{"id":11821,"date":"2010-09-12T09:19:00","date_gmt":"2010-09-12T11:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/09\/o-trofeu-orfao\/"},"modified":"2010-09-12T09:19:00","modified_gmt":"2010-09-12T11:19:00","slug":"o-trofeu-orfao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/09\/o-trofeu-orfao\/","title":{"rendered":"O Trof\u00e9u \u00d3rf\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/TIlPlCn_QWI\/AAAAAAAAC3g\/LROP9hxAJzY\/s1600\/rindt3.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"270\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/rindt3.jpg\" width=\"400\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Domingo, dia de lembran\u00e7as. E de bons textos.<\/p>\n<p>Reproduzo aqui texto do amigo Rodrigo Mattar lembrando que esta \u00faltima semana completaram-se quarenta anos da morte do \u00fanico campe\u00e3o mundial de F\u00f3rmula 1 que n\u00e3o estava vivo para receber seu trof\u00e9u: Jochen Rindt.<\/p>\n<p>O texto foi publicado originalmente em seu excelente <a href=\"http:\/\/colunas.sportv.globo.com\/amilporhora\/2010\/09\/09\/40-anos-sem-rindt-o-unico-campeao-post-mortem\/\">&#8220;A Mil Por Hora&#8221;<\/a>.<\/p>\n<p>&#8220;<i><b>40 anos sem Rindt: o \u00fanico campe\u00e3o \u201cpost-mortem\u201d<\/b><\/i><\/p>\n<p>Sim, eu sei. Foi no dia 5 de setembro que faz 40 anos que Jochen Rindt morreu. Mas e da\u00ed? No domingo passado, todas as aten\u00e7\u00f5es se voltaram para a tr\u00e1gica perda de Shoya Tomizawa durante a corrida da Moto2 em San Marino. Por\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 como deixar de pagar tributo \u00e0quele que \u00e9 at\u00e9 hoje o \u00fanico campe\u00e3o \u201cpost-mortem\u201d da hist\u00f3ria da F\u00f3rmula 1 e um dos raros em qualquer competi\u00e7\u00e3o automobil\u00edstica. Que me recorde, outro que tamb\u00e9m foi campe\u00e3o ap\u00f3s falecer num acidente foi Paul Warwick, na F\u00f3rmula 3000 inglesa.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria de Rindt no automobilismo \u00e9 digna de registro. A come\u00e7ar que, embora defendesse a \u00c1ustria, Rindt era alem\u00e3o. Nasceu em Mainz, no dia 18 de setembro de 1942, quando a II Guerra Mundial j\u00e1 estava no auge. A primeira grande perda de Jochen foi ainda menino: seus pais morreram num bombardeio em Hamburgo e ele foi criado pelos av\u00f3s em Graz, em territ\u00f3rio austr\u00edaco, livre da tirania nazista.<\/p>\n<p>Em 1964, com apenas 22 anos de idade, estreou na F\u00f3rmula 1 ao mesmo tempo que despontava como um corredor de ponta na F\u00f3rmula 2. Andou em sua primeira corrida com um Brabham BT\u201911 de motor BRM V8, alinhado por Rob Walker, no antigo circuito de Zeltweg, abandonando em raz\u00e3o de problemas na dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No ano seguinte, assinou um contrato com a Cooper para disputar provas da categoria m\u00e1xima com esta marca, enquanto na F-2 ainda mantinha a parceria com Jack Brabham a bordo dos not\u00e1veis Brabham-Honda da categoria de acesso. Com a Cooper, Rindt permaneceu por tr\u00eas temporadas. Na primeira, fez seus primeiros pontos na F\u00f3rmula 1 com um 4\u00ba lugar na Alemanha (N\u00fcrburgring) e um sexto na Cidade do M\u00e9xico. Naquele mesmo ano de 1965, Rindt venceu em dupla com Masten Gregory a bordo de uma Ferrari 250 LM as tradicional\u00edssimas 24 horas de Le Mans.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/TIlPu6RVaII\/AAAAAAAAC3o\/G_FCgd_oax8\/s1600\/rindt.