{"id":11605,"date":"2011-02-13T08:43:00","date_gmt":"2011-02-13T10:43:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/02\/historia-outros-assuntos-memorias-e-esquecimentos\/"},"modified":"2011-02-13T08:43:00","modified_gmt":"2011-02-13T10:43:00","slug":"historia-outros-assuntos-memorias-e-esquecimentos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/02\/historia-outros-assuntos-memorias-e-esquecimentos\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria &amp; Outros Assuntos: &quot;Mem\u00f3rias e Esquecimentos&quot;"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Neste domingo, de volta a coluna &#8220;Hist\u00f3ria &#038; Outros Assuntos&#8221;, escrita pelo publicit\u00e1rio e historiador Fabr\u00edcio Gomes. A coluna passa a ser publicada aos domingos, de forma quinzenal.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Vamos ao texto, longo, pol\u00eamico, mas que vale a pena. Bom domingo &#8211; e, para mim, \u00faltimo dia de f\u00e9rias&#8230;<\/div>\n<div><span><i><b><br \/><\/b><\/i><\/span><\/div>\n<p><b><i>&#8220;Mem\u00f3rias e esquecimentos: o paradoxo entre mito e carisma na contemporaneidade<\/i><\/b><\/p>\n<div><span><br \/><\/span><\/div>\n<div>No m\u00eas passado, ao ler a mat\u00e9ria <i>&#8220;Nazileaks: Uma exposi\u00e7\u00e3o no Museu Hist\u00f3rico Alem\u00e3o, em Berlim, convida a na\u00e7\u00e3o a se confrontar com sua responsabilidade coletiva na Shoah&#8221;<\/i>1, na revista Piau\u00ed, lembrei-me do excelente filme teuto-americano &#8220;The Reader&#8221; (&#8220;O Leitor&#8221;), dirigido por Stephen Daldry (que inclusive concorreu ao Oscar 2009 em diversas categorias), onde a id\u00e9ia central do filme \u00e9 a de se questionar a participa\u00e7\u00e3o dos soldados da SS alem\u00e3 nas atrocidades nazi-fascistas do III Reich. Afinal, um oficial do Ex\u00e9rcito alem\u00e3o tinha ou n\u00e3o consci\u00eancia do mal que fazia? Se n\u00e3o tinha, era manipulado? E se tinha, agia como sujeito legitimador de um status quo?\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O historiador brit\u00e2nico Ian Kershaw, em sua mais recente obra2, desconstr\u00f3i a mitifica\u00e7\u00e3o da personalidade do Fuhrer. Segundo Kershaw, Hitler n\u00e3o teria existido caso alguns fatores conjunturais da Alemanha p\u00f3s-Tratado de Versalhes (uma Alemanha derrotada, humilhada, com perda de seu espa\u00e7o vital no continente europeu, altos \u00edndices inflacion\u00e1rios, economia em ru\u00ednas e ainda tendo que pagar uma indeniza\u00e7\u00e3o de US$ 33 milh\u00f5es por preju\u00edzos na guerra, desemprego etc), em 1919,  n\u00e3o tivessem corroborado para sua ascens\u00e3o &#8220;imperial&#8221; como chefe-supremo e ditatorial do &#8220;National Sozialistische Deutsche Arbeiterpartei&#8221; (N.S.D.A.P.).\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O racioc\u00ednio logico ent\u00e3o seria o de que &#8220;A Primeira Guerra Mundial&#8221; criou Hitler, que espertamente apropriou-se de um discurso e diversas representa\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas pr\u00e9-existentes e apenas adaptou-as\u00a0aquilo\u00a0que a desesperan\u00e7osa popula\u00e7\u00e3o alem\u00e3 queria ouvir.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Concordo com Kershaw e tamb\u00e9m com a mat\u00e9ria da Piau\u00ed no que tange ao racioc\u00ednio de &#8220;n\u00e3o manipula\u00e7\u00e3o&#8221; do povo alem\u00e3o por parte das autoridades nazistas. Hitler n\u00e3o manipulava, apenas &#8220;fascinava&#8221; com seu discurso o alem\u00e3o deteriorado pelas dificuldades j\u00e1 expostas por mim acima. Em parceria com Joseph Goebbels (seu Ministro da Propaganda) fez apenas um &#8220;ajuste&#8221; discursivo e imag\u00e9tico (s\u00edmbolos, cores, desfiles imponentes, arquitetura grandiosa etc) para o que seu &#8220;p\u00fablico&#8221; desejava. E exerceu como ningu\u00e9m o sentimento de carisma junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o alem\u00e3.