{"id":12017,"date":"2010-05-04T09:47:00","date_gmt":"2010-05-04T11:47:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/05\/samba-de-terca-noel-a-presenca-do-poeta-da-vila\/"},"modified":"2010-05-04T09:47:00","modified_gmt":"2010-05-04T11:47:00","slug":"samba-de-terca-noel-a-presenca-do-poeta-da-vila","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/05\/samba-de-terca-noel-a-presenca-do-poeta-da-vila\/","title":{"rendered":"Samba de Ter\u00e7a &#8211; &quot;Noel, a Presen\u00e7a do Poeta da Vila&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/S94Ptz5JgUI\/AAAAAAAACGk\/qknV4MJ-qzw\/s1600\/Especial+(Segunda+_+Acesso+B+2010+073.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"300\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/Especial+Segunda+_+Acesso+B+2010+073.jpg\" width=\"400\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Ap\u00f3s um intervalo, a nossa coluna &#8220;Samba de Ter\u00e7a&#8221; est\u00e1 de volta. Por enquanto com frequ\u00eancia quinzenal, quando estivermos mais perto do carnaval de 2011 voltaremos a falar semanalmente.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Reinicio a s\u00e9rie com uma samba que ainda est\u00e1 &#8220;fresquinho&#8221; na cabe\u00e7a dos leitores: Unidos de Vila Isabel 2010, &#8220;Noel, a Presen\u00e7a do Poeta da Vila&#8221;.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A escola do bairro da Zona Norte carioca foi bastante badalada antes do desfile. Seu enredo seria o centen\u00e1rio de Noel Rosa, sambista e compositor dos maiores da hist\u00f3ria do samba e da m\u00fasica popular brasileira, &#8220;cria&#8221; do bairro.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O enredo era de autoria do carnavalesco Alex de Souza, do historiador Alex Varela e do grande compositor Martinho da Vila. Reproduzo a sinopse abaixo:<\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/S94U2_NasuI\/AAAAAAAACGs\/QshhnLtTF98\/s1600\/Especial+(Segunda+_+Acesso+B+2010+093.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"300\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/Especial+Segunda+_+Acesso+B+2010+093.jpg\" width=\"400\"><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>&#8220;1910. Ano marcado por grandes transforma\u00e7\u00f5es, prenunciadas com a passagem do Cometa de Halley. Entre outros fatos: a Revolta da Chibata, liderada pelo &#8220;Almirante Negro&#8221;, Jo\u00e3o C\u00e2ndido, cujo motim amea\u00e7ou bombardear o Rio de Janeiro, e o nascimento de No\u00ebl de Medeiros Rosa, popularmente conhecido como No\u00ebl Rosa, em 11 de dezembro. A partir desse dia, a m\u00fasica popular brasileira nunca mais seria a mesma.<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>O pai era um amante da cultura francesa. Pela proximidade das festas natalinas deu ao filho o nome de No\u00ebl, termo que equivale a Natal entre os franceses. Tamb\u00e9m era tradi\u00e7\u00e3o no bairro de Vila Isabel, no per\u00edodo natalino, passar o rancho, quando todos iam ouvir o canto das &#8220;Pastorinhas&#8221;.\u00a0<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>Desde sua inf\u00e2ncia, No\u00ebl se revelava irreverente. Ele era da rua. Na escola, gostava das piadas proibidas e das brincadeiras obscenas. Come\u00e7ou estudando numa escola p\u00fablica, e, depois se transferiu para o tradicional S\u00e3o Bento, onde imperava os rigores educacionais. A rua e os seus tipos eram a sua grande paix\u00e3o. &#8220;Poeta-cronista&#8221; da cidade; cidade que cabia em Vila Isabel. Bairro s\u00edntese dos personagens cariocas: os pequenos burgueses, o bicheiro, os malandros, o seresteiro, o sinuqueiro, o cartiador, o mendigo, o vigarista, o proxeneta, o valent\u00e3o, entre tantos outros.