{"id":12060,"date":"2010-04-04T10:38:00","date_gmt":"2010-04-04T12:38:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/04\/armando-nogueira-a-edicao-manipulada-e-a-eleicao-presidencial-de-1989\/"},"modified":"2010-04-04T10:38:00","modified_gmt":"2010-04-04T12:38:00","slug":"armando-nogueira-a-edicao-manipulada-e-a-eleicao-presidencial-de-1989","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/04\/armando-nogueira-a-edicao-manipulada-e-a-eleicao-presidencial-de-1989\/","title":{"rendered":"Armando Nogueira, a edi\u00e7\u00e3o manipulada e a elei\u00e7\u00e3o presidencial de 1989"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/S7Oy70EXgSI\/AAAAAAAAB8E\/7j8WSQy4_-c\/s1600\/roberto-marinho-collor.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"267\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/roberto-marinho-collor.jpg\" width=\"400\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Domingo de P\u00e1scoa, dia de bons textos no Ouro de Tolo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A semana passada foi marcada pelo falecimento do jornalista Armando Nogueira, grande cronista e um chefe de jornalismo Global bastante controverso, para dizer o menos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Repercuto aqui texto do jornalista Paulo Henrique Amorim sobre um dos epis\u00f3dios mais famosos de manipula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria recente, que foi a edi\u00e7\u00e3o do Jornal Nacional sobre o \u00faltimo debate da campanha presidencial de 1989. Armando Nogueira era o chef\u00e3o do jornalismo da Globo \u00e0 \u00e9poca e sua participa\u00e7\u00e3o no epis\u00f3dio \u00e9 cercada de d\u00favidas at\u00e9 hoje.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Paulo Henrique Amorim, testemunha ocular do fato, faz um relato que ajuda a jogar alguma luz sobre o epis\u00f3dio, exemplo acabado de manipula\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica. Reproduzo o texto aqui, inclusive com a mesma foto da publica\u00e7\u00e3o original.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Originalmente publicado na quarta feira, dia 30, em seu <a href=\"http:\/\/www.paulohenriqueamorim.com.br\/\">&#8220;Conversa Afiada&#8221;<\/a>, as refer\u00eancias a jornais feitas no texto s\u00e3o da mesma data. A prop\u00f3sito, li h\u00e1 alguns anos o livro citado no texto (&#8220;Not\u00edcias do Planalto&#8221;) e tenho de concordar com a avalia\u00e7\u00e3o do jornalista.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>&#8220;O que a Globo n\u00e3o contou sobre o Armando Nogueira \u00e9 por que o mandou embora.<\/p>\n<p>Roberto Marinho era menos esperto do que se diz.<\/p>\n<p>Na sucess\u00e3o do Governo Sarney \u2013 que ele co-presidiu \u2013 Roberto Marinho ficou vendido: n\u00e3o sabia quem apoiar.<\/p>\n<p>Apoiou Qu\u00e9rcia, Covas, namorou o Afif e s\u00f3 foi apoiar o Collor depois que o Collor estava na frente das pesquisas.<\/p>\n<p>O Collor jamais se esqueceu disso.<\/p>\n<p>E o Roberto Marinho sabia que o Collor n\u00e3o esqueceria isso.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da campanha, Collor construiu uma ponte com Alberico de Souza Cruz, que Armando tinha nomeado vice para cuidar dos jornais das pra\u00e7as. Woile Guimar\u00e3es \u2013 de car\u00e1ter de outra estirpe \u2013 cuidava dos jornais de rede. Alberico ajudou a vestir em Collor o manto p\u00farpura do \u201cca\u00e7ador de maraj\u00e1s \u201d. (A Veja n\u00e3o deixava o manto arrastar no ch\u00e3o.)<\/p>\n<p>Em Nova York, num intervalo de uma Assembleia Geral da ONU, Collor me contou que a ponte dele com a Globo sempre foi o Alberico.