{"id":11708,"date":"2010-11-26T10:51:00","date_gmt":"2010-11-26T12:51:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/11\/cinecasulofilia-e-no-inicio-fez-se-o-verbo-contra-o-vento\/"},"modified":"2010-11-26T10:51:00","modified_gmt":"2010-11-26T12:51:00","slug":"cinecasulofilia-e-no-inicio-fez-se-o-verbo-contra-o-vento","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/11\/cinecasulofilia-e-no-inicio-fez-se-o-verbo-contra-o-vento\/","title":{"rendered":"Cinecasulofilia &#8211; &quot;E no in\u00edcio fez-se o verbo (contra o vento)&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/TO6GAGIDilI\/AAAAAAAADDg\/BNKPfdskGHg\/s1600\/vilas+volantes.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"200\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/vilas+volantes.jpg\" width=\"135\"><\/a><\/div>\n<div>Mais uma sexta feira, cidade ainda conflagrada, e mais uma edi\u00e7\u00e3o de nossa coluna &#8220;Cinecasulofilia&#8221;, publicada em parceria com o excelente blog <a href=\"http:\/\/cinecasulofilia.blogspot.com\/\">&#8220;Cinecasulofilia&#8221;<\/a>. Nesta semana Marcelo Ikeda, autor, publicou uma s\u00e9rie de artigos sobre o florescente cinema cearense, do qual reproduzo um dos textos aqui. Vale a pena uma visita ao blog para conferir os demais.<\/p>\n<p><i><b>E no in\u00edcio fez-se o verbo (contra o vento)<\/b><\/i><\/p>\n<p><i>(para Dellani Lima)<br \/>(para Beatriz Furtado)<\/i><\/p>\n<p>Escrevi numa ocasi\u00e3o, para o cat\u00e1logo da mostra \u201cnova cena cearense\u201d para o Curta Cinema de 2009, que Vilas Volantes era a mais importante obra audiovisual da hist\u00f3ria do cinema cearense. Hoje, um ano depois, percebo cada vez mais intensamente que essa express\u00e3o n\u00e3o cont\u00e9m nenhum exagero. E o mais curioso disso \u00e9 que essa obra n\u00e3o \u00e9 um longa-metragem em 35mm mas simplesmente um m\u00e9dia-metragem feito para televis\u00e3o. Ou ainda, uma obra que n\u00e3o recebeu nenhum pr\u00eamio nos festivais de cinema nacionais ou internacionais, pois sequer foi exibida.<\/p>\n<p>Mas ent\u00e3o o que faz Vilas Volantes adquirir tamanho status? Acredito que a relev\u00e2ncia de uma obra aconte\u00e7a n\u00e3o apenas por suas qualidades intr\u00ednsecas mas por sua capacidade de ressoar, de influenciar a gesta\u00e7\u00e3o de outras obras, de ser a ponta de lan\u00e7a de tend\u00eancias de seu tempo. E, sem d\u00favida, nenhuma outra obra teve tamanha repercuss\u00e3o nos rumos futuros do cinema cearense quanto essa obra de Alexandre Veras.<\/p>\n<p>Vilas Volantes apresenta-se como um document\u00e1rio sobre algumas vilas pesqueiras do Cear\u00e1, em especial na regi\u00e3o de Tatajuba, que foram transformadas pela a\u00e7\u00e3o do vento, deslocando dunas e soterrando casas, igrejas, mem\u00f3rias. Acontece que Alexandre Veras, cujos trabalhos anteriores dialogavam com a videoarte e a videodan\u00e7a, resolveu passar um m\u00ednimo de informa\u00e7\u00f5es para preferir mergulhar nos tempos e nas sonoridades daquela regi\u00e3o.\u00a0<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Influenciado pelo cinema de Kiarostami e com uma pontinha de Tarkovsky e Sokurov, Vilas Volantes, beneficiado por um obsessivo trabalho de pesquisa da regi\u00e3o, cristalizado na disserta\u00e7\u00e3o de mestrado de Ruy Vasconcelos, cuja contribui\u00e7\u00e3o para a obra foi fundamental, aposta num tipo de imers\u00e3o, numa outra rela\u00e7\u00e3o entre tempo e espa\u00e7o, que evidencia o desejo do realizador de observar de forma respeitosa um modo de vida e registr\u00e1-lo no filme.