\u00a0<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>No\u00ebl preferia a luz das estrelas \u00e0 luz solar. Ele acompanhava os cantores da madrugada com o seu insepar\u00e1vel viol\u00e3o. Ficou conhecido pelo bairro. No ano de 1929, um grupo formado por jovens de classe m\u00e9dia do conjunto musical Flor do Tempo o convidou para formar um novo grupo: o Bando dos Tangar\u00e1s, grupo composto por Almirante, Braguinha, Henrique Brito e Alvinho. O conjunto se dedicou \u00e0 moda da \u00e9poca: a m\u00fasica nordestina; emboladas; sambas com tempero do Nordeste; embora, seus trajes e seus sotaques mais pareciam de caipiras. A ind\u00fastria e o com\u00e9rcio fonogr\u00e1fico cresciam bastante no Rio de Janeiro, quando foram convidados para gravar pela Parlophon, subsidi\u00e1ria da Odeon.<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>A inser\u00e7\u00e3o no Bando dos Tangar\u00e1s abriu o caminho para No\u00ebl iniciar sua carreira como compositor popular. Ainda em 1929, ele escreveu a sua primeira composi\u00e7\u00e3o, uma embolada, intitulada &#8220;Minha Viola&#8221;.<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>No\u00ebl Rosa tinha grande admira\u00e7\u00e3o por Sinh\u00f4, frequentador ass\u00edduo da Casa da Tia Ciata, localizada na Pra\u00e7a Onze, onde os batuques do samba, influenciados pelo maxixe, ecoavam livremente. O &#8220;Poeta da Vila&#8221;, contudo, se integrou a outro tipo de samba, que veio do bairro do Est\u00e1cio, onde vivia Ismael Silva, e se espalhou pelos morros da cidade como o Salgueiro, Mangueira, Favela, Sa\u00fade, Macacos. No\u00ebl subiu ao morro e se integrou aos sambista que l\u00e1 viviam. E comp\u00f4s com algum deles, como Cartola, do Morro da Mangueira, e Canuto e Antenor Gargalhada, do Salgueiro. O &#8220;poeta&#8221; e Franscisco Alvez (que juntos fizeram parceria no grupo &#8220;Ases do Samba&#8221;) foram os maiores respons\u00e1veis pela consagra\u00e7\u00e3o de diversos compositores negros de samba.\u00a0<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>Este tipo de samba que veio do Est\u00e1cio, mais marcheado e acompanhado por instrumentos de percuss\u00e3o, era aquele tocado nos blocos, como o &#8220;Deixa Falar&#8221;, que deu origem a primeira &#8220;Escola de Samba&#8221;. No carnaval de Vila Isabel havia dois blocos: o Cara de Vaca, organizado, com componentes selecionados e cercados por um cord\u00e3o de isolamento, e o Faz Vergonha, composto por populares e com sambas improvisados, do qual fazia parte No\u00ebl Rosa. As batalhas de confete no Boulevard eram o ponto alto do desfile de blocos.<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>Desde a adolesc\u00eancia, No\u00ebl adorava a serenata e serestas. O local favorito das noitadas era o cruzamento do Ponto dos Cem R\u00e9is, em Vila Isabel, onde os bondes &#8220;mudavam de se\u00e7\u00e3o&#8221;. Ponto de botequins e esquinas. Era ali que se reunia com os amigos e tomava sua cerveja preferida, a Cascatinha. No Caf\u00e9 Vila Isabel, ele comp\u00f4s a maior parte das suas composi\u00e7\u00f5es. De bar em bar, em &#8220;Conversa de Botequim&#8221;, e de amores em amores, como o que sentia por Fina, para quem fez os &#8220;Tr\u00eas Apitos&#8221;, teceu suas can\u00e7\u00f5es. Frequentava tamb\u00e9m os prost\u00edbulos do Mangue, e era facinado pelos malandros, homens que exploravam as mulheres, minas ou mariposas, e viviam da jogatina. Na Lapa chegou a conhecer o famoso Madame Sat\u00e3, como tamb\u00e9m Ceci, a sua &#8220;Dama do Caber\u00e9&#8221;.<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>O ano de 1930 mudou a hist\u00f3ria do Brasil e a vida de No\u00ebl Rosa. Na pol\u00edtica nacional, Get\u00falio Vargas assumiu a presid\u00eancia do pa\u00eds por meio da chamada Revolu\u00e7\u00e3o de 30. Nosso &#8220;Poeta&#8221; gravou o seu primeiro samba de hist\u00f3ria: &#8220;Com que Roupa?