{"id":11456,"date":"2011-06-03T08:54:00","date_gmt":"2011-06-03T10:54:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/06\/cinecasulofia-adventureland\/"},"modified":"2011-06-03T08:54:00","modified_gmt":"2011-06-03T10:54:00","slug":"cinecasulofia-adventureland","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/06\/cinecasulofia-adventureland\/","title":{"rendered":"Cinecasulofia &#8211; &quot;Adventureland&quot;"},"content":{"rendered":"<div>Nesta sexta feira, finalzinho de escassas f\u00e9rias, temos mais uma edi\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Cinecasulofilia&#8221;, assinada pelo professor, cineasta e cr\u00edtico <b>Marcelo Ikeda<\/b>. Como sempre, <a href=\"http:\/\/cinecasulofilia.blogspot.com\/\">coluna publicada em parceria com o blog de mesmo nome<\/a>.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b><i>Adventureland<\/i><\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div>A princ\u00edpio, ADVENTURELAND (<i>\u201cF\u00e9rias Frustradas de Ver\u00e3o\u201d<\/i>, t\u00edtulo, ali\u00e1s, horroroso&#8230;) surpreende para quem viu SUPERBAD.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Aqui, ao inv\u00e9s das estripulias de uma com\u00e9dia maluca para adolescentes, no ritmo dos filmes high-school e do prot\u00f3tipo de American Graffiti, h\u00e1 uma unidade dram\u00e1tica maior, um filme mais coeso, mais delicado. Mas pode surpreender para quem viu SUPERBAD sem prestar aten\u00e7\u00e3o no final, uma enorme declara\u00e7\u00e3o de inten\u00e7\u00f5es do cinema de Motolla. Nesse final (repito, antol\u00f3gico), fica claro que SUPERBAD \u00e9 acima de tudo um \u201cromance de forma\u00e7\u00e3o\u201d, ou ainda, um filme sobre uma despedida e um encontro. A despedida marca o fim desse processo de amadurecimento.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>ADVENTURELAND, nesse sentido, d\u00e1 continuidade ao final de SUPERBAD. O filme se passa num entremeio temporal e espacial. Temporal, porque se d\u00e1 num tempo de espera, nas f\u00e9rias logo depois de o protagonista se formar na Universidade, nesse sentido quase que uma continua\u00e7\u00e3o de SUPERBAD (al\u00e9m disso, o filme come\u00e7a com uma cartela informando que se passa em &#8220;1987&#8221;).\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>S\u00f3 que agora ele precisa trabalhar para ganhar o dinheiro que falta para uma viagem \u00e0 Europa, e nesse trabalho encontrar\u00e1 pessoas que acelerar\u00e3o seu rito de passagem. SUPERBAD come\u00e7a como um filme \u201cquase f\u00fatil\u201d, e aos poucos, vai desvelando suas inten\u00e7\u00f5es mais rec\u00f4nditas: ser um filme sobre o valor da amizade. ADVENTURELAND j\u00e1 se revela desde o primeiro plano: um close de Jesse Eisenberg para o extracampo, com tudo o mais fora de foco, num certo deslocamento do tempo e do espa\u00e7o.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Um olhar para uma mulher (n\u00e3o mais para um amigo): um olhar que deseja uma rela\u00e7\u00e3o de verdade (n\u00e3o somente sexo), mas parece que isso n\u00e3o \u00e9 o suficiente (ou ainda, esse olhar n\u00e3o \u00e9 correspondido). Todo o percurso do filme \u00e9 em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 possibilidade de esse plano possuir um contracampo adequado. E quando isso se d\u00e1 \u2013 no \u00faltimo plano do filme \u2013 \u00e9 claro que acontece num s\u00f3 plano. E ao inv\u00e9s do olhar, h\u00e1 o corpo. Ou melhor, n\u00e3o s\u00e3o apenas os olhares que se cruzam, mas os corpos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Esse entremeio \u00e9 tamb\u00e9m do espa\u00e7o. \u00c9 lindo o t\u00edtulo original (um filme entre a despedida das tolas aventuras de brinquedo e a \u201cdor e a del\u00edcia\u201d da aventura de viver e de amar) e a ideia de passar todo o filme num parque de divers\u00f5es meio decadente, que os funcion\u00e1rios claramente \u201cn\u00e3o curtem\u201d o lugar.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Esse parque \u00e9 uma esp\u00e9cie de lugar transit\u00f3rio em que os personagens inevitavelmente pertencem a ele mas ao mesmo tempo n\u00e3o querem mais pertencer, querem deixar para tr\u00e1s, como espelho da pr\u00f3pria adolesc\u00eancia e do pr\u00f3prio sentimento dos personagens. A rela\u00e7\u00e3o de proximidade e distanciamento dos personagens em rela\u00e7\u00e3o ao espa\u00e7o f\u00edsico \u00e9 an\u00e1loga \u00e0 que eles possuem em rela\u00e7\u00e3o a si mesmos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O pequeno mundo de Adventureland funciona quase como uma provinciana cidade do interior, com sua micropol\u00edtica, com suas picuinhas, boatarias e rela\u00e7\u00f5es de poder. Para fazer filmes, \u00e9 preciso, antes de tudo, ser um bom observador.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Neste que \u00e9 claramente um filme menor, Motolla confirma sua voca\u00e7\u00e3o de observador dos sentimentos da juventude, optando por uma dramaturgia de conten\u00e7\u00e3o ao inv\u00e9s de pulverizar as a\u00e7\u00f5es como no seu anterior SUPERBAD. S\u00e3o dois filmes de op\u00e7\u00f5es de encena\u00e7\u00e3o diferentes, mas no fundo sa\u00edmos com a impress\u00e3o de que ambos s\u00e3o sobre a dificuldade de se dizer \u201ceu te amo\u201d pela primeira vez.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta sexta feira, finalzinho de escassas f\u00e9rias, temos mais uma edi\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Cinecasulofilia&#8221;, assinada pelo professor, cineasta e cr\u00edtico Marcelo Ikeda. 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