<\/p>\n<p>Alexandre Veras e sua reduzida equipe (o fot\u00f3grafo Ivo Lopes Ara\u00fajo e o t\u00e9cnico de som Danilo Carvalho) ficaram mais de um m\u00eas coletando imagens e sons em Tatajuba, revendo o material captado, vendo filmes e fotos para preparar o esp\u00edrito para ir a campo. Veras diz que Vilas Volantes poderia ter sido filmado em duas semanas se primasse por outro ritmo de produ\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o seria esse filme, e sim outro. A ampla repercuss\u00e3o de Vilas Volantes, considerado um prot\u00f3tipo de excel\u00eancia do concurso DOCTV, mostrou para uma jovem gera\u00e7\u00e3o de Fortaleza que o futuro estava ali, que era poss\u00edvel realizar uma obra de grande potencial est\u00e9tico atrav\u00e9s de um modo de produ\u00e7\u00e3o particular, sem grandes equipamentos ou recursos, essencialmente guiado pela afetividade.\u00a0<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O carinho, a delicadeza, o cuidado com os detalhes, o envolvimento da equipe foram t\u00e3o irradiantes que se revelaram uma base para o florescimento de outros e mais outros filmes e videos, completamente diferentes entre si, mas que tinham em comum uma pot\u00eancia, um desejo de se aventurar pelo audiovisual estabelecendo uma outra forma de rela\u00e7\u00e3o com o produto final e com o pr\u00f3prio processo de elabora\u00e7\u00e3o do filme e da rela\u00e7\u00e3o entre a equipe. Essa \u00e9 a maior das contribui\u00e7\u00f5es de Vilas Volantes no atual cen\u00e1rio de produ\u00e7\u00e3o cearense: ser um exemplo de uma possibilidade efetiva de articular um desejo (um pensamento, uma inten\u00e7\u00e3o) e um processo de realiza\u00e7\u00e3o (um modo de produ\u00e7\u00e3o, uma rela\u00e7\u00e3o menos pragm\u00e1tica com o fazer) para viabilizar uma obra de grande pot\u00eancia art\u00edstica e de visibilidade no cen\u00e1rio nacional, tamb\u00e9m fora do Cear\u00e1.<\/p>\n<p>Ou seja, Vilas Volantes abriu um caminho. Vilas Volantes n\u00e3o possui a radicalidade de Uma Encruzilhada Apraz\u00edvel ou S\u00e1bado \u00e0 Noite, outros DOCTVs realizados logo em seguida a Vilas, mas o impacto de Vilas est\u00e1 todo l\u00e1 nesses filmes. Esses filmes n\u00e3o poderiam ter sido feitos da forma como o foram sem que Vilas tivesse existido antes deles. \u00c9 como se diante de toda a precariedade da atual Tatajuba, mais que lamentar de forma nost\u00e1lgica o passado soterrado pelo vento, Alexandre Veras visse no abandono do presente uma pot\u00eancia renovada de apontar para o futuro. A eleg\u00e2ncia e a beleza desse gesto contagiaram toda uma gera\u00e7\u00e3o. E no in\u00edcio fez-se Vilas Volantes.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais uma sexta feira, cidade ainda conflagrada, e mais uma edi\u00e7\u00e3o de nossa coluna &#8220;Cinecasulofilia&#8221;, publicada em parceria com o excelente blog &#8220;Cinecasulofilia&#8221;. Nesta semanaTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[13,12,11],"class_list":["post-11708","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cinecasulofilia","tag-cinema","tag-cultura","tag-marcelo-ikeda"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11708","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11708"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11708\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11708"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11708"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11708"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}