{"id":11578,"date":"2011-03-05T09:05:00","date_gmt":"2011-03-05T11:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/03\/historia-outros-assuntos-carnaval-doce-ilusao\/"},"modified":"2011-03-05T09:05:00","modified_gmt":"2011-03-05T11:05:00","slug":"historia-outros-assuntos-carnaval-doce-ilusao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/03\/historia-outros-assuntos-carnaval-doce-ilusao\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria &amp; Outros Assuntos: &quot;Carnaval. Doce Ilus\u00e3o?&quot;"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>Dando seguimento \u00e0 nossa programa\u00e7\u00e3o carnavalesca, o tema de hoje da coluna do historiador Fabr\u00edcio Gomes \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre samba e Hist\u00f3ria. <\/p>\n<p><i><b>Carnaval. Doce ilus\u00e3o?<\/b><\/i><\/p>\n<p><i>\u201cCarnaval<br \/>Doce ilus\u00e3o<br \/>D\u00ea-me um pouco de magia<br \/>De perfume e fantasia<br \/>E tamb\u00e9m de sedu\u00e7\u00e3o<br \/>Quero sentir nas asas do infinito<br \/>Minha imagina\u00e7\u00e3o&#8230;\u201d<\/i><\/p>\n<p>Os primeiros versos do samba-de-enredo \u201cOs cinco bailes da hist\u00f3ria do Rio\u201d, composi\u00e7\u00e3o de Silas de Oliveira, Dona Ivone Lara e Bacalhau, apresentado em 1965 pelo Imp\u00e9rio Serrano, n\u00e3o s\u00e3o apenas uma constata\u00e7\u00e3o. A imagina\u00e7\u00e3o que o samba fala vai muito de como \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o de cada um sobre o que, de fato, representa o desfile das escolas de samba. <\/p>\n<p>Entra ano e sai ano v\u00eam os desfiles das escolas de samba na Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed. Mais do que o espet\u00e1culo inconteste das escolas, das baterias, das fantasias e dos gigantescos carros aleg\u00f3ricos, desfilam pela Avenida um festival de celebridades e mulheres bonitas, praticamente seminuas, em busca de seus 15, 20 minutos de fama \u2013 podendo ganhar uma \u201csobrevida\u201d caso alguma revista masculina convide alguma para ser garota da capa numa pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Mas.. cabe a pergunta: \u201co carnaval \u00e9 apenas contemplar corpos bonitos, bumbuns e paet\u00eas?\u201d<\/p>\n<p>Acredito que por tr\u00e1s do desfile das escolas de samba do carnaval carioca (e sem querer cair no erro do bairrismo, do carnaval paulista tamb\u00e9m), haja algo muito maior: n\u00e3o somente a embalagem, mas tamb\u00e9m conte\u00fado. Muito conte\u00fado. Al\u00e9m de ser uma manifesta\u00e7\u00e3o cultural sem precedentes, o nosso carnaval (a\u00ed estendendo para outras pra\u00e7as, como Salvador, Recife, Olinda, Ouro Preto, entre outras) retrata tamb\u00e9m a riqueza antropol\u00f3gica, sociol\u00f3gica e musical de um povo.<\/p>\n<p>No caso do desfile de uma escola de samba, muitas coisas est\u00e3o impl\u00edcitas. Assistir uma escola desfilando \u00e9 como se estiv\u00e9ssemos numa aula de cultura, aprendendo o ponto de vista que o professor (o carnavalesco) daquela disciplina (escola\/enredo) quisesse expressar aos alunos (o p\u00fablico presente na Sapuca\u00ed e na TV \u2013 OK, na TV ainda h\u00e1 um certo \u201cintermedi\u00e1rio\u201d, os comentaristas, que inevitavelmente comentam seus pontos de vista e acabam por influenciar a \u201caula\u201d). Variados enredos s\u00e3o apresentados, e no fim de uma, duas noites, temos a impress\u00e3o de estarmos extasiados com a quantidade de informa\u00e7\u00e3o disponibilizada.<\/p>\n<p>A\u00ed geralmente cabe a reflex\u00e3o: \u201cque prazer assistir a essa aula, n\u00e3o?