{"id":12049,"date":"2010-04-11T12:04:00","date_gmt":"2010-04-11T14:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/04\/oitenta-e-sete-anos-portelenses\/"},"modified":"2010-04-11T12:04:00","modified_gmt":"2010-04-11T14:04:00","slug":"oitenta-e-sete-anos-portelenses","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/04\/oitenta-e-sete-anos-portelenses\/","title":{"rendered":"Oitenta e sete anos portelenses"},"content":{"rendered":"<div>Hoje, 11 de Abril, comemoramos oitenta e sete anos de vida da Majestade do Samba, a Portela. A escola de samba foi fundada a partir de dois blocos, o &#8220;Baianinhas de Oswaldo Cruz&#8221; e o &#8220;Conjunto Carnavalesco de Oswaldo Cruz&#8221;. A data de funda\u00e7\u00e3o do primeiro bloco \u00e9 considerada como de nascimento da Portela, por causa dos blocos e seus sucessores que desembocaram na escola.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nas palavras do site <a href=\"http:\/\/www.portelaweb.com\/\">&#8220;PortelaWeb&#8221;<\/a>, do qual sou um dos fundadores e ainda hoje membro &#8211; embora um tanto quanto inativo:<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>&#8221; (&#8230;) Em 1923, tentando rivalizar com o grupo de dona Esther, alguns jovens, sob a lideran\u00e7a de Galdino, resolveram fundar outro bloco na regi\u00e3o, o &#8220;Baianinhas de Oswaldo Cruz&#8221;, que n\u00e3o demoraria muito a se dissolver devido a uma briga interna. Ap\u00f3s o desentendimento, parte dos integrantes do &#8220;Baianinhas de Oswaldo Cruz&#8221; funda outra agremia\u00e7\u00e3o carnavalesca, o &#8220;Conjunto Carnavalesco de Oswaldo Cruz&#8221;, que tinha como l\u00edderes Paulo Benjamim de Oliveira (o Paulo da Portela), Ant\u00f4nio Caetano e Ant\u00f4nio Rufino, tr\u00eas homens que se completavam em suas m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es.<\/i><\/p>\n<p><i>Segundo Amaury J\u00f3rio e Hiram Ara\u00fajo, em &#8220;Escola de samba: vida, paix\u00e3o e sorte&#8221;, os sambistas que fundaram a Deixa Falar &#8211; considerada por unanimidade, inclusive pelo pessoal da Portela, a primeira escola de samba do Brasil &#8211; queriam organizar um bloco pac\u00edfico, sem brigas ou arrua\u00e7as como era caracter\u00edstica dos blocos de ent\u00e3o. Assim sendo, inspiraram-se no bloco formado pelo pessoal do &#8220;Oswaldo Cruz&#8221;, que brincava o carnaval com paz e alegria, tendo em Paulo uma lideran\u00e7a incontest\u00e1vel. Por meio disso, podemos concluir que a Portela n\u00e3o foi a primeira escola de samba, foi mais do que isso; serviu de fonte de inspira\u00e7\u00e3o para a primeira escola, exemplo para a Deixa Falar, que faria escola inclusive na pr\u00f3pria Portela.<\/i><\/p>\n<p><i>No final da d\u00e9cada de 20, o grupo receberia um grande refor\u00e7o de fora: Heitor dos Prazeres, amigo do presidente Paulo Benjamim de Oliveira (foto). Com um samba do pr\u00f3prio Heitor, o &#8220;Conjunto Carnavalesco de Oswaldo Cruz&#8221; se sagraria vencedor da primeira disputa entre os principais redutos de samba, ocorrida em 20 de janeiro de 1929. Estiveram presentes sambistas de Oswaldo Cruz, Mangueira e Est\u00e1cio.