u00e1vel do que, digamos, a R\u00fassia, que mudou ao mesmo tempo. Os maiores problemas agora s\u00e3o a viol\u00eancia, a corrup\u00e7\u00e3o e a pobreza.<\/p>\n<p>A \u00c1frica do Sul agora vai sediar a Copa do Mundo de futebol. O que aconteceu com o r\u00fagbi pode ser repetido, e at\u00e9 melhorado, com o futebol no pa\u00eds?<br \/>JC: N\u00e3o. O desafio na \u00c1frica do Sul em 1995 era pol\u00edtico; agora, \u00e9 econ\u00f4mico. A \u00c1frica do Sul vai usar a Copa do Mundo do mesmo jeito que o Brasil, com alegria, divertimento e esperan\u00e7a de benef\u00edcios econ\u00f4micos. <\/p>\n<p>H\u00e1 um orgulho nacional com o futebol do mesmo jeito que ocorre com o time de r\u00fagbi? Os afrikaners gostam do futebol tanto quanto a popula\u00e7\u00e3o negra?<br \/>JC: Orgulho, sim, mas amenizado pelo fato de que o time n\u00e3o \u00e9 bom. E os afrikaners n\u00e3o tendem a gostar de futebol, n\u00e3o.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pensa que Mandela pode ser usado como motiva\u00e7\u00e3o para o time e para o povo sul-africanos, como aconteceu em 1995?<br \/>JC: Um pouco. Mas ele est\u00e1 muito velho para ter um papel ativo.<\/p>\n<p>Seu livro mostra um l\u00edder com carisma e estrat\u00e9gia. Quando voc\u00ea pensa em Nelson Mandela, que imagem voc\u00ea faz? Como voc\u00ea define este homem?<br \/>JC: Ele \u00e9 um homem de enorme integridade, respeitador, cort\u00eas, espont\u00e2neo, calmo, charmoso, com vasta autoconfian\u00e7a. E um democrata, que trata um gar\u00e7om do mesmo jeito que faz com a rainha da Inglaterra.<\/p>\n<p>Sabe se ele leu o livro?<br \/>JC: N\u00e3o leu. Est\u00e1 muito velho. N\u00e3o consegue se concentrar por muito tempo.<\/p>\n<p>O que voc\u00ea achou do filme \u201cInvictus\u201d?<br \/>JC: Eu gostei. Agarrou-me do in\u00edcio ao fim \u2013 quatro vezes. Eu penso que o filme capta bem o esp\u00edrito de Mandela e daqueles tempos na \u00c1frica do Sul, e o faz de uma maneira para entreter uma audi\u00eancia global. H\u00e1 muito mais pol\u00edtica no livro; o filme focou mais na dimens\u00e3o social do fato.<\/p>\n<p>Que mem\u00f3rias pessoais voc\u00ea tem da \u00c1frica do Sul? Em seu livro, voc\u00ea parece adorar o pa\u00eds.<br \/>JC: Eu conheci as melhores pessoas do mundo l\u00e1, e tamb\u00e9m as piores. H\u00e1 mais pessoas que eu admiro l\u00e1 do que eu qualquer outro lugar do mundo.&#8221;<\/i><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Certos livros galvanizam a gente de tal forma que somente conseguimos parar quando finalmente terminamos a leitura. 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