{"id":11800,"date":"2010-09-26T10:30:00","date_gmt":"2010-09-26T12:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/09\/o-rufar-da-caixa-portelense\/"},"modified":"2010-09-26T10:30:00","modified_gmt":"2010-09-26T12:30:00","slug":"o-rufar-da-caixa-portelense","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/09\/o-rufar-da-caixa-portelense\/","title":{"rendered":"O rufar da caixa portelense"},"content":{"rendered":"<div>Hoje, um domingo diferente.<\/p>\n<p>Pe\u00e7o ao jornalista e amigo Marcelo Sudoh, l\u00e1 de T\u00f3quio, amigo, estudioso e grande conhecedor das baterias de escolas de samba, que trouxesse para o leitor um tema que debatemos na nossa lista de e-mails da PortelaWeb, o qual gere o <a href=\"http:\/\/www.portelaweb.com.br\/\">site refer\u00eancia na escola do mesmo nome<\/a> &#8211; do qual fa\u00e7o parte da equipe, embora um tanto quanto inativo.<\/p>\n<p>O tema era a altera\u00e7\u00e3o da forma de tocar das caixas portelenses, que \u00e9 magistralmente explicada no artigo. Apenas digo aos leitores que no ano em que desfilei na &#8220;Tabajara do Samba&#8221; (2004), sob outro mestre, muitos caixeiros trouxeram o instrumento nesta forma incorreta.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>No v\u00eddeo acima, <a href=\"http:\/\/pedromigao.blogspot.com\/2010\/01\/uma-noite-na-majestade-do-samba.html\">gravado por mim em janeiro deste ano<\/a>, pode-se ver o trabalho do Mestre de Bateria portelense descrito no texto, de resgatar as tradi\u00e7\u00f5es azuis e brancas.<\/div>\n<div>Mas deixemos a explica\u00e7\u00e3o para o craque no assunto:<\/p>\n<p>&#8220;<i><b>O rufar da caixa portelense<\/b><\/i><\/p>\n<p>Uma troca de e-mails na lista de debates da PortelaWEB sobre caixas-de-guerra chamou a aten\u00e7\u00e3o do autor do Ouro de Tolo, que me pediu para escrever um artigo sobre o tema.<\/p>\n<p>L\u00e1, eu chamava a aten\u00e7\u00e3o para uma foto de O Globo Online (2007) onde um ritmista da bateria da Portela toca uma caixa-de-guerra apoiando-a com o bra\u00e7o e contra o peito, sem precisar usar o talabarte (cinto que permite pendurar o instrumento ao ombro). Essa forma de tocar exige o uso de uma baqueta curta na m\u00e3o esquerda que praticamente n\u00e3o produz volume de som. Apenas marca a cad\u00eancia e o tempo da batida.<\/p>\n<p>O som produzido n\u00e3o \u00e9 a batida tradicional da Portrela e o ritmista n\u00e3o deveria estar tocando daquela forma. Da\u00ed a troca de em-mails na lista da PortelaWEB.<\/p>\n<p>No livro &#8220;Baterias, o cora\u00e7\u00e3o da escola de samba&#8221; (Litteris Editora, 2010), o autor, Julio Cesar Farias, aproveitou parte dos estudos que fiz sobre a caixa-de-guerra e o tarol preenchendo quatro p\u00e1ginas da obra com o tema. Nesse estudo, tento mostrar como esses dois instrumentos &#8211; que n\u00e3o s\u00e3o africanos &#8211; chegaram \u00e0s escolas de samba. N\u00e3o vou repetir aqui o que est\u00e1 detalhadamente explicado no livro. Mas o que parece ter levado o autor deste blog a me pedir para escrever este artigo talvez tenha sido a descri\u00e7\u00e3o do que acontece quando o ritmista toca um tarol usando talabarte.