{"id":11650,"date":"2011-01-08T09:13:00","date_gmt":"2011-01-08T11:13:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/01\/sobretudo-a-imprensa-republicana-e-a-posse-presidencial\/"},"modified":"2011-01-08T09:13:00","modified_gmt":"2011-01-08T11:13:00","slug":"sobretudo-a-imprensa-republicana-e-a-posse-presidencial","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/01\/sobretudo-a-imprensa-republicana-e-a-posse-presidencial\/","title":{"rendered":"Sobretudo &#8211; &quot;A Imprensa \u201crepublicana\u201d e a posse presidencial&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/TSeQMP_YarI\/AAAAAAAADLs\/8VY5jseoleg\/s1600\/PosseDilmaRousseff05270.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"300\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/PosseDilmaRousseff05270.jpg\" width=\"400\"><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Neste primeiro s\u00e1bado &#8220;\u00fatil&#8221; do ano, como de h\u00e1bito a coluna &#8220;Sobretudo&#8221;, assinada pelo publicit\u00e1rio Affonso Romero.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A coluna de hoje \u00e9 dedicada <a href=\"http:\/\/pedromigao.blogspot.com\/2011\/01\/o-ministerio-de-dilma-roussef.html\">a assunto que tratei &#8220;de rasp\u00e3o&#8221; na segunda feira passada<\/a>: a cobertura da imprensa na posse da nova presidente. E as consequ\u00eancias da indica\u00e7\u00e3o dos dirigentes da Rede Record (foto) como seus representantes na cerim\u00f4nia de posse.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<div><b><i>A Imprensa \u201crepublicana\u201d e a posse presidencial<\/i><\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<div>S\u00e1bado passado, dia de festa da democracia brasileira. Dilma, a primeira mulher a chegar \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, sobe a rampa do pal\u00e1cio do Planalto ap\u00f3s cerim\u00f4nia de posse no Congresso.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Um Presidente oper\u00e1rio que recebeu a faixa de seu antecessor, depois de um primeiro mandato onde obteve o direito \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o dado pelas urnas, depois de afastar qualquer possibilidade de aventura pela quebra do princ\u00edpio de altern\u00e2ncia no poder, desconsidera a hip\u00f3tese de um terceiro mandato e passa adiante a faixa e o poder para uma mulher. Esta, igualmente consagrada pelo voto, e cujo apelo de continuidade administrativa e ideol\u00f3gica \u00e9 referendado t\u00e3o-somente pelo desejo manifesto pelo povo nas urnas.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Tudo dentro das regras republicanas, apesar dos chiliques destemperados de uma oposi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o soube fazer, durante oito anos, aquilo que se espera de uma oposi\u00e7\u00e3o que se respeite; ou seja, um contraponto ao governo no campo das ideias e do debate pol\u00edtico.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>E que, s\u00f3 durante o processo eleitoral, quis diminuir a import\u00e2ncia natural de um l\u00edder pol\u00edtico da magnitude de um Lula colocando-lhe amarras artificiais e reinventando o papel constitucional do Presidente que, antes de tudo, \u00e9 um cidad\u00e3o que goza plenamente seus direitos pol\u00edticos, uma lideran\u00e7a natural capaz de (e obrigado a) influenciar o voto.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Quiseram fazer da elei\u00e7\u00e3o um jogo de faz-de-conta, em que o Presidente deveria ter se postado como um magistrado, como se para este papel j\u00e1 n\u00e3o estivessem escalados os ju\u00edzes da Justi\u00e7a Eleitoral.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Pois a cerim\u00f4nia de posse foi ent\u00e3o a coroa\u00e7\u00e3o de um processo justo, porque raramente a opini\u00e3o p\u00fablica foi t\u00e3o claramente ouvida &#8211; inclusive o direito das vozes discordantes de ampla manifesta\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Este dia de festa recebeu das emissoras de televis\u00e3o uma cobertura completa, seja nos programas de est\u00fadio, mat\u00e9rias jornal\u00edsticas de apoio, seja nas imagens geradas pelo pool de emissoras associadas.