<\/p>\n<p>O Dr Roberto se sentiu desamparado.<\/p>\n<p>Estava mal acostumado com o Sarney.<\/p>\n<p>No Sarney, o Mailson da N\u00f3brega s\u00f3 foi nomeado Ministro da Fazenda depois que o Dr Roberto assentiu.<\/p>\n<p>A\u00ed, veio o debate que decidiu o segundo turno, Collor vs Lula.<\/p>\n<p>E a edi\u00e7\u00e3o do jornal nacional foi uma patranha s\u00f3.<\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o do debate \u2013 em que a Globo, por instru\u00e7\u00e3o do Roberto Marinho, selecionou \u201ctudo o que era bom para o Collor\u201d e \u201ctudo o que era ruim para o Lula\u201d ; uma pesquisa por telefone (quando n\u00e3o havia telefone no Brasil); e um editorial do Alexandre Garcia que queria dizer assim: se o Collor ganhou o debate,\u00a0 isso \u00e9 a democracia. Logo, v\u00e1 l\u00e1 domingo e vote no Collor para realizar a democracia.<\/p>\n<p>Na Carta Capital \u2013 em dezembro de 1999 \u2013 e em meu livro \u201cPlim-Plim, a peleja de Brizola contra a fraude eleitoral\u201d, j\u00e1 contei o que eu vi e ouvi, naquele dia da edi\u00e7\u00e3o do debate.<\/p>\n<p>\u201c(Mario Sergio) Conti errou na ida e na volta. Errou na volta, porque, na volta de Collor \u00e0 plan\u00edcie, a reportagem decisiva foi a da Isto\u00c9 com o motorista Eriberto Fran\u00e7a \u2013 e isso n\u00e3o ficou claro no (livro) Not\u00edcias do Planalto(da editora Companhia das Letras). Errou na ida, porque na ida de Collor ao poder, o epis\u00f3dio decisivo foi a edi\u00e7\u00e3o do debate entre Collor e Lula, feita no Jornal Nacional. E Not\u00edcias descreve esse epis\u00f3dio de forma superficial, que atenua a responsabilidade de Roberto Marinho e de Alberico Souza Cruz, diretor dos jornais em rede a Globo. S\u00f3 isso explica O Globo de 27 de novembro [de 1999] dedicar ao livro (de Conti)\u00a0 tr\u00eas p\u00e1ginas no primeiro caderno. Como se sabe, O Globo n\u00e3o recebia um lan\u00e7amento editorial com tanto entusiasmo desde a Ep\u00edstola aos Romanos. Sobre o epis\u00f3dio da volta, quando Conti dirigia a Veja, a revista concorrente de Isto\u00c9, o livro Imprensa e Poder: Liga\u00e7\u00f5es Perigosas, de Emiliano Jos\u00e9, \u00e9 mais completo do que Not\u00edcias.<\/p>\n<p>Vou tratar da ida.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, dezembro de 1989, eu era editor de economia da Rede Globo. Na sexta- feira, dia 15, ao chegar \u00e0 reda\u00e7\u00e3o, percebi que uma tempestade se formava. Conversei com o Ronald Carvalho, editor de pol\u00edtica. Com Wianey Pinheiro, respons\u00e1vel pela cobertura das elei\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m respons\u00e1vel pela edi\u00e7\u00e3o do debate que o jornal Hoje, ao meio-dia, tinha exibido. Zanzei pela reda\u00e7\u00e3o e ilhas de edi\u00e7\u00e3o e soube:<\/p>\n<p>\u2022\u00a0\u00a0\u00a0 O dr. Roberto n\u00e3o gostou da edi\u00e7\u00e3o de Hoje e mandou o Jornal Nacional dar tudo o que fosse bom para o Collor, e tudo o que fosse mau para o Lula.<\/i><\/div>\n<div><i><br \/>\u2022\u00a0\u00a0\u00a0 O Alberico mandou o Ronald editar como se fosse a luta em que o Mike Tyson destro\u00e7ou o pobre coitado do Pinkle Thomas, dias antes transmitida pela Globo.<\/p>\n<p>Isso, o que eu ouvi.<\/p>\n<p>Agora, o que eu vi.<\/p>\n<p>Vi por ali, como se fosse um dos nossos, o Daniel Tourinho, presidente do PRN, o partido do Collor. Vi o Alberico na ilha (de edi\u00e7\u00e3o). N\u00e3o importa se ele disser que n\u00e3o editou. Como todos os profissionais da Globo sabiam, o Alberico n\u00e3o tinha id\u00e9ia do que fazer numa ilha de edi\u00e7\u00e3o. Ele se sentia t\u00e3o \u00e0 vontade ali quanto no hall de entrada do Louvre.