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"280\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/rindt.jpg\" width=\"400\"><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O segundo ano de contrato entre Rindt e a Cooper foi muito positivo, apesar do conjunto meio pesad\u00e3o formado pelo chassis T81 do construtor brit\u00e3nico no qual foi acoplado o velho motor Maserati V12 dos anos 50, potente e beberr\u00e3o. Apesar das dificuldades, o austr\u00edaco brilhou: fez 24 pontos (22 v\u00e1lidos) e tr\u00eas p\u00f3dios, com dois segundos lugares na B\u00e9lgica e nos Estados Unidos, al\u00e9m de um 3\u00ba posto na Alemanha.<\/p>\n<p>Em 67,\u00a0 j\u00e1 com Bernie Ecclestone como empres\u00e1rio, Jochen n\u00e3o foi al\u00e9m de seis pontos e um 13\u00ba lugar no campeonato de F\u00f3rmula 1, numa temporada muito irregular. O relacionamento com a equipe j\u00e1 dava evidentes sinais de desgaste e Rindt, motivado pela parceria com Jack Brabham na F\u00f3rmula 2, assinou para a temporada seguinte tamb\u00e9m na F-1.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o parecia perfeita porque, afinal de contas, a Brabham foi a equipe mais bem-sucedida no in\u00edcio da era dos motores de 3 litros de capacidade c\u00fabica, com t\u00edtulos do pr\u00f3prio Jack em 1966 e do neozeland\u00eas Denny Hulme, em 1967, que sa\u00edra para se juntar a Bruce McLaren em sua rec\u00e9m-criada escuderia. Mas os motores Repco V8 na nova vers\u00e3o revelaram-se um malogro, com constantes falhas mec\u00e2nicas. Rindt fez apenas dois p\u00f3dios, com dois terceiros lugares na \u00c1frica do Sul e na Alemanha e fechou o campeonato num distante 12\u00ba lugar.<br \/>\u00a0<\/div>\n<div>O austr\u00edaco gostava de desafios e para 1969 ele aceitou um daqueles bem encarni\u00e7ados: suceder Jim Clark como piloto da Lotus 49, o revolucion\u00e1rio projeto de Colin Chapman que integrava o chassi de sua cria\u00e7\u00e3o ao motor Ford Cosworth V8 desenvolvido por Kevin Duckworth e Mike Costin. A temporada n\u00e3o come\u00e7ou bem: Jochen demoliu seu carro contra uma barreira de prote\u00e7\u00e3o quando o aerof\u00f3lio traseiro de seu carro quebrou a mais de 220 km\/h, provocando fratura de cr\u00e2nio no piloto, que n\u00e3o correu em M\u00f4naco e voltou na prova seguinte em Zandvoort, na Holanda.<\/p>\n<p>Na segunda metade do campeonato, Rindt e a Lotus melhoraram positivamente seu desempenho. Ap\u00f3s um injusto 4\u00ba lugar na Inglaterra, quando brigou de igual pra igual com Jackie Stewart, foi segundo em Monza, a cent\u00e9simos do escoc\u00eas voador. Chegou ainda em 3\u00ba no Canad\u00e1 e no GP dos Estados Unidos, em Watkins Glen, veio a consagra\u00e7\u00e3o. Depois de uma corrida impec\u00e1vel, o piloto austr\u00edaco, ent\u00e3o com 27 anos, venceu pela primeira vez na F\u00f3rmula 1.<\/p>\n<p>Em 1970, a Lotus estava pronta para retomar a hegemonia perdida com a morte de Clark e com o acidente de Graham Hill, sofrido um ano antes, onde o veterano bicampe\u00e3o mundial quebrou as pernas numa batida. E Rindt, como piloto n\u00famero 1 da equipe na F\u00f3rmula 1 e tamb\u00e9m na F\u00f3rmula 2, era a esperan\u00e7a de Colin Chapman para recolocar o Gold Leaf Team Lotus no caminho natural das vit\u00f3rias.<\/p>\n<p>A primeira do ano veio ainda com o velho modelo 49C, gra\u00e7as \u00e0 falta de combust\u00edvel no carro de Jack Brabham na \u00faltima volta do GP de M\u00f4naco. E quando o modelo 72C finalmente ficou pronto, a sinergia entre ele e Rindt foi perfeita: quatro vit\u00f3rias de forma consecutiva (Holanda, Fran\u00e7a, Inglaterra e Alemanha), somadas com o triunfo de M\u00f4naco, o deixaram com 45 pontos e l\u00edder isolado do campeonato. Nem a quebra acontecida no GP da \u00c1ustria, logo na 22\u00aa volta, abalou a moral de Rindt diante dos seus compatriotas.