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mais cedo, eu, que moro em S\u00e3o Paulo, pude acompanhar tamb\u00e9m, principalmente pela TV Cultura, que \u00e9 do Governo do Estado, uma cobertura exageradamente completa da posse do Governador Geraldo Alckmin. \u00c0s vezes, notadamente na pol\u00edtica e no futebol, S\u00e3o Paulo volta a se comportar como a pequena prov\u00edncia desimportante que j\u00e1 foi um dia.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas o inacredit\u00e1vel ainda estava por vir. Depois da posse local, em vez de se unir ao pool nacional, a emissora do Governo do Estado voltou \u00e0 sua programa\u00e7\u00e3o normal, partindo para um daqueles programas de m\u00fasica sertaneja pretensamente dita \u201cde raiz\u201d, seguido por um epis\u00f3dio de teatrinho infantil. Isso, na concep\u00e7\u00e3o dos programadores oficiais nomeados pelo PSDB, seria mais importante que o evento transmitido diretamente de Bras\u00edlia.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A Cultura s\u00f3 se uniu ao pool de emissoras muito tempo depois, quando a Presidente Dilma j\u00e1 estava dentro do Congresso. Seria uma op\u00e7\u00e3o natural de programa\u00e7\u00e3o caso a Cultura tivesse alguma programa\u00e7\u00e3o para aquele hor\u00e1rio; ou caso a op\u00e7\u00e3o pela n\u00e3o-transmiss\u00e3o integral da posse tivesse se estendido \u00e0 cerim\u00f4nia paulista tamb\u00e9m.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Na verdade, foi uma demonstra\u00e7\u00e3o de um comportamente pol\u00edtico mesquinho e pequeno por parte do tucanato, tentando destituir a devida import\u00e2ncia de um evento qua n\u00e3o era de advers\u00e1rios pol\u00edticos, sen\u00e3o uma festa de toda a Na\u00e7\u00e3o e do republicanismo que eles dizem defender. Bizarro e rid\u00edculo.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Pior ainda fez a Rede Globo, que transmitiu todas as\u00a0imagens\u00a0do pool, com pompa e circunst\u00e3ncia, desde o in\u00edcio, antecipando-se \u00e0s outras emissoras desde o meio-dia, fazendo flashs desde a manh\u00e3, com comentaristas ao vivo e mat\u00e9rias previamente gravadas. Tamanho interesse s\u00f3 diminuiu no final da tarde, quando, durante a cerim\u00f4nia de beija-m\u00e3os de Dilma no Planalto, com representantes da pol\u00edtica, dos diversos segmentos da sociedade e do corpo diplom\u00e1tico internacional, um \u201cestranho\u201d entraria em cena.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ocorre que o Governo Federal convidou para a festa, para representar os setores da imprensa, e em clara sinaliza\u00e7\u00e3o \u00e0 imprensa golpista, os dirigentes da Rede Record de Televis\u00e3o. \u00c0 frente, o \u201cbispo\u201d Edir Macedo, auto-intitulado l\u00edder espiritual da Igreja Universal, s\u00f3cio majorit\u00e1rio da emissora da Barra Funda e arquiinimigo da ex-toda-poderosa Globo.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A Rede Globo abandonou o pool, recusou-se a transmitir os cumprimentos do bispo \u00e0 Presidenta e desencavou um apanhado de \u201cmelhores momentos\u201d do programa de Luciano Huck para finalizar a tarde de s\u00e1bado de seus espectadores.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o por acaso, o R7, portal de internet ligado \u00e0 Record, noticiou durante esta semana o levantamento do IBOPE segundo o qual o Jornal Nacional, tradicional jornal\u00edstico da Globo e carro-chefe da programa\u00e7\u00e3o da emissora dos Marinho, amargou uma queda de audi\u00eancia de um em cada quatro espectadores nos \u00faltimos anos &#8211; 25%.