{"id":11780,"date":"2010-10-08T04:25:00","date_gmt":"2010-10-08T06:25:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/10\/cinecasulofilia-bressonianas\/"},"modified":"2010-10-08T04:25:00","modified_gmt":"2010-10-08T06:25:00","slug":"cinecasulofilia-bressonianas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/10\/cinecasulofilia-bressonianas\/","title":{"rendered":"Cinecasulofilia &#8211; &quot;Bressonianas&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/TKs1TV3YbZI\/AAAAAAAAC88\/YrVT8SNyxXg\/s1600\/ceu-azul-mar-e-pedras-8f9dd.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"300\" px=\"true\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/ceu-azul-mar-e-pedras-8f9dd.jpg\" width=\"400\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Sexta feira, v\u00e9spera de feriado prolongado.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s aus\u00eancia, temos de volta a coluna &#8220;Cinecasulofilia&#8221;, publicada em conjunto com o <a href=\"http:\/\/cinecasulofilia.blogspot.com\/\">blog de mesmo nome<\/a>. Como sempre, texto do professor, cineasta e cr\u00edtico Marcelo Ikeda.<\/p>\n<p><i><b>bressonianas<\/b><\/i><\/p>\n<p>&#8220;Fazer cinema n\u00e3o \u00e9 espalhar certezas, \u00e9 criar d\u00favidas. P\u00f4r em crise. Desestabilizar. P\u00f4r em xeque. N\u00e3o sei qual \u00e9 o filme que eu pensei ter feito. N\u00e3o sei qual \u00e9 o filme que eu pensei ter visto. N\u00e3o sei mais o que \u00e9 o cinema. N\u00e3o sei mais o que \u00e9 o mundo. N\u00e3o sei mais quem eu sou. Ainda que isso n\u00e3o seja nada confort\u00e1vel. Viver, filmar, criar n\u00e3o pode ser confort\u00e1vel. Ser delicado n\u00e3o significa estar em conforto.<\/p>\n<p>Quanto mais se reflete, quanto mais se pesquisa, quanto mais se debru\u00e7a sobre ele, o filme, a vida, o cinema, o eu permanece sendo um mist\u00e9rio. Perseguir a d\u00favida sistematicamente.<\/p>\n<p>Viver, filmar, escrever: estar na corda bamba, na ponta da navalha. Amar e sofrer. Mas sem anestesia. \u00c9 preciso viver sem anestesia. Ainda que doa, e que n\u00e3o seja somente um pouco.<\/p>\n<p>Ir al\u00e9m da superf\u00edcie das coisas, das apar\u00eancias que enganam, que nos confortam. O c\u00e9u \u00e9 azul. Ser\u00e1? Aproximarmos mais das coisas, para vislumbrarmos os semitons de azul, perceber que os tons n\u00e3o s\u00e3o homog\u00eaneos. Mas n\u00e3o aproximar demais a fim de que o contato distor\u00e7a nossa percep\u00e7\u00e3o do mundo. Estar na corda-bamba entre as panor\u00e2micas \u00edntimas e o debru\u00e7ar sobre os umbrais do mundo.<\/p>\n<p>Fazer cinema \u00e9 ver epifanias di\u00e1rias. Da janela do \u00f4nibus, vejo um menino de dez anos tirar o canudinho de coca-cola de sua boca e o colocar na de sua m\u00e3e, enquanto ela segura duas sacolas de compras e espera o \u00f4nibus chegar. A beleza n\u00e3o est\u00e1 na imagem, est\u00e1 para al\u00e9m dela. A beleza est\u00e1 aqu\u00e9m e al\u00e9m da imagem, mas nunca nela mesma. A imagem n\u00e3o \u00e9 o que ela mostra, mas o que ela esconde.<\/p>\n<p>Encenar n\u00e3o \u00e9 mostrar, organizar um mundo, mas apontar para o que se esconde. Desestabilizar mas n\u00e3o necessariamente fragmentar. Apontar n\u00e3o para o fora-de-quadro, mas para o al\u00e9m-do-quadro. Camadas: um olhar para \u201cdentro\u201d, e n\u00e3o para \u201cfora\u201d. Concentrar para aprofundar. Resumir para aprofundar. Diminuir para acrescentar. Subtrair para exponenciar.&#8221;<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sexta feira, v\u00e9spera de feriado prolongado. Ap\u00f3s aus\u00eancia, temos de volta a coluna &#8220;Cinecasulofilia&#8221;, publicada em conjunto com o blog de mesmo nome. 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