&#8221;, que fazia alus\u00e3o de forma humorada a um Brasil de tanga, ilhado em pobreza, a fome e a mis\u00e9ria alastrando-se como praga, consequencia imediata da crise da bolsa de Nova York que abalou o mundo inteiro. O samba conquistou a cidade. A composi\u00e7\u00e3o de sucesso passou a integrar o programa de diversas pe\u00e7as do teatro de Revista, todas encenadas nos palcos da Pra\u00e7a Tiradentes, que vivia dias de fulgor e esplendor. No mesmo ano conseguiu ser aprovado no vestibular para a Faculdade de Medicina. Contudo, ficou insatisfeito com o curso e abandonou-o. Ainda assim, comp\u00f4s &#8220;Cora\u00e7\u00e3o&#8221;, conhecido como um &#8220;samba anat\u00f4mico&#8221;. O &#8220;novo regime&#8221; de Vargas e suas medidas governamentais tamb\u00e9m n\u00e3o passariam desapercebidas pelo compositor, ganhando tons de cr\u00edticas bem humoradas nas letras de alguns de seus sambas como &#8220;O Pulo da Hora&#8221; ou &#8220;Que Horas S\u00e3o?&#8221; sobre a cria\u00e7\u00e3o do hor\u00e1rio de ver\u00e3o; &#8220;Psilone&#8221; composto em fun\u00e7\u00e3o da nova reforma ortogr\u00e1fica; &#8220;Samba da Boa Vontade&#8221;, sobre o pedido de Vargas aos brasileiros para manter o sorriso, mesmo num momento de crise; e, ainda &#8220;Tenentes &#8230; do Diabo&#8221;, samba jocoso quanto aos tenentes getulistas, rivais dos &#8220;Democratas&#8221;.<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>No come\u00e7o de 1934, teve o in\u00edcio a famosa pol\u00eamica envolvendo os compositores No\u00ebl Rosa e Wilson Batista. Este \u00faltimo comp\u00f4s &#8220;Len\u00e7o no Pesco\u00e7o&#8221;. No\u00ebl rebateu com &#8220;Rapas Folgado&#8221;. Em resposta, Wilson comp\u00f4s &#8220;Mocinho da Vila&#8221;. Ainda no mesmo ano, no per\u00edodo da primavera, No\u00ebl comp\u00f4s &#8220;Feiti\u00e7o da Vila&#8221;, uma homenagem para a rainha primaveril de Vila Isabel, Lela Casatle. Samba que colocou No\u00ebl em evid\u00eancia, uma vez que o Brasil inteiro cantou a composi\u00e7\u00e3o. A pol\u00eamica deu uma tr\u00e9gua e reacendeu no ano seguinte. O sucesso do &#8220;Fil\u00f3sofo do Samba&#8221; incomodou Wilson Batista, que gravou &#8220;Conversa Fiada&#8221;. No\u00ebl reagiu com &#8220;Palpite Infeliz&#8221;. Wilson respondeu com dois novos sambas: &#8220;Frankstein da Vila&#8221; e &#8220;Terra de Cego&#8221;.<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>Os anos trinta foram a chamada Era do R\u00e1dio, consagrada com a cria\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio Nacional. Em pouco tempo, o pa\u00eds inteiro ouviria suas r\u00e1dio-novelas, seus programas de audit\u00f3rio e viria surgir muitas estrelas da nossa m\u00fasica, as chamadas cantoras do r\u00e1dio. Mar\u00edlia Baptista e Ara\u00e7y de Almeida foram as maiores int\u00e9rpretes das can\u00e7\u00f5es de No\u00ebl. Este tamb\u00e9m atuou no r\u00e1dio. No Programa do Cas\u00e9, de Adhemar Cas\u00e9, na R\u00e1dio Philips, Noel cantava e trabalhava como contra-regra. E, em 1935, Almirante conseguiu-lhe na R\u00e1dio Clube do Brasil, trabalhando como libretista no programa &#8220;Como se as \u00f3peras c\u00e9lebres do mundo houvessem nascido aqui no Rio&#8221;. Escreveu o libreto da \u00f3pera &#8220;O Barbeiro de Niter\u00f3i&#8221; uma par\u00f3dia ao &#8220;Barbeiro de Sevilha&#8221;. Fez tamb\u00e9m as revistas radiof\u00f4nicas &#8220;Ladr\u00e3o de Galinhas&#8221; e a &#8220;Noiva do Condutor&#8221;. As composi\u00e7\u00f5es de No\u00ebl tamb\u00e9m foram utilizadas no cinema. Em Al\u00f4, Al\u00f4, Carnaval (1936), comp\u00f4s &#8220;Pierrot Apaixonado&#8221;, em parceria com Heitor dos Prazeres. Para o filme Cidade Mulher (1936), ele comp\u00f4s seis m\u00fasicas, dentre as quais &#8220;Tarzan, Filho do Alfaiate&#8221;, em parceria com Vadico.