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mais que qualquer coisa, \u00e9 esta queda constante e consistente de poder que incomoda a grande imprensa, principalmente \u00e0 Globo. A entrada de novas m\u00eddias, a revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica dos meios de comunica\u00e7\u00e3o e a concorr\u00eancia real de novos players no mercado t\u00eam preocupado sobremaneira as poucas fam\u00edlias que, at\u00e9 ent\u00e3o, entronizavam-se no poder representado por suas fortes marcas e empresas de comunica\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Neste exato momento, o Governo Federal, comandado por Lula e o PT, torna mais clara e democr\u00e1tica a distribui\u00e7\u00e3o de verba publicit\u00e1ria oficial \u2013 simplesmente o maior or\u00e7amento de comunica\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds \u2013 aumentando o n\u00famero de meios, empresas e munic\u00edpios contemplados, diluindo a verba total e tornando o processo mais transparente aos olhos do contribuinte.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Este comportamento, por parte do Governo, por mais que seja muito mais eficiente e republicano, e por isso mesmo n\u00e3o podendo ser rejeitado publicamente pelas empresas majorit\u00e1rias, foi tomado como um tapa de m\u00e3o aberta na velha imprensa.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Pode-se dizer que h\u00e1 inten\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas nas linhas editoriais dos velhos dinossauros, evidentemente. Mas a briga com o Governo passou a ser mais acirrada, quanto mais ela \u00e9 motivada pelo est\u00f4mago vazio das empresas tradicionais, quase todas envolvidas com d\u00edvidas crescentes, faturamento decadente, credibilidade fr\u00e1gil e, portanto, a caminho da inevit\u00e1vel insolv\u00eancia.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Encontram-se, sobretudo, numa areia movedi\u00e7a, em que qualquer movimento de rea\u00e7\u00e3o a esta tend\u00eancia de queda, sobretudo aqueles que indicam luta contra as midias emergentes ou retalia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ao Governo que as abandonou \u00e0 pr\u00f3pria sorte, significa aos olhos do p\u00fablico mais uma quebra de compromisso com a imparcialidade, princ\u00edpio t\u00e3o caro ao bom jornalismo.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ao transformar o processo eleitoral em briga de torcidas, ati\u00e7ando sentimentos arrivistas, a grande imprensa desceu ainda mais na aprecia\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, simplesmente porque n\u00e3o percebeu que a \u201ctorcida advers\u00e1ria\u201d era maior e mais influente, boa parte constitu\u00edda de seus ex-consumidores. E \u00e0 medida em que o mercado brasileiro se abre a maiores parcelas da popula\u00e7\u00e3o em ascen\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, esta m\u00eddia que se apresenta como advers\u00e1ria das mudan\u00e7as sociais \u00e9 tida como inimiga por novos formadores de opini\u00e3o. \u00c9 o fim de uma era aquilo que se anuncia em alto e bom som.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Enquanto isso, o que diziam as primeiras manchetes dos \u201cprincipais jornais impressos de circula\u00e7\u00e3o nacional no s\u00e1bado passado, dia da posse de Dilma?\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O Globo mostrava a festa de reveillon do Rio de Janeiro e comemorava o renascimento da cidade. Relegava Dilma e o Brasil a um segundo plano, num imperdo\u00e1vel comportamento provinciano que nada combina com o Rio. A Folha ocupava a primeira p\u00e1gina com um editorial onde tentava \u201censinar\u201d Dilma a governar, num rompante de megalomania t\u00edpico dos seus propriet\u00e1rios. O Estad\u00e3o era factual e frio. Frio, ali\u00e1s, como os defuntos. T\u00edpico e esperado, um instant\u00e3neo do futuro que os aguarda.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste primeiro s\u00e1bado &#8220;\u00fatil&#8221; do ano, como de h\u00e1bito a coluna &#8220;Sobretudo&#8221;, assinada pelo publicit\u00e1rio Affonso Romero. 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