{"id":11929,"date":"2010-06-30T10:24:00","date_gmt":"2010-06-30T12:24:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/06\/formaturas-batizados-e-afins-a-ciencia-e-o-misterio-da-bola-jabulani\/"},"modified":"2010-06-30T10:24:00","modified_gmt":"2010-06-30T12:24:00","slug":"formaturas-batizados-e-afins-a-ciencia-e-o-misterio-da-bola-jabulani","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/06\/formaturas-batizados-e-afins-a-ciencia-e-o-misterio-da-bola-jabulani\/","title":{"rendered":"Formaturas, Batizados e Afins: a ci\u00eancia e o mist\u00e9rio da bola Jabulani"},"content":{"rendered":"<div>Mais uma quarta feira e mais uma coluna &#8220;Formaturas, Batizados &#038; Afins&#8221;, assinada pelo Professor Adjunto de Biof\u00edsica da UFRJ Marcelo Einicker. Hoje o tema, em ritmo de Copa do Mundo, \u00e9 uma explica\u00e7\u00e3o cientp\u00edfica do terror dos goleiros: a fmaosa Jabulani.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;<i><b>A Ci\u00eancia e o mist\u00e9rio da bola Jabulani<\/b><\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em tempo de Copa do Mundo, vamos trazer para a coluna um pouco de Ci\u00eancia para a pol\u00eamica por conta da nova bola &#8211; a famosa JABULANI &#8211; desenvolvida especialmente por uma grande marca de artigos esportivos para este evento.<\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>Um pouco de hist\u00f3ria<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Que o futebol \u00e9 a paix\u00e3o do brasileiro e de tantas outras na\u00e7\u00f5es ningu\u00e9m duvida, mas como isso tudo come\u00e7ou ainda \u00e9 uma grande controv\u00e9rsia. Para alguns, o futebol teria surgido por volta de 3.000 anos antes de Cristo, na China, onde militares ou guerreiros se reuniam para treinamentos em campos onde chutavam as cabe\u00e7as dos inimigos derrotados, numa esp\u00e9cie de jogo de futebol primitivo e mesmo bizarro. Tamb\u00e9m existem relatos no Jap\u00e3o de um jogo bastante pr\u00f3ximo ao nosso futebol praticado com uma bola feita de fibra de bambu.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>E, no decorrer dos anos, seguiu-se o que em biologia poderia se chamar evolu\u00e7\u00e3o. Seria a evolu\u00e7\u00e3o do futebol, passando por mais alguns modelos de jogos at\u00e9 que \u201cfutebol primitivo\u201d chega \u00e0 Inglaterra por volta do s\u00e9culo XVII; onde ganha as regras b\u00e1sicas que temos hoje em dia e onde a bola come\u00e7a a ganhar maior aten\u00e7\u00e3o, j\u00e1 sendo de couro, costurada e inflada com ar. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em 1848 tamb\u00e9m na Inglaterra s\u00e3o estabelecidas de forma oficial as regras, em 1871 criada a figura do goleiro, que seria o \u00fanico a poder tocar a bola com as m\u00e3os. J\u00e1 em 1885 come\u00e7a o futebol profissional e no ano seguinte, \u00e9 criada a International Board, entidade respons\u00e1vel por manter ou alterar as regras do jogo. Finalmente em 1904, surge a Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Football Association (FIFA), que hoje \u00e9 a maior entidade do futebol mundial, respons\u00e1vel pelos campeonatos inclusive, pela Copa do Mundo. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Portanto desde quando o futebol trocou as cabe\u00e7as por algum tipo de bola, proporcionou o aprimoramento de t\u00e9cnicas para tocar esta bola, chutar, cabece\u00e1-la, protege-la do advers\u00e1rio&#8230;e assim surgiram o drible, a finta, o passe, a magia que envolve o jogo, cada partida de futebol. Sempre com ela, a bola, como estrela maior.