<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>No ano de 1937, os c\u00e9us do Brasil foram atravessados pelo cometa de Hermes. Os cometas inspiraram durante mil\u00eanios profundos temores na humanidade, que os considerava sinais divinos de maus press\u00e1gios. O medo persistia. Foi assim com o cometa de Halley naquele ano de 1910 e voltou a ser vinte sete anos depois. E, de fato, realmente foi. Na noite do dia 04 de maio, no mesmo chal\u00e9 onde nasceu na rua Teodoro da Silva, em Vila Isabel, faleceu, acometido pelo &#8220;mal do s\u00e9culo&#8221;<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>Da mesma forma que nasceu num ano turbulento, No\u00ebl disse &#8220;Adeus&#8221; num ano de grandes transforma\u00e7\u00f5es, cumprindo assim um ciclo de mudan\u00e7as. Ele mudou a hist\u00f3ria da m\u00fasica popular brasileira. As serestas e serenatas n\u00e3o seriam mais as mesmas sem a sua presen\u00e7a. Uma outra &#8220;Festa no C\u00e9u&#8221; faria ele entre anjos e arcanjos. Para sua felicidade, n\u00e3o viu a instala\u00e7\u00e3o do Estado Novo, com seu car\u00e1ter repressivo e censurador, nem mesmo a chegada do &#8220;Tio Sam&#8221;. N\u00e3o viu tamb\u00e9m a vida bo\u00eamia da Lapa se substitu\u00edda pelas boates chiques de Copacabana, onde Aracy de Almeida, o imortalizou. Tamb\u00e9m n\u00e3o teve o prazer de ver a funda\u00e7\u00e3o do GRES Unidos de Vila Isabel, Agremia\u00e7\u00e3o carnavalesca do bairro que tanto cantou. No firmamento do samba, assim como a estrela Dalva, a estrela de No\u00ebl, finalmente, no c\u00e9u despontou e jamais se apagou. Foi o seu &#8220;\u00daltimo Desejo&#8221;. Por isso, cantamos: &#8220;Quem nasce l\u00e1 na Vila, nem sequer vacila, ao abra\u00e7ar o samba&#8221;. Saudades de ti, No\u00ebl!!!\u00a0<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>Carnavalesco: Alex de Souza<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>Autores do Enredo: Alex de Souza, Alex Varela (historiador) e Martinho da Vila<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>Reda\u00e7\u00e3o do Texto da Sinopse: Alex Varela&#8221;<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i><span>(Fonte: <a href=\"http:\/\/www.galeriadosamba.com.br\/\">Galeria do Samba<\/a>)<\/span><\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/S94WD1JZP8I\/AAAAAAAACG0\/l3pNj-eRFC0\/s1600\/Especial+(Segunda+_+Acesso+B+2010+088.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"300\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/Especial+Segunda+_+Acesso+B+2010+088.jpg\" width=\"400\"><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>A disputa para a escolha do samba foi recheada de pol\u00eamicas. Primeiro o presidente da escola anunciou que n\u00e3o haveria disputa e Martinho da Vila faria o samba. Depois que haveria uma parceria entre Martinho e Andr\u00e9 Diniz, os dois maiores vencedores de sambas enredo da hist\u00f3ria da escola.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No fim acabou havendo o concurso tradicional, mas com fortes suspeitas de que j\u00e1 haveria um resultado antes mesmo de seu in\u00edcio.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ainda tem mais. O samba de Martinho, que se sagrou vencedor, \u00e9 muito semelhante a uma outra composi\u00e7\u00e3o do artista, em parceria com Gracia do Salgueiro. Disponibilizo abaixo a letra:<\/div>\n<div><\/div>\n<p><i>&#8220;Se um dia<\/i><br \/><i>A boemia me chamasse<\/i><br \/><i>Com saudade e perguntasse<\/i><br \/><i>Por onde anda Noel<\/i><br \/><i>Com o meu sorriso responderia<\/i><br \/><i>O autor de &#8220;Filosofia&#8221;<\/i><br \/><i>Anda na terra e no c\u00e9u<\/i><br \/><i>Eu n\u00e3o sambei com Noel<\/i><br \/><i>Com ele eu n\u00e3o cantei<\/i><br \/><i>Por\u00e9m um dia sonhei<\/i><br \/><i>Que eu era o seu menestrel<\/i><br \/><i>Eu