{"id":11581,"date":"2011-03-03T10:32:00","date_gmt":"2011-03-03T12:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/03\/cinecasulofilia-a-dama-do-peixoto\/"},"modified":"2011-03-03T10:32:00","modified_gmt":"2011-03-03T12:32:00","slug":"cinecasulofilia-a-dama-do-peixoto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/03\/cinecasulofilia-a-dama-do-peixoto\/","title":{"rendered":"Cinecasulofilia &#8211; &quot;A Dama do Peixoto&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/-Rw3K1B9z0XM\/TW-JTnlcFxI\/AAAAAAAADW4\/RHToabsV9WM\/s1600\/shapeimage_12.png\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"142\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/shapeimage_12.png\" width=\"400\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Nesta quinta feira pr\u00e9 carnavalesca, temos a nossa coluna sobre cinema, <a href=\"http:\/\/cinecasulofilia.blogspot.com\/\">em parceria com o blog de mesmo nome<\/a>. Como sempre, texto assinado pelo cineasta, cr\u00edtico e professor de cinema Marcelo Ikeda.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><b>A DAMA DO PEIXOTO, de Douglas Soares e Allan Ribeiro<\/b><\/i><\/p>\n<p>Como se passava numa pra\u00e7a, a primeira exibi\u00e7\u00e3o de A DAMA DO PEIXOTO, de Douglas Soares e Allan Ribeiro, ocorreu na pra\u00e7a principal da cidade de Tiradentes (foto acima). Associa\u00e7\u00e3o curiosa mas que talvez tenha tirado a possibilidade de o curta ter sido melhor apreciado entre o \u201cp\u00fablico especializado\u201d que comparecia em peso no cine-tenda para assistir \u00e0s sess\u00f5es da Mostra Foco e do Panorama. Independentemente de onde tenha sido exibido, no entanto, as qualidades do curta, um dos mais interessantes de toda a programa\u00e7\u00e3o de curtas da Mostra, s\u00e3o evidentes.<\/p>\n<p>A DAMA DO PEIXOTO me parece um projeto com v\u00e1rios paralelos com o curta anterior de Douglas Soares \u2013 MINHA TIA, MEU PRIMO \u2013 pelo qual nutro uma enorme admira\u00e7\u00e3o (ver aqui). Esses paralelos v\u00eam no sentido de que este curta tem diversos pontos em comum e diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o ao anterior.<\/p>\n<p>Os dois curtas surgem de uma ideia central de retratar uma pessoa comum. Em MINHA TIA, MEU PRIMO um enorme sentimento de afetividade surgia pela frontalidade e pela intimidade com que Douglas conversava com sua irreverente tia, dentro de seu apartamento, esperando o tempo passar. Mas ao final continuamos sem saber muito bem quem \u00e9 essa tia. Uma c\u00e2mera na m\u00e3o e com a voz do pr\u00f3prio diretor insere recursos de um cinema caseiro, prec\u00e1rio.<\/p>\n<p>A DAMA DO PEIXOTO a princ\u00edpio nos parece um filme muito diferente. Temos l\u00e1 tamb\u00e9m uma certa obsess\u00e3o por uma personagem principal ex\u00f3tica, mas ao contr\u00e1rio do curta anterior, ela n\u00e3o aparece no filme, apesar de o tempo todo estar l\u00e1. Da mesma forma, ao inv\u00e9s do claustrof\u00f3bico apartamento, A DAMA \u00e9 filmado numa pra\u00e7a, em c\u00e9u aberto, com o movimento das pessoas. Dessa vez, a personagem n\u00e3o emite uma \u00fanica palavra: temos apenas impress\u00f5es de quem \u00e9 ela atrav\u00e9s de depoimentos das pessoas que frequentam a pra\u00e7a. Ao contr\u00e1rio de MINHA TIA, A DAMA n\u00e3o assume a apar\u00eancia de um filme caseiro, mas possui uma decupagem sofisticada, recortando o corpo da dama e partes da pra\u00e7a, evocando o extracampo, com quase todos os planos de c\u00e2mera parada.<\/p>\n<p>No entanto, apesar de todas as diferen\u00e7as de linguagem, saio com a impress\u00e3o de que A DAMA \u00e9 uma refilmagem de MINHA TIA, MEU PRIMO. Porque as principais preocupa\u00e7\u00f5es de Douglas continuam l\u00e1: um olhar leve e bem-humorado sobre uma personagem ex\u00f3tica, mas que ao final esconde mais do que revela. E se n\u00e3o est\u00e1 enclausurada no apartamento, dessa vez \u00e9 como se a personagem estivesse enclausurada dentro do pr\u00f3prio enquadramento, ou ainda, dentro da pr\u00f3pria pra\u00e7a, que funciona como uma esp\u00e9cie de casa para essa mulher (nos termos que me interessam, comuns ao meu pr\u00f3prio trabalho, A DAMA DO PEIXOTO n\u00e3o deixa de ser um filme sobre como enquadrar, atrav\u00e9s de uma dist\u00e2ncia, a intimidade de uma personagem que vive trancafiada num quarto).\u00a0<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ou seja, ela fala a partir do seu sil\u00eancio, a partir de seu deslocamento, traduzido atrav\u00e9s de um olhar para o enquadramento. A sabedoria com que o filme costura as imagens recortadas com os sons comprova o amadurecimento de Douglas, auxiliado por Alan Ribeiro, cujos curtas-metragens cada vez mais s\u00e3o exemplos de uma crescente sobriedade. A DAMA DO PEIXOTO tem o mesmo clima levemente suburbano (apesar de n\u00e3o ser passado no sub\u00farbio, mas isso pouco importa&#8230;) de BOCA A BOCA, primeiro curta de Allan Ribeiro. No entanto, as op\u00e7\u00f5es de decupagem, a criatividade no olhar documental comprovam o caminho de amadurecimento dos dois realizadores.<\/p>\n<p>S\u00e3o filmes tipicamente cariocas, mas sem o ran\u00e7o \u201cespertinho\u201d ou \u201cdeslumbrado\u201d do t\u00edpico cinema local. Curtas que articulam com sabedoria uma ideia de \u201cpopular\u201d com um claro refinamento estil\u00edstico.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta quinta feira pr\u00e9 carnavalesca, temos a nossa coluna sobre cinema, em parceria com o blog de mesmo nome. 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