{"id":12116,"date":"2010-02-26T08:31:00","date_gmt":"2010-02-26T10:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/02\/cinecasulofilia-aquele-querido-mes-de-agosto\/"},"modified":"2010-02-26T08:31:00","modified_gmt":"2010-02-26T10:31:00","slug":"cinecasulofilia-aquele-querido-mes-de-agosto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/02\/cinecasulofilia-aquele-querido-mes-de-agosto\/","title":{"rendered":"Cinecasulofilia &#8211; &quot;Aquele Querido M\u00eas de Agosto&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/S4WNk7JfzQI\/AAAAAAAABy4\/6pe9Y-UafFM\/s1600-h\/aquele-querido-mes-de-agosto.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"200\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/aquele-querido-mes-de-agosto.jpg\" width=\"150\"><\/a>De volta ap\u00f3s o per\u00edodo carnavalesco a nossa coluna de todas as sextas feiras, a <a href=\"http:\/\/pedromigao.blogspot.com\/search\/label\/Cinecasulofilia\">&#8220;Cinecasulofilia&#8221;<\/a>. Aproveito para informar que a coluna <a href=\"http:\/\/pedromigao.blogspot.com\/search\/label\/Samba%20de%20Ter%C3%A7a\">&#8220;Samba de Ter\u00e7a&#8221;<\/a> entra em recesso e volta no final de maio; por outro lado, a coluna &#8220;<a href=\"http:\/\/pedromigao.blogspot.com\/search\/label\/Dr.%20Walkir\">Whisky, Televis\u00e3o e Carnaval&#8221;<\/a> passa a ser uma coluna fixa deste espa\u00e7o. A princ\u00edpio ser\u00e1 publicada aos domingos.<\/p>\n<p>Vamos ao nosso texto, sobre um filme que se encontra em cartaz aqui no Rio de Janeiro. Como sempre, publicada em parceria com o blog <a href=\"http:\/\/cinecasulofilia.blogspot.com\/\">&#8220;Cinacasulofilia&#8221;<\/a>, do cineasta, cr\u00edtico de cinema e torcedor da Santa Cruz Marcelo Ikeda:<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><b>&#8220;Aquele Querido M\u00eas de Agosto<\/b><\/p>\n<p>Nesse in\u00edcio de ano est\u00e3o come\u00e7ando a surgir as listas de melhores filmes do ano de 2009. Neste ano, n\u00e3o tenho muita pressa ou expectativa em elaborar a minha lista pessoal, j\u00e1 que os filmes que estrearam comercialmente (isto \u00e9, excluindo as exibi\u00e7\u00f5es exclusivas em mostras e festivais) realmente muito bons foram muito poucos. No entanto, n\u00e3o posso deixar de me omitir sobre o que foi disparado o melhor filme de 2009: Aquele Querido M\u00eas de Agosto, o \u00f3vni portugu\u00eas de Miguel Gomes.<\/p>\n<p>Na verdade, gostaria de escrever com mais cuidado sobre o filme mas, como quase sempre acontece nesse blog (ou na vida), as coisas precisam seguir assim mesmo. Aquele Querido M\u00eas de Agosto encanta por sua ousadia, por sua sensibilidade, por ter sido realizado num limite t\u00eanue entre o tudo e o nada, e ainda assim n\u00e3o ser pretensioso mas doce, \u00edntimo e encantador.<\/p>\n<p>Recentemente Eduardo Escorel criticou Moscou por ter visto que, depois de horas de material rodado, simplesmente \u201cali n\u00e3o tinha filme\u201d. O pr\u00f3prio Coutinho confirmou que passou por uma enorme ang\u00fastia, uma crise, que pensou em \u201cparar de fazer cinema\u201d, tamanha a dificuldade de \u201cencontrar\u201d o filme na montagem. Fico imaginando o que Escorel diria ao ver o material bruto de Aquele Querido M\u00eas de Agosto. Ou ainda, imaginamos como o diretor Miguel Gomes, em seu segundo longa-metragem, sem a experi\u00eancia de d\u00e9cadas na realiza\u00e7\u00e3o como o veterano Coutinho, deve ter se sentido na montagem desse filme.