<\/i><\/p>\n<p><i>A vit\u00f3ria trouxe, al\u00e9m de uma grande felicidade, muitos problemas para o conjunto carnavalesco. Heitor dos Prazeres, um &#8220;estrangeiro&#8221;, ganhou mais prest\u00edgio dentro do grupo. Tanto que por sugest\u00e3o sua o bloco passou a se chamar &#8220;Quem nos faz \u00e9 o capricho&#8221; e ganhou sua primeira bandeira, tamb\u00e9m idealizada por Heitor, j\u00e1 para o carnaval de 1929. Todas as modifica\u00e7\u00f5es de Heitor tiveram total consentimento de Paulo, uma vez que, devido a sua crescente fama no centro da cidade, Heitor dos Prazeres ajudava a divulgar o nome da escola.<\/i><\/p>\n<p><i>Em 1930, j\u00e1 com Heitor afastado devido a um desentendimento com Manuel Bam-Bam-Bam e Ant\u00f4nio Rufino, o grupo desfilou pelas ruas do sub\u00farbio e da Pra\u00e7a XI. Em 1931, a escola superou uma s\u00e9rie de dificuldades para poder desfilar. Isto fez com que os sambistas da estrada do Portela mudassem o nome do bloco para &#8220;Vai Como Pode&#8221;. Com esse nome, a futura Portela come\u00e7ou a aparecer nos poucos jornais que cobriam os primeiros desfiles de escolas de samba, fato este que faz com que, de todos os nomes anteriores da Portela, esse seja o mais lembrado.<\/i><\/p>\n<p><i>Tamb\u00e9m em 1931, Ant\u00f4nio Caetano desenharia a primeira bandeira da escola. Segundo depoimento para as autoras Lygia Santos e Mar\u00edlia T. Barboza da Silva, em &#8220;Paulo da Portela: tra\u00e7o de uni\u00e3o entre duas culturas&#8221;, Caetano, desenhista da Marinha, declarou ter pensado no sol nascente e no valente povo da ilha japonesa. Instituiu as cores azul e branco em homenagem ao manto de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o, padroeira da escola desde a funda\u00e7\u00e3o, e como s\u00edmbolo a \u00c1guia, por ser a ave que voa mais alto. Para Candeia, Caetano teria desenhado na verdade um Condor, ciente de ser esta na verdade a ave que al\u00e7a v\u00f4os mais altos na natureza. Provavelmente, todos interpretaram o s\u00edmbolo como uma \u00e1guia, fazendo com que Caetano n\u00e3o tivesse outra sa\u00edda sen\u00e3o a de concordar com que a \u00c1guia &#8220;assumisse o posto&#8221; de s\u00edmbolo m\u00e1ximo do grupo. Surgia assim o s\u00edmbolo mais importante e aguardado do carnaval carioca.<\/i><\/p>\n<p><i>Ant\u00f4nio Caetano tamb\u00e9m entraria para a hist\u00f3ria como o primeiro carnavalesco do Carnaval carioca. Foram de sua autoria os primeiros enredos que a Portela levou para o desfile. De suas m\u00e3os surgiu a primeira alegoria de uma escola de samba: um r\u00fastico globo terrestre no enredo &#8220;O samba dominando o mundo&#8221;, na grande vit\u00f3ria da ainda &#8220;Vai Como Pode&#8221; no desfile que entrou para a hist\u00f3ria como o primeiro desfile oficial, em 1935. Ainda nesse ano, os sambistas de Oswaldo Cruz enfrentaram um impasse na hora de renovar a licen\u00e7a para os\u00a0 desfiles.\u00a0 O\u00a0 delegado\u00a0 Dulc\u00eddio Gon\u00e7alves n\u00e3o gostava do nome &#8220;Vai Como Pode&#8221; e s\u00f3 renovaria a licen\u00e7a se o nome fosse trocado. Ap\u00f3s uma longa discuss\u00e3o entre Paulo da Portela e seus amigos, o pr\u00f3prio delegado sugeriu o nome que atravessaria fronteiras e entraria definitivamente para a hist\u00f3ria da arte e da cultura do Brasil: GR\u00caMIO RECREATIVO ESCOLA DE SAMBA PORTELA, em uma homenagem \u00e0 rua onde ficava a sede do grupo.