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>A bola<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Quem nunca jogou uma pelada na rua, na quadra do col\u00e9gio com uma simples bola de meia, ou mesmo com um monte de papel embrulhado em forma de bola? Existem centenas, talvez milhares de tipos de bola, por\u00e9m, para a pr\u00e1tica do esporte, a bola deve seguir regras muito bem estabelecidas. A bola deve ser esf\u00e9rica, recoberta de couro ou outro material aprovado, que n\u00e3o represente perigo \u00e0 integridade dos atletas. Para o futebol de campo, sua circunfer\u00eancia m\u00e1xima ser\u00e1 de 69,5 cm, e a m\u00ednima 68,5 cm; o peso dever estar entre 420 e 445 g no in\u00edcio da partida, e depois de cheia ela deve ter a press\u00e3o de 0,8 bar.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ou seja, existe uma padroniza\u00e7\u00e3o para a bola o que impede que partidas oficiais sejam disputadas com bolas fora destas especifica\u00e7\u00f5es. Isso nos faz lembrar de in\u00fameras reclama\u00e7\u00f5es por parte dos jogadores acerca da qualidade da bola. Que ela \u00e9 mais leve, mais pesada, mais dura, mais ligeira. Entretanto, pela regra bola \u00e9 bola, nas suas especifica\u00e7\u00f5es regulamentares. Logo, \u00e9 de se pensar que um jogador profissional que reclame da bola, n\u00e3o tenha l\u00e1 assim tanta intimidade com seu instrumento de trabalho. Um dos maiores jogadores de todos os tempos, o argentino Di Stefanno, tem no jardim de sua casa uma est\u00e1tua em bronze de uma bola onde se l\u00ea: \u201cObrigado gorda!\u201d.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Alguns dos maiores jogadores do mundo em todos os tempos costumavam comentar que chamavam a bola de \u201cvoc\u00ea\u201d, refletindo a intimidade que tinham com a redonda. Mas afinal, a bola que transformou Pel\u00e9 em Rei, Ronaldo em Fen\u00f4meno, Maradona em Deus e tantos outros homens em \u00eddolos pode ainda evoluir mais e chegar a uma situa\u00e7\u00e3o de m\u00e1xima perfei\u00e7\u00e3o?<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Parece ser exatamente este o ponto que tem provocado tantas reclama\u00e7\u00f5es no per\u00edodo que antecedeu o in\u00edcio da Copa do Mundo e mesmo agora j\u00e1 durante os jogos. Jogadores da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, como o goleiro J\u00falio C\u00e9sar (considerado por muitos o melhor goleiro do mundo) e de outras sele\u00e7\u00f5es vieram a p\u00fablico reclamar da bola do Mundial da \u00c1frica, a j\u00e1 famosa Jabulani &#8211; que no idioma Zulu significa \u201ccelebrar\u201d. Segundo os jogadores, a bola Jabulani \u00e9 mais leve&#8230; mais r\u00e1pida&#8230; mais teimosa, dura de ser dominada. Mas se a FIFA estabelece regras para a bola, como pode a Jabulani ser mais leve ou mais r\u00e1pida?<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>A Ci\u00eancia desvenda o mist\u00e9rio de Jabulani<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Feitas as reclama\u00e7\u00f5es, o fabricante da bola partiu em defesa de seu produto, dizendo terem utilizado jogadores de sabida t\u00e9cnica (como nosso Kak\u00e1) para testes em campo com a Jabulani [Nota do Editor: jogadores patrocinados pela Adidas, fabricante da bola]. Foi ou teria sido usada uma tecnologia digna dos projetos de desenvolvimento de carros de corrida, inclusive com testes em t\u00faneis de vento. A FIFA tamb\u00e9m se colocou contr\u00e1ria \u00e0s reclama\u00e7\u00f5es, apoiando os argumentos da fornecedora de material esportivo, pois teriam desenvolvido a Jabulani com o que existe de mais moderno.