<\/p>\n<p>Imediatamente ap\u00f3s o Jornal Nacional, liguei para o Ronald e perguntei \u2013 n\u00e3o me lembro exatamente das palavras \u2013 \u2018como \u00e9 que voc\u00ea fez uma coisa dessas?\u2019 Ele respondeu que decidiu exagerar, for\u00e7ar a m\u00e3o, para o espectador perceber que se tratava de uma manipula\u00e7\u00e3o. Depois da publica\u00e7\u00e3o de Not\u00edcias, o Ronald me contou tamb\u00e9m que, logo ap\u00f3s o Jornal Nacional, recebeu um telefonema do dr. Roberto para dizer que, da\u00ed para frente, era assim que queria a cobertura pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Conti tem quatro explica\u00e7\u00f5es para o que aconteceu: 1. \u2018O \u00fanico crit\u00e9rio objetivo\u2019 para editar um debate de forma imparcial \u00e9 dar aos dois candidatos o mesmo tempo (p\u00e1gina 269). 2. O dr. Roberto determinou, muito antes, que a cobertura da campanha obedeceria \u00e0 regra: todos os candidatos teriam o mesmo tempo. 3. O dr. Roberto n\u00e3o revogou essa ordem, ao determinar que a edi\u00e7\u00e3o deveria \u2018evidenciar que Collor vencera\u2019 (p\u00e1gina 270). 4. Os respons\u00e1veis pela indisciplina foram Alberico e Ronald (p\u00e1gina 270). 5. A manipula\u00e7\u00e3o do debate n\u00e3o tem a menor import\u00e2ncia, nem a cobertura parcial (\u2018o bom e o mau\u2019), que a Globo fez toda a campanha. Pesquisas (p\u00e1ginas 273 e 274) demonstram que a decis\u00e3o de votar em Collor independia do que a Globo fizesse. Collor encarnava \u2018um Brasil\u2026 moderno. Como nas democracias da Europa Ocidental, o eleitor se expressara\u2026 com base no posicionamento (sic) ideol\u00f3gico\u2026\u2019 (p\u00e1gina 274).<\/p>\n<p>Vamos por partes.<\/p>\n<p>Tempo em televis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 crit\u00e9rio para avaliar objetividade. Ao contr\u00e1rio. Dependendo de quem est\u00e1 na ilha de edi\u00e7\u00e3o, dar mais tempo pode destruir um entrevistado. Quanto mais n\u00e3o \u00e9 melhor.<\/p>\n<p>Na linguagem da pol\u00edtica, ali\u00e1s, tempo n\u00e3o tem nenhuma rela\u00e7\u00e3o com persuas\u00e3o. O discurso de Lincoln em Gettysburg pode ser lido em dois minutos e sete segundos. O fato de a Globo distribuir o tempo com \u2018crit\u00e9rio objetivo\u2019 levanta suspeitas, tamb\u00e9m em outra circunst\u00e2ncia. Na cobertura da campanha Fernando Henrique vs. Lula, a Globo deu aos dois o mesmo tempo. Mas, e as in\u00fameras e redundantes entrevistas do ministro da Fazenda Rubens Ricupero sobre o Plano Real? Ricupero j\u00e1 disse desconfiar que as entrevistas se desenrolavam, na verdade, num palanque.<\/p>\n<p>(Espera-se que essa quest\u00e3o fique esclarecida, um dia, quando sair o livro \u2013 t\u00edtulo provis\u00f3rio \u2013 La\u00e7os de Ternura, que est\u00e1 sendo escrito por um jornalista nos Estados Unidos \u2013 cujo nome n\u00e3o posso revelar \u2013 sobre \u2018 a imprensa e Fernando Henrique Cardoso\u2019.)<\/p>\n<p>Se fosse uma grave indisciplina desrespeitar a ordem de distribuir o tempo por igual, o Alberico n\u00e3o teria sido nomeado para o cargo do Armando meses depois. Corre por baixo de toda a narrativa de Conti a justificativa de que Collor ganhou o debate: o pr\u00f3prio Lula achou isso.<\/p>\n<p>Suspeita-se que Manga, aquele not\u00e1vel goleiro do Botafogo, tamb\u00e9m achasse que o Collor ganhou o debate. E da\u00ed? O papel de um jornal \u00e9 reproduzir o que aconteceu. E o que aconteceu\u00a0 n\u00e3o estava no Jornal Nacional. Se houve uma vit\u00f3ria no debate, n\u00e3o houve uma goleada. O que foi ao ar no Jornal Nacional \u00e9 uma manipula\u00e7\u00e3o. A edi\u00e7\u00e3o do Pinheiro e do Carlos Peixoto, a do Hoje, era uma edi\u00e7\u00e3o que os profissionais da Globo subscreveriam. (Com duas ou tr\u00eas exce\u00e7\u00f5es, \u00e9 claro\u2026) Porque ela reproduzia o que aconteceu, em tamanho menor e \u00e9 para isso, como os cart\u00f3grafos, que serve um editor.