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A Alemanha renasceu das cinzas de uma hora para outra, como num passe de m\u00e1gica? Obviamente que n\u00e3o. Vale ressaltar que a ind\u00fastria que mais cresceu, ao lado da ind\u00fastria automobil\u00edstica e a constru\u00e7\u00e3o civil (especialmente a constru\u00e7\u00e3o de rodovias Autobahn), foi a ind\u00fastria b\u00e9lica. N\u00e3o se monta uma ind\u00fastria da morte sem engenheiros, organogramas sem que seus funcion\u00e1rios soubessem o que estavam fazendo. Como diz a narra\u00e7\u00e3o de Noite e Neblina, o primeiro grande document\u00e1rio sobre os campos de exterm\u00ednio, dirigido por Alain Resnais em 1955, <i>\u201cum campo de concentra\u00e7\u00e3o \u00e9 constru\u00eddo como se constroem hot\u00e9is ou est\u00e1dios \u2013 com or\u00e7amentos, concorr\u00eancias, um ou outro suborno\u201d<\/i>.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O revisionismo acerca dessa quest\u00e3o suscita pol\u00eamicas, afinal \u00e9 mais f\u00e1cil atribuir ao mito todo e qualquer tipo de representa\u00e7\u00e3o sobre crimes de guerra e maldades. A Hitleriza\u00e7\u00e3o de comportamentos nunca, jamais \u00e9 aceita. Fica ent\u00e3o a pergunta: <i>&#8220;como um homem poderia ter enganado tanta gente?&#8221;<\/i>. Como Hitler pode ter ludibriado milhares de alem\u00e3es? E n\u00e3o somente alem\u00e3es, mas tamb\u00e9m austr\u00edacos entusiastas do nazismo&#8230;. e at\u00e9 mesmo franceses, da Rep\u00fablica de Vichy? Como, sozinho, foi capaz de tra\u00e7ar planos ardilosos, manipulando mentes e cora\u00e7\u00f5es?<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A\u00ed entra em jogo a dualidade entre mem\u00f3ria e esquecimento. Vichy foi um Estado franc\u00eas entre 1940 e 1944, considerado um sat\u00e9lite do nazismo, cujo governo passara a simpatizar com Hitler ap\u00f3s sua rendi\u00e7\u00e3o em 1940. Coube a Ger\u00e1rd P\u00e9tain o controle de Vichy. O historiador franc\u00eas Pierre Laborie, ao tratar da rela\u00e7\u00e3o entre os franceses e a mem\u00f3ria constru\u00edda sobre a resist\u00eancia a Vichy e \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o nazista, nos d\u00e1 importantes instrumentos para pensar a mem\u00f3ria da resist\u00eancia3:<\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-I-HGNZrRLEg\/TVSjF8kmpzI\/AAAAAAAADTI\/UCypN61wn_8\/s1600\/Desfile%252520Nazista.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"274\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/Desfile%252520Nazista.jpg\" width=\"400\"><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Resumidamente, os franceses desejavam se fazer perdoar em 1944. Os arm\u00e1rios que fechavam os cad\u00e1veres deveriam permanecer hermeticamente fechados para deixar apodrecer os segredos sob o grande sil\u00eancio. Nesta configura\u00e7\u00e3o, a apropria\u00e7\u00e3o da Resist\u00eancia como bem comum servia de cortina de fuma\u00e7a. Favorecia a amn\u00e9sia e evitava dolorosos exames de consci\u00eancia.4\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>De sorte que encontramos ent\u00e3o fen\u00f4meno bastante similar n\u00e3o somente na Alemanha nazista, mas tamb\u00e9m, nas devidas propor\u00e7\u00f5es, na It\u00e1lia fascista de Benito Mussolini. E tamb\u00e9m em governos como o de Per\u00f3n, na Argentina, Vargas, no Estado Novo (uma ditadura, por\u00e9m referendada pela maioria da popula\u00e7\u00e3o, inclusive artistas e intelectuais), e nos tempos contempor\u00e2neos, no Chavismo venezuelano e no governo de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva &#8211; me aterei mais a frente na an\u00e1lise estrutural desses fen\u00f4menos.