{"id":12042,"date":"2010-04-16T09:34:00","date_gmt":"2010-04-16T11:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/04\/cinecasulofilia-insolacao\/"},"modified":"2010-04-16T09:34:00","modified_gmt":"2010-04-16T11:34:00","slug":"cinecasulofilia-insolacao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/04\/cinecasulofilia-insolacao\/","title":{"rendered":"Cinecasulofilia &#8211; &quot;Insola\u00e7\u00e3o&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/S8Y0-2hfp1I\/AAAAAAAACAU\/M22yP8Ommfc\/s1600\/sol.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"300\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/sol.jpg\" width=\"400\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Sexta feira, anivers\u00e1rio da minha Ana Luisa (tr\u00eas aninhos de pura perspic\u00e1cia) e como tradicional a nossa coluna sobre cinema, a Cinecasulofilia &#8211; em parceria com o <a href=\"http:\/\/cinecasulofilia.blogspot.com\/\">blog de mesmo nome<\/a>.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Como de h\u00e1bito, escrita pelo cr\u00edtico e cineasta Marcelo Ikeda, torcedor da Acad\u00eamicos de Santa Cruz e agora do Icasa de Juazeiro.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b><i>Insola\u00e7\u00e3o<\/i><\/b><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>&#8220;Insola\u00e7\u00e3o \u00e9 um belo filme. H\u00e1 uma busca por um humanismo, em abra\u00e7ar pessoas que t\u00eam dificuldades e procuram sobreviver. H\u00e1 um rigor, um trabalh\u00e3o cuidadoso, em termos de imagem e som. Um filme quase todo recheado por sil\u00eancios. Uma fotografia plasticamente vigorosa de Mauro Pinheiro Jr. Mas ao mesmo tempo \u00e9 como se n\u00e3o fosse um filme. Insola\u00e7\u00e3o sofre do mesmo mal que Do Come\u00e7o ao Fim, o filme de Alo\u00edsio Abranches: ele \u00e9 t\u00e3o delicado, fala de um amor que \u00e9 t\u00e3o fr\u00e1gil, que n\u00e3o cabe nesse mundo. Com isso, os diretores Felipe Hirsch e Daniela Thomas parecem querer isolar seus personagens do mundo, porque o mundo \u00e9 causador de uma enorme tristeza, de enorme dor. O mundo n\u00e3o entende esse desejo enorme de amar e de ser dos personagens. Eles parecem condenados porque amam demais, mas na verdade s\u00e3o delicados demais para poder viver. O amor \u00e9 t\u00e3o intenso que n\u00e3o pode ser vivido, apenas contemplado (mas ser\u00e1 que um amor que n\u00e3o pode ser vivido \u00e9 amor de fato?). A fragilidade desse afeto chega a ser at\u00e9 comovente, e o cuidado, o rigor, com que os diretores abra\u00e7am esse desejo esguio \u00e9 bonita, tem vontade de ser. Mas o que nos intriga \u00e9: como \u00e9 que se pode falar sobre o amor fugindo do mundo? Esse amor, que \u00e9 sentido de forma t\u00e3o intensa, acaba se revelando est\u00e9ril, vazio: uma enorme e bela bolha de sab\u00e3o como todo o filme, mas est\u00e9ril, porque apenas aponta para a sua impossibilidade de perman\u00eancia. O problema \u00e9 que o filme n\u00e3o constr\u00f3i um mundo de possibilidades a partir dessa falta, mas simplesmente evoca essa pr\u00f3pria fragilidade, sem conseguir se mover. Contempla apenas a si mesmo, nessa consci\u00eancia dessa beleza transit\u00f3ria, prestes a acabar, antes mesmo de come\u00e7ar. Assim o filme n\u00e3o consegue articular mais que esquetes, mais que meias frases de efeito, e n\u00e3o desenvolve o interior de seus personagens, suas verdadeiras motiva\u00e7\u00f5es. Dessa forma, em sua pr\u00f3pria estrutura, Insola\u00e7\u00e3o articula o \u00e2mago de seu processo: uma enorme dificuldade de ser, uma imensa fragilidade, uma impossibilidade de ser alguma coisa al\u00e9m da \u201cautocontempla\u00e7\u00e3o\u201d de uma beleza est\u00e9ril. Do Come\u00e7o ao Fim e Insola\u00e7\u00e3o comovem por sua radicalidade, mas seu desejo desesperado de fugir do mundo, falando de uma beleza que n\u00e3o cabe nesse mundo, mas que tamb\u00e9m n\u00e3o faz nenhum esfor\u00e7o para pertencer a esse mundo, acabam dizendo muito mais sobre um certo cinema brasileiro, revelando qual o papel da arte para uma certa classe alta art\u00edstica brasileira.&#8221;<\/i><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sexta feira, anivers\u00e1rio da minha Ana Luisa (tr\u00eas aninhos de pura perspic\u00e1cia) e como tradicional a nossa coluna sobre cinema, a Cinecasulofilia &#8211; em parceriaTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[289],"tags":[13,12,11],"class_list":["post-12042","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-pedro-migao","tag-cinema","tag-cultura","tag-marcelo-ikeda"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12042","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12042"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12042\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12042"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12042"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12042"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}