\u201d<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/-GSSJpE6d1b0\/TXDx-bojqjI\/AAAAAAAADW8\/MO8DyXVV6E4\/s1600\/aula+de+samba.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"284\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/aula+de+samba.jpg\" width=\"320\"><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Recentemente dois discos foram lan\u00e7ados no mercado fonogr\u00e1fico: \u201cAula de samba: a Hist\u00f3ria do Brasil atrav\u00e9s do samba-enredo\u201d (com simp\u00e1tica capa &#8211; acima &#8211; desenhada pelo cartunista Ziraldo, com diversas personagens importantes da Hist\u00f3ria do Brasil) e \u201cHist\u00f3ria do Brasil atrav\u00e9s do samba-enredo: o Negro no Brasil\u201d (este na verdade, um relan\u00e7amento, j\u00e1 que o original data de 1976). Em ambos os discos, h\u00e1 uma primorosa sele\u00e7\u00e3o de sambas-de-enredo que: <\/p>\n<p>1) Abordaram personagens hist\u00f3ricos, contando sua saga, suas lutas e influ\u00eancias; <br \/>2) Sambas-de-enredo que tiveram foco na quest\u00e3o do negro, na escravid\u00e3o, no tr\u00e1fico de escravos e na aboli\u00e7\u00e3o da escravatura. <\/p>\n<p>Realmente quem ouve os discos tem a impress\u00e3o de estar numa aula de Hist\u00f3ria. Estes discos s\u00e3o t\u00e3o importantes que s\u00e3o constantemente utilizados em metodologias em Hist\u00f3ria, nas salas de aula, como forma de aprendizado alternativo e mais simp\u00e1tico aos alunos, fugindo do velho recurso j\u00e1 batido de acreditar que mon\u00f3logos e decorebas s\u00e3o as maneiras mais corretas de fazer com que alunos aprendam Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Como percebemos ent\u00e3o, o carnaval n\u00e3o \u00e9 apenas uma \u201cfesta pag\u00e3\u201d, lasciva e do pecado. Carnaval tamb\u00e9m \u00e9 cultura. Muita cultura.<\/p>\n<p>Ao longo de d\u00e9cadas, o desfile das escolas de samba teve muita hist\u00f3ria pra contar. Desde o Estado Novo, quando os desfiles eram utilizados como forma de \u201cpropaganda\u201d do regime ditatorial de Vargas \u2013 as escolas levavam temas nacionais, geralmente contando a vida e obra de grandes personagens, na maioria das vezes simp\u00e1ticos \u00e0 causa republicana \u2013 mas aten\u00e7\u00e3o: quase nada sobre a Rep\u00fablica Velha (ou Primeira Rep\u00fablica, de acordo com a nova historiografia), j\u00e1 que a Revolu\u00e7\u00e3o de 1930, da qual Vargas foi um dos principais nomes, queria justamente enterrar um passado identificado com militares jacobinistas associados a oligarcas (coron\u00e9is do agreste e antigos bar\u00f5es do caf\u00e9). Ent\u00e3o era poss\u00edvel identificar Tiradentes, um dos principais s\u00edmbolos que a Rep\u00fablica utilizou) em enredos, assim como nomes que fossem simp\u00e1ticos ao regime.<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o de temas hist\u00f3ricos foi se aprimorando. A Mangueira em 1956 apresentou o enredo \u201cHomenagem a Get\u00falio Vargas, o grande presidente\u201d, ficando em terceiro lugar; em 1958 a Portela foi campe\u00e3 com o enredo \u201cVultos e efem\u00e9rides do Brasil\u201d, e no mesmo ano a Tupi de Br\u00e1s de Pina apresentou o enredo \u201cInconfid\u00eancia Mineira\u201d, ficando em oitavo lugar. No desfile de 1962, por exemplo, praticamente todas as escolas desfilaram com enredos hist\u00f3ricos \u2013 a Portela foi campe\u00e3 com o enredo \u201cRugendas ou Viagens Pitorescas atrav\u00e9s do Brasil\u201d.