n\u00e3o bebi com Noel<\/i><br \/><i>Eu n\u00e3o vivi com Noel<\/i><br \/><i>Mas sei que ele est\u00e1 presente<\/i><br \/><i>Com a gente em Vila Isabel<\/i><br \/><i>E na avenida<\/i><br \/><i>Se me v\u00eaem como espelho<\/i><br \/><i>Eu sou o seu aparelho<\/i><br \/><i>Num transe de carnaval<\/i><br \/><i>E a fantasia que se usa<\/i><br \/><i>J\u00e1 tem os tons de l\u00e1 do c\u00e9u<\/i><br \/><i>Que s\u00e3o as cores<\/i><br \/><i>Da nossa Vila Isabel&#8221;<\/i><\/p>\n<div><\/div>\n<div>Veremos abaixo que a primeira parte do samba enredo tem, sim, uma letra muito semelhante a esta. Para completar a pol\u00eamica, existe uma lenda (jamais confirmada) que conta a &#8220;Presen\u00e7a de (Andr\u00e9) Diniz&#8221; no samba ap\u00f3s a vit\u00f3ria no concurso &#8211; o vitorioso e talentoso compositor teria &#8220;arrumado&#8221; a melodia do samba para torn\u00e1-lo mais apropriado ao desfile.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/S94ZU9WUTiI\/AAAAAAAACG8\/SCP1zOZIDaY\/s1600\/Especial+(Segunda+_+Acesso+B+2010+067.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"300\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/Especial+Segunda+_+Acesso+B+2010+067.jpg\" width=\"400\"><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Pol\u00eamicas \u00e0 parte, era um belo samba, muito bem gravado no CD pelo puxador Tinga. Aqueles que discordam dos rumos que o samba de enredo vem tomando, entre os quais me incluo, torciam para que o samba fosse bem na avenida e mudasse o paradigma vigente atualmente, de &#8220;dez versos, refr\u00e3o do meio com quatro, segunda parte tamb\u00e9m com dez versos e refr\u00e3o final explosivo com mais quatro versos&#8221;.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Havia uma grande expectativa para o desempenho do samba na noite de 15 de fevereiro, segunda feira de carnaval. A escola pisaria a passarela como a quinta e pen\u00faltima a desfilar.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Entretanto, preciso fazer um par\u00eantese antes de continuar. Tal qual a Portela, o Imp\u00e9rio Serrano e a Mangueira, a Vila \u00e9 uma escola que tem muita resist\u00eancia a Mestres de Bateria vindos de fora da escola. E a grande atra\u00e7\u00e3o da escola era a troca no comando da bateria, com Mestre \u00c1tila, premiad\u00edssimo no Imp\u00e9rio Serrano. E&#8230;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A escola pisou na avenida como grande favorita. O samba, aclamado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas dois fatores arrasaram o desempenho do samba e, por tabela, o da escola.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O primeiro foi uma falha no som que impedia a capta\u00e7\u00e3o correta dos instrumentos da bateria e dos puxadores e que alterou totalmente a cad\u00eancia do mesmo para os espectadores e os desfilantes.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/S94gU_I5PHI\/AAAAAAAACHE\/vIOKq_RBGIg\/s1600\/Especial+(Segunda+_+Acesso+B+2010+089.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"300\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/Especial+Segunda+_+Acesso+B+2010+089.jpg\" width=\"400\"><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O segundo&#8230;\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Bom, o segundo fator foi o desempenho lament\u00e1vel da bateria, que desde o seu &#8220;esquenta&#8221; estava bastante estranha. Embolava, atravessava e se percebia claramente descompasso entre as pe\u00e7as &#8220;grandes&#8221; e as &#8220;pequenas&#8221;.