<\/p>\n<p>Se o Lula tivesse \u2018vencido\u2019 o debate, o Jornal Nacional daria com uma divis\u00e3o \u2018criteriosa\u2019 do tempo \u2013 a vers\u00e3o que mostrasse que Lula ganhou?<\/p>\n<p>E a pesquisa? No Hoje e no Jornal Nacional, colada \u00e0 edi\u00e7\u00e3o do debate, havia uma pesquisa da Vox Populi (que trabalhava para o Collor, como ressalta Conti): por 44% a 32%, a opini\u00e3o p\u00fablica considerou que Collor venceu o debate. Se Lula tivesse \u2018vencido\u2019? O Jornal Nacional daria uma pesquisa da Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo?<\/p>\n<p>Sobre o impacto da cobertura da Globo no eleitor. \u00c9 bom lembrar que, segundo as pesquisas, Lula e Collor foram para o debate empatados.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese do livro \u2013 os tr\u00eas programas do partido foram mais importantes para a vit\u00f3ria de Collor do que a ajuda da Globo (p\u00e1gina 274) \u2013 tem tanto valor cient\u00edfico quanto a proposi\u00e7\u00e3o inversa. Na p\u00e1gina 276, por exemplo, Boni diz: \u2018Supor que o debate tenha influenciado a elei\u00e7\u00e3o \u00e9 rid\u00edculo\u2019.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, a literatura sobre o assunto \u00e9 farta. H\u00e1 quem diga que o c\u00e9lebre debate de John Kennedy e Richard Nixon \u2013 em que Nixon apareceu com a barba por fazer e a toda hora limpava o suor do rosto \u2013 n\u00e3o teve a menor import\u00e2ncia. O eleitor j\u00e1 decidira votar em Kennedy. Tanto isso deve ser verdade que, dessa data em diante \u2013 foi o primeiro debate presidencial transmitido ao vivo, pela TV \u2013 todos os candidatos \u00e0 Presid\u00eancia, pelo mundo afora, v\u00e3o aos debates na televis\u00e3o de tamancos, barba por fazer e os cabelinhos do peito a sair pela camiseta em V.<\/p>\n<p>O livro de Conti n\u00e3o mete a m\u00e3o no c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>E \u00e9 por isso que o t\u00edtulo tem o sabor de tofu. Not\u00edcias do Planalto \u2013 o que diz sobre \u2018a imprensa e Fernando Collor\u2019?<\/p>\n<p>Trabalhei no Jornal do Brasil com um profissional exemplar, Jos\u00e9 Silveira. Ele dizia que \u2018mat\u00e9ria que n\u00e3o tem o que dizer n\u00e3o tem lead; e mat\u00e9ria que n\u00e3o tem lead n\u00e3o d\u00e1 t\u00edtulo\u2019. O livro de Conti n\u00e3o deu t\u00edtulo porque n\u00e3o tem lead. N\u00e3o tem tese. N\u00e3o d\u00e1 murro. N\u00e3o tem uma revela\u00e7\u00e3o estarrecedora.<\/p>\n<p>Aquela edi\u00e7\u00e3o foi a do debate do Collor. Poderia ter sido a do Qu\u00e9rcia, porque, a certa altura, o candidato de Roberto Marinho era o Qu\u00e9rcia. E, ent\u00e3o, o Alberico vinha a S\u00e3o Paulo, toda semana, despachar com Carlos Rayel, homem do Qu\u00e9rcia para a imprensa.<\/p>\n<p>Quando Collor come\u00e7ou a subir, o Alberico ficou amigo pessoal do Collor e falava com ele todo dia, por telefone \u2013 mesmo depois de presidente. Como se diz amigo pessoal de Fernando Henrique. E se preparava para ficar amigo pessoal de Ciro Gomes quando caiu, de t\u00e3o amigo se tornara de S\u00e9rgio Motta.<\/p>\n<p>O importante n\u00e3o \u00e9 o Alberico. O Alberico fazia os amigos que o dr. Roberto deixava. O Alberico administrava o varejo e abria portas que Roberto Marinho, sozinho, n\u00e3o abriria. (O livro n\u00e3o deixa claro que Collor detestava Roberto Marinho.)