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No entanto, come\u00e7a a Copa, e logo nos primeiros jogos alguns goleiros sofreram \u201cfrangos\u201d incr\u00edveis, atribu\u00eddos ao mist\u00e9rio da bola Jabulani. O n\u00famero de gols na primeira fase foi o mais baixo da hist\u00f3ria das Copas, o n\u00famero de passes errados foi considerado alto, e s\u00f3 depois de mais de 60 jogos houve um gol de falta. Evid\u00eancias mais do que suficientes de que realmente a Jabulani \u00e9 um tanto quanto mais rebelde que suas antecessoras, bolas de menos tecnologia, mas que garantiam mais deslumbramento nas jogadas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Para acabar com a pol\u00eamica, laborat\u00f3rios de F\u00edsica pelo mundo afora realizaram testes com a Jabulani. A pr\u00f3pria Ag\u00eancia Espacial Americana, a NASA, dedicou esfor\u00e7os para analisar a bola Jabulani. Aqui no Brasil, pesquisadores da USP tamb\u00e9m analisaram a Jabulani e em comum todos os testes feitos mostram as mesmas conclus\u00f5es. Realmente a Jabulani \u00e9 uma bola \u201cteimosa\u201d, dif\u00edcil de ser dominada e de ser colocada no gol com categoria e mesmo na for\u00e7a. A bola parece estar sujeita a incr\u00edveis altera\u00e7\u00f5es de sua trajet\u00f3ria em chutes a partir de 45 Km\/h (considerados fracos). Estas altera\u00e7\u00f5es na trajet\u00f3ria se devem justamente a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que concebeu a Jabulani. Ao contr\u00e1rio das bolas anteriores, a Jabulani \u00e9 formada por apenas oito pain\u00e9is ou placas soldadas industrialmente, ou seja, ela n\u00e3o tem costuras. As bolas tradicionais de at\u00e9 14 gomos tinham costuras muitas vezes feitas \u00e0 m\u00e3o, que formavam pequenas ranhuras entre os gomos por onde o ar circulava durante a trajet\u00f3ria da bola ap\u00f3s o chute. Com a Jabulani estes caminhos para o ar circular entre as placas ou gomos \u00e9 praticamente inexistente, e assim o atrito da Jabulani com o ar \u00e9 maior. Isso faz com que ela fique sim mais sujeita a altera\u00e7\u00f5es da sua trajet\u00f3ria, o que explicaria a onda de reclama\u00e7\u00f5es dos atletas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Outro agravante para a Jabulani seria o material sint\u00e9tico usado para sua fabrica\u00e7\u00e3o, que seria outro causador de altera\u00e7\u00f5es do efeito do atrito com o ar e a trajet\u00f3ria final seguida pela bola. Em poucas palavras, por mais craque que seja o jogador ele tem muito mais dificuldade em um chute preciso com a Jabulani do que com outras bolas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Portanto o problema da Jabulani n\u00e3o \u00e9 que ela \u00e9 mais leve, mas sim que ela \u00e9 t\u00e3o mais moderna tecnologicamente que n\u00e3o possui costuras e com isso fica sujeita a golpes de ar e ao atrito com o mesmo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00c9 interessante vermos que a tecnologia deve sempre estar em favor do desenvolvimento das coisas e mesmo do esporte. Assim \u00e9 no automobilismo, o desenvolvimento dos motores, combust\u00edveis, pneus; na nata\u00e7\u00e3o a cria\u00e7\u00e3o daquele macac\u00e3o que fez despencarem os recordes, e que acabou sendo abolido, e agora o futebol nos d\u00e1 um exemplo ao contr\u00e1rio, de que nem sempre a m\u00e1xima tecnologia vai jogar a favor. No caso da Jabulani, parece mesmo ter sido um tremendo gol contra!&#8221;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais uma quarta feira e mais uma coluna &#8220;Formaturas, Batizados &#038; Afins&#8221;, assinada pelo Professor Adjunto de Biof\u00edsica da UFRJ Marcelo Einicker. 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