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A minha sensa\u00e7\u00e3o no ponto onde eu estava (Setor 3, in\u00edcio da pista) era de que o surdo que faz a marca\u00e7\u00e3o para os microfones &#8211; o chamado &#8220;guia&#8221; &#8211; estava totalmente atravessado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em suma, a bateria foi uma l\u00e1stima. A ponto de Mestre \u00c1tila fazer duas &#8220;paradinhas&#8221; seguidas em frente ao ponto da pista onde eu estava para ver se conseguia acertar o ritmo. Para quem n\u00e3o conhece, as paradinhas s\u00e3o recursos que visam abrilhantar o desfile de uma escola, mas tamb\u00e9m podem ser utilizadas para corrigir erros da bateria &#8211; algo como &#8220;parar para come\u00e7ar de novo&#8221;.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas nem este recurso deu jeito. L\u00f3gico que estas coisas s\u00e3o muito dif\u00edceis de se provar, mas minha hip\u00f3tese \u00e9 de que tenha sido algum tipo de &#8220;inconformismo&#8221; pela vinda de um Mestre de fora da escola &#8211; em portugu\u00eas claro, sabotagem. Entretanto, s\u00e3o apenas hip\u00f3teses.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O certo \u00e9 que mesmo em um andamento excessivamente exagerado e que inibiu o efeito da bela melodia, o samba ainda salvou as notas m\u00e1ximas. A bateria foi bastante penalizada nas notas mas assim mesmo ainda a escola salvou um quarto lugar no resultado final.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Vamos \u00e0 letra do samba e, abaixo, um v\u00eddeo do desfile da escola.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<div><i>&#8220;Se um dia na orgia me chamassem<\/i><\/div>\n<div><i>Com saudades perguntassem<\/i><\/div>\n<div><i>Por onde anda Noel<\/i><\/div>\n<div><i>Com toda minha f\u00e9 responderia<\/i><\/div>\n<div><i>Vaga na noite e no dia<\/i><\/div>\n<div><i>Vive na terra e no c\u00e9u<\/i><\/div>\n<div><i>Seus sambas muito curti<\/i><\/div>\n<div><i>Com a cabe\u00e7a ao l\u00e9u<\/i><\/div>\n<div><i>Sua presen\u00e7a senti<\/i><\/div>\n<div><i>No ar de Vila Isabel<\/i><\/div>\n<div><i>Com o sedutor n\u00e3o bebi<\/i><\/div>\n<div><i>Nem fui com ele a bordel<\/i><\/div>\n<div><i>Mas sei que est\u00e1 presente<\/i><\/div>\n<div><i>Com a gente neste laurel<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i><b>Veio ao planeta com os ausp\u00edcios de um cometa<\/b><\/i><\/div>\n<div><i><b>Naquele ano da Revolta da Chibata<\/b><\/i><\/div>\n<div><i><b>A sua vida foi de notas musicais<\/b><\/i><\/div>\n<div><i><b>Seus lindos sambas animavam carnavais<\/b><\/i><\/div>\n<div><i><b>Brincava em blocos com bo\u00eamios e mulatas<\/b><\/i><\/div>\n<div><i><b>Subia morros sem preconceitos sociais<\/b><\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>Foi um grande choror\u00f4<\/i><\/div>\n<div><i>Quando o g\u00eanio descansou<\/i><\/div>\n<div><i>Todo o samba lamentou<\/i><\/div>\n<div><i>\u00d4 \u00f4 \u00f4<\/i><\/div>\n<div><i>Que enorme dissabor<\/i><\/div>\n<div><i>Foi-se o nosso professor<\/i><\/div>\n<div><i>A Lindaura solu\u00e7ou<\/i><\/div>\n<div><i>E a Dama do Cabar\u00e9 n\u00e3o dan\u00e7ou<\/i><\/div>\n<div><i>Fez a passagem pro espa\u00e7o sideral<\/i><\/div>\n<div><i>Mas est\u00e1 vivo neste nosso carnaval<\/i><\/div>\n<div><i>Tamb\u00e9m presentes Cartola<\/i><\/div>\n<div><i>Araci e os Tangar\u00e1s<\/i><\/div>\n<div><i>Lamartine, Ismael e outros mais<\/i><\/div>\n<div><i>E a fantasia que se usa<\/i><\/div>\n<div><i>Pra sambar com o menestrel<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>Tem a energia da nossa Vila Isabel&#8221;<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Reparem na estrutura bem diferente do samba, com apenas um &#8211; e longo &#8211; refr\u00e3o.<\/div>\n<div>\n<p>Na pr\u00f3xima coluna, outro samba de 2010 que sofreu com quest\u00f5es ex\u00f3genas a ele: Imperatriz Leopoldinense.<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s um intervalo, a nossa coluna &#8220;Samba de Ter\u00e7a&#8221; est\u00e1 de volta. 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