{"id":11496,"date":"2011-05-05T19:01:00","date_gmt":"2011-05-05T21:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/05\/cinecasulofilia-how-do-you-know\/"},"modified":"2011-05-05T19:01:00","modified_gmt":"2011-05-05T21:01:00","slug":"cinecasulofilia-how-do-you-know","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/05\/cinecasulofilia-how-do-you-know\/","title":{"rendered":"Cinecasulofilia &#8211; &quot;How Do You Know&quot;"},"content":{"rendered":"<div>Prenunciando a sexta feira, temos mais uma edi\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Cinecasulofilia&#8221;, assinada pelo cineasta, professor e cr\u00edtico de cinema Marcelo Ikeda. Como sempre, o texto \u00e9 publicado em parceria <a href=\"http:\/\/cinecasulofilia.blogspot.com\/\">com o blog de mesmo nome<\/a>.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Acima o leitor pode ver, com legendas em portugu\u00eas, o trailer do filme enfocado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b><i>How do you know<\/i><\/b><\/div>\n<div><i><span>(Como voc\u00ea sabe)<\/span><\/i><\/div>\n<div><i><span>De James L. Brooks<\/span><\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Num mundo cada vez mais competitivo e materialista como o norte-americano, ainda h\u00e1 espa\u00e7o para o encontro?\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Pelo menos para James L. Brooks, sim. Como \u00e9 poss\u00edvel falar da filmografia desse \u201cvelho diretor de TV\u201d? Brooks ganhou popularidade com os Oscares de La\u00e7os de Ternura, mas quase trinta anos depois deu continuidade \u00e0 sua filmografia de forma bastante esparsa, preferindo dedicar-se mais \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de filmes, e claro, de s\u00e9ries de TV.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Dirigiu apenas seis filmes, desde 1983, mas sua discreta filmografia aponta para uma coer\u00eancia. Uma simplicidade estil\u00edstica, uma op\u00e7\u00e3o pelo texto. Ou ainda, um entremeio entre a com\u00e9dia e o drama. De qualquer forma, sempre seus personagens s\u00e3o malucos, mas nunca vistos como meramente exc\u00eantricos.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>H\u00e1 uma forma afetuosa como Brooks retrata os limites de seus personagens, geralmente desengon\u00e7ados, inst\u00e1veis emocionalmente, incapazes de resolver com equil\u00edbrio suas situa\u00e7\u00f5es. H\u00e1 sempre algo que falta nesses personagens, e eles partem em busca de algo que eles pr\u00f3prios n\u00e3o sabem bem o que \u00e9. Eles precisam ser o que s\u00e3o.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00c9 quando assumem essa falta que os personagens se encontram. Quem n\u00e3o se lembra de \u201cMelhor \u00e9 Imposs\u00edvel\u201d, lindo filme de Brooks em meados dos anos noventa? Era sobre isso. O personagem de Jack Nicholson era irritante, mas quem n\u00e3o se comovia com ele? Tr\u00eas personagens marginais se juntam para uma viagem, em que, juntos, eles conseguem lidar com seus limites. Tudo \u00e9 muito simples, cristalino, bem iluminado demais, mas h\u00e1 uma procura por um tom humano que busca olhar de forma generosa para personagens diferentes, e esse \u00e9 um m\u00e9rito muito grande.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>How do you know (Como voc\u00ea sabe) n\u00e3o \u00e9 diferente. \u00c9 um filme de 2010, seis anos ap\u00f3s seu filme anterior (Espangl\u00eas) e treze anos ap\u00f3s Melhor \u00e9 Imposs\u00edvel.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas Brooks, apesar de esporadicamente exercer o of\u00edcio da dire\u00e7\u00e3o, n\u00e3o perde a m\u00e3o. E n\u00e3o perde o olhar sobre seus personagens. Aqui uma mulher fica dividida entre dois homens. Eles s\u00e3o diferentes, e ela n\u00e3o sabe o que quer. Os dois homens possuem o seu jeito desengon\u00e7ado, falho e inst\u00e1vel. Os dois precisam de ajuda, mas os dois s\u00e3o o que s\u00e3o, e os dois a amam da forma que lhes \u00e9 poss\u00edvel.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A forma como Brooks olha para os tr\u00eas personagens, e a forma como Brooks ir\u00e1 caracterizar cada passo desses personagens \u00e9 cheia desse tom que reafirma a diferen\u00e7a, mas que ao mesmo afirma a possibilidade dessas diferen\u00e7as somarem. \u00c9 um olhar generoso. Por tr\u00e1s das conven\u00e7\u00f5es de sempre da com\u00e9dia rom\u00e2ntica, da decupagem cheia de planos m\u00e9dios de campo-contracampo, h\u00e1 um desejo de encontro.Ao reafirmar a possibilidade desse encontro surgir nas situa\u00e7\u00f5es mais improv\u00e1veis, com um casal improv\u00e1vel, Brooks se revela uma fabulador humano, atento aos detalhes de ser, respeitoso \u00e0 diferen\u00e7a, tolerante, e acima de tudo generoso.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Aos setenta anos, Brooks, conhecido por ser um bom dialoguista e diretor de atores, opta pela conten\u00e7\u00e3o. H\u00e1 momentos de sil\u00eancio, mas sempre integrados \u00e0 narrativa. No mais belo deles, no primeiro encontro entre o casal protagonista, em que ambos est\u00e3o cheios de tens\u00e3o e precisam desabafar um para o outro, os dois fazem um pacto: simplesmente saborear a comida sem nada dizer um ao outro. Eles comem e a c\u00e2mera simplesmente mostra os dois saboreando um prato no restaurante. Ali eles se entendem e se amam.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Momento simples, mas surpreendentemente tocante, que mostra a \u00e9tica particular do cinema de Brooks.<\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prenunciando a sexta feira, temos mais uma edi\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Cinecasulofilia&#8221;, assinada pelo cineasta, professor e cr\u00edtico de cinema Marcelo Ikeda. Como sempre, o textoTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[13,12,11],"class_list":["post-11496","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cinecasulofilia","tag-cinema","tag-cultura","tag-marcelo-ikeda"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11496","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11496"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11496\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11496"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11496"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11496"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}