{"id":11335,"date":"2011-09-05T19:11:00","date_gmt":"2011-09-05T21:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/09\/bissexta-pitacos-irresponsaveis-sobre-economia\/"},"modified":"2011-09-05T19:11:00","modified_gmt":"2011-09-05T21:11:00","slug":"bissexta-pitacos-irresponsaveis-sobre-economia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/09\/bissexta-pitacos-irresponsaveis-sobre-economia\/","title":{"rendered":"Bissexta &#8211; &quot;Pitacos Irrespons\u00e1veis Sobre Economia&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-UBe1AvHZCN4\/Tl_6E6Yhe-I\/AAAAAAAADyE\/Wv_0i9ZdwYk\/s1600\/van+7+lugares.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"426\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/van+7+lugares.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Neste in\u00edcio de semana<b> temos mais uma coluna &#8220;Bissexta&#8221;, do advogado e colunista Walter Monteiro<\/b>. Hoje, como ele mesmo diz, est\u00e1 entrando em uma seara que j\u00e1 abordei diversas vezes aqui, a quest\u00e3o dos juros e do c\u00e2mbio.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Escrevi diversas vezes sobre este assunto, que ser\u00e1 alvo de post ainda esta semana &#8211; a surpreendente redu\u00e7\u00e3o da taxa Selic na semana passada permite uma s\u00e9rie de leituras te\u00f3ricas bastante interessantes. <a href=\"http:\/\/pedromigao.blogspot.com\/2011\/07\/juros-e-cambio-de-novo.html\">O \u00faltimo texto que escrevi foi em 26 de julho passado, que pode ser lido aqui<\/a>. \u00c9 um contraponto bastante interessante com a coluna de hoje.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Sobre o c\u00e2mbio, tamb\u00e9m recomendo o leitor a olhar este post, de abril: &#8220;<a href=\"http:\/\/pedromigao.blogspot.com\/2011\/04\/inflacao-aleija-mas-o-cambio-mata.html\">A infla\u00e7\u00e3o aleija, mas o c\u00e2mbio mata&#8221;.<\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Como percebem, discordo das teses do artigo. Mas leia, caro amigo. O contradit\u00f3rio \u00e9 necess\u00e1rio para formarmos uma opini\u00e3o independente.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ressalto tamb\u00e9m que a cidad\u00e3 chamada M\u00edriam Leit\u00e3o presta um tremendo desservi\u00e7o n\u00e3o somente ao jornalismo como \u00e0 Economia. \u00c9 t\u00edpica representante do pensamento &#8220;neocon&#8221;, que parte de conclus\u00f5es pr\u00e9 estabelecidas para torcer hip\u00f3teses e fatos. Suas opini\u00f5es s\u00e3o mais ideologias que jornalismo ou economia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Feitas as ressalvas, vamos ao texto.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><b>Pitacos Irrespons\u00e1veis Sobre Economia<\/b><\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Economista, aqui, \u00e9 o Editor-Chefe. Volta e meia ele nos brinda com textos animados sobre o tema. <\/p>\n<p>Eu entendo tanto de economia quanto a Miriam Leit\u00e3o, ou seja, quase nada. Mas ela ainda tem a vantagem de, sendo jornalista, passar o dia colhendo opini\u00f5es de especialistas de verdade, para fazer um resumo delas e assim escrever sua coluna ou seus coment\u00e1rios na TV. <\/p>\n<p>Ali\u00e1s, outro dia eu a vi falando no telejornal matutino que uma das \u201cdesvantagens\u201d do plano Brasil Maior, lan\u00e7ado semanas atr\u00e1s pela Presidenta Dilma para desonerar a ind\u00fastria, era justamente a ren\u00fancia \u00e0 cobran\u00e7a de impostos, porque isso implicava indiretamente em \u201caumento de gastos\u201d ao\u201cdiminuir\u201d a arrecada\u00e7\u00e3o. Era de manh\u00e3 cedo, eu estava acordando, deve ter sido um sonho&#8230;.afinal, a Miriam Leit\u00e3o n\u00e3o iria ser contra a redu\u00e7\u00e3o de impostos.Ou ser\u00e1 que para falar mal da Dilma vale at\u00e9 dizer agora o oposto do que disse antes? <\/p>\n<p>Bom, se a Miriam Leit\u00e3o pode dizer qualquer bobagem e fica tudo por isso mesmo, eu tamb\u00e9m tenho direito. E vou me aventurar a falar de um dos temas prediletos dos economistas de botequim, a pol\u00edtica de juros e c\u00e2mbio.