<\/i><\/p>\n<p><i>Entre as contribui\u00e7\u00f5es da Portela para o carnaval carioca neste per\u00edodo, al\u00e9m da primeira alegoria, merecem destaque a caixa-surda, o reco-reco, a comiss\u00e3o de frente uniformizada, a corda para separar os desfilantes da plat\u00e9ia, o destaque e at\u00e9 o apito da bateria. Segundo muitos estudiosos, o primeiro samba-enredo foi &#8220;Teste ao samba&#8221;, de autoria de Paulo da Portela, que fez o papel de professor distribuindo diploma aos componentes da escola fantasiados de alunos, em frente \u00e0 comiss\u00e3o julgadora. Um espet\u00e1culo que empolgou a Pra\u00e7a XI e est\u00e1 seguramente entre os maiores desfiles de todos os tempos.&#8221;<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p>No texto acima temos tamb\u00e9m a origem da \u00e1guia como s\u00edmbolo da escola. Ela passou a ser o carro abre-alas em 1969 e a partir de ent\u00e3o sempre \u00e9 uma das grandes atra\u00e7\u00f5es do carnaval carioca. A Portela conquistou 21 campeonatos, sendo o \u00faltimo o de 1984 &#8211; dividido com a velha Manga.<\/p>\n<p>Entretanto, a azul e branca de Oswaldo Cruz pode se orgulhar de n\u00e3o ser uma &#8220;escola de desfile&#8221;. Sob as asas da \u00e1guia altaneira se encontra toda uma dinastia de sambistas que movimentam todos os elementos pertinentes ao samba: o partido alto, o samba de terreiro, a resist\u00eancia cultural e a aceita\u00e7\u00e3o do ritmo e de seua precursores na sociedade brasileira.<\/p>\n<p>Portela \u00e9 sin\u00f4nimo de eleg\u00e2ncia. Paulo da Portela, s\u00edmbolo m\u00e1ximo dos primeiros tempos e fundador da dinastia &#8220;sangue azul&#8221; da nobreza suburbana j\u00e1 alertava aos membros da escola: &#8220;mantenham sempre o p\u00e9 e o pesco\u00e7o ocupados&#8221;. Ou seja, sapato e gravata eram indispens\u00e1veis.<\/p>\n<p>A eleg\u00e2ncia pregada por Paulo marcou profundamente a Majestade do Samba, tornando-se parte indissoci\u00e1vel de seu DNA. O pr\u00f3prio caminhar do portelense \u00e9 diferenciado, exibe uma nobreza e at\u00e9 uma certa soberba de quem sempre se acostumou a andar de cabe\u00e7a erguida, sem se sentir inferior a nada nem a ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Suas andan\u00e7as s\u00e3o refer\u00eancia de grandes sambas. \u00c0 not\u00e1vel tradi\u00e7\u00e3o de sambas de terreiro soma-se uma cole\u00e7\u00e3o inigual\u00e1vel de sambas de enredo de alta qualidade. Sua arena \u00e9 o samba pesado, cadenciado, que facilita o canto e a sagrada dan\u00e7a do samba.<\/p>\n<p>Sua lista de grandes nomes \u00e9 inenarr\u00e1vel, mas apenas para ficar nos grandes l\u00edderes temos Paulo da Portela, Natal da Portela, Candeia, Clara Nunes, Manac\u00e9a, Monarco e Paulinho da Viola, entre muitos outros. <\/p>\n<p>Parab\u00e9ns, Portela, meu amor !<\/p>\n<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Nos v\u00eddeos, as \u00e1guias dos desfiles embaladas por sambas de refer\u00eancia da escola.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, 11 de Abril, comemoramos oitenta e sete anos de vida da Majestade do Samba, a Portela. 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