{"id":11834,"date":"2010-09-03T08:48:00","date_gmt":"2010-09-03T10:48:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/09\/cinecasulofilia-o-mundo-e-belo-ou-o-ceu-de-fortaleza\/"},"modified":"2010-09-03T08:48:00","modified_gmt":"2010-09-03T10:48:00","slug":"cinecasulofilia-o-mundo-e-belo-ou-o-ceu-de-fortaleza","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/09\/cinecasulofilia-o-mundo-e-belo-ou-o-ceu-de-fortaleza\/","title":{"rendered":"Cinecasulofilia &#8211; &quot;o mundo \u00e9 belo (ou o c\u00e9u de fortaleza)&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/TG6x480bJRI\/AAAAAAAACvQ\/Vsw_e4RrL5c\/s1600\/brasil_fortaleza.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"271\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/brasil_fortaleza.jpg\" width=\"400\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Mais uma sexta feira e mais uma edi\u00e7\u00e3o de nossa coluna sobre Cinema, a &#8220;Cinecasulofilia&#8221;. Escrita em parceria com o <a href=\"http:\/\/cinecasulofilia.blogspot.com\/\">blog de mesmo nome<\/a>, o texto \u00e9 de autoria do cr\u00edtico, cineasta e professor Marcelo Ikeda.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><b>\u00a0o mundo \u00e9 belo (ou o c\u00e9u de fortaleza)<\/b><\/i><\/p>\n<p>(&#8230;) Tive vontade de escrever um pouco sobre O MUNDO \u00c9 BELO, do Luiz Pretti, rec\u00e9m selecionado para o Festival de Veneza, e ainda in\u00e9dito no Brasil. Tenho a impress\u00e3o, ainda que possa ser um mero del\u00edrio egoc\u00eantrico \u2013 a ser confirmado pelo autor \u2013 que esse curta \u00e9 uma esp\u00e9cie de prolongamento de uma v\u00eddeo-carta que o Luiz mandou para mim. Essa carta, por sua vez, \u00e9 uma resposta (um retorno, um di\u00e1logo) a uma s\u00e9rie de v\u00eddeo-cartas que mandei para os amigos cearenses ao longo de quase um ano, um conjunto de seis v\u00eddeo-cartas, e que geraram essa \u00fanica resposta filmada. Ainda assim, acredito, como cheguei a falar anteriormente, que as respostas a essas cartas foram m\u00faltiplas e \u00edntimas, ainda que n\u00e3o tenham gerado um conjunto de outras v\u00eddeo-cartas, mas s\u00e3o retornos mais sutis e inconcresc\u00edveis, que resultou tamb\u00e9m, em \u00faltima inst\u00e2ncia, em minha pr\u00f3pria presen\u00e7a f\u00edsica aqui no Cear\u00e1. De todo modo, a pr\u00f3pria sele\u00e7\u00e3o de O MUNDO \u00c9 BELO para o Festival de Veneza sinaliza uma resposta concreta, se for poss\u00edvel essa associa\u00e7\u00e3o entre essa v\u00eddeo-carta do Luiz com o curta em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o de que essa associa\u00e7\u00e3o existe se baseia em tr\u00eas coisas, que na verdade s\u00e3o uma s\u00f3, e s\u00e3o m\u00faltiplas: a de que ambos os curtas s\u00e3o cartas, feitas com uma c\u00e2mera prec\u00e1ria (uma cybershot ou uma c\u00e2mera de celular, o que d\u00e1 na mesma) e especialmente o singelo fato de que ambos os curtas s\u00e3o filmes sobre o c\u00e9u de Fortaleza.