<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio do debate \u00e9 o ponto culminante de uma pol\u00edtica de manipula\u00e7\u00e3o de opini\u00e3o p\u00fablica, atrav\u00e9s do notici\u00e1rio da maior rede de televis\u00e3o comercial do mundo, fora dos Estados Unidos. Uma pol\u00edtica que n\u00e3o come\u00e7ou com o Collor nem acabou com ele. \u00c9 uma pena que Conti n\u00e3o tenha conseguido da\u00ed extrair um t\u00edtulo. Poderia ser O Bom e o Mau \u2013 como a imprensa cobriu a campanha Collor vs. Lula. J\u00e1 facilitava. Depois viriam O Bom e o Mau II, O Bom e o Mau III\u2026\u201d<\/p>\n<p>\u201cO bom e o mau\u201d, copyright CartaCapital n\u00ba 113 (22\/12\/99)<\/p>\n<p>Com o debate e a elei\u00e7\u00e3o do Collor, o Dr Roberto tratou de mandar o Armando embora (que n\u00e3o conhecia o Collor) e botar no lugar algu\u00e9m que o Collor conhecia muito bem.<\/p>\n<p>Foi assim que Armando caiu.<\/p>\n<p>O jornal nacional se chamou \u201cnacional\u201d, n\u00e3o porque fosse \u201cnacional\u201d, j\u00e1 que n\u00e3o havia rede nacional, mas porque o patrocinador era o Banco Nacional.<\/p>\n<p>Agora, ele precisava no comando do jornalismo de um homem em que Collor confiasse.<\/p>\n<p>Armando costumava dar uma vers\u00e3o inexata dos acontecimentos.<\/p>\n<p>Est\u00e1 hoje, na p\u00e1g. A11 da Folha (*) :<\/p>\n<p>\u201cNa edi\u00e7\u00e3o Collor-Lula eu fui o marido enganado. O cara que dirigia a \u00e1rea (Alberico) fez modifica\u00e7\u00f5es \u00e0 revelia do pr\u00f3prio empres\u00e1rio. Fez aquela manipula\u00e7\u00e3o por jogada pessoal, porque era ligado ao Collor.\u201d<\/p>\n<p>Ora, o diretor de jornalismo era ele.<\/p>\n<p>E foi o pr\u00f3prio \u201cempres\u00e1rio\u201d quem mandou \u201co cara que dirigia a \u00e1rea\u201d escolher o \u201cbom\u201d do Collor e o \u201cmau\u201d do Lula.<\/p>\n<p>Outra imprecis\u00e3o est\u00e1 na primeira p\u00e1gina do Globo de hoje, de autoria do magistral Chico Caruso.<\/p>\n<p>Chico mostra o Dr Roberto a receber o Armando no c\u00e9u, (?) na companhia do Evandro Carlos de Andrade e o convida para fazer um jornal.<\/p>\n<p>N\u00e3o era bem assim.<\/p>\n<p>Evandro dirigia o Globo e n\u00e3o era amigo do Armando.<\/p>\n<p>Evandro achava que o Armando fazia mau jornalismo e ganhava bem demais.<\/p>\n<p>O Armando achava que o Evandro fazia mau jornalismo e pouco se importava com o p\u00e9ssimo sal\u00e1rio que o Globo sempre (e at\u00e9 hoje) pagou.<\/p>\n<p>Na TV Globo do Armando, era melhor ter trabalhado no Jornal do Brasil, onde Armando brilhou, do que no Globo do Evandro.<\/p>\n<p>Depois, Evandro foi substituir o Alberico para fazer uma limpeza de \u00e1rea e impor o novo comando \u00e0 rede Globo \u2013 os filhos no lugar do Dr Roberto.<\/p>\n<p>Evandro fazia quest\u00e3o de dizer que n\u00e3o entendia nem queria entender de televis\u00e3o.<\/p>\n<p>Tanto assim que as \u00fanicas coisas que fez enquanto esteve l\u00e1 foi contratar a urub\u00f3loga Miriam Leit\u00e3o e o Torquemada Jabor.<\/p>\n<p>Foi o Armando quem me levou para a Globo.<\/p>\n<p>Aprendi muito com ele.<\/p>\n<p>Especialmente a escrever para a televis\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele era um craque.<\/p>\n<p>Armando inventou o jornalismo na televis\u00e3o brasileira e o Ali Kamel vai passar a vida sentado l\u00e1, sem mexer no que o Armando fez (melhor do que ele).<\/p>\n<p>Mas, o Armando perdeu o p\u00eanalti aos 45 do segundo tempo, no dia do debate do Lula com o Collor.<\/p>\n<p>Paulo Henrique Amorim&#8221;<\/i><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Domingo de P\u00e1scoa, dia de bons textos no Ouro de Tolo. 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