{"id":11483,"date":"2011-05-14T20:14:00","date_gmt":"2011-05-14T22:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/05\/historia-outros-assuntos-o-segredo-e-a-musica\/"},"modified":"2011-05-14T20:14:00","modified_gmt":"2011-05-14T22:14:00","slug":"historia-outros-assuntos-o-segredo-e-a-musica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/05\/historia-outros-assuntos-o-segredo-e-a-musica\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria &amp; Outros Assuntos: &quot;O segredo \u00e9 a m\u00fasica&quot;"},"content":{"rendered":"<div>Em mais uma coluna especial de anivers\u00e1rio, o <b>historiador Fabr\u00edcio Gomes<\/b> nos traz uma combina\u00e7\u00e3o irresist\u00edvel: m\u00fasica e cinema. Aproveitem.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pedromigao.blogspot.com\/2011\/05\/promocao-do-segundo-aniversario.html\">Aproveitem tamb\u00e9m a nossa promo\u00e7\u00e3o de anivers\u00e1rio, que pode ser vista aqui<\/a>.<\/p>\n<p><i><b>O segredo \u00e9 a m\u00fasica<\/b><\/i><\/p>\n<p>A m\u00fasica vive me emprestando saudade. Por diversas vezes, ouvindo alguma melodia, remeto a um tempo espec\u00edfico de minha vida: um lugar, uma pessoa, uma \u00e9poca passada. Entra pelos ouvidos e areja a mente, devaneando pensamentos saudosistas \u2013 que podem ser bons ou ruins, por\u00e9m sempre nost\u00e1lgicos.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante a fun\u00e7\u00e3o da m\u00fasica em nossas vidas. \u00c0s vezes, \u00e9 vista como produto, forma de entretenimento. M\u00fasica para relaxar, para passar o tempo. Em outras ocasi\u00f5es, a m\u00fasica penetra no inconsciente, ressignificando sintomas. Um gago inveterado pode gaguejar ao ler um texto em voz alta, mas jamais gagueja quando canta uma m\u00fasica. Uma pessoa com Alzheimer pode n\u00e3o se lembrar de fatos do cotidiano (e muito menos de fatos do passado), mas sabe na \u00edntegra uma can\u00e7\u00e3o antiga \u2013 uma can\u00e7\u00e3o que a marcou ou representou uma \u00e9poca importante de sua vida. Uma crian\u00e7a come\u00e7a sua alfabetiza\u00e7\u00e3o ouvindo m\u00fasicas, cantigas. Cantamos para ninar beb\u00eas, acalm\u00e1-los (mesmo que em certa altura cantemos que \u201ca Cuca vem pegar\u201d)\u2026 cantamos porque desejamos expressar felicidade \u2013 ou mandar a tristeza embora.<\/p>\n<p>Da\u00ed a import\u00e2ncia que a m\u00fasica adquire tamb\u00e9m nos filmes. As pessoas, com exce\u00e7\u00e3o de poucos detalhistas, quase nunca d\u00e3o valor \u00e0 trilha sonora de um filme, talvez porque estejam prestando aten\u00e7\u00e3o aos di\u00e1logos ou ao desempenho (ou beleza, sex appeal) dos atores. Ou ent\u00e3o porque est\u00e3o preocupadas em ler as legendas do filme, tentando fazer a conex\u00e3o do roteiro com o entendimento do enredo. O que n\u00e3o sabem \u00e9 que na maioria das vezes, a trilha sonora \u00e9 respons\u00e1vel pelo sucesso de um filme, por torn\u00e1-lo agrad\u00e1vel aos olhos daqueles que o assistem. A m\u00fasica envolve e amacia a mente do espectador.<\/p>\n<p>Alguns filmes se tornaram c\u00e9lebres nesse sentido. Por terem justamente uma trilha sonora envolvente, que se insere em nosso inconsciente, a ponto de mesmo assim, terminarmos a exibi\u00e7\u00e3o, tecermos longos elogios \u00e0 dire\u00e7\u00e3o da fita, aos atores, aos efeitos especiais. Mas.. e a trilha sonora? Porque quase nunca \u00e9 elogiada?