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Voltando ao caso alem\u00e3o, processou-se uma reconstru\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria de vitimizar a popula\u00e7\u00e3o alem\u00e3, em detrimento de uma culpabiliza\u00e7\u00e3o dos generais levados a julgamento em Nuremberg. Oficiais nazistas que por sua vez colocaram a conta em Hitler, j\u00e1 morto &#8211; que n\u00e3o podia mais se defender. Afinal, a popula\u00e7\u00e3o era &#8220;v\u00edtima&#8221; ou conivente com os atos? Participou ou n\u00e3o da edifica\u00e7\u00e3o da pot\u00eancia alem\u00e3? Referendou a ascens\u00e3o do mito? O esquecimento ent\u00e3o foi o caminho natural para os fatos antecedentes.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Chega-se ent\u00e3o \u00e0 conclus\u00e3o de que a rela\u00e7\u00e3o entre Hitler e os alem\u00e3es foi a de um casamento bem-sucedido: de um lado, um povo carente, subestimado e humilhado; do outro, uma pessoa com sede de poder, com id\u00e9ias nebulosas e um grande sentimento de vingan\u00e7a &#8211; explicado, em parte, pela cria\u00e7\u00e3o que teve e pelas dificuldades enfrentadas na vida.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No ensaio que escreveu para o cat\u00e1logo da exposi\u00e7\u00e3o do Museu Hist\u00f3rico Alem\u00e3o, intitulado &#8220;Carisma e Viol\u00eancia&#8221;, Kershaw aborda a rela\u00e7\u00e3o do l\u00edder com seus adoradores e cita o c\u00e9lebre discurso de Nuremberg, de setembro de 1936. <i>\u201c\u00c9 um milagre voc\u00eas terem me encontrado no meio de tantos milh\u00f5es. E \u00e9 o destino da Alemanha eu ter encontrado voc\u00eas.\u201d<\/i>\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00c9 mais aterrador ainda perceber a constante refunda\u00e7\u00e3o do mito, quando ainda hoje, um em cada dez alem\u00e3es acha que seria bom que um novo Fuhrer surgisse para governar a Alemanha. Cresce a presen\u00e7a de grupos neonazistas na Europa &#8211; e n\u00e3o somente na Alemanha.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A mitifica\u00e7\u00e3o proporciona armadilhas nem sempre vis\u00edveis aos olhos dos historiadores. Uma das quest\u00f5es que at\u00e9 hoje poucos se detiveram foi sobre o papel da opini\u00e3o p\u00fablica. A exist\u00eancia de uma vasta literatura que atribui aos l\u00edderes e ditadores toda a culpa pelas mazelas, tendo do outro lado uma popula\u00e7\u00e3o oprimida, \u00e9 mais do que comum. Poucos observam que ditadores s\u00e3o referendados &#8211; por grande parte da popula\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Augusto Pinochet, no Chile, era apoiado por grande parte da popula\u00e7\u00e3o, mesmo ap\u00f3s sair do poder, elegeu-se senador vital\u00edcio. E quando retornou de Londres, j\u00e1 em pris\u00e3o preventiva, foi recebido por entusiastas no aeroporto de Santiago. Get\u00falio Vargas lotava est\u00e1dios de S\u00e3o Janu\u00e1rio e Pacaembu, nas comemora\u00e7\u00f5es do Dia do Trabalho. Aquelas pessoas iam obrigadas \u00e0s comemora\u00e7\u00f5es c\u00edvicas? A maci\u00e7a presen\u00e7a era explicada pelas leis sociais implementadas durante o regime varguista.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Leis trabalhistas, racionaliza\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, prest\u00edgio de sindicatos, fim do federalismo em prol de um governo centralizado. Tais benef\u00edcios jamais poderiam ser esquecidos.  Antes de 1930, por exemplo, n\u00e3o existia carga horaria de trabalho. H\u00e1 informa\u00e7\u00f5es de ind\u00fastrias que exigiam sete dias de trabalho aos oper\u00e1rios, com uma carga de ate 16h por dia. Com a ascens\u00e3o de Vargas ao poder, o trabalhador encontrou seu lugar na pir\u00e2mide social brasileira. E a classe art\u00edstica, muitos dos quais, funcion\u00e1rios do pr\u00f3prio regime do Estado Novo &#8211; Carlos Drummond de Andrade era um dos intelectuais que trabalhavam para Vargas &#8211; em peso apoiava o regime.