\u00a0<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nesta mesma d\u00e9cada de 1960, o Salgueiro inaugurou uma nova concep\u00e7\u00e3o de desfiles, com Fernando Pamplona no comando, e levou v\u00e1rios de enredos hist\u00f3ricos de causar inveja, sempre relacionados com a escravid\u00e3o: \u201cQuilombo dos Palmares\u201d (1960), \u201cChica da Silva\u201d (1963), \u201cChico Rei\u201d (1964), \u201cHist\u00f3ria da Liberdade no Brasil\u201d (1967) e \u201cBahia de Todos os Deuses\u201d (1969) \u2013 a escola ainda apresentaria enredos relacionados durante a d\u00e9cada de 1970, como \u201cFesta para um rei negro\u201d (1971) \u2013 que ficou popularmente conhecido com o fabuloso refr\u00e3o \u201cPega no Ganz\u00ea, Pega no Ganz\u00e1\u201d \u2013 e \u201cValongo\u201d (1976) \u2013 nome que era dado ao mercado de escravos pr\u00f3ximo \u00e0 regi\u00e3o da Gamboa, centro do Rio, onde muitos que chegavam da \u00c1frica, em m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e de sa\u00fade, eram alocados \u00e0 espera de senhores que os comprassem \u2013 a maioria morria ali mesmo, e o Valongo parecia um \u201ca\u00e7ougue\u201d humano.<\/p>\n<p>No caso do Salgueiro \u00e9 importante ressaltar o papel que a escola teve nos anos 1960, de levar enredos que falassem de temas arriscados como \u201cliberdade\u201d, \u201caboli\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cexplora\u00e7\u00e3o de trabalho escravo\u201d, justamente numa \u00e9poca onde, na pol\u00edtica, temas como nacionalismo e anti-imperialismo eram belicosos. E depois de 1964, com a ascens\u00e3o do regime militar, parecia mesmo uma provoca\u00e7\u00e3o que a escola apresentasse, em 1967, um enredo que falasse sobre&#8230; \u201cA Hist\u00f3ria da Liberdade no Brasil\u201d. E era mesmo. <\/p>\n<p>Assim como o Imp\u00e9rio Serrano apresentou-se (e ainda se apresenta) sob a \u00e9gide de ser uma escola de \u201cresist\u00eancia\u201d \u2013 seu enredo de 2001 apresentou a hist\u00f3ria do Cais do Porto do Rio de Janeiro, e um dos versos do samba falava justamente sobre a estiva (trabalho de carga e descarga de navios ali parados), o que motivou, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX o surgimento do sindicato dos estivadores \u2013 o primeiro sindicato do Brasil. A trajet\u00f3ria imperiana em muito se confunde com isso: com a luta contra os poderosos dirigentes que comandam o carnaval, sempre buscando ressaltar valores como samba e tradi\u00e7\u00e3o, entre outros, em detrimento de modernidades nem sempre t\u00e3o saud\u00e1veis aos desfiles.<\/p>\n<p>Certamente se eu fosse listar todas as escolas e enredos hist\u00f3ricos, ao longo desses praticamente 80 anos de desfiles, s\u00f3 terminaria de escrever ap\u00f3s o carnaval do ano que vem.<\/p>\n<p>Entretanto, cabe chamarmos a aten\u00e7\u00e3o para a quest\u00e3o da letra dos sambas-de-enredo.\u00a0<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/-1pIcoksQiuQ\/TXDyPCS4HyI\/AAAAAAAADXA\/zdMjIf1Sd7U\/s1600\/a+historia+do+brasil+atraves+do+samba+enredo.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"317\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/a+historia+do+brasil+atraves+do+samba+enredo.jpg\" width=\"320\"><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Muitas delas hoje est\u00e3o defasadas, tendo em vista que a historiografia se aprimora a cada ano, pesquisas e novos estudos s\u00e3o feitos sobre temas da nossa hist\u00f3ria. Um samba em especial merece destaque: \u201cLiberdade, Liberdade, abre as asas sobre n\u00f3s\u201d, que elevou a Imperatriz Leopoldinense ao t\u00edtulo m\u00e1ximo do carnaval em 1989, num desfile primoroso, recheado de emo\u00e7\u00e3o, com um samba considerado por muitos como antol\u00f3gico, tanto na letra, como na melodia. O enredo falava sobre o centen\u00e1rio da Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica (1889-1989). <\/p>\n<p>Mas&#8230; se hoje a Imperatriz desfilasse com aquele samba, perderia preciosos pontos, j\u00e1 que o samba possui trechos que n\u00e3o soam mais verdadeiros. Em 1989 ainda n\u00e3o t\u00ednhamos estudos muito esclarecedores sobre o que foi realmente a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. Ainda n\u00e3o t\u00ednhamos a primeira elei\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica para presidente, ainda viv\u00edamos sob influ\u00eancia de ementas escolares que datavam das d\u00e9cadas anteriores (elaboradas pelo regime militar), ainda dava-se Educa\u00e7\u00e3o Moral e C\u00edvica nas escolas \u2013 uma disciplina que prezava e exaltava feitos militares, patriotismo etc \u2013 e certos temas ainda eram obscuros e muito complexos para fazer com que alunos entendessem.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o era muito normal acreditar que o Marechal Deodoro da Fonseca tivesse proclamado a Rep\u00fablica com extremo vigor e que sua figura estivesse descolada por completo da Fam\u00edlia Real. E que a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura em 1888 tivesse representado a liberdade, de fato, de todos os escravos. Convido o leitor ent\u00e3o, para alguns coment\u00e1rios em torno da letra do samba da Imperatriz de 1989:<\/p>\n<p><i>\u201cVem ver, vem reviver comigo amor<br \/>O centen\u00e1rio em poesia<br \/>Nesta p\u00e1tria, m\u00e3e querida<br \/>O imp\u00e9rio decadente, muito rico, incoerente<br \/>Era fidalguia\u201d<\/i><\/p>\n<p>(Quanto a esse trecho em si, nenhum problema, embora fosse uma vis\u00e3o estritamente jacobinista republicana encarar a monarquia como sendo \u201cincoerente\u201d. Alguns jornais republicanos chegaram a publicar charges de D.Pedro II dormindo, refestelado em poltronas, como se estivesse alheio aos problemas do Brasil. Muitos acusavam-no de viajar pelo mundo, n\u00e3o tendo dom para governar o pa\u00eds. Em muitas ocasi\u00f5es, a mandat\u00e1ria, de fato, era sua filha, a Princesa Isabel.)<\/p>\n<p><i>\u201cSurgem os tamborins, vem emo\u00e7\u00e3o<br \/>A bateria vem no pique da can\u00e7\u00e3o<br \/>E a nobreza enfeita o luxo do sal\u00e3o<br \/>Vem viver o sonho que sonhei<br \/>Ao longe faz-se ouvir<br \/>Tem verde e branco por a\u00ed<br \/>Brilhando na Sapuca\u00ed\u201d<\/i><\/p>\n<p>(Quando a letra diz que \u201ca nobreza enfeita o luxo do sal\u00e3o\u201d, refere-se ao \u00faltimo baile do Imp\u00e9rio, realizado na Ilha Fiscal, em 9 de novembro de 1889, a seis dias da Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, e foi oferecido pelo Visconde de Ouro Preto \u00e0 na\u00e7\u00e3o chilena e aos comandantes e oficiais, atrav\u00e9s do encoura\u00e7ado \u201cAlmirante Cochrane\u201d, que se encontrava atracado na Ba\u00eda de Guanabara,. O evento acontecia como forma de agradecimento \u00e0 recep\u00e7\u00e3o do navio brasileiro, quando este chegou a Valpara\u00edso, no Chile. Os republicanos criticaram esse baile em exaust\u00e3o, acusando o Imp\u00e9rio de esbanjar dinheiro e suntuosidade desnecess\u00e1rias.)<\/p>\n<p>\u201c<i>Da guerra nunca mais<br \/>Esqueceremos do patrono, o duque imortal<br \/>A imigra\u00e7\u00e3o floriu de cultura o Brasil<br \/>A m\u00fasica encanta e o povo canta assim\u201d<\/i><\/p>\n<p>(Exalta\u00e7\u00e3o \u00e0 Guerra do Paraguai? Uma guerra que provocou baixas, onerou o Estado e tornou-se uma pedra no sapato para o Imp\u00e9rio? Certamente uma vis\u00e3o republicana de contar a hist\u00f3ria. E sobre o Duque de Caxias, alguns livros questionam sua verdadeira atitude dentro do Ex\u00e9rcito. Para muitos, era um homem \u201cde gabinete\u201d, cabendo ao General Os\u00f3rio, de fato, ser um oficial mais pr\u00f3ximo dos combatentes. Quanto \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o, a letra n\u00e3o erra quando ressalta a import\u00e2ncia de novas culturas entrarem no Brasil.)