<\/p>\n<p>Vamos ao exemplo do cultuado \u201c2001 \u2013 uma odiss\u00e9ia no espa\u00e7o\u201d, de Stanley Kubrick, lan\u00e7ado em 1968:<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=U8Q3X5Gw5I4&#038;feature=player_embedded\">http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=U8Q3X5Gw5I4&#038;feature=player_embedded<\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os primeiros 32 minutos de filme n\u00e3o t\u00eam di\u00e1logos. Somente imagens, montagens. Mas h\u00e1 a trilha sonora, que flui durante a exibi\u00e7\u00e3o, e justamente por estar no mesmo timing das cenas, faz com que o espectador absorva a trama de modo diferente. Primeiramente com &#8216;Also Sprach Zarathustra&#8217; e depois com a valsa &#8216;Dan\u00fabio Azul&#8217;, de Strauss, o segredo do filme est\u00e1 na trilha sonora \u2013 sem querer desmerecer a id\u00e9ia central do diretor, tirando essa trilha sonora, a emo\u00e7\u00e3o n\u00e3o existiria.<\/p>\n<p>Em \u201cCinema Paradiso\u201d (1988), de Giuseppe Tornatore, a trilha sonora fica por conta do maestro italiano Ennio Morricone:<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<p><\/p>\n<div>A m\u00fasica \u00e9 a respons\u00e1vel pela emo\u00e7\u00e3o do filme, que mostra a evolu\u00e7\u00e3o do cinema numa pequena cidade italiana, como pano de fundo para a trama que envolve as personagens. Ennio Morricone acerta o tom, e a trilha sonora traduz justamente a nostalgia de uma personagem que ap\u00f3s 30 anos longe de sua cidade, retorna e a encontra totalmente transformada pelo progresso.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m encomendada especialmente a Ennio Morricone, a trilha sonora de \u201cEra uma vez na Am\u00e9rica\u201d (1984), dirigido pelo italiano Sergio Leone, \u00e9 igualmente magistral. O filme, que conta a hist\u00f3ria do surgimento da m\u00e1fia nos arredores de Nova York, tendo tamb\u00e9m a hist\u00f3ria da comunidade judaica na cidade:<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Em \u201cManhattan\u201d, filme dirigido por Woody Allen, em 1979, a trilha sonora tem a cara da cidade de Nova York, e foi composta por George Gershwin, misturando jazz com orquestra:<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<p><\/p>\n<div>E h\u00e1 tamb\u00e9m as cl\u00e1ssicas trilhas sonoras, como \u201cE o vento levou\u201d (1939), que praticamente \u00c9 o filme inteiro (tente imaginar esse filme sem essa trilha sonora ou com outra qualquer?):<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p>Em \u201cBlade Runner \u2013 o ca\u00e7ador de andr\u00f3ides\u201d (1982), de Ridley Scott, a trilha sonora foi composta por Vangelis e Love Theme chama a aten\u00e7\u00e3o, pela cena onde n\u00e3o h\u00e1 di\u00e1logos ou efeitos: apenas a m\u00fasica:<\/p>\n<p>Qual a trilha sonora tem mais o significado de aventura? Imposs\u00edvel dissociar a trilha principal de todos os \u201cIndiana Jones\u201d lan\u00e7ados at\u00e9 o momento, do conceito de aventura e a\u00e7\u00e3o. Composta por John Williams, tornou-se uma das mais conhecidas do mundo:<\/p>\n<p>Certamente que poderia listar mais de 100, 200 trilhas sonoras que merecem o devido destaque, o que tornaria este post longo, extenso e enfadonho \u2013 e nem uma trilha sonora daria jeito de salv\u00e1-lo. Mas n\u00e3o poderia deixar de finaliz\u00e1-lo com uma cena maravilhosa, de \u201cScent of woman\u201d (\u201cPerfume de mulher\u201d), de 1992. <\/p>\n<p>Sempre que esse filme \u00e9 lembrado, todas as pessoas inevitavelmente mencionam o tango Por una cabeza (Carlos Gardel), dan\u00e7ado por Al Pacino, que vive um personagem cego, e a atriz Gabrielle Anwar. \u201cVive-se toda a vida num segundo\u201d \u2013 e todo o filme pode ser vivido nessa cena:<\/p>\n<p>A m\u00fasica \u00e9 capaz de trazer o passado de volta, definir personalidades e praticamente definir o sucesso de um filme \u2013 em muitos casos, SER o verdadeiro segredo de um filme.<\/p>\n<p>At\u00e9 a pr\u00f3xima!<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em mais uma coluna especial de anivers\u00e1rio, o historiador Fabr\u00edcio Gomes nos traz uma combina\u00e7\u00e3o irresist\u00edvel: m\u00fasica e cinema. Aproveitem. 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