<\/p>\n<p>H\u00e1 duas certezas irrefut\u00e1veis no Brasil e ai de quem se opuser a elas:\u00a0<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>a) o Wellinton \u00e9 o pior zagueiro que j\u00e1 vestiu o Manto Sagrado;\u00a0<\/div>\n<div>b) nossa taxa de juros \u00e9 escandalosa, a maior do mundo, uma benesse concedida pelo Banco Central ao mercado financeiro, aos especuladores de sempre, aos milion\u00e1rios de toda sorte, em desfavor do pobre cidad\u00e3o brasileiro.<\/p>\n<p>Do Wellinton n\u00e3o falo, n\u00e3o \u00e9 o tema deste artigo, n\u00e3o t\u00f4 nem a\u00ed para o que acham dele. Mas na taxa de juros, data maxima venia, como gostam de dizer os caus\u00eddicos, vou meter o bedelho.<\/p>\n<p>A taxa de juros brasileira equivale \u00e0 taxa Selic, que hoje \u00e9 de 12%. E at\u00e9 outro dia ainda era um tantinho maior, essa pequena queda ocorreu por conta de uma suposta inger\u00eancia da equipe econ\u00f4mica no Banco Central.\u00a0<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ali\u00e1s, essa gente mal humorada precisa definir o que pensa da vida. Porque n\u00e3o adianta bradar aos quatro ventos que a taxa \u00e9 alta e ao mesmo tempo se encher de pudores quando algu\u00e9m lhes d\u00e1 ouvido e faz uma press\u00e3ozinha nos s\u00e1bios do Copom, o comit\u00ea de pol\u00edtica monet\u00e1ria que tem o poder de fixar a taxa Selic. <i>[N.do.E.: quem criticou a decis\u00e3o do Copom foi a turma que advoga juros altos como panac\u00e9ia para espinhela ca\u00edda, dor de cabe\u00e7a, manchas nas panelas ou dificuldades de ere\u00e7\u00e3o. Voltarei ao assunto]<\/i><\/p>\n<p>Mas essa quedinha de meio ponto percentual n\u00e3o altera muito o tom das cr\u00edticas: segue todo mundo repetindo o mantra de que essa taxa \u00e9 alt\u00edssima. Mem\u00f3ria curta \u00e9 uma caracter\u00edstica marcante do senso comum, mas o Google est\u00e1 a\u00ed para n\u00e3o deixar a gente se esquecer que no \u00faltimo m\u00eas do governo FHC ela era de 23,25%. Ali\u00e1s, nos tempos de Arm\u00ednio Fraga, hoje banqueiro de investimentos, a taxa chegou a ser de 45% (n\u00e3o escrevi errado, quarenta e cinco por cento), contra uma infla\u00e7\u00e3o de cerca de 6%.<\/p>\n<p>Foi bom tocar nesse nome maldito. Falo da infla\u00e7\u00e3o, bem entendido.<\/p>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o medida pelo IPCA, que \u00e9 o \u00edndice que baliza a meta perseguida pelo governo, est\u00e1 rondando a casa dos 7%. Esse, portanto, \u00e9 o piso da taxa de juros.\u00a0<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o sei se todos compreendem bem a no\u00e7\u00e3o, mas existe uma diferen\u00e7a entre \u201ccorre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria\u201d e \u201cjuros\u201d. A corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria \u00e9 a mera reposi\u00e7\u00e3o da perda do poder de compra corro\u00eddo pela infla\u00e7\u00e3o. Logo, se a taxa de juros for de 12% e a infla\u00e7\u00e3o de 6% a taxa de juros \u201creal\u201d ser\u00e1 de 6%, porque \u00e9 preciso descontar a corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria embutida.