<\/p>\n<p><i>\u201cPra Isabel, a hero\u00edna<br \/>Que assinou a lei divina<br \/>Negro, dan\u00e7ou, comemorou o fim da sina\u201d<\/i>\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>(\u00c9 inquestion\u00e1vel a import\u00e2ncia que a Lei \u00c1urea teve no processo hist\u00f3rico brasileiro. \u00c9 correto tamb\u00e9m afirmar que os negros, antigos escravos, dan\u00e7aram e comemoraram a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura. Mas a realidade imediatamente ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o, j\u00e1 com a Rep\u00fablica implantada no Brasil, foi bem diferente. A\u00ed fazendo um gancho com o samba da Mangueira do ano anterior, que questionava tamb\u00e9m os 100 anos de liberdade (\u201cCem anos de Liberdade, Realidade ou Ilus\u00e3o?\u201d), onde a escola em certo trecho dizia que o negro estava \u201clivre do a\u00e7oite da senzala e preso na mis\u00e9ria da favela\u201d, o samba da Imperatriz em 1989 soa como desconhecimento ou provoca\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a maioria dos ex-escravos n\u00e3o tinha pra onde ir ap\u00f3s estarem livres, indo viver nas favelas, e foi aos poucos sendo colocado debaixo do tapete pela aristocracia republicana.)<\/p>\n<p><i>\u201cNa noite quinze reluzente<br \/>Com a bravura, finalmente<br \/>O marechal que proclamou<br \/>Foi presidente\u201d<\/i>\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>(Outro erro hist\u00f3rico, analisado nos dias de hoje. A noite de 15 de novembro de 1889 foi tudo, menos reluzente como diz o samba. A Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica foi um golpe de estado onde a popula\u00e7\u00e3o apenas assistiu, bestializada, a tomada do poder por um grupo de militares. O pr\u00f3prio marechal Deodoro da Fonseca era amigo pessoal do imperador D. Pedro II e hesitou muito antes de se levantar da cama, enfermo, no meio da noite, para fazer a Proclama\u00e7\u00e3o. Isso est\u00e1 longe de ser um ato de bravura, n\u00e3o?)<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 objetivo aqui falar que o este samba n\u00e3o possui m\u00e9ritos. E seria de uma total injusti\u00e7a querer, 22 anos ap\u00f3s aquele desfile, critic\u00e1-lo, inclusive porque seria uma atitude anacr\u00f4nica fazer isso. Inclusive porque, como disse anteriormente, pesquisas hist\u00f3ricas foram aprimoradas. O que fizemos aqui foi apenas um exerc\u00edcio de comparar uma letra de samba antigo com a realidade que a Hist\u00f3ria hoje nos apresenta.<\/p>\n<p>Portanto, carnaval \u00e9 historia e os desfiles proporcionam verdadeiras aulas para nosso povo, t\u00e3o carente de cultura e informa\u00e7\u00e3o. Pena que seja apenas explorado sob o ponto de vista da festa, da lascividade e que o conte\u00fado que possam proporcionar ainda precise ser&#8230; proclamado!<\/p>\n<p>Bom carnaval a todos! Estarei aqui comentando a transmiss\u00e3o televisiva dos desfiles. At\u00e9 l\u00e1!<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dando seguimento \u00e0 nossa programa\u00e7\u00e3o carnavalesca, o tema de hoje da coluna do historiador Fabr\u00edcio Gomes \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre samba e Hist\u00f3ria. Carnaval. 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