<\/p>\n<p>Os tar\u00f3is s\u00e3o mais finos que as caixas-de-guerra e, ao pendur\u00e1-los com o talabarte longo no ombro, eles dan\u00e7am com o impacto da batida prejudicando a precis\u00e3o do toque e comendo o corpo da baqueta. Al\u00e9m disso, o tarol usado com o talabarte longo fica de p\u00e9 com a pele que se bate virada para a frente (quando o correto seria meio inclinado para cima) e a pele de tr\u00e1s colada ao corpo, abafando seu som. \u00c9 imposs\u00edvel tirar um som perfeito do instrumento nessa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para resolver esse problema, os ritmistas passaram a tocar o tarol abra\u00e7ado ao peito ou com um talabarte bem curto que faz com que a pele de tr\u00e1s do instrumento fique apontada por baixo do bra\u00e7o, resolvendo o abafamento.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 70, essa forma de tocar acabou sendo usada tamb\u00e9m para as caixas-de-guerra, onde se passou a usar uma mistura de toque de caixa (rufado) com toque de tarol (espalmado e sem rufo). Foi assim que as caixas passaram a ser tocadas em cima substituindo os tar\u00f3is.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma regra seguida fielmente por todos, mas caixas rufadas s\u00e3o tocadas embaixo com o uso do talabarte longo e caixas n\u00e3o rufadas &#8211; ou ainda com toque de tarol &#8211; s\u00e3o usadas em cima com talabarte curto ou enla\u00e7adas pelo bra\u00e7o apoiando o instrumento no peito (como na foto do portelense citada acima).<\/p>\n<p>No entanto, os tar\u00f3is ainda est\u00e3o presentes em escolas como o Salgueiro e a Vila Isabel &#8211; dentre outras &#8211; , mas s\u00e3o instrumentos adaptados ao uso das escolas de samba e n\u00e3o os originais usados pelas bandas marciais que tinham esteiras em vez de bord\u00f5es.<\/p>\n<p>Da mesma forma, as antigas caixas-de-guerra &#8211; usadas em bandas marciais e outras manifesta\u00e7\u00f5es folcl\u00f3ricas brasileiras como banda de p\u00edfanos, folia de reis e maracatus (onde a chamam de caixa de pelica) &#8211; tamb\u00e9m passaram por modifica\u00e7\u00f5es para se adaptarem ao desfile das escolas.<\/p>\n<p>Um fato importante a se ressaltar \u00e9 que o toque da caixa (e de tarol) sem rufo permite aumentar a velocidade da batida, puxando o andamento da bateria para frente. E as caixas tocadas dessa forma come\u00e7aram a aparecer justamente na d\u00e9cada de 70, quando um maior andamento das baterias foi exigido devido ao tempo de desfile que passou a ser contado e a tirar pontos.<\/p>\n<p>As caixas rufadas n\u00e3o desaparecerem, continuam vivas na Portela, na Mangueira e no Imp\u00e9rio &#8211; s\u00f3 para citar as tr\u00eas mais tradicionais. No entanto sua rufada &#8220;tamb\u00e9m se modificou&#8221;, para que a escola n\u00e3o precisasse mudar totalmente essa caracter\u00edstica em fun\u00e7\u00e3o da cronometragem.<\/p>\n<p>Hoje, a caixa que se bate na Portela \u00e9 o toque mais pr\u00f3ximo do original e que serve as exig\u00eancias do andamento do desfile. Essa mudan\u00e7a, que procurou preservar parte da identidade em meio as press\u00f5es do &#8220;show bussiness parade&#8221;, foi trabalho de Mestre Mar\u00e7al, que exigia que as caixas fossem batidas embaixo e com a rufada caracter\u00edstica das escola. Mestre Nilo Sergio vem trabalhando para isso para a alegria de Ox\u00f3ssi!&#8221;<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>P.S. &#8211; Aida d\u00e1 tempo de participar do sorteio da camisa, at\u00e9 amanh\u00e3 no final da manh\u00e3 o leitor pode fazer a sua\u00a0 inscri\u00e7\u00e3o. Basta seguir as instru\u00e7\u00f5es no post da \u00faltima sexta feira.<\/i><\/p>\n<p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, um domingo diferente. 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