<\/p>\n<p>O MUNDO \u00c9 BELO \u00e9 uma carta, ou seja, \u00e9 um curta que poderia se chamar \u201ccr\u00f4nica de uma separa\u00e7\u00e3o\u201d ou ainda \u201ccr\u00f4nica de um relacionamento\u201d. Com isso, quero dizer que uma outra forma de ver esse curta \u00e9 consider\u00e1-lo como um ep\u00edlogo, ou ainda, como um prel\u00fadio. De outra forma, posso dizer que O MUNDO \u00c9 BELO \u00e9 sobre n\u00e3o tanto a dificuldade mas essencialmente a necessidade de dizer uma palavra ao outro, e dessa forma, dizer uma palavra a n\u00f3s mesmos. Para tanto, \u00e9 preciso saber observar.<\/p>\n<p>Assim como a v\u00eddeo-carta, O MUNDO \u00c9 BELO \u00e9 repleto de imagens de c\u00e9us e uma voz-over confessional que expira os pensamentos do autor. Acontece que n\u00e3o s\u00e3o imagens de um c\u00e9u qualquer, e sim imagens do c\u00e9u de Fortaleza, e isso para o autor tem um sentimento particular, apesar de que a cidade n\u00e3o seja a sua cidade natal, mas talvez seja mais forte do que isso. N\u00e3o existe uma nostalgia, uma melancolia, mas um desejo de ver, um desejo de estar e um desejo de ser. Um desejo de pertencimento a algo que n\u00e3o necessariamente se \u00e9.<\/p>\n<p>As pessoas que moram ou que j\u00e1 passaram por Fortaleza sabem que \u00e9 quase imposs\u00edvel caminhar pela cidade \u00e0 tarde, quando o sol queima a moela dos passantes. A v\u00eddeo-carta era sobre, ainda assim, a possibilidade de ver esse c\u00e9u e ver esse sol como uma pot\u00eancia. Uma possibilidade de conviver, de olhar para esse sol. Uma necessidade de continuar caminhando, apesar do sol, ainda com o sol.<\/p>\n<p>Mas o sol \u00e9 duro, e a cidade \u00e9 dura, t\u00e3o dura quanto o sol. Ainda assim, \u00e9 preciso continuar caminhando, continuar pensando sobre o sol. As imagens, da mesma forma, s\u00e3o t\u00e3o duras quanto o sol. A c\u00e2mera de celular, o cybershot, filmam o sol (o c\u00e9u) sem lentes ou filtros que envolvem esse c\u00e9u-sol numa beleza pl\u00e1stica, na plasticidade da imagem. H\u00e1 um olhar duro, pixelado, fragmentado, para esse objeto-coisa. E ainda assim existe uma enorme beleza nesse sol-cidade.<\/p>\n<p>A sele\u00e7\u00e3o de O MUNDO \u00c9 BELO para o prestigioso Festival de Veneza n\u00e3o faz o filme melhor ou pior. Mas aponta para uma coisa fant\u00e1stica, destaca o curta num cen\u00e1rio da realiza\u00e7\u00e3o do audiovisual brasileiro, mostra caminhos e perspectivas concretas. E o mais importante: mostra que isso \u00e9 poss\u00edvel sem \u201ctapar o sol com a peneira\u201d, olhando de frente para esse sol duro. O MUNDO \u00c9 BELO \u00e9 um curta praticamente todo feito por uma \u00fanica pessoa, com um c\u00e2mera cybershot, sem leis de incentivo. N\u00e3o \u00e9 um cart\u00e3o-postal do sert\u00e3o cearense: \u00e9 um filme duro e prec\u00e1rio. Sim, prec\u00e1rio, cru. Mas a beleza desse curta \u00e9 apontar que essa precariedade seja um sintoma da beleza do mundo. A beleza n\u00e3o est\u00e1 propriamente nos pixels que comp\u00f5em a imagem (na imagem em si) mas essencialmente numa FORMA DE OLHAR para as imagens, que \u00e9 em \u00faltima inst\u00e2ncia UMA FORMA DE ESTAR NO MUNDO. Para ver a beleza de O MUNDO \u00c9 BELO, \u00e9 preciso saber observar. Resta-nos saber se estamos preparados para isso.&#8221;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais uma sexta feira e mais uma edi\u00e7\u00e3o de nossa coluna sobre Cinema, a &#8220;Cinecasulofilia&#8221;. 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