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Fen\u00f4meno semelhante ocorreu recentemente, nos governos Lula (2003-2010). A implementa\u00e7\u00e3o de programas como Bolsa Fam\u00edlia e PAC correspondem a manipula\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o? Discordo. S\u00e3o programas sociais que v\u00e3o ao encontro do anseio de milhares de miser\u00e1veis, grande parcela com menor grau de instru\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o que diante desse tipo de assistencialismo, tal qual ocorreu com Vargas, vem ocupar um lugar na sociedade.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o h\u00e1 aqui a preocupa\u00e7\u00e3o em julgar quest\u00f5es pol\u00edticas, como mensal\u00e3o, acusa\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o, etc. Mas inegavelmente o mito Lula n\u00e3o se construiu sozinho, por ele mesmo: foi fruto da implementa\u00e7\u00e3o de programas sociais, visando reduzir a desigualdade, principalmente nos grot\u00f5es &#8211; e vale dizer que jamais teria ocorrido se n\u00e3o fosse os governos anteriores, com o Plano Real, estabiliza\u00e7\u00e3o da economia e algumas reformas feitas. <i>[N.doE.: discordo fortemente deste \u00faltimo \u00edtem, se dependesse de FHC os pobres estariam mais pobres hoje.]<\/i>\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Lula n\u00e3o manipulou em prol de sua imagem, de seu mito. Lula provocou carisma, tal qual os l\u00edderes que citei ao longo desse texto. O carisma ocorre quando o cidad\u00e3o se v\u00ea em seu l\u00edder (seja elevado ao poder democraticamente ou n\u00e3o). Carisma \u00e9 quando encontra no Outro as respostas para as dificuldades que enfrenta. \u00c9 quando v\u00ea um nordestino chegar a presidente e dizer: &#8220;porque eu tamb\u00e9m n\u00e3o posso chegar l\u00e1?&#8221;.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;E por que n\u00e3o?&#8221;\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Portanto, lidamos aqui com duas quest\u00f5es: o paradoxo entre mem\u00f3ria e esquecimento, e a mitifica\u00e7\u00e3o, personalismo e manipula\u00e7\u00e3o constru\u00edda em torno de algumas personalidades da hist\u00f3ria mundial e do Brasil &#8211; citando alguns exemplos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGRAFICAS<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div>1Revista Piau\u00ed. S\u00e3o Paulo, janeiro de 2010.<\/div>\n<div>2KERSHAW, Ian. Hitler. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2009.<\/div>\n<div>3CORDEIRO, Jana\u00edna Martins. Direitas em Movimento: a Campanha da Mulher pela Democracia e a\u00a0ditadura no Brasil. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2009.\u00a0<\/div>\n<div>4LABORIE, Pierra. Les fran\u00e7ais des ann\u00e9es troubles. De la guerre d\u00b4Espagne a la Liberation. Paris: Seuil, 2003. p. 272.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA:\u00a0<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div>BOURDIEU, Pierre. \u201cA Opini\u00e3o P\u00fablica n\u00e3o existe\u201d. Exposi\u00e7\u00e3o feita em Arras (Noroit) em janeiro de 1972 e publicada em Les temps modernes, 318, janeiro de 1973, pp 1292-1309.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>DOMENACH, Jean-Marie. La Propagande Politique. Paris: Presses Universitaires de France, 1950.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>KERSHAW, Ian. L\u00b4Opinion allemande sous le nazisme. Bavi\u00e8re 1933-1945. Paris: CNRS, 2002.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>LABORIE, Pierre. L\u00b4Opinion fran\u00e7aise sous Vichy. Les Fran\u00e7ais et la crise d\u00b4identit\u00e9 nationale. 1936-1944. Paris: \u00c9ditions du Seuil, 2001.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste domingo, de volta a coluna &#8220;Hist\u00f3ria &#038; Outros Assuntos&#8221;, escrita pelo publicit\u00e1rio e historiador Fabr\u00edcio Gomes. 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