<\/p>\n<p>A primeira hora de Aquele Querido M\u00eas de Agosto \u00e9 uma das mais encantadoras do cinema contempor\u00e2neo recente. Muito se fala no cinema contempor\u00e2neo em termos de como se combina fic\u00e7\u00e3o e document\u00e1rio, e j\u00e1 se falou bastante sobre esse aspecto no filme. Mas sua singularidade reside no fato de que n\u00e3o se trata de \u201cdividir\u201d os aspectos documentais e os aspectos ficcionais, e sim que ambos est\u00e3o \u201ccolados\u201d numa liga org\u00e2nica que funciona como um adubo para que o filme flores\u00e7a. Da\u00ed a import\u00e2ncia da espetacular montagem, que une as sequ\u00eancias de uma forma livre, com associa\u00e7\u00f5es belas e criativas, din\u00e2micas, que me fazem lembrar, a grosso modo, de um filme como O Som ou o Tratado da Harmonia, de Arthur Omar. Os grupos musicais no interior de Portugal servem como um fio condutor mas o interesse de fato do filme \u00e9 perscrutar os locais, os costumes, as pessoas mas sem um ran\u00e7o acad\u00eamico (colher informa\u00e7\u00f5es, o etn\u00f3grafo buscando um \u201cfolclore\u201d, etc). A puls\u00e3o do filme est\u00e1 na alegria e na liberdade de viver com as pessoas, de fazer pulsar um certo modo de viver, uma poesia irresist\u00edvel que entra em direto contraste com o modo de vida cada vez mais pragm\u00e1tico, materialista e vulgar dos grandes centros urbanos. Mas Miguel Gomes n\u00e3o quer fazer uma cr\u00edtica \u00e0 modernidade nem meramente registrar o seu contato com o outro: ele parece simplesmente interessado em cantar a possibilidade de existir, quer vasculhar os recantos e as pessoas com uma curiosidade quase juvenil (digo, no bom sentido, uma ingenuidade saud\u00e1vel), como se n\u00e3o conseguisse parar de nos mostrar a riqueza do mundo e a beleza dos pequenos fatos. Essa livre montagem e um uso formid\u00e1vel do som (a import\u00e2ncia do som como aut\u00f4nomo \u00e0 imagem \u00e9 explicitada no fim, quando o pr\u00f3prio t\u00e9cnico de som conversa com a equipe, isto \u00e9, conosco), em que o som de uma sequ\u00eancia \u00e9 antecipado na sequ\u00eancia anterior, ou prolongado na sequ\u00eancia seguinte, al\u00e9m de um trabalho rico mesmo de autonomia das camadas sonoras (j\u00e1 que o filme \u00e9 tamb\u00e9m sobre o cantar como inst\u00e2ncia libertadora), ainda que sutis, tornam o filme um exerc\u00edcio maduro e tremendamente arriscado, cujo equil\u00edbrio se d\u00e1 no fio da navalha, expondo lugares e personagens, e muitas vezes retomando-os posteriormente para acrescentar, problematizar, dinamizar a narrativa.<\/p>\n<p>Por outro lado, h\u00e1 um aspecto metaling\u00fc\u00edstico no filme. Vemos a pr\u00f3pria equipe filmando o filme que estamos vendo, como se o filme fosse uma esp\u00e9cie de making of, mas com cenas claramente ficcionais. Dessa forma, um representante do produtor questiona o diretor sobre o filme que est\u00e1 sendo feito, \u201csem atores\u201d, \u201csem roteiro\u201d, e o diretor responde simplesmente que continua a buscar o filme, como se esse processo de busca fosse o pr\u00f3prio filme. Em seu ter\u00e7o final, \u00e9 como se o diretor passasse a \u201cfilmar esse filme que se estava a princ\u00edpio procurando\u201d, ou seja, uma hist\u00f3ria ficcional basicamente relativa a um jovem casal que se descobre apaixonado, participantes de um grupo musical. Essa dobra narrativa acontece de uma forma org\u00e2nica, mas por outro lado arrasta o filme, cuja dura\u00e7\u00e3o \u00e9 de quase 145 minutos. Ainda assim, n\u00e3o apaga a brilhante contribui\u00e7\u00e3o de Miguel Gomes, a magia dos seus primeiros noventa minutos, um maravilhoso e comovente passeio (num carro de bombeiro?) por um mundo realista e encantado.&#8221;<\/i><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De volta ap\u00f3s o per\u00edodo carnavalesco a nossa coluna de todas as sextas feiras, a &#8220;Cinecasulofilia&#8221;. 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