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/TIlP5r8_3YI\/AAAAAAAAC3w\/Fix9bsV0Jns\/s1600\/rindt+2.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"272\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/rindt+2.jpg\" width=\"400\"><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O GP da It\u00e1lia, d\u00e9cimo do campeonato, seria decisivo para as pretens\u00f5es de Rindt e ele estava preparado para uma dura batalha contra Jacky Ickx, Clay Regazzoni e Ignazio Giunti, a trinca da Ferrari que tanto lhe dera trabalho em \u00d6sterreichring na corrida anterior. Mas o fim de semana n\u00e3o come\u00e7ou bem para a Lotus: seu novo companheiro de equipe naquela \u00e9poca, o brasileiro Emerson Fittpaldi, tentava participar de sua 4\u00aa corrida na F\u00f3rmula 1 e na \u00e2nsia de mostrar servi\u00e7o, distraiu-se numa freada, bateu na traseira da Ferrari de Giunti e decolou com seu carro em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s \u00e1rvores da curva Parab\u00f3lica. Detalhe: com o carro que seria de Rindt naquele fim de semana.<\/p>\n<p>Colin Chapman determinou a troca de carro e Emerson assim cedeu seu chassi ao companheiro de equipe, que estava inscrito para aquela prova com o n\u00famero #22. O brasileiro tinha o n\u00famero #26 e foi para a pista com o chassi que seria do austr\u00edaco para a prova de classifica\u00e7\u00e3o, no dia 5 de setembro.<\/p>\n<p>Mas a trag\u00e9dia, presente na vida de Rindt desde a inf\u00e2ncia, se fez presente naquela tarde. O piloto freou forte para tomar a Parab\u00f3lica saindo da reta oposta em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 reta dos boxes e tribunas, quando alguma coisa quebrou na Lotus e o l\u00edder do campeonato bateu violentamente na barreira de prote\u00e7\u00e3o. Seu carro saiu rodando pela areia, com o piloto inerte, a suspens\u00e3o dianteira demolida e as pernas de Rindt para fora do cockpit.<\/p>\n<p>Ele foi levado \u00e0s pressas para um hospital, mas os ferimentos extensos tornaram imposs\u00edvel qualquer tentativa de recupera\u00e7\u00e3o. Aos 28 anos, Jochen Rindt, l\u00edder absoluto do Mundial de F\u00f3rmula 1 de 1970, estava morto. A Lotus n\u00e3o disputou a corrida, vencida por Clay Regazzoni com a Ferrari e tamb\u00e9m n\u00e3o foi ao Canad\u00e1, onde a vit\u00f3ria foi de Jacky Ickx.<\/p>\n<p>Subitamente sem seu principal piloto, Colin Chapman tomou uma arriscada decis\u00e3o. Levou para o GP dos EUA em Watkins Glen o brasileiro Emerson Fittipaldi, guindado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de piloto n\u00famero um e o sueco Reine Wisell, sem nenhuma experi\u00eancia pr\u00e9via na categoria, que brilhara na F\u00f3rmula 3 europeia, para assumir o volante do segundo carro. E para surpresa geral, Emerson n\u00e3o s\u00f3 venceu a corrida, como ofertou a Rindt o in\u00e9dito t\u00edtulo \u201cpost-mortem\u201d, at\u00e9 hoje um feito jamais alcan\u00e7ado na hist\u00f3ria da F\u00f3rmula 1.<\/p>\n<p>Rindt morreu sem conhecer a maior gl\u00f3ria de sua carreira. Mas os f\u00e3s austr\u00edacos e o mundo do automobilismo n\u00e3o esquecem de sua passagem pelo esporte, com demonstra\u00e7\u00f5es de garra, muita velocidade e um controle fant\u00e1stico dos carros que guiava. Por isso, deixou muita saudade.&#8221;<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span><i>(Fotos: <a href=\"http:\/\/blog-do-ico.blogspot.com\/2010\/09\/o-legado-de-jochen-rindt.html\">Blog do Ico<\/a>)<\/i><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Domingo, dia de lembran\u00e7as. E de bons textos. 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