<\/p>\n<p>Assim, no Brasil atual a taxa de juros efetiva \u00e9 de menos de 6% ao ano, menos de 0,5% ao m\u00eas, Isso, claro, a taxa b\u00e1sica, n\u00e3o aquela que a gente pega emprestado no banco, item que daria assunto para umas 3 colunas exclusivas. Dadas as condi\u00e7\u00f5es estruturais do pa\u00eds, n\u00e3o \u00e9 nenhum esc\u00e2ndalo.\u00a0<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Afinal, em termos econ\u00f4micos, n\u00f3s somos como um ex-obeso que passou por uma cirurgia de redu\u00e7\u00e3o de est\u00f4mago e agora est\u00e1 pesando 80 kg. Ok, 80 kg ainda pode n\u00e3o ser o peso dos sonhos, mas \u00e9 nada quando comparado ao que sujeito pesava antes.<\/p>\n<p>O pior \u00e9 que eu ou\u00e7o gente \u2013 inteligente, quero fazer essa ressalva \u2013 que acha que o governo age assim apenas para enriquecer quem investe em t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica e que o melhor seria dar uma banana para essa gente malvada, o chamado \u201cmercado financeiro\u201d. S\u00f3 que no mundo real quem investe nesses t\u00edtulos somos eu, voc\u00ea, seus vizinhos e todo mundo que consegue uma sobra de dinheiro no fim do m\u00eas e o deixa \u201crendendo\u201d no banco. Logo, n\u00e3o d\u00e1 para mandar todo mundo pastar.<\/p>\n<p>Outro aspecto de inquietude tem a ver com a pol\u00edtica cambial. J\u00e1 tem muito tempo que o Brasil adota uma pol\u00edtica de c\u00e2mbio \u201cflutuante\u201d, o que quer dizer o seguinte: n\u00e3o \u00e9 o governo quem diz quanto vale a nossa moeda, mas sim as transa\u00e7\u00f5es di\u00e1rias. Se tem muita gente trocando d\u00f3lar por real, o c\u00e2mbio desce; no sentido contr\u00e1rio, se tem muita gente comprando d\u00f3lar, a moeda norte-americana sobe.<\/p>\n<p>Essa hist\u00f3ria de c\u00e2mbio \u00e9 um jogo interessante, porque um d\u00f3lar baixo interessa a v\u00e1rios setores da economia e um d\u00f3lar alto interessa a outros. Por\u00a0exemplo, com o c\u00e2mbio assim baixinho tem um monte de brasileiro viajando para o exterior e fazendo a festa de quem vende pacotes tur\u00edsticos, mas por outro lado essa situa\u00e7\u00e3o tira o sono de quem precisa exportar seus produtos, que acabam chegando l\u00e1 fora bem caros.<\/p>\n<p>Mas, afinal, porque o d\u00f3lar est\u00e1 t\u00e3o baixo? Bom, h\u00e1 v\u00e1rias raz\u00f5es, mas uma delas se sobressai \u00e0s demais: porque o Brasil n\u00e3o para de atrair investimentos estrangeiros. Muitos deles, \u00e9 verdade, daquilo que se chama\u201ccapital especulativo\u201d, ou seja, investidores que n\u00e3o t\u00eam ra\u00edzes com o pa\u00eds e s\u00f3 est\u00e3o aqui de passagem aproveitando os ganhos imediatos que o pa\u00eds proporciona (ali\u00e1s, a tal taxa de juros da Selic tem a ver com isso). <\/p>\n<p>Fazer o qu\u00ea? Meter um ferrolho na economia, controlar a sa\u00edda de capitais, conter o fluxo de entrada de dinheiro estrangeiro, enfim, expulsar esse povo e proibi-los de investir no pa\u00eds?<\/p>\n<p>Ou, quem sabe, voltar aos tempos antigos, quando a taxa de c\u00e2mbio era definida por decreto governamental, sujeita a toda sorte de press\u00f5es e lobbies, confess\u00e1veis e inconfess\u00e1veis?<\/p>\n<p>N\u00e3o existe decis\u00e3o f\u00e1cil em economia. Mas eu continuo acreditando que \u00e9 melhor administrar os dramas da prosperidade do que gerenciar as agruras da escassez. Vamos de juros altos, c\u00e2mbio baixo e Wellinton na zaga, que \u00e9 o que temos por enquanto. Dias melhores h\u00e3o de vir.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste in\u00edcio de semana temos mais uma coluna &#8220;Bissexta&#8221;, do advogado e colunista Walter Monteiro. 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